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A tecnoguitarrada de Lucas Estrela

por   /  20/10/2017  /  9:00

Lucas

Ouvi o disco do Lucas Estrela e quis me transportar pro Pará. Que música boa, que vontade de dançar! O músico lançou recentemente “Farol”, seu segundo álbum, e a gente aproveitou pra conversar.

Mais: @lucas.estrela

#trilhadonttouch

Pra completar, ele fez uma playlist especial pro blog!

Minha história na música começou com uns 8 anos de idade. Minha família não é de músicos, mas meus pais amavam música, então recebi toda essa influência deles, principalmente da música instrumental e da lambada, que eles gostavam muito. Eles me deram o primeiro violão de presente e fui aprendendo sozinho, naquelas revistinhas de cifras que vendiam em bancas na época. Mas um ano depois, quando fiz 9, meu pai faleceu e acabei abandonando o instrumento por um tempo. Só depois de alguns anos que fui estudar música mesmo. Com 15 montei a primeira banda e aos 16 já tava começando a tocar na noite. Foi nessa passagem dos 16 pros 18, quando ainda era barrado na porta das casas quando ia tocar, que descobri que queria ser artista, haha.

Tem um disco chamado “Tecnoguitarradas” do Pio Lobato de 2007. Pio é guitarrista, compositor e produtor musical daqui de Belém, hoje ele é o produtor musical da Dona Onete. Então, esse disco que completa 10 anos agora em 2017 mudou minha vida. Quando ouvi o “Tecnoguitarradas” pela primeira vez, a ideia de música instrumental, eletrônica e de música experimental se ampliaram na minha cabeça e no meu jeito de tocar e produzir música. O Pio conseguiu juntar a linguagem tradicional da guitarrada com os elementos do tecnobrega e essa coisa mais contemporânea da música eletrônica. Loops, efeitos, samples, tudo isso gravado no home studio do Pio em 2007, quando o acesso aos equipamentos de estúdio de baixo custo ainda não era tão fácil.

Depois te tanto ouvir esse disco, fui atrás dele. Só então que descobri que ele tinha sido responsável por vários outros trabalhos importantes pra cultura popular paraense, inclusive os “Mestres da Guitarrada” (2001). Trabalho que promoveu essa difusão da guitarrada pelo Brasil. Nessa época, acho que tinha uns 18, já produzia em casa e comecei a mandar coisas pro Pio. Certo dia ele disse que tava produzindo o novo disco e queria que eu fizesse a base eletrônica pra uma música chamada “2×2”. Me mandou algumas trilhas de guitarra e fiz a base. A faixa entrou pro disco dele e nossa parceria de composição surgiu aí. O Pio foi um dos responsáveis pelo meu primeiro álbum. A outra pessoa igualmente responsável foi o Waldo Squash (Gang do Eletro), um dos maiores produtores de música eletrônica que tive o prazer de conhecer. Waldo produziu comigo as bases do “Sal ou Moscou”.

O processo de produção do primeiro foi bem diferente do segundo disco. No primeiro, passei uns 2, 3 anos gravando sozinho em casa, sampleando as bases do Waldo até chegar num álbum. Tentei dar uma unidade a esse trabalho, usando praticamente os mesmos timbres de bumbo, caixa, synths e guitarras nas faixas. Algo bem característico do tecnobrega.

No “Farol” (2017), o processo foi totalmente diferente. Chamei vários amigos pra esse disco, tem muitas participações. Gravamos em 3 meses no estúdio Casarão Floresta Sonora, chamei um grande amigo pra fazer a direção artística, o Felipe Cordeiro, e gravei algumas versões instrumentais nesse disco, coisa que não fiz no disco anterior, em que todas as composições eram minhas. Sem falar na sonoridade, que já caminha por outros lugares também. Do carimbó digital à cumbia. Essa experimentação no estúdio só foi possível graças ao patrocínio do Natura Musical que acreditou nessa união da música tradicional e contemporânea feita no Pará.

