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lendo a internet

por   /  02/08/2010  /  13:24

Lea T and the loneliness of the fashion world’s first transsexual supermodel, no Observer: For Riccardo Tisci, the creative director of Givenchy and the man who first encouraged his “very feminine” friend to go to a party in women’s shoes, the move was obvious. For Lea, 28, however, the transition – from man to woman and from misfit to role model – has been anything but. Not only, she says, has it turned her into someone at whom strangers feel entitled to point and stare, but it has provoked the anger of her Catholic family. It has filled her body with mood-altering hormones and brought her face to face with what she says is the inherent loneliness of transsexuality. Despite all this, she says, the “war in her head” has been worth fighting. “The choice,” she said in an interview in Italian Vanity Fair, “is between being unhappy forever or trying to be happy.”

The everyhero, na Ny Mag: Salt is a senseless blast. As I think back, I have no clue why the guy at the beginning did the thing with the … or why Salt—that’s the name of the fugitive CIA agent played by Angelina Jolie—would need to … or why the villain could turn out to be… It’s impossible,impossible, to parse. But what Salt lacks in coherence it makes up in centrifugal force. You might not know why Salt is doing what she’s doing, but you know while you’re watching that Jolie knows. The actress’s certainty is diabolical.

– Carol Almeida também escreve sobre o filme, no Terra: Angelina Jolie corre, atira, salta e escorrega em “Salt”

E mais:

Explosão, lado bom, matéria do caderno Equilíbrio, da Folha: “Às vezes, é preciso mostrar o grau de absurdo de uma situação reagindo com espanto. Mostrar que se está perdendo o controle é um caminho para o outro perceber que limites foram invadidos”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Suely Mizumoto. Não significa transformar o “rodar a baiana” em padrão. “É preciso usar a tonalidade emocional certa para se fazer entender: o importante não é o que é dito, mas como é dito”, afirma Mizumoto. (…) Perissinotti diz que quanto maior a percepção da realidade, maior a flexibilidade para lidar com confrontos. “Todas as pessoas buscam independência, liberdade e felicidade, mas é preciso se conformar com uma pequena cota de cada; quem não se dá conta de que as três condições não existem em plenitude acaba se decepcionando.”

etc

fratura exposta, por guilherme athayde

por   /  02/08/2010  /  13:09

Fratura exposta, por Guilherme Athayde

E ali estávamos, depois de tudo. Talvez eu não tivesse me dado conta ainda do que era, mas não era a mesma merda de antes. Não era nada de antes: bom ou ruim. Nem era estranho. Até que nos abraçamos, aí eu lembrei que era cumplicidade. Que era amor, que esse não acaba, nem mesmo “na epifania da pretensão ridícula dos bigodes”. E fui embora sem pensar nessas coisas, sem pensar em outras também. O passado dissolveu, e eu fui seguindo pela rua, o caminho que eu tinha e que era o agora. E quando eu entrei no elevador e ele fechou a grade, a vida nova reapareceu e lembrou: é onde eu estou, o melhor lugar do mundo.

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A foto é do próprio Guilherme > http://www.flickr.com/photos/furore/4376793971/

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

fratura exposta, por tatiane r. lima

por   /  02/08/2010  /  13:05

Bisa, por Tatiane R. Lima

Quem sabe dizer que fratura dói mais? A causada pelo namorado que partiu? Pela solidão que fica? Ou a do adeus a alguém importante na sua vida?

Para mim, esse último é o mais difícil de sarar. Dói no verão, dói no inverno, dói de dia, de noite, em datas que seriam especiais…

Minha garganta ainda fecha quando encontro a foto do último Natal e lembro da sensação que tive ao revelá-la. Algo tinha mudado. Foi a mesma sensação daquela última terça-feira. O brilho dela tinha mudado. Estava mais fraco, se apagando.

Arrependo-me de não ter sido a primeira a dizer o orgulho que sentia em tê-la na minha vida. Que prazer eu sentia ao atender seus desejos, sempre tão singulares, tão seus.

Que alento eu sentia ao me espremer na cama dela para ver novela e ainda ganhar um cafuné na cabeça. Quanta graça eu achava nas suas manias – dos lenços escondidos ao caderno repleto com nome de celebridades.

