Favoritos

mixtape #42: cris naumovs, o retorno

por   /  29/09/2010  /  9:03

Cris Naumovs volta ao Don’t Touch com mais uma mixtape maravilhosa, com músicas de Caetano, Blossom Dearie, Beirut, Cazuza, Angela Ro Ro, Blitz e muito mais!

Para ouvir a mixtape #42, cliquem aqui

Para relembrar a primeira mixtape dela, acessem > http://donttouchmymoleskine.com/mixtape-cris-naumovs/

A foto é da própria Cris, que lembrou do Don’t Touch quando leu amor numa vitrine do Marc Jacobs em Nova York  =)

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um segundo

por   /  29/09/2010  /  8:37

Um segundo, por Camila Svenson

Eu só estava ali. Parada. Alheia a todo o movimento. E para falar a verdade, não me lembro deste casal sorridente na hora que a foto foi tirada. Mas, por alguma razão, se tornaram meus estranhos favoritos. Não os conheço, não sei quem são mas me afeiçoei a ambos como se fossem parte de mim.

Não me lembro de como ele sorria, de como ela segurava em seu braço de uma maneira confortável e cautelosa, não me lembro da luz do sol incidindo em seus cabelos brancos como prata e muito menos da menina de vermelho que exatamente neste singular instante de cumplicidade entre dois desconhecidos passava no fundo, misturando-se com os outros passantes.

Quem são ? O homem de gravata estampada e a mulher do elegante casaco branco. Estão felizes, ou apenas partilham de um dia agradável ? Estão de férias? Comemoram alguma data especial? Ele, com um meio sorriso no rosto parece lembrar de algo, ela parece ter frio _entretanto, um frio confortável, um frio bonito (desses que só existem em Paris nesta época do ano).

Não gosto de especular sobre suas vidas, para mim só existiram durante esse ínfimo segundo e logo depois desapareceram. Junto com a torre, os passantes, o céu nublado e a menina do casaco vermelho.

Um segundo é tudo o que nós precisamos para aprendermos a apreciar os pequenos momentos da vida (mesmo que estes, na verdade, não sejam propriamente nossos).

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10 anos mais jovem

por   /  28/09/2010  /  16:30

Mulher é um bicho esquisito, que sempre acha que poderia mais em todos os aspectos da vida. Dos amores ao trabalho, passando por corpo, pele, saúde… A gente sempre acha que poderia se dedicar mais, se cuidar mais. Mas será que dá? O tempo passa, a gente vai mudando, vivendo milhões de histórias. Quando nos olhamos no espelho, já não somos aquela menininha da foto que tinha a pele impecável. Nem cheguei aos 30 ainda, mas já sinto que tanta coisa mudou! Daqui a dez anos, o que mais terá se tornado diferente? Só o tempo vai dizer. Mas neste grande intervalo, a gente pode fazer um monte de coisas pra se sentir melhor com o corpo, com a pele, com o cabelo, com as roupas que veste. A gente pode, também, cuidar da cabeça, do coração e da auto-estima.

A partir de hoje, eu e mais quatro mulheres ótimas (Bia Granja, do YouPix, Camila Yahn, que faz o Pense Moda e o Blog da Cami, e Cris Francini e Paula Martins, do Look do Dia) vamos falar sobre esses assuntos na página do Discovery Home & Health no Facebook > Facebook.com/discoverymulher

A iniciativa é por conta do programa “10 Anos Mais Jovem”, que chega à sua quarta temporada e mostra, pela primeira vez, histórias de mulheres brasileiras. A estréia acontece em 3 de novembro. Até lá, vocês podem acompanhar (e ler, comentar, sugerir e compartilhar suas opiniões e experiências, é claro!) nossas postagens no Facebook > Facebook.com/discoverymulher e no Twitter > twitter.com/discoverymulher

Para inspirar a gente, lembrei do blog Advanced Style, que reúne fotos de senhoras e senhores pra lá de estilosos! O que me chama mais atenção nas fotos nem é o capricho na produção, mas o quanto eles parecem felizes e satisfeitos com a idade, com o corpo, com o estilo que escolheram para si > http://advancedstyle.blogspot.com/

A foto que abre o post eu encontrei no Ffffound

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a pessoa certa

por   /  28/09/2010  /  9:09

A pessoa certa, por Márlio Vilela Nunes

Quando estamos diante de uma possibilidade de relacionamento sempre nos perguntamos se a pessoa em questão é a melhor para nós. Inicialmente pensamos nas afinidades, nas características em comum que nos garantiriam que a relação funcionaria bem. Consideramos também o que o outro tem para nos oferecer, no que se pode ganhar e aprender. Por fim, lembramos de nós mesmos, dos nossos gostos, da nossa maneira de ser, do que podemos dar para quem está conosco. Usamos uma lógica que se pauta no levantamentos dos pontos de similaridade e de diferença, percebendo como diferenças positivas aquilo que um poderia trocar com o outro enquanto juntos. Nesse projeto, os dois, com o tempo, encontrariam cada vez mais sintonia, estariam cada vez mais próximos.

