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procurando amor no jornal diário

por   /  11/10/2010  /  19:11

Tim Harford é um economista que gosta de misturar a lógica de mercado a outras coisas, como a psicologia. Ele foi entrevistado pela Folha e falou sobre escolhas e decisões que a gente faz na vida. Curti menos pelo economês do que pela tentativa de aplicação na vida prática. Mais em > Economista aplica lógica de mercado a problemas diários (para assinantes)

Do livro “Dear Undercover Economist” (Querido Economista Clandestino)

Uma garota gosta de sair com vários garotos, mas quer se casar e ter filhos. Quando ela deve decidir? Depende da frequência com que conhece garotos e da data em que não poderá mais ter filhos. Suponha que ela conheça um garoto a cada dois meses e decida se casar antes de 35. Aos 18, ela ainda pode esperar conhecer 102 homens, então só deve se casar se conhecer um homem que esteja no top 1%. Ao longo do tempo, ela deve ir baixando a exigência: aos 30, um homem top 3% deverá ser escolhido.

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Fui procurar e encontrei outros exemplos ótimos:

Dear Economist: Loving and losing – is the cost too high?

With the imminent passing of my pet rat I am faced with a lot of grief; he has been a great pet and so I will be more saddened by his passing than if he had been a bad one. My question is: is it possible for the cost (the grief from losing a friend/pet/family member) to outweigh the benefit (the joy gained through time spent with them) and so make the purchase of my pet not worth it, as the net benefit would be negative? Would there be a point where you would say: “I don’t want to get involved because I love X so much that I will be destroyed if I lose him?”
Ilka

Dear Ilka,

Your intriguing problem has not, as far as I know, been explored by economists before, although it has been discussed by artists. Your ailing rat puts me in mind of a departed sparrow, mourned in verse by Catullus. Paul Simon expressed the trade-off more directly in his early song “I Am a Rock”: “If I never loved I never would have cried.”

But poetic speculation gets us nowhere. Let’s head straight to the data. Andrew Oswald, professor of economics at Warwick University, provides the following data points to ponder, based on surveys of life-satisfaction. Relative to never having been married, being married is worth 0.38 “points” of life satisfaction on a scale of 1-7. Being separated is worth -0.24, widowed -0.19 and divorced -0.09.

This is not much to go on, but it is better than nothing. If we incautiously interpret these numbers as causal – in fact they are merely correlations – then we could conclude that 20 years of marriage is compensation for up to 40 years of widowhood. Ten years of marriage more than justifies 40 years as a divorcee.

For human marriages, these odds seem pretty good. For a pet rat, less so: the little darlings hit puberty at six weeks and rarely live past three years. Perhaps you should buy a tortoise next time.

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A foto é de Marie Policastro

amor  ·  etc  ·  fotografia

o tchecov da serra das russas

por   /  08/10/2010  /  9:51

Lembram que coloquei aqui a capa do Suplemento Cultural do Diário Oficial de Pernambuco para o qual escrevi um perfil sobre Xico Sá? Pois agora o texto foi publicado!

O homem que sonha em ser o Tchecov da Serra das Russas

Perfil desvenda as trajetórias literárias e emocionais de Xico Sá, um autor sempre em busca dessa coisa chamada amor

Daniela Arrais

O homem só precisa de três coisas para ser feliz: amor, Visa Electron e coragem para tentar de novo depois de cada decepção. O ensinamento é de Xico Sá, verdadeira autoridade quando o assunto é relacionamento, essa coisa tão complicada que a gente passa a vida vivendo e tentando entender.

Para chegar a tamanha concisão, Francisco Reginaldo de Sá Menezes, 47, vive como um anti-herói de filme que faz sucesso no cinema – e não como coadjuvante daquele tipo de história que vai direto para a locadora, tamanho o tédio que causa nos espectadores. A sua vida é cheia de romance, tem um bocado de aventura e a porção de drama necessária para construir narrativas amorosas que servem de mote para seus textos, que são publicados em blog, Twitter, jornais e livros.

Na Mercearia São Pedro, em São Paulo, mais barulhenta do que sempre por conta do amistoso Brasil x Estados Unidos, o primeiro com Neymar e Ganso, os meninos da Vila que ele tanto adora, Xico fala sobre quem é e quem já foi.

“Há 20 anos, eu era mais fraudulento, mas era mais verdadeiro, por incrível que pareça. Era mais preocupado com a sobrevivência, e um homem preocupado assim é passível de qualquer merda. Ele é meio bandido, mais errado, mais frágil, mais passível de crime. Hoje eu tenho segurança, tenho o aval burguês safado de ter a vida mais ou menos garantida por algum tempo.” Entre um e outro tipo de homem, ele prefere o de antigamente pelo risco e o de hoje, pelo conforto. E se declara um anti-herói desde sempre: aquele cabra feio, mas cheio de carisma, que conquista amores, amigos e leitores com suas palavras sobre gente, esse bicho que precisa tanto de autorreferência.

Jornalista e escritor, Xico saiu de Santana do Cariri, no Ceará, ainda adolescente. Mudou-se para o Recife, onde conheceu coisas boas da vida: mulher, amor, mesa de bar, trabalho. Há mais de 20 anos, migrou para São Paulo, onde vive até hoje, trabalhando durante o dia e flanando durante a noite. “É muita militância noturna, baby. Isso já me custou um fígado.” Também compôs letras de músicas, participou de filmes, fez um blog, O Carapuceiro (www.ocarapuceiro.zip.net). Neste ano, lançou seu décimo livro, Chabadabadá – Aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha.

