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Coquetel Molotov, 13 anos

por   /  20/10/2016  /  13:13

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O Coquetel Molotov é da maior importância. O festival existe há 13 anos e é feito no Recife (e hoje se espalha por outras cidades, como Belo Horizonte, e faz shows especiais em outras, como São Paulo). Imagina 13 anos atrás ter a chance de ver, fora do eixo Rio-São Paulo, shows de bandas que foram fundamentais para a formação de um monte de gente que é apaixonada por música? Meu coração indie chora e até hoje lembra da comoção que foi o Teenage Fanclub tocando “Your love is the place where I come from”. Acho incrível a dedicação que Ana Garcia, Jarmerson de Lima e toda trupe têm pelo festival. É para quem ama música, é para formar público, é para estreitar fronteiras.

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Em comemoração ao início da adolescência do festival, Aninha fez uma playlist especial para o Don’t Touch. Ela explica e relembra alguns momentos da trajetória:

“Achei que seria difícil fazer uma playlist dos 13 anos do festival No Ar Coquetel Molotov, mas ela saiu naturalmente e foi gostoso relembrar que já tivemos tantos artistas incríveis no festival. O festival passou por diversas fases e durante muitos anos os integrantes do Hurtmold faziam parte da programação com os seus projetos paralelos. Dinosaur Jr. foi com certeza a turnê mais divertida que fizemos. Rodamos o país com os nossos ídolos que por nossa surpresa foram incríveis e ainda tocaram em Salvador! Teenage Fanclub foi a banda que nos motivou a começar essa história toda de festival e trazer gringos para o Brasil. Eu nunca consigo acreditar que uma banda sueca cantando em sueco encerrou uma das noites do festival. Dungen fez isso em 2005. CocoRosie foi um dos shows mais especiais que já vi na vida. Acho que todo mundo que esteve neste show lembra até hoje. Soko, Hundi Zahra e Sebastien Tellier foram algumas das bandas melhores francesas que trouxemos. Beirut foi talvez o show mais difícil e complicado que fizemos, mas valeu todo esforço. Carne Doce fez talvez uns dos melhores shows do ano passado e lançou agora o segundo disco “Princesa”. Club 8 e toda a Invasão Sueca foi uma experiência surreal. Lulina veio em mente porque era a banda recifense que mora em São Paulo e traz uma nostalgia gostosa. Thiago Pethit talvez seja uma das relações mais especiais que criei por causa do festival. Jaloo vem este ano com o seu disco novo e, apesar dele ter tocado em 2014, parece que o público daqui só acordou para ele agora. a sua música começou a propagar agora. Beans pelo seu show energizante. Racionais MCs por ter sido a maior loucura que fizemos no Teatro da UFPE. Miike Snow por ter o melhor técnico de luz de todos os tempos. Boogarins por ter o meu amor.”

Vamos ouvir? ♡

Ah, o Coquetel Molotov acontece no sábado (22/10) na Coudelaria Souza Leão, em Recife. Entre as atrações, Céu (SP), BaianaSystem (BA), Karol Conká (PR), Boogarins (GO), Jaloo (PA), Baleia (RJ), Tagore (PE), Luneta Mágica (AM), Barro (PE), Ventre (RJ), Phalanx Formation (PE), Rakta (SP) e AMP (PE), Deerhoof (EUA), Moodoïd (França) e Los Nastys (Espanha). Mais em > facebook.com/events/1800288883532928

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Inky: música eletrônica com pegada rock made in Brasil

por   /  13/10/2016  /  15:15

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De vez em quando entro numas de ouvir música eletrônica made in Brasil. E gosto bastante, ainda mais quando tem uma pegada de rock. Conheci a Inky com “Parallels”, o primeiro EP, que foi lançado em 2010. De lá pra cá, curti o clipe de “Baião”, vi um show em algum lugar que não lembro e, agora, tenho ouvido “Animania”, o segunda álbum do grupo formado por Luiza Pereira (vocais e sintetizadores), Guilherme Silva (baixo), Stephan Feitsma (guitarra) e Luccas Villela (bateria). A produção é de Guilherme Kastrup, que assina, entre tantos outros, “A mulher do fim do mundo”, de Elza Soares.

Ouçam o disco > https://www.youtube.com/watch?v=j46melKgk_E

Pedi pra Luiza uma playlist com suas principais influências, que vão de PJ Harvey a Savages, passando por Janis Joplin, Pixies e Warpaint. Ouçam!

