Favoritos

do sótão

por   /  25/06/2010  /  18:05

Já disse e repito, ter de se arrepender de alguém é algo triste demais. De qq. forma, nós escolhemos, sim, o que vamos ser na vida de uma pessoa. Não dá pra perder tempo e afeto com quem escolheu ser um arrependimento na minha.

Solidão pode sim ser bem boa e produtiva. O problema é que a gente precisa se perdoar por ela, o que nunca é fácil. E lembrar que o amor é raro e esquecer que a vida é curta.

Não dá pra reclamar de ser invisível se a gente carrega um vácuo.

Meu refúgio é a cabeça baixa. Miro o chão e espero, porque tudo passa (é o que dizem, é o que quero). Minha doença é segredo, e  eu finjo, mas não me engano (só os outros me enganam e eu só engano os outros) e  me odeio e me desespero muy quietamente.  E espero, porque tudo passa.  Mais quanto tempo, deus, mais quanto tempo nessa falta de alento,  nesse frio que trespassa?

Marina Della Valle tem um blog maravilhoso,  A Louca do Sótão. Acompanhem: http://loucanosotao.wordpress.com/

A foto é de Mariel Britez

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mixtape #35: daniel aragão

por   /  25/06/2010  /  13:13

Daniel Aragão, popularmente conhecido como Moloko desde os tempos do Afzul, tem um ótimo gosto musical. Vai ver são os tantos filmes que esse cineasta já viu na vida… Vai ver que são as festas que ele conduz em Tony Montana… O negócio é que ele sabe fazer uma seleção maravilhosa pra gente ouvir no repeat!

“Quando você me chamou para mandar uma mixtape eu tava refletindo sobre meu momento pós retorno de saturno, vida de solteiro agora com 30 anos. Nessa idade temos algo mais perto da estabilidade financeira, moramos só, nossos relacionamos são mais urgentes. No entanto vivemos, inevitavelmente mais do que nunca, mais sozinhos. Mas o que sentimos de verdadeiro também pode surgir no final do vazio e do imprevisível de estar por aí, na vida noturna. Na música pop é facil perceber que desde 1920 até agora a questão do sexo casual, da urgência por uma companhia overnight, one night stand, é um dos grandes temas, mais forte e presente ainda na dance music, seja isso um jazz ou uma balada soul ou algo electro anos 80. Não é uma mixtape diversa, o tema é o mesmo. todas as músicas refletem um pouco esse sentimento que tentei descrever aqui. Boa audição”, explica Moloko.

Para ouvir a mixtape #35, cliquem aqui

A foto é do Quiezip

1. Leo Sayer – Easy to Love
2. Jocelyn Brown – Somebody Else’s Guy
3. Roisín Murphy – Tell Everybody
4. Lisa Lisa & The Cult Jam – I Wonder If I Take You Home
5. ABC – The Look of Love
6. Gus Gus – VIP
7. Towa Tei – Taste of U
8. George Clinton feat. Belita Woods – Don’t Dance 2 Close
9. Prince – Crazy U
10. Kane Gang – Don’t Look Any Futher
11. Mildred Bailey & Benny Goodman & His Orchestra – Darn That Dream
12. Shalamar – Make That Move

lendo a internet

por   /  24/06/2010  /  13:33

- E não é que é verdade? (via We Heart It)

- Brazil’s prosperity bursts forth on catwalk (via The Business of Fashion)

- Mas me pergunto, quanto ao episódio de meu amigo de trabalho: o que passa na cabeça de uma pessoa que chega a esse patamar, a essa esfera da vida? Tem ele noção de que seu trabalho contribuiu para melhorar esse mundo louco em que vivemos? Tem ele noção de que, a partir de amanhã, aquele compromisso de acordar cedo e cumprir o ritual de muitos anos acabou? Não sei. E não tive coragem de perguntar, porque não tenho tato para mexer com o campo das emoções, sem me envolver com elas.

