Favoritos

na garupa

por   /  16/11/2010  /  21:11

Que alegria passear pela cidade de bicicleta!

“The upshot of photographer Bridget Fleming’s effort to document the 200-plus streets of Manhattan located below 14th street, Downtown From Behind showcases an eclectic cast of individuals ranging from local architects and designers to stylists, decorators, musicians, artists, hoteliers, chefs—anyone who has an impact on their specific downtown neighborhood, be it through their profession or just by living in the area, Fleming notes. Despite her subjects’ faces not being visible, Fleming’s particular brand of photography is revelatory in an entirely different way—the surrounding streetscapes not only convey a sense of where they are, but their belongings also tend to indicate where they’re headed. The approach further reinforces the connection between subject and destination, such as the shot of designer Frank Alexander balancing a massive bouquet of flowers over his shoulder, or chef Andrew Carmellini of Locanda Verde captured with a whole baby pig strapped across his back as he pedals his way to his soon-to-open restaurant, The Dutch. The compositions are particular and make a lasting impression without falling back on devices of typical figurative work”, escreve o Cool Hunting

Downtown from behind > http://downtownfrombehind.tumblr.com/

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lendo a internet

por   /  16/11/2010  /  21:03

Stella’s hideaway, na Vogue > Stella McCartney admits that her quest for a country estate was essentially “a desperate mission to find land so that I could ride my horse. I wasn’t really interested in the building.” Some way through this mission, Stella met publisher Alasdhair Willis (who has since gone on to forge a career in furniture and product design, and now focuses on helming his own creative consultancy). Their affair may have been in its first bloom, but it was clearly serious as, in one of those “defining relationship moments,” they packed a picnic and went country-house hunting together. En route to a charming Wiltshire farmstead that was their intended destination, they bought a copy of Country Life, the weekly bible of British country matters and rural real estate. On its first page was a redbrick Georgian cube in a far less fashionable part of the countryside but set foursquare in a wide valley encircled by low hills. “So we just ended up there,” remembers Stella. “And it was very naughty. We went through the gate and sat in the field.” The irate retired major who owned the property came out and demanded that they leave.

– Do Le Love

Map of non-monogamy (via Update or Die)

– Do Esperando virar touca

A casa de boneca da Frida Kahlo, por Elsa Mora

Lula e Alencar: bastidores de uma foto comovente, por Mauricio Stycer

– You’re not alone, uma campanha da BBC que encoraja os idosos a navegarem na internet > http://www.bbc.co.uk/connect/ (via Tiago Dória)

etc

um beatlemaníaco de verdade

por   /  16/11/2010  /  20:51

Entrevistei o Marcelo Fróes, pro Oba Oba > Um beatlemaníaco de verdade

Marcelo Fróes começou a amar os Beatles aos sete anos, quando seu irmão, oito anos mais velho, chegou em casa com os discos “Band on the Run” e “Mind Games”, de Paul McCartney e John Lennon, respectivamente. “Durante um bom tempo, foram dois dos poucos discos que tive em casa. Na adolescência, comecei a comprar tudo o que eles fizeram e continuo colecionando até hoje”, diz Fróes, que é advogado por formação, mas vive de música há mais de 15 anos.

Froes é pesquisador, produtor independente e dono do selo Discobertas. E, claro, beatlemaníaco. Tanto é que resolveu acompanhar todos os shows da turnê “Up and coming”, que Paul McCartney faz pela América do Sul.

“Devo muito do que sou hoje à influência que tive dos Beatles, porque a paixão pela música que eles fizeram e fazem – juntos e separados, até hoje – foi responsável por muitos caminhos que tomei e que me trouxeram até aqui”, disse Fróes, diretamente de Buenos Aires, onde assistiu aos dois shows que Paul McCartney fez. De lá, Fróes segue para São Paulo, onde vai assistir aos shows que o ex-beatle faz nos próximos dias 21 e 22 de novembro, no Estádio do Morumbi.

Carreira
Em 1992, quando trabalhava em um livro sobre os Beatles, Fróes conheceu George Martin, o célebre produtor dos Beatles. O contato rendeu uma amizade profissional. Em 2008, Fróes produziu e lançou o “Tributo ao Álbum Branco”, um dos mais cultuados pelos fãs dos garotos de Liverpool. A organização começou por meio de uma comunidade no Orkut, e o disco chegou ao mercado com reinterpretações de Zé Ramalho para “Dear Prudence”, do Cachorro Grande para “Glass Onion”, do Pato Fu para “Birthday”, do Autoramas para ”Cry Baby Cry” e de diversas outras bandas para completar o repertório.

