Favoritos

o bolo

por   /  27/10/2007  /  17:16

Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora.

antonio prata

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a felicidade

por   /  26/10/2007  /  17:47

se o paraíso existe e tem trilha sonora, chan marshall vive por lá. desde 2001, quando eu vi o show do belle & sebastian no rio, não ficava tão ansiosa por um show. até folga do trabalho eu pedi, pra não correr risco de chegar atrasada. e, ufa, cheguei, sentei bem lá na frente e vi minha querida, minha musa, minha salve salve fazer um dos melhores shows da minha vida.

ela chegou de repente, fazendo um cover de billie holiday (“don´t explain”). de calça, camiseta e um blusão largado + um sapato branco de sambista de gafieira + munhequeiras que pareciam meia-arrastão, chan se movia de um lado ao outro do palco, fazendo umas danças esquisitas, uns gestos de mano. como disse lu, era uma dança de hospício. no meio tempo, ela tomava alguma coisa esquisita que parecia limão. vai ver era pra garganta (eu teria dado meu própolis a ela).

ai, meu coração. eu ficava olhando pra ela ali tão perto, sem acreditar. mó fã boboca mesmo. e eu curto esse sentimento. de gostar tanto de uma ciosa que seu coração salta até a boca, a mão fica suada, a visão fica meio embaçada, apesar de seus óculos estarem em dia. foi lindo. inesquecível =~

e, porra, que show foda! ela priorizou as novas músicas. fez cover de james brown (“lost someone”), frank sinatra (“new york, new york”), hank williams (“ramblin´ woman”), jessie mae hemphill (‘lord help the poor and needy”)… do “greatest”, cantou a faixa-título, “lived in bars”, “could we” e “willie”. e ainda teve “metal heart”. e no bis ela voltou com “naked if i want to”. ai ai ai….!

ela tava com dor de garganta, sofreu pra cantar algumas músicas. em alguns momentos achei até que ela tava mais pra “declamadora” ou rapper. mas vindo dela, qualquer grunhido já soa como poesia aos meus ouvidos. senso crítico aqui passa longe.

e ela interagindo com os amplificadores? cantava junto de um, num ficava satisfeita. partia pra outro, idem. reclamava com uma carinha que tava na coxia, pedia retorno, e nada.

eu tava com medo de que o show fosse parecido com o que ela fez aqui, esqueci quando, mas do tempo em que a tequila era tão presente na mochila dela quanto uma escova de dente. ainda bem que num foi. um surtinho ou outro, como o diálogo constante com os amplificadores ou um “i´m sorry” quase sussurrado pra ela mesma. só isso.

de resto, uma entrega total. aquela voz linda, aquelas letras de partir o coração. foda, incrível, inesquecível. ainda bem que amanhã tem mais!

vídeo de “don´t explain”, disponibilizado por lúcio ribeiro

imperdível

por   /  24/10/2007  /  23:32

Trocando em miúdos, o seguinte é o negócio: isso aí sou eu, fim do inverno de 2006 no quarto onde faço exercícios (na foto parte de um remo mecânico) tirando fotos no espelho que me dizia adeus a sorrir, pois havia acabado de partir minha grande paixão. Deixando para trás um jeans, um vestido preto de chiffon, um vidro de perfume vazio, essas roupas sexy tradicional tipo espartilho, liga, meia de seda e um enorme, imensa tesão que me queimava ao ponto de me desnudar, me embrenhando, penetrando naquele figurino que era do papel dela. Em sua ausência banquei a cadela !

angela ro ro, em seu blog

la lluvia

por   /  24/10/2007  /  19:59

bruscamente la tarde se ha aclarado
porque ya cae la lluvia minuciosa.
cae o cayó. la lluvia es una cosa
que sin duda sucede en el pasado.

quien la oye caer ha recobrado
el tiempo en que la suerte venturosa
le reveló una flor llamada rosa
y el curioso color del colorado.

esta lluvia que ciega los cristales
alegrará en perdidos arrabales
las negras uvas de una parra en cierto

patio que ya no existe. la mojada
tarde me trae la voz, la voz deseada,
de mi padre que vuelve y que no ha muerto.

jorge luis borges

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