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dont touch my mixtape | festa de 31 anos, por cris lisboa

por   /  31/01/2013  /  7:23

O fim de semana tá chegando, o Carnaval também, então nada melhor do que comemorar com uma mixtape!

A Cris Lisboa, querida que só ela, fez uma mixtape para celebrar seus 31 anos. E explicou:

Tenho 30 há pelo menos 10 anos. Só que dia destes fiz 31. Confesso que estranhei. Eu não devia ser outra? Ter menos camiseta, mais apego, um carro, um Tiffany, uma agenda, um cansaço de sonho? No entanto, eu sigo tão eu. Uns tons a menos, é verdade. E com coragem de assumir que meu amor por pulseiras é quase igual ao meu amor por Marx. Que sinto sono em shows. E que meus sonhos eram outros. Por isso e por outros muitos, decidi que festa não haveria. Um jantarzinho entre íntimos, isso sim cairia bem. Disposta a me render ao inevitável, fui para a Torre, o apartamento 24 que fica no 4o andar sem elevador e, obviamente ofegante encontrei a vida real. Meus amigos de infância, três caixas de espumante e uma TV que se transformou em karaokê. Perdi a unha do dedão dançando funk, fiz um discurso que começava com “Voxêis”, coloquei um monte de presentes em cima da cama, comi o bolo de chocolate da minha irmã com calda extra, descobri que decididamente não posso mais acompanhar o Fábio Júnior no refrão de “quero saber bem mais que meus vinte e poucos anos” e que isso, meu bem, é exatamente o que faz com que a vida tenha tanto som e fúria. Exatamente agora. Festa houve, festa há, vem comigo comemorar?

Na seleção, Madonna e Shakira, Ney Matogrosso e Zeca Pagodinho, MC Leozinho e Thiaguinho, Caetano Veloso e Rita Lee e mais algumas bandas e cantores que animam a pista!

Para ilustrar, escolhi uma foto de Lukasz Wierzbowski.

Vamos ouvir? ♥

amor  ·  especial don't touch  ·  fotografia  ·  mixtapes  ·  música

fratura exposta, por guilherme lamenha

por   /  31/01/2013  /  7:08

Samba canção, por Guilherme Lamenha

Se disser que eu desafino, amor, pode ter certeza que vou deixar de cantar perto de você. Eu brinco com os instrumentos enquanto você cozinha. Toco pandeiro enquanto você tempera o peixe. Sua casa é tão limpa que assusta. Asséptica, quase hospitalar. Penso, enquanto tento tirar um som qualquer do violão. Acendo um cigarro, você manda apagar, fala do cheiro, abre a janela com rispidez. Não olha nos meus olhos nem quando está com raiva.

Apuro meus sentidos, buscando o aroma que foge da cozinha para a sala. Você continua indiferente, com a saia estampada de flores miudinhas na altura do joelho. Sempre gostei dos seus joelhos.

Queria que me visse por dentro, agora. Mas toda sua concentração vai parar na porta da geladeira, quando pego uma cerveja e você tira a latinha da minha mão, dizendo que vamos tomar vinho branco no almoço.

Minto. Invento uma desculpa esfarrapada e saio do apartamento. Na calçada, pessoas sobem e descem a Augusta movimentada nesse sábado que poderia ser tão agradável se nós não.

Lembro quando você fazia planos de ter filhos comigo e cortava meu cabelo no banheiro, com tanto carinho. Quase sinto o toque que sua mão tinha antes. Suave, quente.

Mas agora daria tudo por um amor expresso, desses que a gente embala pra viagem. Não me engano mais com sua boca bem delineada pelo batom caro comprado com a grana da bolsa de “doutoranda”, como faz questão de frisar quando lembra a minha falta de dinheiro e de futuro.

Percebo que há muito não queria mais receber seus telefonemas, cada vez mais raros.

Mas acabo sem ter onde passar o fim de semana nessa cidade que nunca foi minha. Vou ao seu apartamento, onde encontro os instrumentos deixados no canto da sala pelo teu mais novo ex-qualquer-coisa. Como sou fraco, nessas horas. Me habituei a essa comédia de erros em que se transformou nossa relação desde o ponto final (ou as reticências?).

Conferi se a carteira estava no bolso. Parei o primeiro ônibus que passava no ponto em frente ao seu prédio. Vou ficar longe da sua limpeza, das suas frases feitas, da sua superioridade em relação a nós e também desse peixe cheio de ervas e futilidades. Vou procurar, daqui por diante, nunca mais me perder de novo. Preciso andar.

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A foto é de Marina Sobral.

outra áfrica

por   /  31/01/2013  /  6:50

Another Africa é um Tumblr que mostra em fotos o cotidiano dos africanos de todo o continente.

A definição deles é poderosa: “Art is powerful, it simply needs unleashing and ultimately it will influence, inspire and help to reclaim Africa. The arts are not a first-world luxury, Another Africa is intended to be a constant reminder of this.”

Mais em > http://anotherafrica.tumblr.com/

(Obrigada, Thaís Verçosa, por mandar o link!)

arte  ·  fotografia  ·  moda

downton abbey

por   /  31/01/2013  /  6:14

“Downton Abbey” é um dos meus seriados preferidos do momento!

O seriado se passa no século 20, pré-guerra, durante a Primeira Guerra e depois, e mostra a vida aristocrática de uma família inglesa, ao mesmo tempo em que mostra vida dos empregados que servem a casa.

O seriado rende Tumblrs maravilhosos, como:

http://violetquotes.tumblr.com/

http://downtonabbeygifs.tumblr.com/

http://edithwithgooglyeyes.tumblr.com/

http://downtonabbeyonce.tumblr.com/

E há um tempinho atrás encontrei esses desenhos dos personagens transformados em bichos. A semelhança é assustadora e divertida!

