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urban gallery

por   /  02/12/2010  /  22:43

Uma das coisas que mais gosto em São Paulo é como a cidade é toda tomada por intervenções de artistas, e não mais por peças publicitárias. Acho bonito encontrar pinturas, grafites, pixações enquanto ando por aí…  =)

Curti o projeto da Brookfield, que transforma a cidade numa Urban Gallery, com trabalhos de Tofer Chin e Momo (em São Paulo), Ovni (no Rio de Janeiro), Flávio Samelo (em Brasília) e Selon (em Goiânia).

Vão lá > http://brookfield.art.br/

arte  ·  fotografia

minha mulher não deixa não, uma polêmica

por   /  02/12/2010  /  22:14

Os recifenses não ouvem outra coisa há uns dias: “Minha mulher não deixa não”, do DJ Sandro, o Moral de Paulista. A música é um breguinha maravilhoso, a Golarrolê procura o DJ Sandro pra tocar no Brega Naite, o Aviões do Forró já fez sua regravação e agora recebi, de Joana, um link sobre como funciona o esquema do Aviões. E parece que o negócio não é nada bonito nem divertido…

Hoje me surpreendi com minha surpresa diante do fato dos Aviões do Forró terem regravado e lançado a música “Minha mulher não deixa não” antes até que eu escrevesse sobre ela. A rapidez com que eles se apropriam de músicas alheias para lançarem como se fossem suas é de conhecimento público a anos. O que talvez não seja do conhecimento público – muito embora no meio dos produtores e agentes de eventos seja muito comentado a bocas pequenas – é a maneira como o esquema funciona.

Vão lá > Cabaré do Timpin

defesa da alegria

por   /  02/12/2010  /  14:19

Defesa da alegria, por Mario Benedetti

Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas

defender a alegria por princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
assim dos neutrais e dos neutrões
das infâmias doces
e dos graves diagnósticos

defender a alegria como bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingénuos e também dos canalhas
da retórica e das paragens cardíacas
das endemias e das academias

defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e homicidas
do descanso e do cansaço
e da obrigação de estar alegre

defender a alegria como uma certeza
defendê-la do óxido e da ronha
da famigerada patina do tempo
do relento e do oportunismo
ou dos proxenetas do riso

defender a alegria como um direito
defendê-la de deus e do Inverno
das maiúsculas e da morte
dos apelidos e dos lamentos
do azar
e também da alegria

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A foto é do Chad Moore

amor  ·  fotografia  ·  literatura

o que é o amor pra você hoje? por agnès varda

por   /  01/12/2010  /  17:59

Um dia a gente resolve que todos os e-mails do mundo têm que ser respondidos com o carinho devido. E daí encontrei um frila da Audrey Furlaneto pro Don’t Touch. Ela perguntou o que é o amor pra Agnès Varda, “documentarista francesa fodona (e fofa, velhinha de cabelo divertido), que foi casada com Jacques Demy, um dos nomes da nouvelle vague”.

Audrey pergunta: O que é o amor pra você?

Varda responde: E pra você? Pra você, o que é o amor?

Eu sei que há um ímpeto que aproxima as pessoas, que faz a curiosidade, algo que tem brilho e desejo. Quando um homem e uma mulher se aproximam assim, há uma fusão que é espiritual e, depois, há algo de companheirismo. Eu sei que eu amei muito ir ao cinema segurando a mão de Jacques Demy. Não era desejo, era só ir ao cinema segurando a mão. Depois, a gente podia discutir sobre o filme, havia o que gostou, o que não gostou, é bom, é ruim… Havia uma capacidade de comentar, e não forçadamente pelo comentário. É também um tipo de fidelidade de base, não com relação à lei moral e tudo isso. Quer dizer, a idéia que se faz de um casal, é o que faz sentido, eu acho, na vida.

Tivemos muitas dificuldades como todos os casais, e quando estávamos bem, juntos de volta, dizíamos: ‘Que bonito projeto, que bom programa: nós vamos envelhecer juntos’.

Coisa mais linda, né? ♥

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A foto é d’O Globo