A seguir, Fróes conta um pouco sua expectativa para os shows.

Qual é sua expectativa para os shows?

Minha expectativa é de ver da melhor forma possível e, por isso, resolvi tirar uns dias de férias e ver todos os cinco shows desta turnê sul americana. Nas vezes passadas sempre fiquei na muvuca e lembro mais de olhar para o telão do que efetivamente ver o Paul tocando. Então encarei pacotes mais caros para poder ver o Paul da primeira fila, tanto em Porto Alegre quanto em Buenos Aires e São Paulo.

Quais músicas você mais quer ouvir?

Tudo que Paul toca é muito bom e, como nos últimos anos não acompanhei tão de perto os registros das turnês, nem assisti aos últimos DVDs ao vivo, todos comprados e guardados, terei a grata surpresa de ver os shows como algo novo e inédito.

O show de Buenos Aires foi o primeiro que você viu?

Não, eu vi os dois do Rio em 1990 e também os de 1993, feitos em São Paulo e em Curitiba. Em 1990 eu nem ia ao casamento do meu irmão, agendado para o dia 19 de abril, dia do primeiro show. Mas, como choveu muito, rolou um adiamento para o dia 20 e eu pude ir ao casório. Lembro da chuva, lembro de ver o Paul bem longe no palco do Maracanã. Em 93 viajei para São Paulo e Curitiba com dois amigos. Não nos reunimos há 17 anos e, por coincidência, estivemos os três juntos no mesmo hotel em Porto Alegre e fomos juntos ao show.

E qual foi a música que mais emocionou você ao vivo?

Difícil dizer, porque cada uma delas é a trilha sonora de algum momento da minha vida. Paul McCartney é um highlander!

(A foto do Paul e da Linda foi tirada pelo Fróes em 1993)

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rita wainer desacelerou

por   /  16/11/2010  /  20:37

Entrevistei a Rita Wainer pro Oba Oba >  http://www.obaoba.com.br/brasil/magazine/entrevista-com-rita-wainer

Rita Wainer desacelerou. Deixou de seguir calendários de semanas de moda, de acompanhar tudo o que acontece em Londres, Nova York, Milão, Rio de Janeiro, São Paulo. Parou de produzir em escala industrial para atender à demanda de um mercado e de um público consumidor que estão sempre em busca frenética pelo novo.

No auge da correria, a estilista paulistana de 33 anos percebeu que seu modo de criar e de produzir não fazia mais sentido. E resolveu mudar tudo.

Criou o projeto Born Again, que tem como filosofia “a reivenção de roupas em um mundo já saturado delas e escasso de novidades”. E como a estilista faz isso? A partir de peças doadas por conhecidos e desconhecidos (de uma calça jeans a uma toalha de mesa), que são reconstruídas e se transformam em uma coleção única, vendida na Loja do Bispo, em São Paulo.

Para ver as primeiras peças da coleção, clique aqui

E descubra como foi o processo de mudança da estilista na entrevista a seguir:

Como foi que surgiu a idéia para o projeto Born Again? Quando você sentiu o estalo pra fazer uma coisa diferente?
Acho que quando eu estava no auge da correria, com a produção a mil, desfilando, pagando conta, engolindo o tempo e tendo que desenhar por quilo, só pensava na memoria da roupa e para onde ia tudo aquilo, achava que o futuro estava no passado. Achava que aquilo não fazia sentido e comecei a pesquisar alternativas.

Como é depender da colaboração de outras pessoas para criar?

É louco. Depender da colaboração de estranhos é um baita exercício de humildade. Eu aceito tudo que queiram me dar e tenho que me fazer entender quando eu peço. É um trabalho colaborativo e, ao mesmo tempo, dependente.

Como tem sido a resposta das pessoas? Você têm recebido muitas peças?

Sim, das mais diversas, eu queria que as pessoas me doassem coisas com valor afetivo, que se desprendessem de roupas que não tinham coragem de jogar fora. Algumas vezes eu sinto isso, outras vezes me sinto um grande entulhão, outras pensam que eu ia gostar, tipo “ah, essa você vai gostar da estampa”, mas não para ninguém imaginar o meu gosto, e isso é engraçado, cada um tem uma reação diferente. Tem também aquelas que me mandam as coisas, depois ligam pra saber o que eu fiz com as peças delas, tem as que mandam cartas contando suas vidas (várias), tem as que querem que eu “customize” e devolva.

