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fratura exposta, por clarissa amorim

por   /  23/09/2010  /  8:38

De novo, por Clarissa Amorim

Amou tanto, tanto que doeu tanto, tanto e ainda mais. Optou então pelo caminho que parecia mais fácil. Nunca mais. Decidiu não merecer sofrer e expurgou a dor até deixar de sentir. Até esquecer. Até não saber mais como sentir quase nada. Volta e meia se deparava com as inconvenientes lembranças do sentimento enterrado. Às vezes vacilava, mas sempre conseguia colocar uma nova pá de cal.

Depois que o tempo (sempre o tempo) foi diluindo qualquer boa lembrança do amor falecido, sobrou medo e uma razão descabida, exagerada para tudo quanto fosse emoção. Mas foi como se nada de importante acontecesse (e é sempre desse modo), como um choque, se deparou novamente com a aflição e deleite de viver como quem está sempre pronto pra fazer sorrir. Lembrou como é bom se doar de graça, dormir pouco mesmo tendo que acordar cedo, ceder sem sentir dor, mudar de opinião, admirar imperfeições, sorrir a tôa, dormir suspirando, lembrar do outro pelo cheiro e fazer planos. Sim, fazer planos. Não há nada mais delicioso do que fazer planos pra dois.

Outro golpe. Uma rasteira sem aviso prévio. Outra vez aquele buraco profundo que surge no chão, engole e leva para o vazio. Doeu. Dói. Não dava para enterrar dessa vez. Não dava pra comprar um sapato, mudar de cidade, mudar o cabelo, pintar as paredes, mudar de profissão. Precisou assumir a dor, deixá-la transparecer no olhar, nos gestos, na boca do estômago. Como gente grande, que não mostra, mas também não esconde as cicatrizes.

Sem certezas, com as pernas ainda fracas e ainda algumas mil lágrimas atrás dos olhos, desistiu de desistir. Deseja então, profundamente, tentar fazer alguém feliz sem hesitar. Nem que seja só enquanto durar. Nem que seja até doer outra vez. E dói.

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A foto é de Pete Halupka

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

dedicatórias

por   /  23/09/2010  /  8:33

Eu adoro escrever dedicatória em livro. E adoro ganhar livro com dedicatória também. Achei lindo quando a Larissa Brainer mandou um e-mail dizendo que lembrou no Don’t Touch enquanto desencaixotava  sua mudança.

“Encontrei dois livros que temos aqui em casa, com duas declarações de amor nas dedicatórias que são verdadeiros tesouros de amor, um é amor recíproco e o outro, despedida. O de Gabo, eu herdei de meu pai. Anos antes de eu nascer ele pegou emprestado com uma amiga anos e nunca devolveu. Encontrei na estante, empoeirado, uns quatro anos atrás. A dedicatória de Dia dos Namorados fofa me fez ter mais vontade ainda de ler o livro. Fora a coincidência do apelido da dona, que também é o meu. Fico imaginando como pode ter sido especial aquele 12 de junho de 82 para minha xará.” > Lala, este é um dia comum como qualquer outro, mas com uma grande diferença, pois estamos juntos, aqui e agora. Vitória, 12/06/82, Rivo

“O ‘Zen e a Arte…’ Alexandre, meu marido, comprou pelo Estante Virtual, sem saber da existência da dedicatória. Quando o livro chegou, que ele leu, sentiu o baque. As palavras fazem a gente sentir a dor da despedida de quem escreveu essa dedicatória. E, ao mesmo tempo, me pergunto o que (todas as lembranças, emoções, etc) levaria alguém a se desfazer de um livro com uma dedicatória assim. Por essas e muitas outras que e-books não vão substituir os livros, na minha humilde opinião.” > Na verdade, eu comprei este livro para lermos juntos. Achei que você ia gostar do fato de podermos ler alguma coisa que tem a ver com os dois e discutir, etc. Mas agora o deixo com você; é para você, foi muito por você… Amor, Jô.