Aproveitei pra bater um papo rápido com ela, espero que gostem!

Ah, a banda faz show no próximo domingo, em São Paulo. Saiba mais > www.facebook.com/events/1052784464777526

– Conta um pouco da sua história? Como você começou a cantar? Quais foram suas principais influências?

Comecei a fazer aulas de música desde muito pequena, com 4/5 anos. Primeiro iniciação musical e depois aulas de piano. Nessa mesma época comecei a querer cantar me acompanhando no piano e achava mais fácil me expressar assim; a voz é um instrumento muito pessoal, cantar é um processo de autoconhecimento, de desvendar o seu instrumento e se descobrir. Gostava muito do jazz e de cantar standards clássicos. Uns anos depois, descobri o rock, a Björk, o Thom Yorke, a Beth Gibbons (e outros vários) e fui descobrindo minha personalidade artística no meio disso. Já no synth, tive uma grande influencia do “disco punk”, dos anos 80 e do trip hop.

– Como é ser mulher no mercado da música? É um espaço de mais acolhimento ou ainda tem bastante preconceito?

Acho que poucos mercados de trabalho são acolhedores pras mulheres. Salvo aqueles de carreiras consideradas “femininas”. O mercado musical é extremamente masculino. Desde produtores, engenheiros de som, roadies, músicos… E ser mulher nesse mercado é ser constantemente testada, subestimada e desrespeitada. Já ouvi homens questionando se eu sabia ligar meu instrumento, se eu tocava com playback, já fui assediada, já ouvi que eu tava na banda porque “era legal como marketing”, enfim… Ainda tem essa mentalidade de que mulher não tem capacidade e somos reduzidas ao nosso gênero e à nossa aparência. Mas isso tá mudando aos poucos, e fico feliz de ver cada vez mais mulheres trabalhando no mercado e mostrando qualidade e competência.

– Qual caminho você espera seguir com a INKY? Conta como vocês começaram, como estão atualmente e quais os planos pro futuro?

A gente começou a tocar em 2010. O Gui (baixista) tinha um projeto de musica eletrônica com baixo ao vivo e queria que isso virasse uma banda. Na época, eu tinha 17 anos e tinha acabado de comprar um synth e ele me chamou pra fazer um ensaio com outros integrantes e ver no que dava. A INKY nasceu e eu tô na banda desde então 🙂
Lançamos nosso segundo disco, Animania, em agosto desse ano e começamos a fazer os shows desse disco e a absorver essa nova fase. Espero que a gente continue crescendo, tocando pelo Brasil e pelo mundo e podendo trabalhar com pessoas que a gente admira.

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Precisamos falar do assédio

por   /  10/10/2016  /  8:08

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“Precisamos falar do assédio” é um desses filmes-porrada que a gente precisa ver. Reúne depoimentos de mulheres que foram vítimas dos mais diferentes tipos de abuso. É forte, incomoda, agonia e nos mostra o quão necessário é falar dessa triste realidade da qual praticamente toda mulher é vítima.

Durante a semana da mulher, uma van-estúdio parou em nove lugares em São Paulo e no Rio e recolheu depoimentos de mulheres de 15 a 84 anos, de zonas nobres e periféricas. As mulheres ficavam sozinhas na sala improvisada da van. As que não queriam mostrar o rosto, recorriam a uma máscara. Ao todo, 140 decidiram falar. Parte delas está no documentário, dirigido por Paula Sacchetta, com quem conversei sobre o filme.

O filme continua na internet, pra onde qualquer mulher pode mandar seu depoimento > precisamosfalardoassedio.com

Confira os locais onde o filme está em cartaz > facebook.com/precisamosfalardoassedio

O que mais te marcou durante a realização do documentário?