Eu queria ter sido mais paciente. Queria ter dado mais alegrias, mais um beijo e um abraço. Queria ter dito, mais vezes, como ela era, é importante para mim – e é tanto que me surpreendo, descubro aos poucos.

Irônica é essa vida: uma fratura tirou ela de nós; uma fratura deixa a ausência dela mais dolorida, mais difícil.

Do fundo do meu coração eu espero não ser tarde demais. Espero que você saiba que você, bisa, que, com tantos erros e acertos, você foi um exemplo. O Meu exemplo de paixão pela vida.

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A foto é de Manuel Cristaldi

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fratura exposta, por gabriela guerra

por   /  02/08/2010  /  12:52

Para o menino do cabelo arrepiado, por Gabriela Guerra

Eu passeava pela casa escovando os dentes, arrumando um porta-retrato meio torto na estante, um copo caído na pia. Entrei no quarto e, antes de levar mais alguma roupa suja para o cesto, parei em frente à minha cama. Juro que te enxerguei ali, com a cara de sono mais linda que já vi alguém ter. E antes que você pudesse dizer qualquer coisa, qualquer reclamação besta sobre aquela minha necessidade de organização às duas da manhã, eu ia te pedir em um tom muito sério para você não bagunçar minhas almofadas, por favor, já era a trigésima vez que eu tinha que repetir aquilo. Eu ia me esforçar o máximo para que todos os músculos do meu rosto fizessem aquela cara de criança só pra você rir mais lindo ainda da minha seriedade avoada, falando com a espuma da pasta na boca.

Eu fazia questão de escovar os dentes na sua frente com displicência, de esquecer o corretivo nas olheiras em alguns encontros, de me passar por mal-educada e não cumprimentar as pessoas no elevador que era pra você perceber, de algum jeito, que eu não sou tão perfeita quanto você dizia. Eu fazia questão de reclamar do seu cabelo, daquela bermuda laranja horrorosa e da sua paciência no trânsito só pra você pensar que não era tão perfeito quanto na verdade é.

Não doeu quando tirei suas fotos do móbile, joguei fora a escova de dente e renomeei seus contatos na agenda do celular. Acho que existe tanto de você neste apartamento que umas coisas ou outras não fariam muita diferença. O sofá da sala é todinho seu. Você nunca dividiu ele comigo, nem mesmo em dias de jogo do Náutico quando você não parava quieto e andava pra lá e pra cá, nervoso com os agouros dos vizinhos. Também não pude me desfazer do travesseirinho de cetim azul que a sua avó me deu. É que existem nele mais lágrimas minhas, gritos abafados e apertos do que aquele seu perfume Paco Rabbane. E o meu Nounouse-sem-nome também não saberia dormir em outro lugar.

Outras mudanças foram feitas em silêncio, como se a casa inteira ainda precisasse se acostumar à sua ausência. A faca de cozinha, por exemplo, voltou para o esconderijo secreto (é que agora eu tenho certeza absoluta de que os ladrões tentam arrombar a porta de casa pelo menos umas três vezes por noite). Na semana passada, comi biscoito recheado no jantar quase todos os dias porque eu sabia que você não ia reclamar. E por isso, ganhei os dois quilos que você não vai ver para dizer que, agora sim, aparento meus quase vinte e um anos. Mas, olha, eu me sinto muito bem em ter que enfrentar a escuridão do corredor sozinha, em ter que aprender o que danado é um radiador para o carinha do posto não me enrolar mais, em aprender a fazer uma feira de supermercado sozinha – e em ficar feliz com isso.

Porque foi de tanto olhar pra esses dois mundinhos verde-claro que você carrega no meio do rosto, de tanto enxergar as coisas através deles que eu vi que um monte de outras coisas podiam ser bem bonitas também. Mas só porque eu vi por eles primeiro é que hoje consigo ver com muito mais calma por esse meu amarelo-estranho. E agora, toda vez que encontro minha cama vazia, com as almofadas milimetricamente organizadas, sinto uma alegria involuntária de quem sabe que só podia ter sido com você, só podia ter sido você.

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A foto é de Nastya Vasileva

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