Bom, tenho 25 anos, nasci em Belém/PA e acho que só fiz coisas ligadas à música até hoje, haha. Nessa época que comecei a tocar na noite, com uns 16 anos, pensava em fazer arquitetura. Tentei o vestibular por dois anos e não passei. Aí foi quando decidi seguir a carreira da música mesmo. Mas também fiz trabalhos ligados à música em outras áreas, como câmera e editor de vídeo em uma produtora audiovisual em Belém por uns bons anos, editando shows e videoclipes (outras grandes paixões: o cinema e audiovisual). Também já fui roadie da Gaby Amarantos e do Felipe Cordeiro por um tempo, depois passei três anos em São Paulo trabalhando na EMESP (Escola de Música do Estado) como técnico de gravação. Fiz o “Cine Concerto Arboreal”, um média metragem de paisagens sonoras que gravei em várias cidades e tocava a trilha sonora do filme ao vivo. Apresentei em alguns festivais em Belém e São Paulo. Em 2015 voltei pra Belém pra finalizar e lançar ainda o primeiro disco e tô aqui desde então.

É bem difícil a gente tentar definir a música que faz, ainda mais sendo instrumental. As influências são tantas que definindo alguma coisa acabaria excluindo outra sem querer. Mas como gosto tanto desse termo criado pelo Pio Lobato e pela cineasta Jorane Castro, eu diria que é tecnoguitarrada.

O “Farol” foi só mais um experimento juntando essas duas linguagens, a tradicional e a experimental. Minha vontade é continuar fazendo música e espero que as pessoas também tenham o intuito de continuar com a produção musical paraense. De ir atrás da história da nossa música, do Mestre Vieira, da guitarrada, do carimbó, do tecnobrega, até chegar nesse momento atual tão legal que a gente tá vivendo. A cidade cheia de novos artistas fazendo música. Isso é bonito demais!

A fotografia de sonhar acordado de Tuane Eggers

por   /  19/10/2017  /  10:00

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Tuane Eggers cria imagens que parecem saídas de um sonho. Paisagens idílicas e corroídas pelo filme analógico se misturam aos amores e amigos em meio à natureza que ela tanto adora. O encontro dá tão certo que a gente é transportado para um tempo de beleza e contemplação.

Lembro dela da época do Flickr, muitos anos atrás. Existia toda uma estética Flickr, quem lembra? Lembro também que ela foi parar no filme “Os famosos e os duendes da morte”, de Esmir Filho. Mais recentemente, suas fotografias fizeram parte de “O filme da minha vida”, de Selton Mello.

Entre suas inspirações, estão as fotógrafas Francesca Woodman, Vivian Maier, Nan Goldin e Diane Arbus.

Nesta breve entrevista, ela fala sobre o que a motiva a criar imagens que falam tanto de impermanência. Espero que vocês gostem! #galeriadonttouch

Mais em: @tuane.eggers + cargocollective.com/tuaneeggers

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Meu nome é Tuane Eggers e sou natural de Lajeado, uma pequena cidade do interior do sul do Brasil, mas atualmente vivo em Porto Alegre. Acho que sou fotógrafa, mas também acho um tanto difícil de me definir assim em algumas poucas palavras…

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O que me encanta na fotografia é esse paradoxo entre o espaço e o tempo – enquanto ela congela o espaço, o tempo continua pulsando dentro de uma imagem infinita. Também gosto de pensar nessa capacidade que a fotografia possui de registrar algo que realmente aconteceu ou existiu no mundo, mas também de criar um mundo à parte, um mundo inventado a partir do real. É como se minhas imagens fossem um recorte de um espaço em que eu gostaria de viver para sempre, e acho que elas permitem que outras pessoas habitem esse espaço no momento em que são olhadas – e então, talvez, o tempo continue pulsando infinito dentro desse olhar.

