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os escritórios do moleskine

por   /  27/07/2010  /  10:13

Quer saber onde são feitos os caderninhos que são puro fetiche? O Life Hacker mostra os escritórios do Moleskine em Milão e em Nova York!

If you’ve ever wondered what the offices behind those beloved little black notebooks look like, now’s your chance to take a peek inside. Moleskine is the company behind the venerable—and currently quite trendy—Moleskine notebooks. They make everything from little pocket notebooks to large folio ledgers for artists and musicians. The two galleries beliow showcase their Milan and New York offices. It’s worth noting that the Milan office is well established—thus the pictures of people actually crafting the notebooks—and the New York office just opened and the photos are from the office warming party—thus the pictures of people walking around the office with glasses of wine.

Vejam mais > Inside the offices of Moleskine

Obrigada pela lembrança, @henriquemartin, @caroltypes e @rlevino!

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fratura exposta, por yéssica klein mori

por   /  27/07/2010  /  10:09

Fata morgana, por Yéssica Klein Mori

Para ler ouvindo So I Thought – Flyleaf

Antes de eu conhecer os prazos, a rotina, a pressão, as contas – antes disso tudo veio o Pedro, marxista e contraditório, ensinando coisas bonitas como a eudaimonia de Aristóteles. Tinha uma simplicidade encantadora e apaixonável.

Assim: simples, encantador, apaixonável.

Às vezes ele me levava pra casa dos pais dele na praia e me acordava de madrugada, vem, vamos ver o sol nascer.

Eu ia, todas aquelas cores e aquele mar que era tão como eu, assim inconstante e indo e vindo e aquela canção que era sempre a mesma e não terminava nunca. Não havia gente vendendo sorvetes baratos e a areia não me irritava.

Outras vezes a gente passeava de mãos dadas pela Oscar Freire e ele parafraseava Gandhi – todas essas coisas que eu não preciso – e eu retrucava, como assim, aquela sapatilha é tão linda. A gente escolhia um barzinho e falava de filosofia e literatura. Você pedia cerveja – a única coisa que você bebia era cerveja – e eu acompanhava. E pensar que hoje, Pedro, eu só tomo drinks destilados com nomes em inglês, cercada de pessoas que eu nem me esforço para lembrar o nome. Todas vestindo sapatilhas da Oscar Freire.

Quando você tinha preguiça de dirigir e a gente resolvia ir pra Jundiaí de trem, você segurava minha cintura enquanto a gente tentava não se desequilibrar no meio de toda aquela gente. Eu lembro como eu adorava quando outro trem passava no trilho do lado e a lufada de vento bagunçava meu cabelo, como se o tempo tivesse parado. Eu não me importava com os bebês chorando e os velhos tossindo. À tardinha o sol deixava os vagões meio tingidos de dourado e eu suspirava, é, Pedro, neste exato minuto eu amo você para sempre. Hoje eu lembro de tudo o que você me ensinou sobre auto-engano, mas a verdade é que naquele minuto eu amei você para sempre.

Eu dizia, Pedro – soltando a fumaça do meu Nat Sherman Fantasia cor de rosa – Pedro, você é bom demais para existir. Não bonzinho do tipo ingênuo, você é cheio de bondade, uma bondade tipo Jesus Cristo. Você não existe, mas vai ser crucificado.

Ele ria, exibindo a covinha na bochecha esquerda e falando que eu levava as coisas a sério demais. Pedro era mais velho que eu e tinha a leveza de uma criança.

Às vezes eu passava a noite no apartamento dele e ele me acordava de madrugada, vem na varanda ver o sol nascer. Pedro, pára com isso e me deixa dormir, eu tenho que trabalhar amanhã. Às vezes eu implicava com algo idiota só para ver você gritando e batendo a porta, só para ver que você também podia odiar. Depois eu chorava, frustrada.

Pedro sempre voltava, todo carpe diem, fugere urbem e outras expressões em latim, enquanto eu era a própria filha de Sartre, o Mal do Século, querendo coisas só porque eu não podia tê-las. Eu me arrastei durante os anos e Pedro sempre explodia, sorrindo, me jogando na piscina mesmo sabendo que eu não tinha roupa pra trocar, insistindo para eu tomar sol, não, Pedro, eu gosto de ser branquinha.

