Favoritos

lambe-lambe de carnaval

por   /  28/02/2011  /  11:00

O Carnaval de Recife e Olinda é o melhor do mundo, todo mundo sabe (ou deveria saber)! Lá você encontra toda a irreverência, a criatividade, o improviso e a alegria do folião que espera o ano todo pra curtir quatro dias da mais pura alegria, aquelas coisas todas.

Ver as fotos da exposição “Vem Ver o Lambe-Lambe” me fez ir diretamente pra lá!

Ao longo de 15 anos, Breno Laprovitera, Jarbas Júnior, Roberta Guimarães, Fred Jordão e Daniel Berinson fotografaram foliões durante os dias de Carnaval pernambucano. E, desde fevereiro, eles reúnem mais de 3.000 fotos do acervo na exposição “Vem Ver o Lambe-Lambe”, que fica em cartaz até abril no Centro Cultural dos Correios, em Recife.

Achei mais informações no site da revista Continente

Concebido pelos fotógrafos Breno Laprovitera, Jarbas Araújo Jr., Roberta Guimarães e Fred Jordão, o projeto vem sendo mantido há oito anos por Breno e Jarbas, com a colaboração de Arnaldo Carvalho e Xirumba, agregando outros convidados também, como a francesa Dominique Berthé, que realizou um ensaio com câmera pinhole na lona do projeto.

A captação das imagens dos foliões pelos fotógrafos se dá pela montagem de um estúdio ao ar livre, estruturado com lonas especialmente pintadas por artistas pernambucanos (já participaram Jobalo, hoje radicado na Itália, Maurício Castro, Joelson, Fernado Perez e José Carlos Viana). Este se torna um palco perfeito para que os fantasiados façam verdadeiras performances diante das câmeras, para a alegria e diversão de quem assiste à encenação ao vivo ou para os que as vê eternizadas por luminosas fotografias coloridas.

Centro Cultural Correios Recife
(Avenida Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife; 81 3224-5739)
Entrada franca
Visitação de terça a sexta, das 9h às 18h; sábado e domingo, das 12h às 18h

arte  ·  fotografia

mixtape #51: sérgio martins

por   /  24/02/2011  /  10:00

Todo dia o Sérgio Martins (aka Serjones) compartilha um monte de música boa no Twitter, e aí pedi uma mixtape pra ele. O resultado, como não podia deixar de ser, é maravilhoso!

Tem Sharon Jones, Living Colour, Brenda and The Tabulations, Mary J. Blige e mais um monte de coisas que deixam a gente com aquela felicidade de dia de verão, sabe?

A foto é de Lena Kholkina

Para ouvir a mixtape, basta clicar no player abaixo:

Thanks, Rodrigo Levino, por viabilizar essa mixtape!

especial don't touch  ·  fotografia  ·  mixtapes  ·  música

a tecnologia deixou todo mundo mimado

por   /  24/02/2011  /  9:45

Pra completar o post anterior, uma ótima entrevista do Louis C.K. pra Vanity Fair, ilustrada por uma foto do Wackystuff

Aqui, ó > Starvation can be character building

Abaixo, alguns trechos:

Another Great Depression might do us some good. It’d be like economic rehab.
That’s exactly what it is. It’s forcing us back to reality. “Wait, I only have the money I make from work? How am I supposed to live on
that?” Figure it out. We’ve spent so many years being spoiled that we don’t know how to live anymore.

Has technology spoiled us?
It’s definitely spoiled us. When you have a slightly slow signal on your PDA, or it takes more than 30 seconds to download a picture of Axl Rose on your iPhone, and that irritates you, something is very, very wrong. “This is too slow!” Well, why
wouldn’t it be a little slow? Why do people think that they’re owed a perfect day as a consumer? The phones are as good as they are. But Americans feel like it’s in the Constitution that our phones should work perfectly all the fucking time and that we get the most bang for our buck. We think it’s literally a human right, like it was mentioned in Thomas Paine’s “Rights of Man” or something. An American is somebody who could be anywhere — at the ends of the earth, in the middle of nowhere — and if they hit that one pocket where their cell service isn’t great, they’ll look up at the sky and scream, “What the fuck!!” Jesus, man, calm down.

Technology was supposed to save us, giving us jetpacks and robot maids and making life easier. What went wrong?
I think people just got numb to it all. It seems like the better it gets, the more miserable people become. There’s never a technological advancement where people think, “Wow, we can
finally do this!” It’s always, “We can’t do that yet? Why not?!” And I think a lot of it has to do with advertising. Americans have it constantly drilled into our heads, every fucking day, that we deserve everything to be perfect all the time.

That’s true. Most successful commercials are based on selling entitlement.
They all try to remind you of how cool you are. “You’re so cool, you park your S.U.V. on a mountainside when you climb.” What? No, I don’t do that at all. Nobody I know is doing that. “You deserve the best cause you work so hard!” Actually, no, I don’t work hard. I waste most of my time at work. Everybody does.