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Nossa, muito difícil escolher apenas três [fotos mais fortes que já fez], mas vou falar dessas porque elas marcam, simbolicamente, a força de alguns momentos da minha vida. A primeira [que abre o post] é “Um amor que brota”, de 2015: um retrato do meu ex-namorado Antônio, pessoa tão importante na minha vida, que me ensinou tanto e estimulou tantas coisas bonitas na minha vida e no meu ser, incluindo o meu encantamento pela fotografia analógica. Além disso, essa foto também traz outro assunto que me encanta muito e está bastante presente no meu trabalho: os fungos, principalmente em forma de cogumelos, com a sua capacidade tão importante de decompor.

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A segunda [segunda foto do post] é “Estrada para a imensidão”, de 2014: além de ter sido feita em uma ocasião linda de uma viagem com amigos, ela ganhou um significado especial pra mim neste ano, pois está presente em “O Filme da Minha Vida”, dirigido pelo querido Selton Mello, e foi uma emoção enorme ver ela gigante na tela de cinema durante o filme.

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A terceira [foto do post] é “Dos imensos dias em que fomos tão grandiosamente pequenos”, de 2017: feita durante uma viagem que fiz com meus amigos em que fomos de carro desde o sul do Brasil até o Peru. Nessa viagem, tivemos uma experiência muito forte de dar a volta em uma montanha, durante quatro dias de caminhada, entre os 4 mil e 5,2 mil metros de altitude. Ela também marca uma fase importante de mudanças na minha vida.

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Acho que espero [com as fotos] reencontros com outros olhares sensíveis. Que elas possam despertar uma vontade de viver. Espero que meu fascínio pela natureza, pela vida e pela potência dos encontros reverbere em outros corpos. Por isso, a cada vez que recebo uma mensagem de alguém que se sentiu tocado pelas minhas fotografias, me sinto preenchida.

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#asmúsicasdeamor: Laure Briard

por   /  05/10/2017  /  8:08

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A cantora francesa Laure Briard esteve recentemente no Brasil. Aproveitei pra conversar – e pra pedir a ela uma lista de suas músicas de amor. Não encontrei todas no Spotify, daí juntei com algumas de sua própria autoria.

Sua música é classificada como “yeyé psicodélico” e sua trajetória começou em 2005, nos conta o Coquetel Molotov, que trouxe a turnê para o Brasil junto com o Benke Ferraz, do Boogarins. E continua: o primeiro EP veio em 2013, com ajuda de Julien Barbagallo, do Tame Impala. Dois anos depois, lançou “Révélation”, com inspiração na música dos anos 1960 e do indie rock dos 1990. Em 2016, vieram “Sur La piste de danse” e “Sorcellerie”.

Me descobri cantora tarde. Gostava de música desde a adolescência, fiz aulas de bateria aos 16. Eu cantava só por diversão. Minha praia era mais a arte dramática, eu queria ser comediante. Fui para Paris com a escola de teatro e, quando voltei para Toulouse, minha cidade natal, foi quando comecei a fazer música com meu ex-namorado. Ele havia composto algumas letras, achava minha voz legal, então comecei a tentar a cantar. E foi assim que começou.

Cantar todo dia é um hábito pra mim. Eu posso passar o dia fazendo isso, mesmo que sejam umas canções bem porcaria, às vezes…

Música significa emoção. Eu sinto tantas coisas quando ouço uma música que eu amo. Isso é muito poderoso. Talvez mais do que um filme. Como cantora e compositora, encontro minha forma de expressão. Isso começou realmente depois do fim de um relacionamento. Eu tinha tanta coisa para dizer naquele momento. A música me ajudou demais, e ainda faz isso.

Quando coloco minha música no mundo, só espero proporcionar emoção às pessoas, ou espalhar alguma vibe boa. Fazer as pessoas dançarem, chorarem, terem esperança. Se eu pudesse rodar o mundo para conhecer essas pessoas seria ainda melhor!

Ouçam a playlist! #trilhadonttouch

#galeriadonttouch: João Arraes

por   /  04/10/2017  /  18:18

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João Arraes constrói imagens de moda e gosta de fotografar sem necessariamente falar de roupa. Suas imagens compõem timelines, catálogos, campanhas e revistas. Tem muito de beleza. E diversão. Essa semana, aliás, ele virou hit na internet quando foi publicada uma matéria falando sobre as fotos com pé na pia que ele e os amigos postam no Instagram.

