Favoritos

vestido de noiva

por   /  12/09/2010  /  15:30

Jessa Fairbrother escreve sobre casamento e fotografa diversas mulheres com seus vestidos de noiva > I did, no Telegraph

As a child I was more than a little swayed by the idea of getting married just so I could wear a beautiful frock. I was six years old when Lady Diana married Prince Charles and distinctly remember watching the royal wedding on television, fascinated by the yards of fabric that seemed to go on forever as she walked down the aisle in St Paul’s Cathedral. A vision of perfection. I would put on a full-length frilly spotted net ‘horror’ my mother had bought me from a charity shop and twirl around in it wearing gold shoes and pink lipstick. I do not think I knew at the time that it was a bridesmaids dress, although looking back it undoubtedly was. I simply enjoyed the ritual of dressing up, but never thought about it in any depth. I was only six after all.

Fifteen years later my then-boyfriend bought me a dress that more than a little hinted at bridal tradition. Although it seemed on the surface to be a “cocktail” dress, the off-white beaded lace alluded to something that unsettled me. Not long afterwards I left him, but I still have the dress bagged up in my wardrobe, unworn for more than a decade. It seems a little inappropriate to put it on now, harking back as it does to a chapter in my life that is now closed.

(…) But it represents a certain identity I had then, which might be why I cannot get rid of it. It is an emotional attachment to who I was, and as such reinforces the journey I have taken since. Occasionally I put it on – mostly to see if I can still fit in to it. And in this way it is just the same as a bridal gown because it is the visual marker of youth and of the shift from naiveté to understanding – a bookmark of transition.

(…) These dresses are more than just outfits – they suggest perfect love and perfect lives, no matter what journey actually resulted. They encompass the hopes of those who have worn them. And while they act as a reminder of what took place, they cannot be worn again – at least, not as they are. A wedding dress is intended as a one-off outfit for what is meant to be a one-off event and as such it has a loaded and resonant significance. It is almost a body in itself, representing womanhood; a second-self; an aspiration. A wedding gown is a physical proof of ‘the promise’, and in this way it seems it represents something ephemeral rather than concrete.

Para ler tudo > I did: Jessa Fairbrother

Via @michellaub

amor  ·  fotografia

fratura exposta, por thiago soares

por   /  12/09/2010  /  14:37

Me queira bem, por Thiago Soares

Há quem diga que bêbados são sábios ou incovenientes. Incovenientes são mesmo, é fato. Sábios, só até quando o álcool permite. Algumas horas depois daquele gole, a gente parece que sabe de tudo, tem a verdade absoluta. Eu estava um pouco assim hoje. Eu estou um pouco assim.

Cada gole, uma lembrança boa de você, uma vontade imensa de cuidar de mim, de ser melhor para mim, para os outros. Vontade de continuar a sentir encantamento, dádiva de algo que não se repete. Uma pessoa, outra pessoa: Deus em algum lugar.

Alguns drinques, uma noite sem grandes expectativas. Acontecimentos banais.

Espero que você não esteja detestando tudo isso: é boa a sensação de não sentir vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.

Acabo de ver coisas, ouvir coisas. No filme, há um princípio da coincidência regendo tudo. Um princípio que explica as precariedades da vida. Não sei se há coincidências, acredito que há sol até nas noites.

A vida segue, o belo é que nós não somos descartáveis. Há alguém muito perto do outro, que olha, que observa. Faz sorrir. E há alguém que está, mesmo sem ser, como se não precisasse, imperceptível.

Tenho um jeito meio desajeitado de dizer as coisas, meio prolixo, meio cheio de curvas, um jeito tão sem precisão que me faz ter vergonha de fazê-lo. Não: decidi não sentir vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.

E essa madrugada? Eu, sinceramente, acho que o tempo vai fazer eu me esquecer de você e você se esquecer de mim. Por isso, escrevi isso. Para deixar registrado.

Eu me sinto melhor com tua presença. Aí. Aqui. Acima das nossas cabeças.

Fique feliz, fique bem feliz, fique claro. Queira ser feliz. Te envio as melhores vibrações.

Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas, que seja bom o que vier: para mim, para você.

Te escrevo isso por absoluta necessidade de sinceridade. Hoje tem noite e amanhã tem sol.

– Me queira bem.

_________________________________________________________________________________________

A foto é de Sabino Aguad

_________________________________________________________________________________________

Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

coragem, meu bem

por   /  11/09/2010  /  22:13

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito — por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.

Guimarães Rosa

_________________________________________________________________________________________

A foto é de Leigh Ellexson

amor  ·  fotografia  ·  literatura

devoção

por   /  10/09/2010  /  8:24

Com ela, amor recíproco e de 30 anos. Com o time do peito. Um amor mal correspondido, como costumam ser os amores mais perversos. No divã, receberia, fácil, fácil, o atestado de masoquista, mas nada disso importa, afinal, meio amor não é amor, como diria o tio Nelson.

Xico Sá, em Devoção ao Santinha, na Folha de hoje

amor  ·  etc

todo mundo tá feliz?

por   /  09/09/2010  /  22:55

O post da Ana Luiza Gomes é tão maravilhoso que reproduzo quase inteiro aqui!

A felicidade virou um imperativo.

Nos relatos comerciais e acadêmicos, a felicidade é conceituada, em regra, como uma condição relativamente duradoura e profunda de equilíbrio, contentamento e autorrealização – um estado psicológico positivo ao alcance de todos e venerável em si mesmo. Trata-se de uma ideia fixa tão dominadora a ponto de passar despercebida, com demasiada frequência, a especificidade histórica de nossa versão subjetivada da procura da felicidade, cujo alvo é o núcleo afetivo da experiência pessoal.” Confirma o professor Jõao Freire Filho, no  GT Comunicação e Sociabilidade.

Em leitura no blog de Carla Rodrigues, encontrei uma passagem do professor de história na Universidade Estadual da Flórida, Darrin McMahon ( autor do livro Felicidade, Uma Historia) que esclarece mehor esta angustia na busca pela felicidade através da história.

Nos séculos 17 e 18, um grande número de pessoas haviam sido apresentadas, pela primeira vez, à noção de que teriam o poder de obter, concretizar sua felicidade na terra a partir de suas próprias iniciativas. A felicidade deixou de estar ligada à Deus ou aos deuses, ao destino, à sorte ou ao empenho superior de alguns. Isso foi uma libertação. Foi libertador saber que não era mais necessário sofrer as conseqüências dos pecados de nossos ancestrais no  Jardim do Éden. E que não havia problema em sentir prazer, usufruir do corpo e do sexo, e era possível fazer dinheiro e empreender as circunstâncias da própria vida. Mas ainda que tudo isso tenha sido uma libertação, a idéia de que a felicidade passou a ser responsabilidade de cada um trouxe também uma obrigação. E se você não for feliz? Isso significa que você falhou? Esse é o paradoxo da crença na felicidade. De um lado, há uma liberdade, mas ela cria um novo tipo de ansiedade. Chamo isso de a infelicidade de não ser feliz. Sofremos muito com isso hoje em dia.

Leiam a íntegra em > A pattern a day

A foto é do Oh Sweet Nuthin

amor  ·  arte  ·  etc  ·  fotografia