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o nosso mal-estar amoroso

por   /  21/09/2010  /  17:03

O nosso mal-estar amoroso, por Contardo Calligaris

Na semana passada, graças ao IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, migre.me/1hb92), aprendemos que, em média, no país, há 105 homens solteiros por cada cem mulheres com o mesmo estado civil.

Claro, em cada Estado a situação é diferente. No Distrito Federal há mais solteiras do que solteiros, no Rio de Janeiro dá empate e Santa Catarina é o paraíso das mulheres (122 solteiros por cada cem solteiras). De qualquer forma, no Brasil como um todo, é impossível afirmar que “faltam homens no mercado”.

A Folha, na última quinta (9/9), entrevistou algumas mulheres; uma delas comentou: pouco importa que haja mais homens do que mulheres, o problema é que os homens, depois de um encontro ou dois, dão “um chá de sumiço”. Ou seja, pode haver muitos homens, mas eles só querem pegação.

No domingo passado, um leitor escreveu à ombudsman do jornal para protestar: segundo ele, quem não quer nada sério são as mulheres, que são “fúteis e fáceis”, salvo quando o homem começa “a conversar sobre algo sério”, aí ELAS dão o tal chá de sumiço.

Em suma, faltam homens ou mulheres? E, sobretudo, números à parte, quem está querendo só pegação: os homens ou as mulheres?

Acredito na queixa dos dois gêneros. Resta entender como é possível que a maioria tanto dos homens quanto das mulheres sonhe com relacionamentos fixos e duradouros, mas encontre quase sempre parceiros que querem apenas brincar por uma noite ou duas. Se homens e mulheres, em sua maioria, querem namorar firme, como é que eles não se encontram?

Haverá alguém (sempre há) para culpar nosso “lastimável” hedonismo -assim: todos esperamos “naturalmente” encontrar uma alma gêmea, mas a carne é fraca.

Homens e mulheres, desistimos da laboriosa construção de afetos nobres e duradouros para satisfazer nossa “vergonhosa” sede de prazeres imediatos.

Os ditos prazeres efêmeros nos frustram, e voltamos de nossas baladas (orgiásticas) lamentando a falta de afetos profundos e eternos.

Obviamente, esses afetos não podem vingar se passamos nosso tempo nas baladas, mas os homens preferem dizer que é por culpa das mulheres e as mulheres, que é por culpa dos homens: são sempre os outros que só querem pegação.

De fato, não acho que sejamos especialmente hedonistas. E o hedonismo não é necessário para entender o que acontece hoje entre homens e mulheres. Tomemos o exemplo de um jovem com quem conversei recentemente:

1) Com toda sinceridade, ele afirma procurar uma mulher com quem casar-se e constituir uma família.

2) Quando encontra uma mulher que ele preze, o jovem sofre os piores tormentos da dúvida: será que ela gostou de mim? Por que não liga, se ontem a gente se beijou? Por que ela leva tanto tempo para responder uma mensagem?

Essa mistura de espera frustrada com desilusão é, em muitos casos, a razão de seu pouco sucesso na procura de um amor, pois, diante das mulheres que lhe importam, ele ocupa, inevitavelmente, a posição humorística da insegurança insaciável: “Tudo bem, você gosta de mim, mas gosta quanto, exatamente?” Se uma mulher se afasta dele por causa desse comportamento, ele pensa que a mulher só queria pegação.

3) Quando, apesar dessa dificuldade, ele começa um namoro com uma mulher de quem ele gostou e que também gostou dele, muito rapidamente ele “descobre” que, de fato, essa nova companheira não é bem a mulher que ele queria.

4) Nessa altura, o jovem interrompe a relação, que nem teve tempo de se transformar num namoro, e a mulher interpreta a ruptura como prova de que ele só queria pegação.

