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fail and live

por   /  31/10/2007  /  6:16

ela tinha uns 17 anos e nem sabia o que era amor. mas já tinha ouvido demais sobre ele. em músicas, principalmente. ah, aquele amor que tudo supera, que tudo alcança, por ser únicoverdadeiroautênticoesuficiente. mais queria sentir do que efetivamente tinha borboletas no estômago. e quando, depois de poucos meses veio a rejeição, ela viu que era hora de tirar aqueles discos de nick drake da prateleira, arriscar uns lexotans e chorar nuvens de lágrimas sobre os olhos de ninguém, como uma boa adolescente.

voltando de um passeio, ouviu gal cantar “sua estupideeeez não lhe deixa ver que eu te amooooo”. queria entender aquilo. as amigas até ajudavam, dizendo pra ela lutar por aquele relacionamento, porque o amor valia a pena. ela tentou. queria sentir aquelas tantas coisas que havia aprendido pelas canções. mas aquela música, apesar de tão sincera, não lhe dizia nada.

foi preciso que um ano se passasse e outro e mais outro e mais alguns se completassem para que a estupidez ligada ao amor fizesse sentido. e, finalmente, a música lhe falou tudo o que tinha tentado dizer naquele tempo passado. angustiada, ela só pensava em pegar o telefone e dizer o mais convicto “volta, meu bem”. mas o lirismo necessário estava perdido entre desilusões, decepções e tentativas fracassadas. o que lhe restava agora era o vazio. e aquela bendita música no repeat.

amor  ·  design  ·  escreve escreve

personare dá a real

por   /  30/10/2007  /  15:54

De uma forma ou de outra, os acontecimentos e as circunstâncias ambientais não estarão viabilizando a aplicação de suas idéias, é bem provável inclusive que você venha a refletir acerca da necessidade de mudar seus planos e perceba o quanto algumas de suas idéias e teorias andam meio defasadas. Tudo isso pode lhe chatear muito, eu sei, pois é de fato muito chato quando planejamos as coisas, quando criamos toda uma idéia de como proceder, de como agir, e ocorrem imprevistos que nos levam a ter que replanejar tudo. Mas, pense bem: não será tudo isso uma excelente oportunidade para você flexibilizar sua mente, aprendendo novas maneiras de como fazer as coisas? Costumamos sofrer de “pensamento lateral”, Daniela, vendo as coisas apenas sob um determinado ponto de vista. Aí vem a vida e nos obriga a ver o outro lado das coisas. Isso é altamente libertador, muito mais do que ser apenas uma “coisa chata”. Preste atenção e retire a lição inerente a este período: o Sol lhe esclarecerá outros pontos de vista. E, note bem: o planeta Mercúrio do céu também estará se opondo ao Sol do seu mapa de nascimento, Daniela. Tal coisa ocorre raramente e só vem a reforçar a idéia de que este é um momento para aceitar humildemente que você não sabe tudo, que não conhece todas as verdades, que precisa abrir mais seu espírito para aquilo que a vida – e as outras pessoas – têm a lhe ensinar, ainda que não sejam coisas que você venha a gostar de ouvir logo de cara…

a perfeição

por   /  28/10/2007  /  17:43

foto de eugênio vieira

já tinha sido maravilhoso o show de cat power, na quinta-feira. mas ontem ela conseguiu se superar. o show foi incrível, perfeito, emocionante. o repertório foi quase o mesmo, com uma exceção ou outra, feito o cover de “satisfaction”. a roupa também era quase a mesma, com uma gravatinha de paetê a mais e uma bata branca a menos, o que deixava a camiseta verde musgo caindo pelos ombros o tempo todo. mó charme.

a garganta continuou doendo, mas ela tava bem mais inspirada. vai ver que a “culpa” foi do rio de janeiro, onde me disseram que o show também foi maravilhoso. assim que começou, ela pediu pra todo mundo levantar da cadeira e ir pra perto do palco. ou seja, comoção. hipnose. tinha hora que ela ficava a 20 cm do meu rosto. nossa senhora, é demais pra uma pessoa obcecada como eu!

e ela tava empolgada, animada, querendo muito fazer um show foda. soltava uns “fuck” e “i´m sorry” pela garganta (e tomava o que eu acredito ser uma cuba libre), mas se movia de um lado ao outro do palco, olhando pra cada um, estendendo a mão, fazendo gracinha, recebendo flores, papéis e beijos.

uma hora, ela perguntou se a gente já tinha assistido “piaf”. foi a deixa pra ela deixar um fã acender um marlborão vermelho, ela imitar piaf e cantar realmente como uma diva. em outro momento, ela agradeceu à furada de feist, disse que tinha ficado feliz em fazer um segundo show em são paulo, porque no primeiro ela não tava muito bem.

e quando a galera pedia “nude as the news”, “good woman” ou “moonshiner”, ela falava coisas do tipo “ah, não… é too depressing. lembra uma época em que eu estava fucked up”. falando assim, a gente perdoa, chan.

ai, ai… fim do repertório, ela saiu do palco fazendo uma mistura de c e coração, com a mão. ah, meu coração. e o melhor é que ela disse que talvez volte em janeiro. já imaginou? é felicidade demais pra uma pessoa só.

a única coisa que achei ruim foi o fato de ninguém ter insistido no bis. se fosse em recife, ela teria voltado umas cinco vezes, tenho certeza.

smack

por   /  27/10/2007  /  18:46

se bem que beijo é sempre de repente. como uma picada de cobra, um enfarte, uma notícia ruim que chega pelo telefone. se procurar, a gente acaba achando algum indício do que está para acontecer – mas só depois, quando já beijou ou se fodeu. agora, beijo que é beijo, por definição, é fenômeno que se deseja mas não se planeja.

reinaldo moraes, no conto “belo horizonte”, do livro “umidade”