Você fala que gosta de cruzar histórias, de brincar de Deus. Como é isso?
Eu não sou religiosa, não tenho crença alguma que não a vida e o amor dos amigos. Talvez por isso eu use o nome de Deus tão levianamente. Brincar de Deus é fingir que você pode mudar o roteiro das coisas, e essa é minha fantasia predileta, desde sempre.

Seu processo de criação e execução também mudou?
Mudou muito. Naturalmente. Eu não pensei em me apegar a essa história toda, mas, quando eu vi, estava acreditando mesmo que podia ser diferente. E pode. O Born Again foi só uma ferramenta para o que eu estou fazendo da minha moda agora. É um trabalho aberto e eu não sei aonde vai parar nem quando, o melhor foi já ter mudado minha forma de pensar a moda, e é como eu estou fazendo com a minha coleção nova.

Você leva esse movimento slow fashion para outras áreas da sua vida, como a comida?
Eu tento levar a vida mais slow. Pensar mais, aproveitar mais, dar mais risada de mim mesma. Acreditar que o processo é importante pra caramba e o “como se faz” também. Me alimento bizarramente, mas isso já é um outro filme.

Conta um pouco como você se descobriu estilista?
Acho que foi com o desenho que sempre fez parte da minha vida, acho que foi observando tudo, foi uma forma de me expressar, uma plataforma que se fez interessante naquele momento. E hoje é o que me faz feliz.

Você trabalhou na Ellus, criou a Theodora. O que você tirou de bom dessas experiências? E o que elas te fizeram enxergar em relação a mudanças sobre como você quer conduzir a sua profissão?
Foi uma maravilhosa e rica experiência de verdade. Aprendi a chegar no meu limite antes dos 30 anos. Achava que poderia engolir o mundo ou carregar o peso que fosse nas minhas costas. Não sentia mais nada. Sou mais feliz hoje. Clara, objetivamente mais consciente.

Muita gente enaltece o fast fashion, por ampliar o acesso a roupas legais, de estilistas bacanas. Em paralelo a isso, as peças mais elaboradas são especiais, mas apresentam um custo ainda mais alto. Como você pensa em equilibrar isso?
Eu não pretendo equilibrar nada, de verdade. Eu descobri que fazer a minha parte já é o suficiente, é o possível. Eu vivo do que eu acredito, isso é legal.

E o que você pretende fazer para que suas peças sejam acessíveis?

Quanto ao preço, minhas peças novas custam caro sim, e me são caras (no sentido do carinho que eu tenho com elas). Às vezes são vários dias para fazer um vestido. Inclua nele meus últimos treze anos de trabalho. Não é barato. Eu sinceramente acredito que com esse meu trabalho novo estou conversando com um público que tem informação, de moda, de vida. Essa roupa já não é mais para te cobrir, faz parte de um pedaço do meu universo. É como um desenho que você veste, ou não. Eu acho que quem quiser pode comprar, é uma
questão de prioridade. Quem achar que é caro “para uma roupa”, favor se encaminhar a Zara. Depois de anos de estrada eu entendi porque as coisas custam caro e respeito o trabalho dos artistas que eu admiro.

Numa resposta a uma leitora, você questiona por que a moda tem que ser sempre associada à futilidade. Como escapar disso? Deixar de falar de esmalte todo dia é um caminho?
Nãoooo!!! A vida é feita de besteiras, risadas, humor, não se deve levar a sério o cotidiano. Falar de esmalte faz parte. Fofocas, novela, tudo. Eu pelo menos sou assim. Mas o meu trabalho eu levo a sério. Acho possível sim ter consistência na moda. Acho que é possivel assinar o seu trabalho com seu estilo, e não com seu nome na etiqueta. Tem muita gente que você vê o trabalho e já sabe quem fez, isso faz parte de um processo sério e longo. Admiro quem se faz único pelo seu estilo de trabalho, eu acho que é isso que faz a pessoa ter sucesso e conteúdo. Tudo que é bom demora para chegar no ponto. Talvez não chegue nunca. Respeito o processo, e não acredito em queimar etapas.

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from your sweet lips

por   /  16/11/2010  /  18:09

A kiss is the act of pressing one’s lips against the lips or other body parts of another. This is the effect of physical closeness upon two people who are in love. Although it’s from Wikipedia, it’s kind of cute. I love looking at pictures of people kissing; it makes me feel warm and fuzzy. What can I say, who doesn’t want to be in love?