How do we save ourselves? Are we just fucked, or is there a way to kick our bad habits?
It’ll take care of itself. If it gets bad enough, people will just adapt. They won’t be able to afford cable anymore, or go to Rent-A-Center and buy a fucking leather couch, or fill their homes with all this shit on credit that they shouldn’t have and don’t need. They’ll have to go out to the garage and find that old bicycle they’ve neglected over the years and fill the tires up. And they’ll have to start taking care of the shit they already own instead of just throwing it away and going out and buying new shit that doesn’t work. And maybe they’ll learn how to bring a little quiet into their lives again. Just stop all the constant screaming of technology and media and video games. Maybe get to a point where every decision has more impact, where what you do is not based on what you want or think you need but whether or not you’ll starve if you don’t have it.

Starvation is not a big concern for most Americans.
It’s really not. And starvation can be character building. There’s a big difference between “I need to do this because I fucking deserve the best” and “I need to do this so I don’t freeze to death in the winter”.

A little less time on Twitter would be good for everybody.
Exactly! Twitter and Facebook and MySpace; all that stuff makes you warped. We’ve all basically given ourselves data entry jobs. I’ve actually heard people say things like, “Aw shit, I have to update my Twitter.” Really? You
have to? That’s a big priority for you?

Do you have any faith whatsoever that the “crappiest generation”, as you’ve called them, is going to save us?
We’ll be O.K. Everything is cyclical. It’s amazing that people expect it to just get better and better and better and it’ll never burst. We’re babies. It’s like the New York Yankees. It’s fun to watch a team win the World Series and then watch their players get older and a new generation comes in and they’re basically starting from scratch again.  But Americans aren’t willing to do that. We’re like the Yankees. We just keep buying steroid-pumped players for millions of dollars and expect to win every year. And when we start losing, we get moody and pissed off and resentful, instead of asking, “What should I be doing differently?” Nobody wants to change, because the TV keeps telling them, “No, you deserve the best! This is all yours! You’ve got it coming!”

amor  ·  internet

que chuva, hein?

por   /  24/02/2011  /  9:00

Que chuva, hein?, por Antonio Prata, na Folha de S.Paulo

Um dos efeitos mais nefastos do aquecimento global tem passado despercebido por cientistas, políticos e jornalistas: é a intensificação do papinho sobre o tempo. Na era pré-diluviana-ou seja, até uns dois anos atrás-o assunto não segurava mais do que quatro frases. “Esquentou, né?” “Ô, tá um bafo!” “Mas parece que de tarde chove. “Tomara!”

Então o elevador chegava ao térreo, o taxista ligava o rádio, você dizia “vou ali, pegar uma bebida” e cada um voltava para o conforto ou desconforto de seus próprios pensamentos.

Dizer que o tempo é um assunto chato não é correto, uma vez que ele sequer chega a ser um assunto. É, na verdade, o antiassunto, quase que uma extensão do aperto de mãos, cuja finalidade é criar um campo de consenso entre desconhecidos. Afinal, é bem pouco provável que, durante um toró, você diga “que chuva, hein?”, e ouça como resposta: “não acho, não, tive uma formação diferente da sua e, na minha opinião, está fazendo um sol de rachar o coco”.

O mundo é uma bagunça, o ser humano é imprevisível, ninguém sabe o dia de amanhã, mas no meio dessa barafunda, uma coisa podemos afirmar, vez ou outra, sem chance de erro: há água caindo do céu. Sim, há muita água caindo do céu. E, abrigados sob o guarda-chuva dessa pequena, porém inconteste certeza, acreditamos estar a salvo dos riscos do dissenso e da aleatoriedade.
Ou melhor, acreditávamos, pois um século queimando carvão e petróleo fez a temperatura subir, o gelo derreter e a conversa sobre o tempo, assim como as estações do ano, está completamente descontrolada. Você entra num táxi, diz “que chuva, hein?”, e o que deveria ser apenas uma brisa de interação transforma-se num dilúvio. “Mais de três horas, só na Radial Leste…”, “meu cunhado perdeu um Corolla, na Vila Madalena…”, “saco de lixo passava que nem caiaque…”, “nem bombeiro tava chegando!”. Num segundo, você já tá falando do Kassab e do Alckmin, da ira divina e do fim dos tempos. O que era um papinho à prova de fogo tornou-se material altamente inflamável.

O tema é sério. Se o aquecimento global é uma morte lenta, cocção em banho Maria, a discórdia entre os homens pode levar à guerra de todos contra todos e acabar com a vida na Terra de uma hora pra outra.

Enquanto ecologistas e políticos cuidam da redução nas emissões de gases e outros fatores que possam reverter o degelo das calotas, eu, como escritor, dedico-me a tarefa mais urgente: ajudar a humanidade a buscar uma nova conversa inócua, que permita a neutra interação e impeça o aquecimento das cacholas. Pensei em algo como “Dois e dois são quatro” ou “A capital do Brasil é Brasília”, mas as afirmações, embora indiscutíveis, me parecem forçadas. Por hora, até acharmos o substituto ao papinho (anti) climático, acho que devemos conversar só por meio de provérbios. Quando o silêncio desabar, como uma sombra, sobre você e o taxista, vizinho ou colega da firma, basta dizer: “antes um pássaro na mão do que dois voando”, ao que ele responderá, afável: “quem tudo quer, nada tem”, e os dois sorrirão, prenhes dessa tranquilidade bovina que toda concórdia traz- pelo menos, até o estrondo do primeiro trovão.

_________________________________________________________________________________________

A ilustração é do I Love Doodle

Mais Antonio Prata em > http://antonioprata.folha.blog.uol.com.br/

arte  ·  jornalismo  ·  literatura