Favoritos

passado e presente de irina

por   /  22/02/2011  /  16:43

Irina Werning tem um trabalho deslumbrante!

Na série “Back to the future”, ela resgata fotografias antigas, encontra seus respectivos personagens e refaz as imagens.

I admit being a nosey photographer. As soon as I step into someone else’s house, I start sniffing for them. Most of us are fascinated by their retro look but to me, it’s imagining how people would feel and look like if they were to reenact them today… A few months ago, I decided to actually do this. So, with my camera, I started inviting people to go back to their future.

Para ver tudo > http://irinawerning.com/back-to-the-fut/back-to-the-future/

Obrigada, @frufru por ter me mostrado essa lindeza!

amor  ·  arte  ·  fotografia

pra quem quer estudar arte e design

por   /  18/02/2011  /  17:00

Alô galera que gosta de arte e design e quer se dedicar aos estudos: na comemoração de seus 50 anos, a Panamericana acaba de criar a Faculdade de Arte e Design e passa a oferecer cursos de graduação (bacharelado) e pós-graduação (lato sensu).

E como eu sei que muita gente que lê o Don’t Touch se interessa por essas áreas, aviso aqui pra vocês. Basta mencionar o código 022011PAN pra ganhar um desconto de 5% na inscrição.

Pra dar um like no Face > http://www.facebook.com/pages/Panamericana-Faculdade-de-Arte-e-Design/181970418511197

Para conhecer os cursos > http://www.escola-panamericana.com.br/
Abaixo, os vídeos da nova Panamericana  =)

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Este post é um publieditorial.

ações  ·  arte  ·  design  ·  fotografia

pobre abílio

por   /  16/02/2011  /  14:40

O autor de si mesmo, de Machado de Assis

Guimarães chama-se ele; ela, Cristina. Tinham um filho a quem puseram o nome de Abílio. Cansados de lhe dar maus-tratos, pegaram do filho, meteram-no dentro de um caixão e foram pô-lo em uma estrebaria, onde o pequeno passou três dias, sem comer nem beber, coberto de chagas, recebendo bicadas de galinhas, até que veio a falecer. Contava dois anos de idade. Sucedeu este caso em Porto Alegre, segundo as últimas folhas, que acrescentam terem sido os pais recolhidos à cadeia, e aberto o inquérito. A dor do pequeno foi naturalmente grandíssima, não só pela tenra idade, como porque bicada de galinha dói muito, mormente em cima de chaga aberta. Tudo isto, com fome e sede, fê-lo passar “um mau quarto de hora”, como dizem os franceses, mas um quarto de hora de três dias, donde se pode inferir que o organismo do menino Abílio era apropriado aos tormentos. Se chegasse a homem, dava um lutador resistente, mas a prova de que não iria até lá, é que morreu.

Se não fosse Schopenhauer, é provável que eu não tratasse deste caso diminuto, simples notícia de gazetilha. Mas há na principal das obras daquele filósofo um capítulo destinado a explicar as causas transcendentes do amor. Ele, que não era modesto, afirma que esse estudo é uma pérola. A explicação é que dois namorados não se escolhem um ao outro pelas causas individuais que presumem, mas porque um ser, que só pode vir deles, os incita e conjuga. Apliquemos esta teoria ao caso de Abílio.

Um dia Guimarães viu Cristina, e Cristina viu Guimarães. Os olhos de um e de outro trocaram-se, e o coração de ambos bateu fortemente. Guimarães achou em Cristina uma graça particular, alguma cousa que nenhuma outra mulher possuía. Cristina gostou da figura de Guimarães, reconhecendo que entre todos os homens era um homem único. E cada um disse consigo: “Bom consorte para mim!”. O resto foi o namoro mais ou menos longo, o pedido da mão da moça, as formalidades, as bodas. Se havia sol ou chuva, quando eles casaram, não sei; mas, suponho um céu escuro e o vento minuano, valeram tanto como a mais fresca das brisas debaixo de um céu claro. Bem-aventurados os que se possuem, porque eles possuirão a terra. Assim pensaram eles. Mas o autor de tudo, segundo o nosso filósofo, foi unicamente Abílio. O menino, que ainda não era menino nem nada, disse consigo, logo que os dois se encontraram: “Guimarães há de ser meu pai e Cristina há de ser minha mãe; é preciso que nasça deles, levando comigo, em resumo, as qualidades que estão separadas nos dois”. As entrevistas dos namorados era o futuro Abílio que as preparava; se eram difíceis, ele dava coragem a Guimarães para afrontar os riscos, e paciência a Cristina para esperá-lo. As cartas eram ditadas por ele. Abílio andava no pensamento de ambos, mascarado com o rosto dela, quando estava no dele, e com o dele, se era no pensamento dela. E fazia isso a um tempo, como pessoa que, não tendo figura própria, não sendo mais que uma idéia específica, podia viver inteiro em dois lugares, sem quebra da identidade nem da integridade. Falava nos sonhos de Cristina com a voz de Guimarães, e nos de Guimarães com a de Cristina, e ambos sentiam que nenhuma outra voz era tão doce, tão pura, tão deleitosa.

Enfim, nasceu Abílio. Não contam as folhas cousa alguma acerca dos primeiros dias daquele menino. Podiam ser bons. Há dias bons debaixo do sol. Também não se sabe quando começaram os castigos, — refiro-me aos castigos duros, os que abriram as primeiras chagas, não as pancadinhas do princípio, visto que todas as cousas têm um princípio, e muito provável é que nos primeiros tempos da criança os golpes fossem aplicados diminutivamente. Se chorava, é porque a lágrima é suco da dor. Demais, é livre — mais livre ainda nas crianças que mamam, que nos homens que não mamam.