Esse padrão de comportamento amoroso pode ser masculino ou feminino. Ele é típico da cultura urbana moderna, em que cada um precisa, desesperadamente, do apreço e do amor dos outros, mas, ao mesmo tempo, não quer se entregar para esses outros cujo amor ele implora.

Em suma, “ficamos” e “pegamos”, mas sempre lamentando os amores assim perdidos, ou seja, procuramos e testamos ansiosamente o desejo dos outros por nós, mas sem lhes dar uma chance de pegar (e prender) nossa mão. Esse é o roteiro padrão de nosso mal-estar amoroso.

Para quem gosta de diagnóstico, é um roteiro que tem mais a ver com uma histeria sofrida do que com o hedonismo.

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A foto é de Clara Román

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elogio ao amor

por   /  21/09/2010  /  16:55

Elogio ao amor, por Miguel Esteves Cardoso

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão alimesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia aspessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

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A foto é de Margot Pandone

A dica do texto lindo foi de Clarah Averbuck

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carta de amor enviada num canhão

por   /  21/09/2010  /  16:50

Gabriel Pardal fez um poema de tirar o fôlego, que começa assim:

Eu botei uma praga em você, fiz magia, fui na bruxa, fiz caveira, simpatia, deixei despacho na rua… Que é pra você se arrebentar toda.

Mas pra quê só ler se você pode ouvir o poema acompanhado por imagens lindas e trilha de ouvir no repeat?

Pois vejam > Carta de amor enviada num canhão

Mais em > http://nomedacousa.tumblr.com/

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samarone procura(va)

por   /  13/09/2010  /  14:48

Procura-se, por Samarone Lima

Procura-se caderno, amigos. Minto. Um caderno de capa amarela e dura, de uns 25 centímetros por 20, cheio de anotações pessoais, trechos de livros, poemas, rabiscos, inutilidades, pensamentos sem futuro, desabafos. Não é um caderno qualquer, é somente este.

Sumiu na segunda-feira, na livraria Cultura, após o lançamento de “Chabadabada”, do Xico Sá, junto com o delicioso “Manual de Antropologia Cultural”, do Angel Espina Barrio, presente do amigo Mário Hélio. O livro estava inteiramente rabiscado, como sempre faço, quando vou lendo coisas que gosto, agora que estou pensando em estudar antropologia.

A culpa foi do vinho do lançamento. Pela primeira vez, e graças ao prestígio do Xico Sá, a  Cultura colocou vinho tinto, no lugar daquele terrível vinho branco gelado. Estava tudo bem bom, com vários amigos, gente conhecida. De lá, seguimos para outros bares, e perdi minhas coisas. Até o livro do Xico, outro presente, sumiu.

O pior é o sentimento de estar a mercê. Minha letra é péssima, muitas vezes nem eu entendo o que escrevi, mas vai que o caderno tenha caído justamente nas mãos de um decifrador profissional de garranchos?

Sempre, na primeira página, boto que recompenso quem encontrar e devolver. Forneço também o telefone e email. Até agora, nada.

Ontem, fui aos bares que frequentamos. Respostas frias, como se eu procurasse um guarda-chuva, um cachecol, um isqueiro com o escudo do Santa Cruz. Eu procurava meu diário, caramba!

É talvez meu mais antigo vício. Desde os 13 anos, tenho esses cadernos comigo. São meus laboratórios, minhas oficinas, meus comparsas. Escrevo todos os dias, anoto inutilidades, pensamentos ermos, confesso tristezas, alegrias, decepções. Às vezes, pego um desses cadernos de dez anos atrás, e vou ver o que estava fazendo, onde morava. Como colo notas fiscais, contas de bares, faço minha arqueologia íntima.

Pego o caderno de maio de 1999. Eu morava com o velho amigo Gustavo na rua Canuto do Val, 146/11, Santa Cecília. Era um homem felizardo. Tinha saído da Veja e fazia meu mestrado.