Pedro cheio de moralismos, Pedro que me abraçava forte antes de eu viajar, Pedro ouvindo Queens Of The Stone Age alto demais, Pedro e sua mania de andar descalço, Pedro e aquelas pintinhas no rosto. Pedro era o frio na barriga antes da montanha-russa, era o gosto daquele doce esquecido na infância.

Pedro, como todas as coisas boas, ficou para trás – penso eu, enquanto acendo outro Nat Sherman Fantasia azul -, Pedro ficou para trás quando eu gritei chega e bati a porta. Chorei, frustrada, ele é bonzinho demais pra existir e eu vou ser crucificada. Não voltei.

Pedro foi só um engano.

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A foto é de Margaret Durow

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

oh oh!

por   /  26/07/2010  /  12:29

É com muita alegria que apresento a vocês o Oh Oh!, um zine colaborativo de fotografias com imagens escolhidas por mim e pelo Cláudio Silvano, do Anorak! Nós percebemos que gostamos de um mesmo tipo de foto, criamos um grupo no Flickr, recebemos um monte de colaborações e escolhemos algumas para compor a primeira edição do Oh Oh!, que vocês vêem em http://issuu.com/ohoh/docs/ohoh

No zine a gente explica:

A gente gosta de foto errada. Com enquadramento torto, luz estourada e com aquela textura que só é possível com o negativo. Foto de gente normal, sem cara de capa de revista, sem corpo de quem malhou horas no Photoshop. A gente gosta de imagem que emociona, que não precisa ser tecnicamente perfeita para encher os olhos. A gente gosta de simplicidade. De ter uma câmera nas mãos para captar um momento do dia, da vida ou do coração. A gente gosta de registrar pedacinhos do mundo que nem sempre ganham os holofotes. Aquele carrinho de supermercado esquecido no canto, a cara de sono que chega a ter um tracinho do lençol. A gente gosta de simplicidade. De verdade. E de fotos bonitas.

O Oh Oh surgiu em uma madrugada insone no Gtalk, quando nos demos conta de que gostamos do mesmo tipo de fotografia. Apelidamos o conjunto da obra de “estética Flickr”, pois é no site de compartilhamento de imagens que encontramos nossas maiores inspirações. Nada mais natural do que usar o próprio Flickr para reunir as imagens que compõem o zine. Criamos um grupo, mais de 400 pessoas se inscreveram nele e mandaram cerca de 2.600 fotos. Aqui, a gente faz uma seleção baseada, pura e simplesmente, no encantamento que sentimos ao olhar cada uma delas.

Para ver o Oh Oh!, acessem: http://issuu.com/ohoh/docs/ohoh

amor  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  oh oh!

fratura exposta, por bruna maia amorim

por   /  26/07/2010  /  10:12

180 dias, por Bruna Maia Amorim

Dançando ele me beijou, jurei, mesmo sem ele pedir, não contar pra ninguém, foi de repente, inesperado, estremecedor e proibido parecia que era, até hoje eu não sei.  Dormi pensando que tinha mudado tudo, que a partir daquele momento tudo seria diferente, pensando que levaria só comigo pra sempre aquele segredo e ponto.O que ele pensava, não sei. Sei que não me deixou, não me deixou esquecer, não me deixou esconder, não me deixou ir sozinha, sei porque tentei muito ir, e ele não deixava de jeito nenhum, mudei tudo, fiz uma reviravolta, enfrentei olhares furiosos, decepcionantes, inquisitivos. Tive medo de pular e então ele ficava me puxando, até que mergulhei, mergulhei fundo, tão fundo que eu quase não lembro, de ter dezessete anos, de descobrir o sexo, o amor, a dor, de as vezes não saber o que tava fazendo, de não saber o motivo e de pensar que não tinha como ser mais feliz.

