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o amor silencioso e quieto

por   /  29/04/2010  /  15:29

Prefiro o amor silencioso e quieto:  um sentimento que não foi feito pra todo mundo frequentar.

Casamento é uma tentativa de fortalecer um laço que tem a fragilidade como essência – e aí mora sua magia. Deve-se tomar cuidado com a armadilha de ter que ser para sempre. A obrigação é inimiga do desejo. Ignorar a promessa de eternidade talvez seja um bom começo para quem quer ficar junto o resto da vida.

Para uma relação, levam-se problemas, histórias, medos, frustrações. Mas não é essencial casar-se com a fila de banco que o outro teve que frequentar, nem com a irritação depois de um dia de trabalho. É importante dar colo o tempo todo. Dividimos com o outro as coisas difíceis na intenção de que elas se dissipem, não na de que aumentem de tamanho. Se for somar, que sejam as alegrias.

Cris Guerra, sempre maravilhosa, escreve sobre amor e casamento na revista “Encontro”

A foto que escolhi para acompanhar o texto é de Lauryn Homlquist

E quem mandou a dica foi minha querida amiga Luiza Voll

amor  ·  fotografia  ·  literatura

que poeira leve

por   /  28/04/2010  /  10:22

Tom Zé faz músicas que estão entre as mais perfeitas do mundo. “Solidão” é uma delas. E meu querido amigo Evan encontrou a explicação do próprio Tom para a canção. Para ler enquanto se ouve no repeat…

Quando fala “no meu descompasso o riso dela”, falta um tempo no compasso. O samba é em 2/4 e ali na palavra descompasso tem um compasso em 1/4 – sem o tempo fraco, dois tempos fortes sucessivos. No “telefon…”, a letra é suprimida pra a pessoa imaginativamente ouvir se o telefone está chamando ou não.

Porque quando a pessoa está sozinha, o telefone chamando é uma esperança. Não é uma recorrência – você fala “o telefon…”, aí quando toca o telefone você pára pra ver se está tocando mesmo? A intenção era essa, o que tento fazer lá é que você veja o quadro de uma pessoa que faz isso.

O Adolphe Appia, que no princípio do século foi o primeiro teórico das artes, dessa parte das artes, disse que as artes plásticas são artes espaciais – você vê tudo num instante -, as artes do discurso e da música são artes temporais – precisam de um espaço de tempo -, e o teatro é uma arte espaço-temporal – porque depende também do gesto do ator, enquanto o discurso, que é o texto, está sendo apresentado.

Solidão” foi o momento em que tentei botar o espaco dentro do tempo. É ótimo você botar pequenos segredinhos mais cabalísticos, mais esotéricos como esses, ou mais simples, como tantos outros, pra pessoa do outro lado descobrir, ver que tem lógica.

A foto é de Reinaldo Canato


arte  ·  fotografia  ·  música

que vibe

por   /  28/04/2010  /  10:20

Luiza Adnet tem um dos melhores sites de toda a internet brasileira. O Que Vibe reúne desenhos e textos que ela fez na infância _e agora aceita até contribuições alheias. Nos posts, muito humor, nonsense e inteligência de pirralha. Quer coisa melhor?  =)

Divirtam-se: http://quevibe.tumblr.com/

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