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bispo do rosário

por   /  09/09/2012  /  23:03

Danuza Leão falando de Arthur Bispo do Rosário, em sua coluna de hoje na Folha (a foto é minha e foi tirada na Bienal, na terça passada):

Pondo os pingos nos is

A Bienal de São Paulo deste ano vai ter Arthur Bispo do Rosário como sua estrela maior, e ele merece. É fundamental ver o que ele fez e se comover com a beleza da obra desse singular personagem, marinheiro em sua juventude.

Um dia, a partir de uma alucinação, Bispo se acreditou enviado de Deus, razão que o levou a ser internado na Colônia Juliano Moreira, um depósito de loucos, lugar onde as pessoas entravam e só saiam depois de mortos. Lá ficou durante 50 anos, sendo que parte deles encerrado dentro de uma pequena cela, de onde se recusava a sair.

Foi nessa cela que Bispo começou a trabalhar com tudo que encontrava: tirava fios de camisas e lençóis, um por um, para costurar, usava palha de vassouras de piaçava, botões, colheres, canecas, pentes, tampas de garrafa, objetos hospitalares e toda a sucata disponível e com isso produzia objetos insólitos; em suas mãos tudo virava arte, seus estandartes eram comoventes, mas nada foi mais grandioso que o “Manto da Apresentação”.

Nesse manto, que bordou durante 30 anos, ele catalogou o mundo, bordando nomes de pessoas, artistas, cantores, países, acontecimentos, faixas de misses, retratando tudo o que ele lembrava ou ouvia falar que existia; tudo o que ele fazia era perturbador. Esse manto foi feito para ser usado no momento em que o mundo se encontraria com o Todo Poderoso, e que seria seu grande encontro com Deus.

Chamado de “o senhor do labirinto”, Bispo tinha seu universo particular, alucinado e delirante, mas sempre com algo de sagrado. Suas obras, que foram expostas na Bienal de Veneza, devem ser vistas com muita atenção, lembrando das circunstâncias e condições em que foram criadas.

Há muitos anos vi uma exposição dele no Rio, numa pequena sala num 15º andar, se não me engano da Caixa Econômica, e que não fez nenhum sucesso. Ele ainda não era famoso, mas eu tinha minhas razões para ir vê-la, e vou contar.

Num domingo de 1980, eu estava em casa, quando me telefonou um jovem repórter da TV Globo dizendo, em tom urgente e excitado, que eu não podia deixar de ver o “Fantástico” naquela noite.

Ele havia ido fazer uma matéria para expor as terríveis condições dos internos da Colônia Juliano Moreira, e como era muito curioso, como todo bom repórter, foi fuçando tudo, até que viu uma cela escura; entrou e encontrou um estranho homem, sozinho, cercado de panos bordados e objetos sem nenhum significado aparente.

Ele entrou e conseguiu dialogar com o homem (que você já adivinhou ser Bispo do Rosário). Rolou uma simpatia, e Bispo não só mostrou tudo o que vinha fazendo havia sete anos, sem sair da cela nem um só dia, como também contou de onde tirava o material, e como fazia suas obras, o que deu uma matéria inacreditável no “Fantástico”; foi depois desse programa que Bispo do Rosário surgiu para o mundo.

A partir daí a classe artística o descobriu, suas obras foram expostas em museus, galerias, e livros escritos sobre sua pessoa. Livros que ele provavelmente não entenderia, se lesse.

Um ser tão extraordinário como Bispo do Rosário seria descoberto mais dia menos dia, imagino. Ou não; e se algum servente do hospital resolvesse fazer uma faxina em sua cela antes da matéria aparecer na TV, e jogasse tudo que encontrasse num lixão?

Nunca vamos ter resposta para isso, e não me lembro de jamais ter ouvido alguém citar o nome desse repórter, o primeiro a vislumbrar a importância de Arthur Bispo do Rosário, mas eu sei quem ele foi.

Seu nome era Samuel Wainer

Filho, e ele era meu filho.

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the road is home

por   /  06/09/2012  /  14:13

The Road is Home é o diário visual de uma família que viaja pelo mundo.

A definição em inglês é ainda mais linda: the diary of a wanderlusting family. Wanderlust é a palavra alemã que significa desejo, necessidade de viajar, de desbravar o mundo.