Três anos, uma sms estranha, o fim que não foi, as revelações mordazes, minha prima, a secretária dele e não sei mais quem. Por que. Porque então ele não me deixava ir, eu pedia, eu implorava, e ele implorava pra eu ficar. No último dia eu sabia dizer bem o que eu sentia, uma faca, dilacerando meu coração, não era só entrando, entrava e remexia lá dentro, cutucava, tirava, entrava, saía e voltava de novo, não párava, doía. Ele ligou durante cento e oitenta dias seguidos, todos os dia. Eu não atendia e doía. Eu dormia, acordava e doía. Eu fazia de conta que tava seguindo com a vida e doía.

Mudei de cidade, faz tempo. A ferida fechou, mas a cicatriz não me deixa mentir, nem esquecer.

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A foto é de Damien Rudd

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

fratura exposta, por adriana faria

por   /  26/07/2010  /  10:02

Parada cardíaca, por Adriana Faria

O meu coração já havia dado sinais de que não ia bem, batia descompassado.

Num ritmo acelerado, sem parar, quase explodia! Mas era uma força benigna que preenchia e movia aquele músculo oco, bem no meio do meu peito.

Sem entender a razão, os batimentos mudavam, quase paravam. Era um ritmo retardado, um músculo atrofiado, enfastiado que insistia ter aquele vazio ocupado.

Dos átrios para os ventrículos, corria tão vermelho, tão intenso e viscoso, levando os nutrientes necessários para resistir aos ataques que sofria.

Mas, meu coração parou. De forma inesperada e abrupta, parou. Não deu tempo pra tentar, não deu tempo pra reanimar.

Foi parada cardíaca, a morte súbita do nosso amor.

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

fratura exposta, por bruno dias moreno

por   /  26/07/2010  /  9:56

Só,  a tarde, por Bruno Dias Moreno

Sento no sofá pro café enquanto o outro ainda dorme e o gato passa entre suas pernas. Ele vai pular em meu rosto a qualquer momento e enfiar suas garras nas suas pálpebras até rasgá-las.

Vou embora com o olho pingando vermelho. Todos os carros na rua chegam a beliscar a calçada. Basta um para me atropelar e jogar no asfalto para que me debata feito peixe no seco.

Corro ladeira abaixo para escapar e sinto que meu joelho, a qualquer instante, pode partir ao meio. Agonia de precisar estalar cada articulação do corpo enquanto tudo parece estar esticado ao máximo: mais um atrito entre os ossos e todos eles se esfarelam.

Chego ao ponto de ônibus e ao dar o sinal quase perco meu braço apontado. Só cabe mais um passageiro. A porta não consegue se fechar. O motorista acelera e, pela inércia, tombo para fora e bato a nuca na guia.

Acordo sozinho. Agora chove e faz frio. O cabelo está colado ao pescoço por um melado seco, vermelho.

Tento ir a pé. Cada um que cruza pelo meu caminho carrega um revólver na cintura que pode ser puxado AGORA! Abaixo quando passa por alguém, pois sei que o tiro pode vir por trás e acabar com meus miolos. de cabeça a aberta, o vento refresca. O cérebro pula. O derrame está chegando. Um cérebro que se levanta no crânio e lá de cima deixa seu peso agir. O som da batida cerebral sai estourando os dois ouvidos.

Pego o metrô. Na plataforma, último vagão, logo depois da faixa amarela, uma massa de passageiros apressados me empurram para que eu abrace o alumínio. As portas se abrem e me empurram até que minha cara se espreme no vidro oposto. Quando me largam, uma senhora fica com o rosto na altura de meu peito. Encaro o topo de seus cabelos brancos. Dali consigo ver suas duas mãos inquietas. Elas agarrarão minha barba na próxima estação.

A estação vai fechar sem que consiga chegar para passar as catracas. Chego no último aviso de encerramento do horário comercial. Para conseguir sair a tempo preciso passar pela fileira de guardas e pular as catracas. Os guardas alisam seus cassetetes, as catracas de ferro parecem arames farpados. Os guardas abrem espaço para meu impulso. corro. Quando meus pés saem do chão e os joelhos se juntam ao peito, sinto o vento de um golpe dado no ar logo atrás. Os pés descem antes de ultrapassarem o bloqueio. Tropeço no ar até que consigo sair da estação.