Como jornalista, ficou famoso pela cobertura do caso PC Farias. Enquanto alguns jornalistas do Brasil gastavam o borderô de suas empresas em viagens pelo mundo, atrás do famoso tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, Xico foi para Maceió, “onde estavam família, advogado, capangas, os homens fortes dele. Foi uma aposta da Folha de S.Paulo. Fiquei lá esperando, indo atrás dos caras, nos arredores, procurando quem não era objeto de investigação. Polícia, Interpol era onde todo mundo estava colado. Eu estava procurando Wally permanentemente. Até que um dia ouvi, no bar, que o cara estava em Londres. Fui atrás do irmão dele, confirmei, combinei uma ligação, gravei e publiquei.”

O que todo mundo queria, Xico conseguiu. O resultado veio na forma de prestígio e de melhores condições de trabalho. Virou repórter especial. “Mas eu nunca quis isso. Não era minha vontade ser um jornalista fodão. Era um desgosto, porque quanto mais coisa eu conseguia no jornalismo, mais eu me afastava de ser um escritor. Tinha menos tempo para ler, para escrever as coisas que eu queria. A vantagem era financeira, de status dentro do jornal, de viver melhor. Mas nunca quis nenhum segundo disso, nem para o meu filho, nem para o meu sobrinho, nem para você.”

Ainda como jornalista investigativo, foi ver quais eram os efeitos da desnutrição no crescimento de crianças, homens e mulheres do Nordeste brasileiro, mostrando aos leitores o Homem-gabiru.Quando foi desvendar a Anatomia de uma licitação, em 1993, conquistou um Prêmio Esso, o mais alto degrau da fama no jornalismo brasileiro.

Mas antes de ser jornalista, escritor, farrista de primeira, apaixonado por mulher e por futebol, Xico é um entusiasta do amor, esse tema que a gente passa a vida buscando entender em filmes, livros, músicas e conversas de mesa de bar.

Então sintonize o rádio do seu coração, e vamos a ele, o amor.

Xico está sempre em busca do amor, mas sem esperanças óbvias de contos de fada, de histórias que duram para sempre. Está mais para Vinícius de Moraes, quando ele diz “que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. Isso porque, depois de anos de experiência, Xico se deu conta de que o amor é pura encenação combinada por duas partes.

“Relacionamento é uma mentira da porra, é um mostrando o melhor lado, o outro achando lindo. Só quando o negócio fica ruim e o pau come é que fica verdadeiro e você conhece a pessoa”, diz. Ele sabe que o embate é permanente e está fadado ao fracasso. “Homem e mulher, sabiá e bem-te-vi, tatu e tamanduá. Nada vai dar certo. Graças a Deus! Eu tenho a finitude dentro de mim, acho lindo que você não queira morrer junto com a pessoa amada”, diz. Mas e o “viveram felizes para sempre” de todas as histórias que lemos na vida? “A dor mesmo quem sofreu foram nossos pais, que tinham o infinito como objetivo. A gente não tem essa ilusão, o que é um grande conforto. A gente sabe que uma relação dura um tempo, um discurso.” Palavras de quem já se casou e se juntou algumas vezes e criou dois enteados. “Mas quando eu começo a me iludir por uma moça, fico querendo ter uma história da porra, dessas que você se engalfinha e não tem jeito, quer estar junto, ligar o tempo todo. Para mim, isso é a eternidade.”

O amor surgiu como tema de vida e de trabalho na vida de Xico ainda no Cariri, quando o rapaz começou a ajudar a um vizinho a fazer um programa de rádio chamado Temas de amor. “Ele sabia que eu escrevia uns poemas e me chamou para ler histórias, aconselhamentos, poemas sobre casais famosos de Juazeiro. Eu vi que tinha sensibilidade para escrever sobre isso, mas era porque eu lia muito. Poema pra caralho. Era uma safadeza minha. Era um populismo amoroso da porra. Apliquei uns golpes poéticos benfeitos para o rádio. Na época num tinha nada bom. Acho que são golpes bem resolvidos por conta do meu repertório”, lembra. O sucesso foi instantâneo, mas Xico tira seu mérito. “O amor é tema mais velho que marxismo, que luta de classes. Fulano que ama fulano, que pode ou não pode casar ou não casar… Todo mundo se interessa por isso.” No Recife, anunciou nos classificados de um jornal o serviço “poemas de amor sob encomenda”, outro êxito de sua carreira.

Depois de deitar no divã, Xico descobriu: o apreço pelo tema vem da sua mãe, Maria do Socorro, que desde que ele se entende por gente abre a porta de casa para dar conselhos amorosos. “Depois que comecei a escrever, fui investigar por que escolhi esse tema. Psicanaliticamente, foi minha mãe. Toda mulher que entrava lá em casa era para minha mãe dar conselho. Ela tem uma vocação para conselhos, dá uns fodidos. Eu via a minha mãe o tempo inteiro se fodendo com o meu pai, aquele canalha clássico, bebedor, que gosta de farra, mas é provedor, que achava que se não faltasse nada em casa estava tudo lindo… E eu via minha mãe assim, igual a mim, se fodendo com as histórias e dando conselho para os outros.”

Pra ler o texto completo, acessem > O homem sonha ser o Tchecov da Serra das Russas

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