Chagado, encaixotado, foi levado à estrebaria, onde, por um desconcerto das cousas humanas, em vez de cavalos, havia galinhas. Sabeis já que estas, mariscando, comiam ou arrancavam somente pedaços da carne de Abílio. Aí, nesses três dias, podemos imaginar que Abílio, inclinado aos monólogos, recitasse este outro de sua invenção: “Quem mandou aqueles dois casarem-se para me trazerem a este mundo? Estava tão sossegado, tão fora dele, que bem podiam fazer-me o pequeno favor de me deixarem lá. Que mal lhes fiz eu antes, se não era nascido? Que banquete é este em que o convidado é que é comido?”.

Nesse ponto do discurso é que o filósofo de Dantzig, se fosse vivo e estivesse em Porto Alegre, bradaria com a sua velha irritação: “Cala a boca, Abílio. Tu não só ignoras a verdade, mas até esqueces o passado. Que culpa podem ter essas duas criaturas humanas, se tu mesmo é que os ligaste? Não te lembras que, quando Guimarães passava e olhava Cristina, e Cristina para ele cada um cuidando de si, tu és que os fizeste atraídos e namorados? Foi a tua ânsia de vir a este mundo que os ligou sob a forma de paixão e de escolha pessoal. Eles cuidaram fazer o seu negócio, e fizeram o teu. Se te saiu mal o negócio, a culpa não é deles, mas tua, e não sei se tua somente… Sobre isto, é melhor que aproveites o tempo que ainda te sobrar das galinhas, para ler o trecho da minha grande obra, em que explico as cousas pelo miúdo. É uma pérola. Está no tomo II, livro IV, capítulo XLIV… Anda, Abílio, a verdade é verdade ainda à hora da morte. Não creias nos professores de filosofia, nem na peste de Hegel…

E Abílio, entre duas bicadas:

Será verdade o que dizes, Artur; mas é também verdade que, antes de cá vir, não me doía nada, e se eu soubesse que teria de acabar assim, às mãos dos meus próprios autores, não teria vindo cá. Ui! Ai!

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A foto é do Super Bomba

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o que é o amor pra você hoje?, versão gringa!

por   /  16/02/2011  /  8:00

Um dia o Flávio Martins me escreveu um email assim:

Bom, agora eu tô de intercâmbio nos EUA (perdido numa cidadezinha chamada New Richmond, em Wisconsin, quase congelando) e uma das aulas que eu peguei aqui é produção de vídeo, onde toda semana a gente tem que fazer uma história nova pra passar num telão na hora do almoço pra escola toda. Pensei em usar a sua idéia do “O que é o amor pra você hoje?” e perguntar isso pras pessoas daqui, já que elas pensam bem diferente dos brasileiros.

Falei pra ele que podia perguntar, claro, só precisava dizer que se trata de uma seção do Don’t Touch.

E agora ele me mandou o resultado! Pelo visto, o Flávio aproveitou o Valentine’s Day pra lançar esse vídeo que ficou bonito, fofo e sincero. Adorei muito, assistam! ♥

mixtape #50: josé flávio junior

por   /  13/02/2011  /  13:30

José Flávio Júnior demorou MUITO, mas fez uma mixtape maravilhosa, que não canso de escutar!

Ele explica: “Do convite até a publicação da mixtape passaram-se sete meses [mais, hein!]. Dá para acreditar? Mas o embaço foi necessário. E acho que combina com a seleção. Como já te disse, a idéia era mesclar hits e obscuridades setentistas, sem focar num único estilo. A mix começa bem r&b e soul, passa por algumas vertentes do rock da época até ficar pop, middle of the road total. O final brasuca, com o Eumir e as duas maranhenses, foi uma surpresa para mim mesmo. Como já montei três mixtapes só com música brasileira dos anos 70 (as Dimensão 70), essa para o Don’t Touch My Moleskine devia ficar só nos sons internacionais. Mas acabei me traindo _ainda que os brasileiros selecionados sejam bem internacionais. Não resisti e usei as vinhetas feitas exclusivamente para mim pelo gaúcho Diego Medina. As outras, com prefixos de rádios americanas, foram pesquisadas por Laurel Canyon (não tenho mérito nenhum nisso). Indicada para quem gosta de Stevie Wonder e Steely Dan”.

Tracklist:

1. Jackie Wilson Said (I’m in Heaven When You Smile) – Van Morrison

2. I Love Every Little Thing About You – Syreeta

3. Do Yourself A Favor – Stevie Wonder

4. You’re So Unique – Billy Preston

5. Reelin’ In The Years – Steely Dan

6. Mrs. Vandebilt – Wings

7. Let’s Stick Together – Bryan Ferry

8. Interludings/You Wear It Well – Rod Stewart

9. What A Fool Believes – Doobie Brothers

10. It’s Uncanny – Hall & Oates

11. Don’t You Worry ‘Bout A Thing – David Axelrod

12. Do It Again – Eumir Deodato

13. Sabiá Marrom – Paul Mauriat & Orchestra feat. Alcione

14. Só Que Deram Zero Pro Bedeu – Tania Maria

A foto é de Rowena Waack

Para baixar a mixtape #50, cliquem aqui

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