Ginho de Souza, em seu blog Crônicas do Cotidiano (via @borgesmariana77)

etc

solidão

por   /  24/06/2010  /  13:27

Naquela tarde a conhecida de uma associação onde ela trabalhava como voluntária veio procurá-la, preocupada com seu sumiço. Ela então conseguiu se arrastar e sussurrar que não tinha forças para abrir a porta. Quando a porta caiu, e os fossos foram transpostos, descobriu-se que havia dois meses ela vivia no escuro, à luz de velas primeiro, nada depois. A energia elétrica tinha sido cortada por falta de pagamento. Há semanas ela não comia. Já não podia andar. A doutora estava morrendo de fome em meio a centenas de pessoas na cidade de milhões. Em sua própria sujeira.

Num prédio de classe média de São Paulo, ela estava mais isolada que qualquer ribeirinho dos confins da Amazônia. Não queria que descobrissem que havia perdido o controle da sua vida. E quando quis pedir ajuda, já não teve forças. Imagino quanto desespero sentia para conseguir romper as amarras de toda uma existência, se arrastar até a porta e admitir que não era mais capaz de abrir. Foi levada ao hospital, onde agora briga para viver.

Ela morava dois andares abaixo do meu. Quando eu soube, fiquei rememorando os últimos meses. Enquanto eu trabalhava, cozinhava, bebia vinho, tomava chimarrão, gargalhava, assistia a filmes, me emocionava com livros, me indignava com acontecimentos, conversava, namorava, sonhava, fazia planos, escrevia esta coluna e às vezes chorava, dois andares abaixo do meu, num espaço igual ao meu, uma mulher de 82 anos morria de fome nas trevas, em abissal solidão.

Enquanto eu ria, ela morria. Enquanto eu comia, ela morria. Enquanto eu sonhava, ela morria. No escuro, ela morria no escuro enquanto eu abanava da janela, o velho sorria ao sol, uma vizinha tentava me vender um novo creme antirrugas e Pedrão rosnava cegamente no elevador sob o olhar terno de seu gigante.

Não consegui dormir por algumas noites porque me via arremessada ao outro lado da rua, tentando imaginar os enredos que se passavam atrás das cortinas daqueles outros 69 apartamentos. Que vidas são aquelas, que dores se escondem, quais são os dramas que sou impotente para estancar? Anos atrás, antes de eu morar no prédio, um homem se lançou pela janela e morreu estatelado na laje. Como tantos o tempo todo. Um soluço apavorante na rotina e depois o esquecimento. Como agora, nesse morrer sem sangue e sem alarde.

Numa fissura do tempo algo que não pode mais ser oculto se revela – revelando também o nosso medo. Portas são derrubadas, cortinas rasgadas por um corpo que se lança para o nada, para nós. E, talvez pior, por um corpo que se esconde até ser exposto pelo cheiro da decomposição ainda antes da morte, corroendo os muros de nossa privacidade protegida com tanto empenho. Como a dela.

Depois precisamos esquecer para seguir vivendo. Mas não consigo esquecer. O que aconteceu com ela está acordado dentro de mim como um bicho. Dentro de nós também há um condomínio onde portas se fecham, chaves se perdem e o suicida que nos habita se lança no vazio enquanto outros em nós se decompõem em vida pela morte dos dias que não acontecem. Mergulho então, além dos dois que nos separavam, vários andares em mim. E lembro-me de Mário Sá-Carneiro, escritor português: “Perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto. E hoje, quando me sinto, é com saudades de mim”.

Eliane Brum, em Dois andares abaixo do meu, na revista “Época” > vale a pena ler o texto completo

A foto é de Sea Kay

etc

brasil x coréia do norte

por   /  24/06/2010  /  10:25

Adoro como em dia de jogo o Brasil pára e se veste de verde e amarelo _pode ser a camisa oficial da seleção, uma bandeirinha colocada no peito, qualquer combinação vale. No jogo contra a Coréia do Norte, resolvi fazer umas fotos no caminho entre a casa e o trabalho. São Paulo tava bonita que só!

procurando amor no jornal diário

por   /  24/06/2010  /  9:14

“Ele sabe tudo, conhece. É um livreiro, não só um vendedor de livros”, disse o marchand e ator Roberto Koln, 78, que após vigília na fila, ganhou a dedicatória: “Façamos da vida um palco iluminado por amores que nos chegam sem avisar. “Dias de…” nasceu deste encontro fatal: ser humano/vida”.

Trecho da matéria de Fabio Victor sobre o livreiro José Carlos Honório > Livreiro vive noite de autor consagrado, na Folha (para assinantes)

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