Ela é arquiteta em início de carreira, eu sou um advogado experiente. Ele é de peixes, eu sou de capricórnio. Ele fala quatro línguas, eu mal português. Ela tem duas filhas pequenas, eu gosto de sair na balada. Ele gosta de acordar tarde, eu também. Ela é sonhadora, eu sou mais pé no chão. Ele é baiano e eu gosto de gente alegre. Nessa matemática, cruzamos as várias informações para no final darmos o veredicto sobre quem seria a pessoa correta a escolher. A idéia é encontrar aquele que melhor se encaixaria em mim, aquela que mais me faria feliz. Um ideal de complemento.

O problema é que muitas vezes, na prática, o coração não segue o nosso bom cálculo e insistimos em gostar da pessoa errada: ela não tem nada a ver comigo, mas é ela que eu amo. A escolha afetiva, ao contrário da racional, aparenta guiar-se por uma atração pela encrenca, por aquilo que se mostra difícil de conquistar.

Mais que qualquer característica ou traço pessoal, o que nos atrai parece ser a dificuldade. Mesmo as condições que gostamos de apontar como responsáveis por sermos queridos não passam de sinalizadores de alguém cuja conquista se mostra árdua: quanto mais bonita, mas rico, mas charmoso ou mais sábia, maior é a concorrência, maior a chance de não termos tal pessoa. Ser atraente é estar marcado por uma possibilidade de perda.

Se parecemos muitas vezes buscar certas características nas pessoas que gostamos, é porque elas sinalizam para nós justamente algo que nos escapa, algo que supomos ter perdido.

Se, por acaso, encontramos alguém que tem uma certa condição que nos atrai e essa pessoa, com o tempo, se mostrar apaixonada, totalmente entregue a nós, a marca que nos seduzia perde o seu valor, o seu encanto. Por exemplo, uma mulher pode se interessar por um cara e lhe dizer: nossa, você é goiano, loiro e de gêmeos! Você é a pessoa certa para mim. O rapaz pode ficar feliz com isto. Se ele for estudante de psicanálise pode ficar ainda mais contente ao descobrir que as características citadas pela moça são as mesmas do pai dela. Aí ele se convence de que ela realmente gosta de homens geminianos, loiros e goianos, e, como ele porta tais sinais, é a melhor pessoa para ela. Aí ele dança. Corre o risco de ser inexplicavelmente trocado por um pernambucano moreno e de escorpião.

Ao dizer eu sou o seu homem, a semelhança com o pai da moça desaparece. O pai indica uma perda, um amor proibido, uma promessa nunca alcançada de felicidade. Ao responder sim ao apelo amoroso, loiro, goiano ou geminiano deixaram de ser sinais do pai.

Em relação às expectativas amorosas, estamos sempre queixando: ou nos falta amor e somos desprezados ou temos amor demais e somos sufocados. Se nos amamos mutuamente, obstáculos ou rivais nos impedem de concretizar a relação. O resultado pode ser um constante desencontro: gosto de quem não gosta de mim ou de alguém que não posso ter. Mas seguimos alimentando esperanças: no fundo ela gosta de mim, mas não tem coragem de reconhecer. Deus ou o destino vai dar um jeito de trazer o meu amor para perto de mim. O problema é que quando, por acaso, recebemos um sim da pessoa desejada, logo nos decepcionamos, perdemos o interesse, a paixão se cala: não era bem ela que eu queria. Agora que conheço ele melhor, vejo que não tem nada a ver comigo.

Inventamos as mais furadas desculpas para justificar o nosso desinteresse afetivo. Qualquer defeito se transforma numa prova definitiva do mau caráter e da incompatibilidade do outro. Como conseqüência dessa insatisfação permanente, nos meios sociais mais tradicionais, naqueles em que ainda valem os compromissos de se casar e se constituir família, encontramos cônjuges que não se sentem atraídos um pelo outro e constantes pulos de cerca, tanto dos maridos quanto das esposas. Nos círculos em que os compromissos sociais são menos imperativos, encontramos uma troca freqüentes de parceiros. A atração e o encanto podem durar apenas o tempo de um baile, uma balada ou uma noitada.

Estar satisfeito com o amor que se encontra parece ser muito raro. Enquanto esperamos um amor de complemento, ficamos sempre insatisfeitos. É impossível alguém que nos satisfaça totalmente, alguém que nos complete. A única forma de acreditarmos nisto é nunca alcançando o ideal pretendido. Damos sempre um jeito da coisa dar errado. Parece que o importante não é encontrar o amor, mas manter a máquina que nos faz acreditar que um dia poderemos encontrar um amor final, um sentido último para as nossas vidas. Qualquer coisa que ameace o funcionamento desse aparelho de sentido ilusório deve ser eliminada de nosso horizonte. Defendemos com unhas e dentes a nossa ilusão, o nosso engano, as nossas mentiras: é melhor não saber disso.