E a história deles é incrível! ♥

A Nirrimi se apaixonou por fotografia ainda criança, começou a fotografar o irmão, depois desconhecidos na rua. A paixão por retratar coisas bonitas ficou gigante.

i obsessively documented life so much that when i reminisce now it is more a collection of images, films and diary entries than true memories.

No meio tempo, nos seus teenage years, ela se apaixonou por um menino que morava do outro lado do país _e que tirava fotos lindas. E pensou: se eu der um beijo nele, já posso morrer feliz.

at fourteen i fell deeply into an agonisingly passionate love with a boy photographer. he was on the other side of the country but we spoke most nights until sunrise. i would skip school to photograph in those days, so inspired and fueled by his own beautiful images and my need to impress him. i never told matt i loved him, but it laced my words so heavily you could taste it if you read them aloud. i thought if only i could have a single kiss i would die happily.

Com o consentimento da mãe, largou a escola, começou a trabalhar com fotografia. Numa noite, roubou o cartão de crédito da mãe e comprou uma passagem para Melbourne, onde o menino, Matt, vivia.

Eles se tornaram inseparáveis no momento em que se conheceram.

we were inseparable from that day forth. that first week surpassing any of my most romantic daydreams- but that story is for another post. being homeless we slept wherever we could, mostly strangers houses, train stations and airports when we were in-between countries. in our gypsy times we have travelled france, italy, indonesia, new zealand, america, india & vietnam.

Ela ganhou alguns prêmios de fotografia, usou a grana pra comprar equipamento e ajeitar o primeiro apartamento deles. No meio tempo, se tornou a mais jovem fotógrafa contratada por uma agência. Fez uma campanha pra Diesel e viu seu trabalho aparecer em revistas, outdoors, aeroportos, capas de livro.

Os dois foram viajar o mundo, viraram ciganos.

we grew weary of melbourne, sold all our belongings and became gypsies once more. i spent idyllic months in beverly hills, lake tahoe and new york, while matt worked in the red desert and travelled around south-east asia volunteering aid to those affected by the tsunamis in the mentawais and running from an erupting volcano in merapi. but adventuring apart was lonely and short-lived.

Se mudaram para as Blue Mountains e fizeram uma casa onde podem criar, escrever e amar.

shortly before leaving to europe to shoot a billabong campaign, we found out we were going to have a child. something i’d dreamt about for a long time. i spent my pregnancy travelling and shooting, impatiently imagining the day we’d meet our daughter. then in january 2012, in our living room we met the most amazing person in the universe. alba joy firebrace was born.

these are our adventures, this is our life.

Lindo, né?

Apaixonem-se também! > http://www.theroadishome.com/

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entrevista da contente pra florista

por   /  06/09/2012  /  10:37

Sabe uma daquelas entrevistas que a gente adora responder? Eu e a Lu falamos da Contente e dos nossos projetos para o site d’A Florista, que é bem lindo!

Aqui, um trechinho:

Elas concretizaram o sonho de trabalhar com o que amam e serem felizes. A jornalista pernambucana Daniela Arrais (@daniarrais) e a publicitária mineira Luiza Voll (@luizavoll) são sócias e idealizadoras da Contente, empresa que desenvolve projetos que rapidamente viram hit na internet. Uma das iniciativas de mais sucesso da dupla é o Instamission, projeto colaborativo que utiliza o Instagram e, há pouco mais de um ano, lança semanalmente um desafio para os usuários do aplicativo. Outro projeto dessas meninas empreendedoras é o recém-lançado Autoajuda do Dia, que utiliza o Pinterest como plataforma. “Estamos apaixonadas!” O talento para identificar tendências, transformá-las em projetos fofos, interessantes e, principalmente, capazes de alavancar recursos que já permitem que a Dani e a Lu vivam contentes despertou nossa curiosidade. E para inspirar caminhos criativos aos nossos leitores que querem empreender, se aventurar e se dedicar ao que realmente amam fazer, fomos conversar com as duas. Elas gentilmente compartilharam suas histórias e um monte de dicas boas. Aproveitem!

Leiam a entrevista! > http://www.aflorista.com.br/as-rosas-falam/meninas-contente

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