No dia 14 de fevereiro de 1999, às 10h59, comprei no Ática Shopping de São Paulo o livro “Ascese – os salvadores de Deus”, de Nikos Kazantzakis. Ainda o tenho por perto.

Tem uma lista das pessoas que eu precisava “passar um bip”, aquele aparelhinho simpático que a gente usava para mandar mensagem, e uma moça escutava tudo o que a gente dizia de mais íntimo. Depois, minhas anotações sobre o aniversário de 30 anos. Há poemas de Mário Benedetti anotados, Claribel Alegria. Sempre gostei desse nome – Claribel Alegria.

Seguindo um velho costume, nas páginas ímpares há frases, trechos de poetas. “La realidad para ser necesita la imaginación”, pesquei do poeta argentino Roberto Juarroz. Muitas páginas têm trechos de anotações das aulas. Eu estava no mestrado. Vamos ver aqui. Em 21 de maio de 1999, eu fazia uma disciplina com a professora Maria Aparecida Aquino. Ela explicava os detalhes do projeto Brasil: Nunca Mais. Sabia de todos os detalhes. “Quero ser enterrado num cemitério com vista para o mar”. Meu Deus, como eu escrevo besteiras.

“É um louco! É um louco!” (de uma expectadora, ao ouvir pela primeira vez o Bolero de Ravel).

Fui a um show da Ângela Rôrô no Centro Cultural Vergueiro. Nessa época ela ainda bebia rios.

“Preciso colocar pólvora debaixo de mim” (Tchekov, em carta escrita a 4 de maio de 1889). Nessa época, eu estava lendo apaixonadamente tudo dele, do Tchekov. Tenho esses ciclos com escritores.

No dia 2 de julho, recortei de algum jornal o seguinte convite:

“A esposa, a filha e os netos de Italo Sammarone agradecem as manifestações de carinho….”

Era o convite para a missa de sétimo dia de algum familiar meu que jamais conheci, já que há uma abastada família Sammarone na Itália.

“O homem, em tudo e por tudo, é apenas remendo e miscelânia”, dizia o bom Montaigne, em seus Ensaios.

No final de julho, comecei um tratamento anti-rábico. Nove dias de vacina, após tentar segurar um gato pelo pescoço, em um bar de Fortaleza. Eu e minhas invenções.

Por esses cadernos, vejo que já fiz um bocado de coisas nessa vida. “Amanheci com os violeiros em Morada Nova”; “Igreja de São Francisco, em Mariana. Concerto de órgão”; “Noite com os doidos e bregas em Salvador”.

Só este caderno, que é bem robusto, tem 317 páginas.

Fico na expectativa de que alguma alma santificada encontre o meu caderno perdido na segunda-feira, o da capa amarela. Estava pela metade. Pelo que vi agora, as anotações são as mesmas, há mais de duas décadas. Minha leseira mental pouco melhorou. A letra continua péssima. Além disso, já disse que gratifico bem. Aguardo.

Nota final:

O caderno acaba de ser encontrado. Ficou dormindo no banco traseiro do Fusca do senhor João Magro Valadares, que me deu carona num sábado interminável. Começamos os trabalhos no bar Princesa Isabel, seguimos para o Bode Dourado e concluímos as atividades copísticas no Tepan, onde pude utilizar a mesa como travesseiro.

Grato a todos os leitores pela solidariedade. O sentimento de alívio é imenso.

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O desenho que ilustra o post foi feito por Robert Scholten, durante uma viagem a Nova York. O trabalho dele é lindo! > http://robowhat.blogspot.com/

A dica do texto foi de @joaovaladares

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RIP

por   /  13/09/2010  /  14:33

Sou um artesão de ilusões. O que realmente me interessa é a qualidade da ilusão. Se você conseguir atravessar o espelho e tiver a coragem de olhar para trás, você não vai ver nada.

Wesley Duke Lee, artista paulistano, um dos fundadores do Grupo Rex _ele morreu hoje, vi no G1

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