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fratura exposta, por luciana minami

por   /  05/12/2010  /  22:09

Fratura exposta, por Luciana Minami

Era demais, como nunca talvez tivesse sido. Olhares que se encontravam, mãos que retorciam uma nas outras procurando calejar as linhas cansadas da vida, acabar logo com aquilo. Ela ficou um tempo olhando a noite que abraçava a cidade num céu rosa alaranjado e quente, quase amável… Para se tornar em seguida negro e cheio de promessas vãs. Pensou, amou com o peito que doía aquela história que tinha acabado. E ficou com medo de amar a próxima. Olhou de novo para ele, do outro lado da sala, que arrumava um disco apropriado para ela. Ela pensou: Ella. Ele pôs Louis. E o pavor tomou conta de cada célula que tremia de frio e pedia um abraço forte que a envolvesse até o ar acabar e o mundo voltasse a ser o que era antes, tóxico e morto, prestes a criar vida novamente. Era mais fácil dizer que gostava de Duke então. Mas isso só faria com que ele a quisesse mais ainda. E se ela batesse nele? Eles se amariam na fúria do outro. E se ela contasse sobre o outro? Ele nada diria e a beijaria, sua nuca ficaria arrepiada e ela ia sim se entregar, sem dó nem piedade de si mesma. Bastava dizer que odiava aquele quadro e ele o tiraria da parede para sempre. E se citasse que o amor era líquido e efêmero, ele a possuiria mais forte e intensamente do que nunca. Se ela pisasse no coração dele, miúdo e despreparado, ele jamais a deixaria. Se ela fosse embora, ele iria atrás.

Então ela disse: Eu te amo. E tudo acabou.

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A foto é de Megan Leonard

mutações

por   /  05/12/2010  /  21:51

Acredito que é, algumas vezes, menos difícil acordar e sentir que estou sozinha quando realmente estou, do que acordar com alguém e me sentir solitária.

Espero que duas pessoas possam crescer juntas, lado a lado e dar alegria uma à outra. Sem que uma seja esmagada para a outra poder continuar forte.

Talvez amadurecer seja deixar os outros serem.

Permitir a mim mesma ser o que sou.

“Ninguém sacrificará sua honra pelo amor”, diz Helmer. E Nora responde: “Milhões de mulheres fizeram isso”.

Pergunto a Sam Waterston, que faz o papel de Helmer, se ele desistiria de sua profissão por uma mulher, caso, por alguma razão, isso fosse essencial para o prosseguimento da relação. Sam acha que não e me pergunta se eu o faria.

“Sim, é possível”. Penso a respeito disso. “Acho que muitas mulheres fazem isso porque acreditam, profundamente, na importância do amor.”

“Mas você não se atribui um valor maior?”, pergunta Sam.

“É isso que fazemos. Podemos desistir da nossa profissão porque valorizamos o que somos.”

Liv Ullmann, no maravilhoso “Mutações”

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A foto é de Chad Moore

amor  ·  arte  ·  fotografia  ·  literatura

uma pergunta para marina colasanti

por   /  03/12/2010  /  16:09

Lola Magazine: O amor pode resistir ao desgaste do tempo?

Marina Colasanti: É difícil falar de amor, escrevi um livro inteiro sobre isso e ainda estou aprendendo. O amor na teoria é uma coisa, na prática é outra. Não significa o mesmo para todas as pessoas, não é encontrado no mesmo lugar e da mesma maneira. Os que têm a sorte de encontrá-lo experimentam um sentimento de antiguidade, de reconhecimento, o amor antecede a sua realização. As pessoas amam o amor antes de vivê-lo. Ele não é nunca uma surpresa. Você está numa estação de trem esperando por ele. O problema é que se pode confundir e reconhecer a pessoa errada pára só depois perceber o engano. Mas isso não quer dizer que o amor não exista.

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A foto é de Eylul Aslan

Quem mandou essa lindeza foi outra lindeza, a Clá

amor  ·  literatura

a musa de miles davis

por   /  03/12/2010  /  9:11

José Teles, um dos maiores jornalistas de música deste país, vez por outra me manda umas músicas no e-mail. Dia desses, ele me mostrou a Betty Davis, essa diva aí acima. Não consigo parar de ouvir!  =)

Meet the original “nasty gal”: Betty Davis—née Betty Mabry in 1945. She was possibly the only woman forceful and creative enough to school Miles Davis, to whom she was married for a year in 1968, when she was just 23 years old, and Miles was about 42.

She recorded three albums between 1973 and ‘75, all of which failed to find commercial success: Betty DavisThey Say I’m Different andNasty Gal. The first two have recently been re-released by Seattle’s Light in the Attic records.

Betty is said to have introduced Miles to the psychedelic and funky sounds of Sly Stone and Jimi Hendrix—who she was rumored to have had an affair with—and inspired his creative reinvigoration, which culminated in the breakthrough jazz fusion album Bitches Brew. The name of that album was apparently an ode to Ms. Betty, and the mind-expanding mixture of influences she brought into Davis’ life.

Mais em > http://swindlemagazine.com/news/betty-davis%E2%80%99-bitch%E2%80%99s-brew/

E agora descubro essa pérola:

leave me burning alone in the dark
cause I know you could make me suffer
I know you could drive me mad
I know you just take me in a circle
when it got real
I know you’d disappear
thats why I AIN’T gonna love you
cause I know you like to be in charge
well with me
you know you couldn’t control me
dontcha?
cause you know i’d make you drop your guard
i’d have you eaten your ego
i’d make you pocket your pride
just as hard as I’d be loving you
you know you’d be loving me harder
thats why I dont want to love you

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