Favoritos

dos amores platônicos

por   /  25/05/2011  /  9:13

Eu, ela e o Keith, por Antonio Prata, na Folha de hoje

Quando me perguntam “e aí, tudo bem?”, eu respondo que sim, “tudo ótimo”, mas é mentira. Não está tudo ótimo, está tudo péssimo: faz um mês, minha mulher se apaixonou pelo Keith Richards -e não tenho a menor ideia do que fazer.
A paixão foi despertada pela biografia do guitarrista, que eu mesmo, num desses irônicos maus passos da vida, lhe dei de aniversário. Cazzo, como eu ia imaginar que o livro do mais feio dos Rolling Stones, aquele ex-pirata bexiguento, pudesse fazer brotar em minha amada -uma moça fina, discreta e, até então, equilibrada- semelhante sentimento?
Não foi amor à primeira vista. No começo, ela ficou chocada. Enquanto lia, esticada no sofá, fazia caretas: “Nossa, que horror, ele comprou meio quilo de heroína!”, “Uau, que imbecil, ele jogou uma faca no produtor!”, “Que isso?! Ele deu um tiro no chão do hotel, porque o Charlie Watts tava fazendo barulho no quarto de baixo!”.
Aos poucos, contudo, vi em seu rosto o asco se transformando em admiração, a delinquência sendo interpretada como liberdade. “Olha isso: eles voltavam de uma festa, muito loucos, lá na França, pegavam o veleiro do Keith e iam tomar café da manhã numa ilha!”, “Putz, ele não tinha casa, morava cada semana com uma groupie diferente!”.
Eu, da minha poltrona, um livro aberto no colo, um copo de Coca Zero na mão, a léguas de distância de groupies, heroína, facas e veleiros, apenas ouvia, apreensivo.
Ninguém é menos Keith Richards do que eu. Nunca briguei. Não discuto nem com flanelinha. Aventura, para mim, é ir até o Sesc Belenzinho, num domingo.
Se minha mulher caísse de amores por um escritor, por um arquiteto, um advogado, eu teria uma margem de manobra, talvez conseguisse mostrar que sou mais legal do que o outro, mas como competir com um cara que, aos 70, quebra a cabeça caindo de um coqueiro -e só se dá conta do estrago uma semana depois?
Será que era esse o tipo de homem que ela esperava que eu fosse, desde que nos conhecemos, há quatro anos? Será que, enquanto eu me esforçava para usar corretamente os talheres e não falar de boca cheia, ela sonhava com brigas de cadeirada e moshes de três metros de altura?
Quinze dias atrás, cansado de sofrer calado, não deixei que ela terminasse de me contar sobre uma suruba em Ibiza, em 1971; virei minha Coca como se fosse Jack Daniels e perguntei, na lata: “Você está a fim desse cara?”. Passado o susto, ela assumiu. “Tô. Um pouquinho.”
No bar, diante de uma cachaça, ouvi os consolos de um amigo. Essas paixões platônicas são muito comuns, me garantiu. Confessou-me que ele mesmo, ano passado, caiu de amores pela Lady Gaga. Depois esqueceu. Um conhecido nosso, disse-me, quase enlouqueceu com a Lídia Brondi na reprise de “Vale Tudo”. “Pensa no lado bom: antes o Keith Richards do que o Capitão Nascimento, né?” Verdade.
Em breve, ele jurou, minha mulher terminará de ler a biografia e a paixonite sumirá, provando que três simples acordes de guitarra jamais abafarão a bela sinfonia que, ano após ano, lentamente, estamos compondo. Torço para que isso aconteça. (E para que Keith Richards resolva, qualquer dia desses, subir novamente num coqueiro).

Mais Antonio Prata > http://antonioprata.folha.blog.uol.com.br/

On Wed, May 25, 2011 at 11:13 AM, Paula Reis <pauletereis@gmail.com> wrote:

oieeee!

vc ta em casa tipo 17:30?
=.*


Paula Reis
art director
pauletereis@gmail.com
paulareis.com.br

twitter.com/pauletss
+55 11 8944.1401


Daniela Arrais

http://donttouchmymoleskine.com/

amor  ·  literatura

à primeira vista

por   /  25/05/2011  /  0:53

Ah, o amor! ♥

My wife and I met in a video arcade and I was introduced to her and her friend by a mutual friend. We spent about an hour playing pool before she had to head home. I got her number and then couldn’t wait to call her. I went across the street to a pay phone outside a grocery store and kept calling until she got home. When she finally answered we spent 9 hours on the phone, the sun was coming up when I hung up and headed home. I knew that night I was going to marry her.

Encontrado no Ze Frank

amor  ·  fotografia  ·  música

respostas a perguntas inexistentes

por   /  25/05/2011  /  0:26

Respostas a perguntas inexistentes (151)

Há lugares que são só lugares e há lugares que são aquilo que vivemos neles. Foi o Amor que me ensinou isto. Sozinho tenho visitado lugares onde gostaria de poder voltar com a Raquel, com a Raquel tenho visitado lugares onde sei que não quero voltar sem ela. Essa é a característica dos lugares mais parecida com as pessoas: nunca são a mesma coisa antes e depois de os conhecermos.

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A foto é de Wilson & Vanessa

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