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juno

por   /  31/01/2008  /  14:57

 

em juno, o pai da ellen page fala que você sabe que ama uma pessoa e quer ficar com ela quando, mesmo diante de várias dificuldades, consegue ver raios de sol saindo da bunda dela. a metáfora é tosca, como várias no filme. mas é, ao mesmo tempo, de uma sinceridade que entra fácil em um top 10. e o filme é todo assim, uma mistura de doçura e brutalidade, com um pouco de inocência, altruísmo e bastante esperança. e ellen page é uma pequena grande atriz. e eu adoro falar clichês quando uma coisa me emociona. ah, a trilha é uma das melhores dos últimos tempos, com kymia dawson e moldy peaches, belle and sebastian, iggy e stooges, cat power

amor  ·  música

mucho loco

por   /  31/01/2008  /  14:18

“focus on hallucinogens” é um livro didático para deixar as crianças longe das drogas. mas, logo na capa, um zona livre de drogas é associada a um divertido jogo da velha… dentro do livro, uma viagem de lsd é descrita assim: “você já olhou para si mesmo em um espelho de parque de diversões? olhe o que acontece com você! agora imagine que o mundo inteiro pode parecer desse jeito para você”. grande incentivo, hein? achei no silver jacket.

escola high-tech

por   /  31/01/2008  /  14:07

- aula sem fio – escolas usam tecnologia para tentar conquistar a atenção dos alunos e apresentar os conteúdos de forma mais ligada ao cotidiano deles

- faltam pcs
- estudantes carregam pendrive e laptop
 

- confira sites sobre educação

- proinfo leva micros à escola pública

- escolas proíbem uso de celular, mas alunos burlam a norma

- aula ganha continuidade on-line

- produtos 

- instituições migram para o second life

- laptop educacional continua indefinido

- sala de aula do futuro está em lugar nenhum

entrevista: mallu magalhães

por   /  29/01/2008  /  22:04

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É domingo, fim de tarde, e Mallu desce do carro do pai para ensaiar no estúdio Lúcia no Céu, em Perdizes. Ela é pequena, magrinha, usa camiseta pólo, jeans e tênis vintage DKNY, herdado da mãe e da irmã. Fala sem parar, como se, finalmente, agora, tivesse encontrado gente de olhos e ouvidos atentos a tudo que ela quer dizer, tocar e cantar.

Mallu tem 15 anos. Se for tirar pela certidão de nascimento, ela é uma garota como outra qualquer, que não vê muito sentido em dedicar a maior parte do tempo para a escola, se queixa dos poucos amigos (e até da falta deles) e é super fã de uma banda, a Vanguart _foi para eles que ela abriu um show, este mês, no Clash Club, fazendo sua primeira apresentação mais profissional.

Deixando o cartório de lado, a gente encontra uma garota com gostos e referências apurados, com consciência de que é uma artista _e, por isso, não se intimida em pedir para músicos mais velhos e experientes tocarem exatamente no tempo em que ela quer, para que tudo saia como o imaginado nas melodias cheias de onomatopéias da sua cabeça.

Mallu fala em Hélio Oiticica e seus parangolés, se declara fã da Tropicália, de Cazuza, de João Gilberto. “Pra mim eu nasci na época errada, queria ter tocado com os Mutantes”, diz. Quando pega o violão e começa a dedilhar melodias simples, costuma dizer um “ah, num tá muito legal, desculpa”. Depois emenda com outra música, que, para ela, tem o mesmo tipo de “melodia medríocre”. Mas, ao mesmo tempo, dispara: “Eu acredito nas melodias medíocres. Porque Beatles, eu amo Beatles, e eles eram tão simples…”

Surpresa com o assédio repentino, Mallu ainda não sabe se quer se apenas cantora. Pensa em cursar design gráfico na USP _por ora, freqüenta a biblioteca da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), onde gosta de ler sobre arte, principalmente a pop art de Andy Warhol.

Por enquanto, a menina que começou a tocar porque queria fazer que nem o pai, imitando “Leãozinho”, de Caetano, dá os primeiros passos. Para saber se era isso mesmo que queria, fez um sarau em casa, com poucos amigos. Apareceu mais gente do que ela esperava. E muita gente se surpreendeu com as músicas _”principalmente as em inglês”.

Ela juntou o dinheiro que ganhou do pai, da mãe e da avó e comprou um violão, o mais barato da loja. “Nem sabia que ele seria tão bom assim”, diz. Depois, alugou umas horas no estúdio para gravar as músicas que estão no MySpace. Ela fez questão, também, de registrar as músicas na Biblioteca Nacional.

Agora, tenta aprender gaita e piano. É “bem auto-didata”, como diz, apesar de já ter feito aulas de violão clássico e de canto. As aulas de música na antiga escola, ela faz questão de esquecer. “Eu odiava, odiava, saia de lá chorando. Eu não tocava do jeito que eles queriam, não entedia aquelas bolinhas na partitura. Aí eu falava: meu, por que a gente num faz uma coisa diferente?”.
Agora ela faz.

A seguir, trechos da entrevista que eu fiz com Mallu em parceria com Ronaldo Evangelista e Bruna Beber, com fotos de Eugênio Vieira.

You´re the inspiration
Quando eu tô muito triste, sempre sai musica. Muito feliz, só de vez em quando. Mas é sempre pra alguém, né? Isso facilita, mas atrapalha. Você tem que fazer uma música que rime, que tenha sonoridade e que seja real ao mesmo tempo.