Quem pergunta é Kathy Lo > http://kathy-lo.com/

Encontrei essas fotos lindas na Huh Magazine

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mulheres centrais

por   /  15/11/2010  /  23:20

As mulheres e o centro da cidade de São Paulo servem como ponto de partida para a exposição “Mulheres Centrais”, do coletivo Garapa. Fotos, vídeos e texto mostram as histórias e a intimidade de dez mulheres que têm alguma relação (de amor, ódio, vida, trabalho…) com o centro.

“Pensávamos que o centro da existência delas estivesse ligado ao centro físico da cidade. Porque é lá, no olho da capital paulista, onde elas vivem e trabalham. Mas existir é outra coisa, e o centro não é um lugar no meio – e nem mesmo um lugar. O centro, no caso delas, é bem mais o que sentem com força, o que as faz esfregar uma mão na outra e emudecer por três segundos enquanto buscam a resposta exata para uma pergunta; o centro crispa a boca e a pele dessas mulheres quando elas relembram e falam de coisas que reverberam bem dentro delas.”

O trabalho foi um dos selecionados pelo XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia e integra o calendário do circuito Trasatlántica PhotoEspaña.

Mulheres Centrais

Abertura: 17 de novembro de 2010, às 19h30 (debate com os autores) e às 21h (coquetel)

Visitação: de 18 de novembro a 15 de janeiro (de segunda a sexta, das 8h às 21h, e aos sábados, das 9h às 15h)

Local: Galeria do Instituto Cervantes (av. Paulista, 2439)

Entrada gratuita

arte  ·  fotografia

TEDxAmazônia

por   /  15/11/2010  /  22:01

Eu sempre achei que querer mudar o mundo era uma idéia muito pretensiosa. Até que fui à Amazônia e conheci mais de 50 histórias de pessoas que me mostraram o contrário. Mudar o mundo é totalmente possível. O seu mundo, o mundo de uns jovens que moram numa cidadezinha no litoral do Ceará, o mundo de um artista que perdeu os movimentos do corpo, o mundo de quem busca não apenas os direitos garantidos pela Constituição mas também a felicidade… Basta ter vontade, deixar o fogo de palha sumir e apostar em atitudes, idéias e projetos capazes de mudar vidas.

O TEDxAmazônia aconteceu no fim de semana dos dias 6 e 7 de novembro, no Jungle Palace, um hotel flutuante que não flutuava por conta da seca que atinge o rio Negro. Em dois dias de palestras, gente do mundo todo contou suas experiências. Não era difícil chorar em vários relatos… Foi fácil sair de lá com a cabeça fervilhando de novas idéias e com o coração cheio de vontade de mudar o mundo…

Contextualizando: o TED é um evento anual que acontece nos Estados Unidos e reúne pensadores de todas as áreas que falam durante 15 minutos sobre seus projetos. A conferência teve início nos anos 1980 e era focada em design, tecnologia e entretenimento. Em 2002, o curador Chris Anderson mudou a estrutura, e o mote do TED passou a ser “idéias que valem a pena ser espalhadas”.  No site, vocês conseguem ver palestras maravilhosas, com anônimos e famosos, como Al Gore > http://www.ted.com/

Com as palestras disponibilizadas na internet, o TED ganhou proporção global, e os organizadores começaram a receber pedidos para que o evento fosse feito fora dos EUA. E aí, explicou Lara Stein, do escritório do TED em Nova York, o TED passou a permitir que grupos independentes organizassem seus eventos, seguindo os princípios da conferência. Assim, surgiu o TEDxAmazônia, cujos vídeos em breve vocês poderão ver em > http://tedxamazonia.com.br/

E lá vamos nós! Ah, a foto aí de cima eu tirei quando chegamos ao rio Negro  =)

Alexandre Sequeira, fotógrafo

“Falar de fotografia é falar de como a gente vê a vida.”