Todo mundo que me entrevista me pergunta isso e acho que cada vez respondo uma coisa de tão doloroso, difícil e ao mesmo tempo bonito que foi esse processo. Acho que o que mais me marcou foi entender o filme – e o processo todo dele, incluindo as filmagens – como esse lugar, apesar da dor e das violências, de encontro e acolhimento. Eu digo e repito que com esse filme eu descobri o sentido mais profundo da palavra acolhimento. Acho que foi olhar para a van como esse lugar de acolhimento, apesar de ser uma van fechada e escura na qual as mulheres ficavam sozinhas dentro, sem nenhum tipo de interlocução ou entrevistador, muitas viram nela a chance de falarem de seus traumas e violências sofridas pela primeira vez. Me marcou muito muito o depoimento de uma menina, que tem 18 anos hoje, que conta de um estupro que sofreu aos trezes. O depoimento dela mostra uma dor profunda e muito muito latente. É o mais dramático do filme em todos os sentidos. Mas mais que isso, o que mais me surpreendeu – e acho que surpreende qualquer um que assista – é que ela diz que está falando daquilo pela primeira vez. Que nunca falou daquilo nem para sua psiquiatra ou psicóloga. O que a fez, de repente, no meio da avenida Paulista, entrar naquela van escura e contar sua história? O projeto e todo esse momento que estamos vivendo acho que têm essa cara: de nos reconhecermos, de olharmos umas as dores das outras e, de alguma forma, nos sentirmos mais fortes para falarmos de coisas até então indizíveis. Pra mim isso é muito grande.

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Qual é a importância de colocar pra fora assédios, traumas e abusos?

Acho que é importante para mostrarmos como acontece muito e sempre e com todas nós. Para nos encontrarmos nesse lugar de acolhimento, fala, escuta, dor e cura e para dizermos, juntas, que não vamos mais aceitar isso. Acho que, por um lado, conscientiza: “amigo, olha só o que acontece todos os dias com a sua amiga, com a sua irmã, com a sua namorada e até com a sua avó”. E por outro, dá força para lutarmos contra: nos reconhecemos, ficamos mais fortes para falar e aí podemos, juntas também, dizer que não vamos mais aceitar. A fala, no centro do filme e em todo esse movimento, tem esse lugar de luta e ao mesmo tempo, de cura.

Conta um pouco da sua trajetória? Temas como esse sempre te interessaram ou foi um despertar que veio dessa primavera feminista?

Eu sou jornalista de formação, mas trabalho há algum tempo como documentarista e acho que, até agora, só fiz documentários e curtas sobre temas pesados. Eu não falaria de coisas que não me movem ou não me comovem, e, de certa forma, mostro o que está errado para tentar mudar as coisas. Eu sempre respondi na rua aos assédios, xinguei, sempre odiei escutar barbaridades e até já apanhei uma vez, por ser respondona. Essa primavera feminista que estamos vivendo só me deu vontade de trabalhar com esse tema agora em um documentário. Comecei a olhar todos aqueles relatos no Facebook e pensei em fazer algo que tirasse esse tema das redes sociais e ampliasse de alguma forma o movimento, ocupando os espaços da cidade com o tema. Por isso a escolha de um estúdio móvel. Eu poderia ter coletado os depoimentos dentro de uma sala fechada na produtora, mas a van adesivada na rua PRECISAMOS FALAR DO ASSÉDIO já trazia luz para o tema, entende?

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O que você espera para o filme, seu impacto, seus desdobramentos?

Eu quero que ele seja visto por mais pessoas possível. Acho que todo mundo que faz um filme quer isso. Mas acho que ele tem que ser visto à exaustão, tem que gerar reflexão e debate. Todo mundo que assiste – homens e mulheres – sai muito impacto, então acho que isso ele já tem por si só. Mas queria que ele rodasse o Brasil e o mundo. No meu mundo ideal, ele seria passado dentro das escolas, a partir, sei lá, dos 13 ou 14 anos (ele pegou 14 na classificação indicativa), para educar mesmo, sabe? Tanto as mulheres a identificarem as violências que muitas vezes naturalizamos, quanto os homens a entenderem o que podem fazer e o que não podem. Já passou da hora de pararmos a ensinar as meninas e se protegerem, a serem “comportadas”, “recatadas” ou a não usarem roupas curtas, por exemplo. Temos que ensinar os meninos a não serem estupradores e assediadores. Temos que ensiná-los a serem respeitosos e ensiná-las e serem livres.

Você já está fazendo outro projeto?

Sim! Alguns dentro da produtora onde foi bolado e realizado o “Precisamos Falar do Assédio”, a Mira Filmes. Estou dirigindo uma série de TV sobre jovens LGBT nas periferias de São Paulo e bolando outros dois longas documentários, um mais leve e solar e outro nem tanto, hehe.

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Wilco e afinidades eletivas, por Diego Matos

por   /  06/10/2016  /  19:19

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Sábado e domingo tem Wilco em São Paulo! E o Diego Matos, amigo querido, fez uma playlist.