Mas teríamos outra alternativa? Como manter o amor por alguém se o que sustenta a paixão é a dificuldade, a distância, a eterna marca de algo que se perdeu?

Para dar essa difícil resposta talvez devêssemos pensar que nossa dor é mais profunda. Não se trata de recuperar algo que se perdeu ou de ganhar algo que nos falta, mas perceber o amor como um encontro com aquilo que nunca tivemos nem nunca teremos, aquilo que nos é impossível, aquilo que faz da vida e do outro um mistério absurdo e inalcançável. Só essa sombra permite o encanto, a paixão.

Uma tarefa árdua. Estamos acostumados a ver e a medir as pessoas à nossa volta pela sua imagem, pela sua aparência, por aquilo que elas nos teriam para nos completar, por aquilo que seria claro e racional. Ela é rica, ele é alto, ela é medrosa, ele é sem-vergonha, ela é interesseira: como anulamos imediatamente o amor ao tentarmos, o tempo todo, enquadrar a pessoa desejada dentro de uma determinada categoria. Quanto as psicologias nos ajudam nesse vício com as suas classificações e receitas.

Parece que morremos de medo de amar. Amar exige que nos mantenhamos na incerteza, na surpresa, no acidente, na incompletude. Precisamos olhar para o outro e não vê-lo, enxergá-lo como um fantasma. Alguém que nunca possuiremos, alguém que nos escapa permanentemente, uma pessoa que desde o princípio estamos condenados a perder, um mortal.

O amor talvez exija alguém que possua a coragem de seguir amando sem o medo de não ser amado, alguém que não tema caminhar no desconhecido. Como no verso de Drummond, alguém que saiba amar depois de perder. Alguém que suporte a angústia de não se deixar enquadrar em nenhum lugar imaginário e que, assim, permita a quem está ao seu lado a possibilidade viver a experiência rara de amar.

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A foto é de Laura Gommans

Quem mandou esse texto maravilhoso foi a deusinia Mariana Rezende

amor  ·  etc  ·  fotografia

tudo?

por   /  27/09/2010  /  7:55

- Dê a um homem tudo o que ele deseja, e ele, apesar disso, naquele mesmo momento, sentirá que esse tudo não é tudo.

Kant

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A foto é de Erin Purcell

amor  ·  etc  ·  fotografia  ·  literatura

fratura exposta, por diogo bercito

por   /  26/09/2010  /  21:06

Roubo, por Diogo Bercito

O roubo é uma ação extensa.

Carros podem ser roubados, por exemplo, e é sorte minha que eu não tenha um. Já celulares tive um monte, e vários deles foram embora de bicicleta, na Avenida Paulista.

Minha casa foi uma das primeiras a serem assaltadas no meu bairro, lá na década de 90. Os ladrões, paspalhos, levaram o relógio falso da gaveta de papai e deixaram o verdadeiro para trás, testemunha metálica do furto.

Nem é preciso falar que corações também podem ser roubados de seus donos. Às vezes, nunca são devolvidos. Em outros casos é sequestro duradouro, mas com data de validade, e o que resta é o trauma dos anos de cativeiro.

Já estive lá e voltei para provar que há, sim, vida depois do amor. Foi a Cher quem me perguntou isso, na letra de “Believe”, e lhe respondi em pensamento.

Do que me roubaram, porém, uma das perdas de que mais me ressinto é imaterial. É sentimento de posse sob uma coisa que nem era minha.

Ao fim do primeiro mês de namoro, dei uma frase de presente à minha ex-cara-metade. “Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi”, dizia um sedutor Tancredi em “O Leopardo”, livro do italiano Tomasi di Lampedusa. Apaixonado, apresentei-lhe a citação e, assim, de certa maneira fiz dela minha.

Se queremos que as coisas fiquem como estão, é preciso que tudo mude. Eu segui essa frase como um mantra.

Já estamos separados há mais de um ano, e recentemente não resisti e aceitei seu pedido de amizade no Facebook. No mural de recados, li a frase que era minha. Roubada de mim e reapresentada como se fosse espontânea.

A frase que eu, antes, tinha roubado do Lampedusa.

Eu, que tanto quis que as coisas entre nós dois tivessem ficado como estavam.

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A foto é do filme “O Leopardo”

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

mulheres

por   /  26/09/2010  /  20:26

Natasha Law é irmã do Jude e adora pintar mulheres

Natasha Law is best known for her painting and line drawings of women, which lie on the boundaries between art and fashion. Her illustrations evolve from simple line drawings in pen, with colour and detail added as layers, producing her own distinctive style.

Mais em > http://voltzclarke.com/law/1.html