Em um vilarejo a 150 quilômetros de Manaus, o fotógrafo Alexandre Sequeira construiu sua teia de afetos. Mais interessado nas pessoas do que na fotografia, Alexandre foi se aproximando dos moradores daquela cidade às margens do rio Içana. Um dia, uma senhorinha pediu que ele fizesse um retrato dela, para um documento. O fotógrafo prontamente atendeu o pedido. Quando se viu na foto, a senhora saiu mostrando a imagem para mais moradores, que começaram a fazer outros pedidos. Alexandre fazia as fotos, as colocava num varal e pedia que cada um reconhecesse a sua e a levasse pra casa, sem custo, já que uma bolsa de pesquisa bancava a produção. Muitos nunca tinham se visto no papel. Vivendo o dia a dia dessa comunidade, entrando na casa de um e de outro, um dia o fotógrafo viu o reflexo de uma moradora sobre um lençol que fazia as vezes de cortina. Pediu a ela aquela cortina, e ela não entendeu porque ele ia querer um objeto de tão pouco valor. Com um computador, ele ampliou os retratos dos moradores e os imprimiu nesses lençóis, cortinas e outros panos. E os expôs na cidade. Uma senhora disse: “Nunca imaginei que minha cortina fosse tão parecida comigo.” Juntos, eles se descobriram, contaram histórias, celebraram a imagem e a memória. Alexandre contou tudo isso com uma emoção de encher os olhos. Os dele e os nossos.

Bernardo Toro, filósofo e educador

Diz o livrinho do TEDx: Bernardo Toro é um filósofo e educador que acredita que não há democracia sem educação de qualidade. Ele se dedica a repensar a educação do século 21 e propõe que educar significa formar crianças com a capacidade de compreender o contexto que as cerca. Apaixonado pelo que faz, Toro falou sobre a importância do cuidado. “Saber cuidar é o novo paradigma ético da civilização.” E esse cuidado se dá em três esferas: precisamos cuidar de nós mesmos (do corpo, do espírito e do intelecto, aprendendo a controlar os sentimentos aflitivos), dos outros e do planeta. “A inteligência consiste em saber pedir ajuda”.

Chris Carlsson, ativista urbano

Fui tomar água e só consegui ouvir a palestra do Chris Carlsson, fundador do grupo Critical Mass, um movimento anárquico de ciclistas que invadem as ruas da cidade pedalando sem destino certo. Ele propõe que a gente substitua o Do It Yourself pelo Do It Together. Tudo por um mundo melhor.

Deise Nishimura, bióloga

“Viver não é aprender a esperar as tempestades passarem, mas aprender a dançar na chuva.”

Deise estava vivendo o sonho de sua vida: morava numa casa flutuante no meio da Amazônia, cuidava de botos, tinha aprendido a pescar, a dirigir barco, a ouvir todos os sons da natureza. Até que foi puxada pelo rio por um jacaré, que a levou para o fundo do rio! Lutou contra ele bravamente, apertou seus olhos com as mãos e conseguiu voltar à superfície. Quando se deu conta, não tinha mais uma das pernas. Deise conseguiu pedir ajuda, foi levada para Manaus, depois para São Paulo, onde passou por vários questionamentos do tipo “por que comigo, o que eu fiz pra merecer isso?”. Mas a menina de olhos puxados e sorriso gigante se deu conta de que lamentar num adiantava nada: aprendeu a andar de novo com uma perna mecânica, a encarar os olhares tortos, a rir com as crianças que dizem que ela tem perna de robô. “Ainda estou aprendendo a fazer as coisas, realmente me adaptando à nova realidade. Às vezes não é fácil, mas eu não quero que sintam pena de mim. Quero ser um exemplo de superação”, disse. E Deise percebeu que seu sonho continua o mesmo: viver na Amazônia. “Os meses que eu passei na Amazônia foram os melhores da minha vida.” A essa altura, Deise já deve estar instalada novamente no meio da natureza, vivendo sua paixão.

Demos Helsinki, coletivo filosófico

“A felicidade não é um estado de espírito, mas um processo.”

O povo tem que ter acesso a saúde, educação, moradia, emprego e todas essas coisas que tornam uma sociedade decente. Mas quando se vive no primeiro mundo, em que direitos são direitos e são garantidos, pode-se ir além. E é isso que o coletivo Demos Helsinki, formado por filósofos, sociólogos, jornalistas, propõe: uma política da felicidade, que tem cinco pilares – 1) tempo livre de verdade; 2) lugares com significado; 3) cooperação; 4) estilos de vida saudáveis; 5) famílias abertas.