Conversei com esse meu primo torto sobre sua profissão. #galeriadonttouch

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Sou o João, leonino, nascido e criado em Recife, amante da praia. Fotografo desde os 16 anos (agora estou com 28). Eu não consigo muito bem me definir, sou um inquieto sempre na busca de um novo jeito de me comunicar.

Fotografar é a maneira que encontrei de me comunicar. É como expresso meus vários eus. É meu ganha pão, meu prazer, meu trabalho, meu hobby.

Minha paixão não vem tanto da resposta [para as minhas fotos], nem sei nem se de fato espero por resposta, vem do ato de fotografar. O momento que aperto o disparador é o mais importante. Posso ter uma equipe de mil pessoas (que são super importante na construção de uma imagem), mas o momento do click é só meu e da pessoa (ou objeto) em questão, a atenção e a troca são só nossas.

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[Sobre as fotos dele mais marcantes] A primeira é a campanha que fiz para Nike X Pedro Lourenço. Primeiro pela liberdade artística que tive, segundo pela linguagem que pude trazer. Estava fotografando moda sem falar de roupa, sabe? Eles meio que me mandaram ir para rua e fotografar o que eu quisesse, com algumas palavras chaves de mood.

A segunda não é uma foto, e sim uma história. Quando comecei a passar mais tempo que São Paulo e viajando fora de Recife, criei junto com um amigo uma história chamada areia. Era essa minha busca por praia mesmo longe. Falamos de praia de uma forma escura, não tem uma moda focada em tendência. Eram surfistas tirados de casa.

A terceira foto é quando pude falar de futebol sem ser sexista, fiz a foto para um cliente durante a Copa no Brasil. Meu futebol era jogado por uma mulher linda, negra, forte – e que, além de fazer tudo, ainda tinha que cuidar do filho.

Mais João Arraes > joaoarraes.com

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IMS Paulista, uma nova paixão para São Paulo

por   /  14/09/2017  /  11:11

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São Paulo ganhará no próximo dia 20/09 o Instituto Moreira Salles da avenida Paulista. Depois de 4 anos de obras e de expectativa, a cidade recebe um presente – e o público, um lugar maravilhoso para apreciar fotografia, arte, música, cinema. Ontem, na apresentação para a imprensa, fizemos uma visita guiada pelo prédio e suas exposições. E posso dizer sem dúvida: nasce um novo hit na cidade. Um daqueles lugares que vão ficar apinhados de gente, ainda mais com a Paulista aberta aos domingos.

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O IMS Paulista começa com cinco exposições, além da célebre videoinstalação “The Clock”, de Christian Marclay, que recebeu o Leão de Ouro na Bienal de Veneza, em 2011, tem 24 horas de duração e conta com milhares de cenas de TV e cinema que fazem referência ao horário do dia.

“Você sempre tem uma tensão em relação ao tempo. Quando você vai ao cinema, relaxa e sabe que vai sentar e ficar ali por duas horas. Aqui não. Você está sempre pensando no tempo de alguma maneira. O que cria essas pequenas narrativas que são sempre interrompidas é o som”, diz Heloísa Espada, coordenadora de artes visuais e curadora dessa exposição.

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O IMS exibe pela primeira vez no Brasil “Os americanos”, de Robert Frank, um dos ícones da fotografia. A série faz parte do repertório de quem ama fotografia, e ver ao vivo as 83 imagens que compõem o livro é um deslumbre. Entre 1955 e 1957, Frank percorreu os Estados Unidos para fazer retratos de todo tipo de gente. Fez mais de 28 mil fotos, que são um verdadeiro retrato da América profunda.