The book is on the table
Meu inglês não é fluente, sendo que eu tenho dicionário. Se eu tô tocando, é porque tá vindo alguma coisa. É sem querer, você não escolhe. Vai meio pela sonoridade. É difícil começar uma música com a letra. Vem primeiro um dagadagada.
Se eu gosto de alguém, a pessoa saca. Se você canta em inglês, a pessoa não entende na hora. É bom cantar em inglês porque você consegue se soltar. Você meio que quer que te ouçam, mas você não quer se expor….

Poliglota
Língua que você não entende é a melhor coisa do mundo, porque você pega a sonoridade. Tem coisa melhor que isso?

Eu tenho que fazer inglês, né? Mas meu negócio é francês e italiano. Tenho uma musica em francês, mas é daquelas escondidas, que você toca pra você e pra si mesma. Sabe quando você aprende um novo tempo verbal e acha ele bonitinho porque eles rimam?

Tuiuiu iu iu sou curumim iê iê
Eu faço esse negócio de escola. E faço trabalho comunitário. Gosto muito de ir numa tribo de tupi guarani. Tive que parar depois de um tempo. Mas eu gostava muito da tribo, de conhecer a língua, a cultura.

Minha mãe morava no Pico do Jaraguá. Aí meu avô contratou um índio para babá. Depois de um temop, achei um dicionário de tupi, entre as roupas de bebê, um livro todo obscuro. Eu tava até fazendo uma rima em tupi, ainda vai sair. Outro dia mesmo eu tava escrevendo essa tal letra.

De volta às origens

Quando você vai viajar é caro pra caramba. Viaja, mas ainda tem que pagar a escola. Foi chegar no Canadá e só ouvir música em inglês que me deu uma saudade do Brasil! Daí compus duas músicas em português. Eu gosto muito do Brasil, minha grande frustração era não compor em português. Agora tô feliz.

Influências
Tropicália foi assim. Eu gosto muito de arte. E muito de pop art. Eu tava entre as minhas pesquisas na biblioteca da FAU, aí tava folheando e achei um tal de Hélio Oiticica. Ai foi parangolé pra cá e pra lá. Aí tava o Caetano. Tinha lá todas as capas, o Dromedário Elegante. Aí eu comecei a procurar, quem são esses caras? O cara canta “Leãozinho” e faz músicas assim? Aí começou Rita Lee.

Eu gosto da Tropicália de ponta a ponta. Música brasileira, não adianta, é bossa. E folk. A antiga é bossa. E meio que Mutantes, que eu num sei direito, é meio rock´n´roll, sei lá. E tem João Gilberto, lógico. Pra mim, tô feita: Tropicália, Cazuza e folk em geral. E um pouquinho de rockabilly. De coisa nova, gosto de Quarto das Cinzas, Bluebell. E Vanguart, é claro!

Na onda do rádio
Eu tentei [ouvir música que toca em rádio, tipo Avril Lavigne], pra num ser assim, né? Mas a Avril é insuportável. High School Musical eu não tenho problema, acho bonzinho e simpático, mas Avril não dá. Não gosto da pessoa, da música. Mas eu tento ouvir de um tudo.

Tchubaruba
A única musica que eu não compus pra ninguém foi “Tchubaruba”. Tchubaruba é o que você pensa de bom. Eu tentei criar uma coisa que as pessoas tivessem na cabeça, que fosse fácil de falar. Tudo bem que num é, mas, sei lá, é pra pessoa meio que tentar. É impossível representar a felicidade… Eu tentei juntar minha própria concepção de felicidade numa palavra só. É meio um verbo, um substantivo, um nome, uma definição e é um texto. E não é pra ninguém. É pra mim. E é pra todo mundo. Você pode tá ouvindo musica e tchubarubando, comendo sucrilhos e tchubarubando.

Te pego na escola
Eu mudei de escola, pra uma que toma um pouco menos meu tempo. Gosto muito de fazer as minhas coisas. Esse negócio de escola não é pra mim. Mas eu faço porque meu pai paga, é minha obrigação. Mas eu acho, assim, que tenho que tomar cuidado pra não perder meu tempo.

Eu podia fazer 18 logo, poxa.. Quanto mais eu cresço, mais o tempo passa rápido. Por isso que eu num gosto de ficar o tempo inteiro pra escola.

Why must I be a teenage in love?
Na verdade, eu acredito _eu sei que é muito chavão e normal falar isso, só que eu vou falar. Mas eu acredito que o amor resolve tudo. Às vezes você tá em casa, sem fazer nada, e você fala “putz minha vida é um bode”. Mas se você tivesse com quem você ama do seu lado, não seria assim…

So faraway
Foi aí [em "Go to Denmark"] que comecei a não gostar das pessoas. Você faz, faz, faz, faz e nada. As vezes a pessoa descobre, não fala porque num deve. O garoto nunca ouviu, ele foi pra dinamarca. Eu tentei [mandar a música para ele], mas num deu. Mas eu não gostava tanto dele quando ele tava aqui. Devia ter mostrado antes, se eu tivesse feito antes, né? Ele voltou, aí eu fiquei feliz que ia conhecer ele de novo. Ele chegou, mas me falaram que ele foi embora mais cedo. O que mais me irrita é assim, que ele sempre falava para eu cortar a franja, aí no dia em que eu cortei, liguei pra ele, e me disseram que ele tinha ido para o aeroporto…

Daqui pra frente
Talvez role um projeto com Rossato, do Bidê ou Balde. Se rolar, vai dar pra fazer a demo e o clipe. Não sei direito. Às vezes as pessoas falam comigo, eu fico feliz com aquilo, aí gosto de ficar olhando pra pessoa, imaginando o que ela tá pensando. E esqueço de prestar atenção no que ela tá falando. Esse é o problema de viver em outro mundo…