Agora só falta a escadaria da rua de casa. Receio descê-la. Posso escorregar. Tropeçar. Não tem corrimão. Degraus furiosos. Resolvo pular todos os lances de uma só vez. Consigo. Aterriso com os dois pés paralelos. Os tornozelos se torcem. Fico ajoelhado enquanto eles incham em seu roxo hemorrágico.

Arrasto-me como posso até a porta de casa.

Você está lá. Linda. Desarrumada. Cara de concentrada e um sorriso sai da sua cara assustado quando me vê. Solta o livro no sofá e corre pra me abraçar.

Seu abraço apertado fecha minhas feridas. Seu beijo demorado numa boca sangrenta. Me leva pra tomarmos nosso banho juntos, como prometido pela manhã. Não tenho medo de me afogar. Quero nadar contigo.

Deitamos na cama ainda molhados e os corpos desarrumam um lençol que cobria nossa cama de vontade.

O gato passa pela beira da cama e nos olha. Mia para competir com seus gemidos. Ele não vai pular em minhas costas.

Amanhã, quando eu a deixar dormindo e sair da casa, morrerei assassinado, atropelado e torturado por essa saudade hiperbólica das tardes sem você.

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A foto é de Louis Fry

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

mixtape #37: gustavo montenegro

por   /  25/07/2010  /  22:16

Gustavo Montenegro, aka Guthera, é o maior fã dos Beatles que existe no mundo. E de Roberto Carlos também. Mas quando assume a discotecagem nas festas de Tony Montana, tudo muda. E é pra mostrar esse som de festa que ele fez a mixtape pro Don’t Touch!

“Basicamente juntei grandes clássicos que botam a turma pra dançar em Tony Montana. Como toco em um sistema democrático com Daniel Aragão, meu parceiro no crime, preferi selecionar apenas algumas de minhas contribuições desses últimos dois anos de farras. Esse lance de discotecar foi bom porque serviu para, dentre outras coisas, provar que nem só de rock and roll eu vivia. Só mais uma das muitas lendas a meu respeito. Embora Tony Montana tenha fama de ser uma festa DISCO, a gente procura sempre enfiar outras coisas com a cara da cachorrada que sempre rola lá dentro. Então, no fim, vale tudo, desde Madonna, passando por Reginaldo Rossi, Stevie Wonder, Raimundo Soldado e adjacências. A proposta é dançar, beber e sensualizar. Pra quem não conhece, Tony Montana é isso aqui: http://www.golarrole.com/2010/05/tony-montana-vips-only/

Para baixar a mixtape #37 cliquem aqui

A foto é de Francesco Ercolini

01- Roberto Carlos – Quero Que Vá Tudo Pro Inferno
02- Charo – Dance A Little Bit Closer
03- Lipps Inc – Funkytown
04- Jackson Five – Blame It On The Boogie
05- Bee Gees – Love You Inside Out
06- Suzy Quatro – If You Can´t Give Me Love
07- Tina Charles – You Set My Heart On Fire
08- Elizângela – Pertinho De Você
09- Painel de Controle – Black Côco
10- Barry Manilow – Copacabana
11- Falco – Der Komissar
12- Blondie – Call Me
13- Boney M – Ma Baker
14- Abba – Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)
15- Paul McCartney – Coming Up
16- Rick James – Superfreak

especial don't touch  ·  fotografia  ·  mixtapes  ·  música

eu quero uma vida lazer, por caio meirelles

por   /  25/07/2010  /  21:49

Caio Meirelles não escolheu uma, e sim várias fotos que representam o que é uma vida lazer pra ele!

Mais fotos do garoto em http://www.flickr.com/photos/caiomeirelles

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Mais uma série no Don’t Touch: Eu Quero uma Vida Lazer, com imagens que traduzam essa vontade! Tem sugestões? Me manda > dani@donttouchmymoleskine.com