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envelope

por   /  27/05/2009  /  18:52

O eterno problema dos carteiros

O eterno problema dos carteiros é não saberem onde guardamos
o nosso amor. Olham os envelopes com os bigodes espantados
e acariciam-nos, violentamente, com carimbos de regresso à solidão.
Estão fechados em casas de janelas vermelhas e saem à rua de farda.
Pisam o chão com a mesma decisão de um exército perdido na batalha
anterior e tocam, tocam muito, às campainhas de quem não está.
O eterno problema dos carteiros são os sacos sem fundo
onde a nossa letra se torna irreconhecível de tão escuro.
Os selos abraçam-se e fogem para o paraíso dos selos,
as letras dançam ao sabor do esquecimento e não se sabe nunca
onde está o remetente e o destinatário. Nos gabinetes, uma vez mais,
bigodes sisudos e derrotados, têm os dedos feios e duros ao toque.
Eu não poderei nunca saber, mas juro que os envelopes choram.
O eterno problema dos carteiros é não terem asas para subir às janelas
das amadas, que se penteiam longamente em frente aos espelhos velhos das avós.
Não poder ser anjo anunciador, nem mágico, navegante, descobridor.
E talvez lhes pese o bigode insólito e burocrático, o pêlo encravado
sobre o lábio. Eu continuo a lançar envelopes em branco da varanda.

Luís Filipe Cristóvão

quem me mostrou essa lindeza foi letícia =)

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talvez, quem sabe, um dia

por   /  27/05/2009  /  17:36

agora vamos al…can…çar

tudo o que não podemos amar na vida

com o estrelar das noites inumeráveis

ressuscita-me ainda que mais não seja

porque sou poeta e ansiava o futuro

ressuscita-me lutando contra as misérias

do quotidiano ressuscita-me por isso

ressuscita-me quero acabar de viver o que me cabe

minha vida para que não mais existam amores servis

celso sim e arthur nestrovski cantam “o amor”, de caetano


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o tempo parou

por   /  27/05/2009  /  13:30

josé miguel wisnik e arthur nestrovski tocam e cantam “força estranha”, de caetano

essa música sempre me emociona, ainda mais em dias que começam de um jeito e terminam de outro, esperado e inesperado

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