“Sobre Wilco, sua importância, suas influências e suas origens. Para não ficar longo demais, fiz uma lista de 13 músicas deles, intercaladas com 12 de outros artistas, além de um brasileiro intruso”, ele nos conta.

E eu pergunto: por que tu ama Wilco? “Eu amo Wilco porque agrega todas as coisas bacanas da boa música popular. Das canções de amor aos riffs de guitarra, ao flerte com o erudito e o jazz. Sempre com um tom nostálgico, às vezes melancólico, às vezes irônico. E espelha muito bem uma das cidades mais legais do mundo: Chicago.”

Vamos ouvir e fazer esse esquenta? ♡

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“1978”, de Gabriela Oliveira

por   /  04/10/2016  /  13:13

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Quando saiu do interior de São Paulo para morar na capital, Gabriela Oliveira foi para um pensionato católico. Tinha 17 anos. Munida de uma câmera herdada do irmão e de alguns rolos de filme, começou a fotografar o cotidiano de jovens como ela que compartilhavam um espaço enquanto começavam a viver uma poderosa etapa da vida.

Os registros dos anos 1970 foram revisitados em quatro décadas depois e, este ano, deram origem ao fotolivro “1978”, editado pela Olhavê, de Alexandre Belém e Georgia Quintas.

Conversei brevemente com a fotógrafa, cujo trabalho me encantou pela aura de mistério, pelas tantas histórias que uma única imagem consegue nos fazer imaginar.

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Desde a infância me interessei por artes visuais e comecei esse trajeto através da pintura. Em 1977, vim para São Paulo cursar o colegial no IADE (Instituto de Artes e Decoração), onde uma das matérias era fotografia, com o fotógrafo Antônio Saggese. O ensaio fotográfico “1978” foi a semente de tudo que tracei em seguida, inclusive a faculdade de artes plásticas na FAAP.

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Sempre fui interessada em reter e deter o tempo, registrando o que se passava ao meu redor, um apelo da memória: fixar a imagem que magicamente se revelava sob a luz vermelha. Essas fotos que fiz aos 17 anos foram meu primeiro contato com a fotografia. Captadas de forma intuitiva, ainda hoje possuem uma carga emocional, base de todo o meu trabalho.

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No processo de edição o que prevaleceu foi o viés poético que Georgia Quintas propôs com a escolha das imagens, além de presentear o trabalho com um lindo poema. Foi um processo muito rico, com confiança total e sobra de competência da Editora Olhavê.

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O objetivo de toda essa soma é simples. Que as pessoas possam apreciar a narrativa proposta, que cada leitor possa acrescentar as próprias histórias e memórias… Sentimentos que expandem todas as possibilidades do olhar.

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Amores Anônimos, o livro!

por   /  27/09/2016  /  15:15

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Eu sou apaixonada pelo @amoresanonimos. Todo dia entro na hashtag e me impressiono. Com o tanto de amor que existe no mundo, com a capacidade de cada fotógrafo de capturar cenas que dizem tanto, com essa coisa de voltar o celular mais pro outro do que pra selfie. Um dia, vendo essa foto do @gnunes, pensei: esse projeto devia virar um livro. As fotos são cada vez mais bonitas, mais gente devia ter a chance que se encantar também.

A gente ama a internet, mas tudo por aqui é tão rápido, né? De repente veio uma vontade de ir pro offline, fazer uma publicação, pensar em algo mais perene. A Luiza Voll gostou da ideia, a Yana Parente também. Com Yana, tiramos um sonho antigo do armário: o de abrir um selo, uma nanoeditora. O ‘Amores Anônimos’ é Contente e Capote Books.

É também uma montanha russa, uma gincana de desafios, erros, acertos e aquela coisa de aprender um monte. E ainda traz aquela ansiedade de festa de aniversário de criança, quando a gente acha que ninguém vai aparecer. Por isso, peço: venham celebrar com a gente! Amanhã, quinta-feira, na Livraria da Vila. Esse livro só vai fazer sentido quando chegar nas mãos de vocês 💕

Ah, antes de terminar, preciso contar: o livro tem prefácio do Gregorio Duvivier (!!!), texto da Aurea Vieira, produção da Juliana Morganti e da Clarissa Amorim e impressão da Ipsis Gráfica. Timão!