Vocês conseguem ver o manifesto completo em Politics of Happiness > http://demos.fi/

Edgard Gouveia Jr., arquiteto e urbanista

Mudar o mundo pode ser rápido, divertido e nem exige que você coloque a mão no bolso. A partir dessa filosofia, Edgard Gouveia Jr. cria projetos para mudar a vida de pessoas. Sabe quando a gente vê no jornal e na TV aquela enchente que deixou um monte de desabrigados? A gente se comove, pensa em ajudar, mas em pouco tempo vem uma outra notícia ruim e a gente esquece. Edgard não esquece. Quando viu como as enchentes que atingiram Santa Catarina tinham deixado estragos não apenas concretos, mas emocionais, Edgard criou um jogo para que a populção recuperasse áreas públicas, bem materiais e, principalmente, a alegria de viver. Assim surgiu o Oásis Santa Catarina, que vocês podem ver mais aqui > http://oasismundi.ning.com/ Ele diz que, brincando, todo mundo é empreendedor, quer mostrar o melhor de si e não quer parar de jogar. Então, na hora de propor uma colaboração, a gente tem que apelar pro lado divertido da coisa. Afinal, a gente liga trabalho a sacrifício. “E não é elegante chamar amigo pra sofrer… Mas pra brincar…”, sugere.

Leinad Carbogim, socióloga

“Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente, que a more não me encontre um dia solitário sem ter feito o que eu queria.” (Mercedes Sosa)

Os jovens de Icapuí, no litoral do Ceará, não queriam sair dali pra conquistar o mundo na cidade grande. Mas também não viam perspectiva de crescer, de ter uma profissão. Foi aí que a socióloga Leinad viu a oportunidade de construir uma teia de sustentabilidade no município, criando oportunidades de estudo, de emprego e de negócios pra aquele povo. Hoje, Icapuí descobriu suas possibilidades, diz Leinad, e elas vão do turismo à gastronomia. E sabe o que a deixa mais feliz? Perceber que todo mundo ali vive com um sorriso no rosto.

Paul Bennett, diretor criativo

“The less I say, the more I learn.”

Bennett é um dos sócios da Ideo, “uma das 25 empresas mais inovadoras do mundo”. E o que ele e seu time fazem pra consquistar essa alcunha? Ouvem, observam, falam e fazem. Desenvolvem projetos olhando de verdade o que os clientes querem. Exemplo tirado do caderninho do TED: “Um hospital contratou a Ideo para fazer uma pesquisa sobre a experiência de seus pacientes. Em vez de gráficos e apresentações em Power Point, Bennett produziu um vídeo de seis minutos mostrando o teto do quarto de um paciente. O vídeo inspirou uma série de mudanças no hospital _incluindo a redecoração do teto dos apartamentos.” Para Bennett, a gente precisa olhar nas profundezas, ir além do óbvio e acreditar no poder da colaboração.

Sergio Laus, surfista

A pororoca não é o encontro das águas do rio com as águas do mar, e sim uma grande onda de maré, que tem uma força destruidora e é o Lobo Mau das populações ribeirinhas. Quem explica é Sergio Laus, o maior especialista em surfe de pororoca do mundo. É dele o recorde mundial de permanência em ondas: surfou mais de 11 quilômetros, durante 36 minutos, no rio Araguari. Além de mudar a cara do surfe, Sergio ajuda a transformar esse esporte de aventura em atração turística, mudando a vida da população que mora perto do rio. E nada melhor do que ver o surfista em ação, né?

Zach Lieberman, programador

“Há problemas que empresas e governos não vão resolver, mas que indivíduos trabalhando juntos vão.”

Tem gente que faz projetos pra mudar o mundo. E tem gente que faz projetos pra mudar a vida de uma pessoa só. Zach criou o projeto Eye Writer em homenagem ao artista plástico Tempt21, que perdeu todos os motivmentos do corpo depois de sofrer uma esclerose lateral amiotrófica. O programador criou um software que reconhece os movimentos dos olhos de Tempt, que voltou a desenhar. Com ajuda de uma outra galera, ele construiu um robô que pega essas imagens e as projeta na parede. De imóvel na cama, o artista voltou a fazer a coisa que mais ama na vida. Zach falou que gosta de fazer projetos que tenham magia. Ele gosta do “open mouth phenomenon”, que consiste basicamente em criar projetos que deixem as pessoas boquiabertas. Ele fala que isso é meio caminho andado para chegar ao coração de alguém. Alguma dúvida que ele conseguiu?

Vejam o Eye Writer em ação > http://www.eyewriter.org/

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Créditos das fotos: Bernardo Toro é do Monkey Business; Chris Carlsson, Deise Nishimura, Demos Helsinki, Edgard Gouveia Jr., Leinad Carbogim e Sergio Laus são do Bruno Fernandes; Zach Lieberman é do Update or Die

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