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Com auxílio do célebre fotógrafo Walker Evans, a viagem também rendeu um livro, que ganha versão brasileira publicada pelo IMS, em parceria com a editora alemã Steidl, celebrada por seu acervo de fotografia. “Pra mim é um verdadeiro curto circuito temporal. Me sinto devolvido para os anos 1950 nos Estados Unidos e, no momento seguinte, me sinto devolvido para esse presente tão conturbado, misturado, confuso que é agora dos Estados Unidos, mas também é do Brasil – e dessa própria avenida”, diz Samuel Titan Jr., um dos curadores da exposição.

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A mostra conta também com fotos inéditas que Frank fez em Manaus. Ele estava em uma viagem pelo Peru, que também originou um livro, e deu um pulo no Brasil. “A relação que ele estabelece com Brasil naquele momento. E também em 1956, que inclui fotos do Pierre Verger”, diz Sérgio Burgi, coordenador de fotografia e curador da exposição.

A mostra conta ainda com uma série de fotos de 24 livros de Frank impressas em formato banner, tomando a parede. Frames de filmes, várias edições do livro célebre e de mais outros. O IMS também vai exibir uma retrospectiva da filmografia de Frank, com 25 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens. É emocionante ver as imagens de Frank ao vivo. Elas viraram referência de fotografia de rua, em que a técnica importa menos do que a expressão de quem é retratado, o momento que diz tanto ao ser congelado.

Brasil

“Corpo a corpo” mostra sete trabalhos desenvolvidos por artistas e coletivos brasileiros em parceria com Thyago Nogueira, coordenador de fotografia contemporânea do IMS e editor da revista Zum. Os artistas foram convidados a pensar como as imagens podem nos ajudar a enxergar os conflitos sociais que emergiram no Brasil nos últimos anos. “O mote da exposição é o uso do corpo como um elemento de representação social e atuação política – seja pela presença física e simbólica nos espaços públicos, seja como o veículo condutor da câmera, seja como lugar de expressão da individualidade, que aproxima e separa os indivíduos”, diz o IMS.

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Pra mim os destaques são os trabalhos de Bárbara Wagner. Em “À procura do quinto elemento”, ela retrata os candidatos de um concurso de MCs de uma famosa produtora de funk de São Paulo. São 52 fotografias e um vídeo que nos fazem pensar na música como passaporte para uma vida radicalmente da que eles têm.

Em “Terremoto Santo”, ela e o parceiro Benajmin de Burca fazem uma espécie de musical sobre cortadores de cana da zona da mata de Pernambuco que sonham em gravar um videoclipe gospel. É sensacional!

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“Eu, mestiço”, de Jonathas de Andrade, parte de uma pesquisa dos anos 1950 da Unesco em que fotografias de pessoas com diferentes tons de pele eram usadas como base de um questionário sobre quem parecia mais bonito, rico ou inteligente. O artista fez uma série de retratos com gente de diferentes partes do país para pensar sobre a relação que estabelecemos com a imagem.

A mostra conta ainda com trabalhos do coletivo Mídia Ninja, que exibe transmissões feitas entre 2013 e 2017 de vários protestos no país; “A máscara, o gesto, o papel”, de Sofia Borges, que mistura bocas e gestos de políticos do Congresso Nacianal; “Postais para Charles Lynch”, do coletivo Garapa, que surgiu a partir de notícias sobre linchamentos no Brasil e pesquisa de vídeos no Youtube sobre o tema.

Biblioteca

Pra completar, o IMS Paulista conta, ainda, com uma biblioteca maravilhosa dedicada à fotografia. Começa com 6.000 títulos, deve dobrar de capacidade em breve e tem espaço para 30 mil. Além de aquisições e doações, o acervo conta com coleções especiais de nomes como Stefania Bril, uma das primeiras críticas de fotografia do Brasil, Thomaz Farkas Iatã Cannabrava, Paulo Leite. Gerhard Steidl doou um conjunto completo de livros produzidos por sua prestigiada editora.

