Favoritos

sim

por   /  31/08/2010  /  23:55

quando a gente quer muito que alguma coisa dê certo, é preciso, sim, como todos dizem: paciência, perseverança, determinação. mas, acima de tudo, uma coisa é indispensável: distração.

Noemi Jaffe, em “Sim”

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A foto é de Geneviève

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receita de viver

por   /  31/08/2010  /  3:48

Receita de viver, por Carlinhos Oliveira

Para viver bem é preciso chegar aos 30 anos com a satisfação de se ter permitido todas as loucuras imagináveis na juventude. E só freqüentar os amigos que suportam os nossos defeitos.

Recomenda-se também uma boa gargalhada, à sós, no momento de se erguer da cama: “Quanta bobagem tenho feito neste mundo! Quá, quá, quá!” A serenidade imperturbável conduz ao fanatismo, e este dá câncer.

Nenhuma preocupação burguesa ou pequeno-burguesa, como por exemplo o medo de perder o emprego ou os bens; nenhuma ambição material, fora as indispensáveis (casa, comida, roupa lavada), ou então que seja gratuita: juntar dinheiro para algum dia comprar um iate ou passar dois anos zanzando pela Europa.

Nunca ferir uma mulher a ponto de fazer-se odiado por ela. O homem inteligente é o que sabe transformar antigos amores em sólidas amizades.

Estar sempre em condições morais de perder tudo e começar tudo outra vez. Interessar-se por tudo, principalmente por aquilo que não nos diz respeito. Amar apenas uma mulher de cada vez. Dizer sempre a verdade, seja qual for e doa a quem doer. Conhecer um por um os nossos defeitos, curar-se dos que não são naturais e cultivar aqueles que mais nos agradam.

Evitar ao máximo o paletó e a gravata, os chatos que falam no ouvido, as mulheres que resolvem tudo pelo telefone, os bêbados que mudam de personalidade quando lúcidos, os vizinhos muito prestativos e todo papo do qual participem mais de três pessoas.

Longa caminhada solitária pelo menos uma vez por semana. Não discutir preços — é melhor ir embora sem comprar. Não guardar ódios a ninguém. Dormir oito horas e, acordando, continuar na cama enquanto puder. Recusar-se terminantemente a beber uísque que não seja escocês legítimo, preferindo a cachaça como alternativa. (Isto vale apenas para quem gosta de beber e bebe freqüentemente, como é o caso do autor dessa receita. Neste caso, a aceitação de qualquer bebida é moralmente inquietante, pois atravessa a fronteira que separa o prazer do vício.)

Ser condescendente com o comportamento sexual dos outros. Tentar compreender cada pessoa, evitando julgá-la. Saber exatamente o momento em que os amigos gostariam de estar sós. Ter caráter bastante para reconhecer as qualidades positivas de um eventual inimigo. Treinar, como quem faz ginástica, para ser sinceramente modesto. Saber contar com irreverência histórias em que faz papel de bobo, e que tenham acontecido realmente.

Viver tão intensamente que possa dizer à morte, quando vier: “Já veio tarde.”

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Tô apaixonada pelas crônicas de Carlinhos Oliveira, em “O Homem na Varanda do Antonio’s”. É aquele tipo de leitura que faz a gente ter saudade do que nem viveu. É pura boemia carioca nos anos 1960 e 1970, com muita farra, muito uísque, muitos amores e desamores, tudo resolvido em mesa de bar…

Pra ilustrar, uma foto do Greekpunk

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milágrimas

por   /  31/08/2010  /  3:09

Milágrimas, de Itamar Assumpção e Alice Ruiz

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

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A foto é de Hidelee, e este post é dedicado a duas queridas amigas  ♥

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eu quero uma vida lazer, por marcelo castro

por   /  27/08/2010  /  12:22

Marcelo Castro quer pedalar e dormir ao relento!

Mais Marcelo em > http://www.flickr.com/photos/whereismarcelo/

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Mais uma série no Don’t Touch: Eu Quero uma Vida Lazer, com imagens que traduzam essa vontade! Tem sugestões? Me manda > dani@donttouchmymoleskine.com

fratura exposta, por laura arantes

por   /  27/08/2010  /  12:10

As cartas que não escrevi, por Laura Arantes

Sinto-me impotente depois de ter ferido alguém. Lúcida ou negligente. Tanto faz. Devo cartas e demonstrações, mas sei que fiz o que tinha que fazer. Estranho, né? No mínimo são aquelas coisas que a gente esqueceu (des)aprender na infância… E tenho montes e montes de cartas pra distribuir. Cadê os dois palmos de um travesseiro divino, para fechar os olhos e dormir?

* O trecho em itálico é uma frase do Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas (Capítulo LXII: O travesseiro)

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A foto é de Owltears

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

love in the first person

por   /  27/08/2010  /  12:00

“Love in the First Person” é um filme sobre um jovem casal que se descobre grávido no momento em que o rapaz ganha um tão sonhado concurso de fotojornalismo. Em quase 12 minutos, o filme mostra o amor, o dilema, a alegria e a dificuldade de mudar de vida. Lindo!

Quem deu a dica foi a Manu Colla

At twenty, photojournalist Matt Eich has maturity dropped in his lap: his world-class career takes off, just as his girlfriend becomes pregnant. Together they document their budding lives, as they grapple with some very grown-up choices. See the project at http://mediastorm.com/publication/love-in-the-first-person