#amoresolivro #amoresanônimos

Lançamento: nesta quinta (29/09), das 19h às 22h, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, São Paulo).

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Deixa Ela em Paz

por   /  07/09/2016  /  10:10

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O Deixa Ela Em Paz (@deixaelaempaz) é um projeto de intervenção urbana e ativismo digital. Criado por Joana Pires e Manuela Galindo, tem como objetivo discutir o empoderamento de mulheres, enquanto se fortalece, também, como um espaço de formação. Para isso, colocou no ar uma campanha de crowdfunding. A gente pode contribuir com qualquer valor, basta acessar www.benfeitoria.com/deixaelaempaz.

Conversei com Joana sobre o projeto. “Fico pensando aqui em como responder tuas perguntas enquanto o meu juízo tá quase completamente dominado pelos últimos dias no Brasil e tudo o que isso significa e ainda vai significar para a gente, sabe? O Deixa Ela Em Paz é também uma parte desse processo, uma das outras partes, a parte de uma resistência feminina em meio a um mar bravio e duro, que afoga a gente caldo atrás de caldo no ressurgimento de uma onda conservadora na nossa história. E a gente sabe como não é fácil ficar submersa em meio a isso tudo, tentando encher o pulmão de ar. Mas como mar não tem cabelo (adoro essa expressão), o respiro vem das boias que a gente mesmo vai tentando ‘artesanar’. O Deixa Ela Em Paz como intervenção urbana surge assim, da necessidade de falar com mulheres sobre as realidades que dividimos no dia a dia, da minuciosa realidade de violência que todas vivemos e que pode ser vista no relacionamento silenciosamente abusivo, na discriminação salarial, na tentativa de silenciamento da nossa voz no ambiente de trabalho, na violência urbana, na agressão dentro de casa.”

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“Quando eu e Manuela começamos, buscamos falar com essas mulheres de forma simples e direta, como falávamos uma para a outra, criando espaço para reflexões que pudessem vir a se potencializar mesmo depois que as mulheres deixassem de ter contato direto com o nosso discurso. O primeiro passo era intervir uma pela outra, no espaço da cidade, demandar a paz da outra, num ato de solidariedade, empatia e força mútua. Saímos, primeiro no Rio de Janeiro, onde fizemos a primeira colagem e depois no Recife, com um grupo maior de amigas. Mas a impressão é de que o projeto começou com muito mais gente, porque foi da repercussão e da resposta que a gente recebeu que ele veio a se tornar uma ação continuada e um coletivo”, diz Joana,

“De lá pra cá, o aprendizado tem sido constante, principalmente no sentido de enxergar outras pessoas nas nossas ações. A partir do projeto tenho acesso a outras mulheres, às dimensões complexas do que outras mulheres vivem e que eu não vivo, e o que vivemos em comum. O que surgiu como uma intervenção urbana se tornou ativismo digital e se tornou espaço de formação, através do qual buscamos ajudar no empoderamento de outras mulheres, ao mesmo tempo em que aprofundamos nossas próprias lutas. Nosso grande desejo é poder nos dedicar exclusivamente a isso, ao projeto, a esses temas que nos tocam e tocam as vidas de tantas outras. Fazer mais e falar com cada vez mais pessoas. E fazer isso através da arte é a complementação de tudo. As mulheres estão cada vez mais articuladas, mais firmes na disputa pelos direitos que elas têm e precisam exercer. Esse momento que muitos identificam como uma nova onda do feminismo é a evidência disso. Precisamos abrir espaço para o nosso discurso, para a nossa representatividade e nossa articulação em rede tem sido um instrumento para alcançar essas demandas.”

Acompanhem > facebook.com/deixaelaempaz

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“Ponte dourada sobre rio noturno”, de Ilana Lichtenstein

por   /  02/09/2016  /  15:15

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Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.

Trecho de “Guardar”, de Antônio Cícero

Fotografar é guardar. É tentar estancar um momento, uma memória – para depois se debruçar sobre eles na tentativa de ressignificá-los, achar sentidos até então ocultos. É buscar, investigar, analisar. Quase sempre na tentativa de uma vida inteira que é entender a nossa própria narrativa e a de quem é fundamental para nós. Em “Ponte dourada sobre rio noturno”, a fotógrafa Ilana Lichtenstein faz uma costura entre o passado e o presente para criar um elo entre sua mãe e o Japão.