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O IMS conta ainda com ateliês e laboratório para cursos, workshops e oficinas, cinema, livraria e o restaurante Balaio, do chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó. O prédio de 7 andares fica entre as ruas Consolação e Bela Cintra. Sua obra custou R$ 150 milhões. O IMS foi fundado em 1992 pelo banqueiro Walther Moreira Salles. É uma entidade civil sem fins lucrativos, vive de um fundo e não se vale de incentivos fiscais e patrocínio.

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IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424

De terça a domingo, das 10h às 20h. Às quintas, até 22h

Entrada gratuita

ims.com.br

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Letrux em Noite de Climão

por   /  11/08/2017  /  13:28

@leticialetrux em Noite de Climão. Que show foda! Ouçam o disco, vejam o show assim que puderem. Sempre me encanto com a potência que é a Letícia no palco. Performática, divertida, misteriosa, dona de um timing perfeito pra responder aos gritos ouriçados da plateia. Plateia maravilhosa, aliás, com a nata de quem faz música boa hoje no Brasil and um monte de gente novinha – muito bom ver o público que ela tá formando. E todo mundo cantando junto, o que é impressionante, uma vez que o disco acabou de ser lançado. Pura energia!

Com o adendo de que show no @centroculturalsp é legal demais. E ainda começa na hora, essa coisa civilizada que eu amo. Parabéns pela curadoria, @trabalhosujo, voltarei mais vezes! #trilhadonttouch

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Jemima Kirke e a honestidade da vida real

por   /  10/08/2017  /  9:09

Jemima Kirke, a Jessa do seriado “Girls”, em uma entrevista tão honesta para o StyleLikeU. O projeto convida mulheres a se despirem em frente a uma câmera – e quando elas fazem isso é tão menos sobre a roupa e tão mais sobre mostrar de verdade, olhando pra dentro, pra toda vulnerabilidade que todas nós carregamos. Fiquei encantada.

“Uma das razões pelas quais fui contratada para o ‘Girls’ era a minha personalidade – e algum tipo de brilho que eles queriam. Não era uma habilidade que eu tinha. Isso me fez me sentir uma merda, e também inflou meu ego.”

Quando perguntada se tem alguma insegurança em que ainda está trabalhando, ela fala: maternidade. “Para muitas pessoas parecia que estava tudo certo na minha vida. A culpa me atingiu no segundo momento em que ela saiu de mim. Eu era sua mãe. ‘Meu deus, o que acabei de fazer? Eles vão me dar um bebê’. (…) Eu não estava pronta para ficar em casa todas as noites. E não tinha paciência porque ainda era muito autocentrada.”

amor  ·  feminismo  ·  vida  ·  vídeo

Rir é o melhor remédio (tá comprovado)

por   /  10/08/2017  /  8:08

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Por que a gente gosta de quem nos faz rir, texto da Suzana Herculano-Houzel na Folha de S.Paulo.

“Ter oportunidades para rir ao longo do dia pode parecer um bônus, uma pausa bem-vinda no meio de um dia de afazeres. Mas um corpo crescente de evidências indicam que o que leva ao riso faz muito mais do que divertir: reduz o estresse, melhora a capacidade do corpo de combater infecções –e ainda promove laços afetivos entre todos os que compartilham a risada. (…)

Ser acariciado ou abraçado por quem se gosta é uma maneira certeira de fazer o cérebro liberar seus próprios opioides –mas que só tem efeito sobre as duas pessoas envolvidas. Segundo o estudo finlandês, rir em grupo também funciona, e aparentemente surte efeitos no cérebro de todos os envolvidos: a liberação de opioides endógenos aumenta nas partes do cérebro que levam ao bem-estar e ao prazer, e junto com isso vêm não só sensações agradáveis de diversão como também de calma e paz interna. Quanto mais intensas as risadas, mais forte é a ativação do cérebro por seus próprios opioides –e mais intensas as sensações positivas.

De quebra, fica no cérebro um registro da associação entre a companhia do momento e o resultado prazeroso. E assim quem riu conosco, ou nos fez rir, ganha valor especial para nosso cérebro. (…)”

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