O fotolivro começou a tomar forma quando sua mãe teve um diagnóstico de uma doença sem cura, e a fotógrafa quis levá-la para o outro lado do mundo. “O Japão para mim sempre foi uma pulsão de vida, uma fonte de beleza profunda.” Visitou o país pela primeira vez em 2010. Em 2013, quando morou lá, a artista recebeu uma carta da mãe. “Ela dizia que quando eu tinha morado na França, em 2008, havia surgido entre nós uma paixão à distância. A gente não tinha uma relação muito próxima antes, não era muito harmônica. Mas quando fui morar longe pela primeira vez, a gente se aproximou muito. Na nova ida para o Japão eu confiava nisso. Tinha o sonho que ela conhecesse. Nesse estado de torpor, de letargia, achava que seria ótimo ela ver o outro lado do mundo.”

Não conseguiram ir juntas. Ilana viajou, voltou em dezembro de 2013. Em março do ano seguinte, a mãe foi internada em uma UTI por 81 dias, de onde não saiu – o que deu origem a outro livro, feito pelo seu pai, um diário poético e dolorido desse período. “Ela está, de fato, agora, de um outro lado do mundo que não alcanço. Mas esse trabalho dá de alguma forma materialidade a esse sonho.”

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Ilana passou dois anos trabalhando nas imagens que compõem o fotolivro. “Tempo lento, tempo certo”, diz. Além de suas fotos, feitas entre 2013 e 2015 em Tóquio, Kyoto e Itō, ela também recorre às imagens que seu avô, Joel Goldbaum, registrou nos anos 1960 e 1970. A ligação entre os materiais se dá ora pelas imagens em preto e branco, ora pelas bordas na maioria delas e, principalmente, nas imagens dos asiáticos que se juntam aos traços orientais do rosto da mãe, que passou a vida sendo confundida com japonesa, quando sua origem remete à Polônia. As imagens nos conduzem por uma viagem que remete a sonho, nostalgia e contemplação.Têm um pouco de melancolia e muito de beleza e poesia.

Na trama familiar, o design foi feito por sua irmã, Tamara Lichtenstein, que também costurou cada um dos 300 exemplares. O formato remete a um calendário e tem até linhas pontilhadas que permitem destacar as imagens. “Ouvi de uma senhora que a palavra defunto tem a ver com o significado de difundir. Essas fotografias serem soltas tem tudo a ver.” Pensar na passagem do tempo é inevitável.

No processo, Ilana se deparou não só com luto, mas também com mistério. “Tem coisas que não podem, não querem e não vão ser fotografadas.”, diz Ilana. “Levei minha câmera pra Tóquio, ela quebrou. Comprei outra, o filme rodava, depois soltava e entrava de volta na câmera, o que é estranhíssimo. Tenho várias imagens feitas pra esse livro em que aconteceu isso. Eu chorava, anotava essas imagens no caderno para de alguma forma não perdê-las.” O título do fotolivro, aliás, vem de uma dessas imagens que ela não conseguiu fotografar, sendo também uma metáfora sobre a morte.

O livro será lançado neste sábado, 03/09, data de aniversário da mãe de Ilana, na Doc Galeria (rua Aspicuelta, 145, Vila Madalena), das 12h às 18h.

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“Ponte dourada sobre rio noturno”, de Ilana Lichtenstein

Ipsis

60 pág.

14 x 21 cm

Quanto: R$ 80

www.ilanalichtenstein.com

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Madonna & friends

por   /  26/08/2016  /  18:18

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A cantora Blubell encarna Madonna neste fim de semana, em um show do projeto Versão na Praça, que acontece no Espaço Cultural Porto Seguro. “Bordeline” vira uma balada jazz, “Material girl”, um swing, e “Ray of light” se mistura com “Chovendo na roseira”, de Tom Jobim. O show acontece neste sábado, às 13h. No domingo, é a vez de Miranda Kassin – Aurorainterpretar sucessos da Amy Winehouse. Adorei!

Pra entrar no clima, a Blubell fez uma playlist pro Don’t Touch: Madonna & friends, com George Michael, Eurythmics, Police, Cindy Lauper, Talking Heads e muito mais. Trilha perfeita pra uma sexta-feira, ouçam!

Onde: praça entre o Espaço Cultural Porto Seguro (alameda Barão de Piracicaba, 610, Campos Elíseos) e o restaurante Gemma.

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