Vejam mais > http://www.etsy.com/shop/toadbriar?section_id=12828219

E, pra completar, que tal jogar o seriado?

amor  ·  arte  ·  seriado

fratura exposta, por ingrid bezerra

por   /  30/01/2013  /  9:36

Ventura, por Ingrid Bezerra

Eu detesto o jeito que você escreve. Todas aquelas abreviações e as trocas de s por c. Eu não gosto de como você queima a pele do rosto por pura preguiça de protegê-lo de um sol de quarenta e tantos graus, fazendo as sardas mais lindas do mundo se unirem e formarem uma sombra que em nada diminui a beleza, mas me rouba o prazer de contar os pontinhos que eu amo. Não é o sexo o principal, só que eu não paro de lembrar cada volta do teu corpo, das tuas coxas branquinhas. Cada vez que penso em te esquecer mandas mais uma mensagem daquelas contando tua última meia hora. Eu fico quase louca porque pensando em te esquecer já estou lembrando de ti, e o barulhinho do celular só reforça o que eu já sei. Eu não quero te prender aqui, apenas torço para que você sinta o bem que faz ao mundo com este coração. Você não acabaria com as pragas do Egito, mas eu reconstruiria meu país quantas vezes fossem necessárias para que você morasse nele.

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A foto é de Thiago Ramos.

manhattan, o remix

por   /  29/01/2013  /  8:21

A melhor coisa que você vai ouvir esta semana!

Remix de Ryan Hemsworth para “Manhattan”, da nossa musa Cat Power ♥

O produtor convidou a rapper Angel Haze pra fazer uns vocais, e o resultado é maravilhoso!

amor  ·  arte  ·  música

fratura exposta, por b.

por   /  28/01/2013  /  10:26

Dois-em-um, por B.

Eu te perdi numa semana dessas depois do Carnaval. Te perdi pro mundo. Mas você merece o mundo, não podia desperdiçar essa chance. Eu sei disso, todo mundo sabe disso, mas queria que você tivesse ficado aqui comigo. 

Eu te ganhei numa dessas festas que ia pra aliviar a cabeça de um amor perdido depois do Carnaval. E foi tão forte que fiquei tonta. Te ganhei assim de surpresa, no impulso. Quando dei por mim, não sabia mais o que fazia com tanto carinho e tanto cuidado. Então resolvi ser sua de verdade. 
 
Mas como ser dele se eu ainda sou sua? Se é por você que ainda tocam algumas músicas minhas? Como ser dele se você ainda é meu? Eu queria poder ignorar todos esses anos e todas as nossas conversas e dizer que somos só amigos e que isso passa, que é só acostumar. Mas não acredito mais que é questão de tempo. 
 
Foi em questão de tempo que me deixei apaixonar. Hoje não sei mais ser sem você. Sem sua delicadeza, sem seus abraços (são os melhores do mundo, acredite). Não sei mais viver sem sua verdade. Você salvou minha vida e talvez não saiba. Você me devolveu a esperança e me fez enxergar, de novo, o amor. 
 
Pouco me importa se você não acredita, mas amo os dois ao mesmo tempo, de jeitos diferentes e muito inteiros. Pouco importa, porque você não sabe o que se passa comigo, nem nunca vai saber. Ficam só as lágrimas e sorrisos e alguns rabiscos a serem revelados. Fica só o vazio da incerteza e o cheio do coração. Essas coisas de amor são deveras complicadas, devia era ter acreditado na minha vó desde o início. 
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A foto é da Kelly Carpenter.

caixa preta

por   /  25/01/2013  /  8:54

 

Caixa preta, de Jennifer Egan (publicado na Ilustríssima)

1. As pessoas raramente são como você espera que elas sejam, mesmo quando você já as viu por foto.

Os primeiros 30 segundos na presença de alguém são os mais importantes.

Se você tem problemas para observar e aparecer, concentre-se em aparecer.

Ingredientes necessários para aparecer com sucesso: risadas; pernas nuas; timidez.

O objetivo é ser ao mesmo tempo irresistível e invisível.

Quando você consegue, os olhos dele perdem certa nitidez.

2. Alguns homens poderosos realmente chamam suas gatinhas de “gata”.

Apesar da fama que têm, gatinhas compartilham um profundo sentimento de camaradagem.

Se o seu Macho Designado é altamente temido, as gatinhas da festa em que você se infiltrou para conhecê-lo serão especialmente gentis.

Gentileza é uma coisa boa, mesmo que seja baseada numa falsa noção a respeito de sua identidade e propósito.

3. Posar de gatinha significa não ler o que você gostaria de ler numa praia de seixos no sul da França.

Tomar sol com a pele nua pode ser tão nutritivo quanto comida.

Mesmo um homem poderoso pode ficar um pouco envergonhado quando tira a roupa e fica de sunga pela primeira vez.

É tecnicamente impossível para um homem ficar melhor de sunga do que de calção de banho.

Se você ama alguém de pele escura, a pele clara parece desprovida de vitalidade.

4. Quando você sabe que alguém é violento e cruel, enxergará uma violência cruel nos gestos mais básicos dessa pessoa, como sua braçada.

Seu Macho Designado perguntar “o que você está fazendo?” em meio a ondas revoltas após segui-la mar adentro pode ou não indicar suspeita.

Você responder “nadando” pode ou não ser interpretado como sarcasmo.

“Vamos nadar juntos até aquelas pedras?” pode ou não ser uma pergunta.

“Tudo isso?” pode, se perguntado no tom correto, soar ingênuo.

“Lá a gente vai ter privacidade” pode soar inesperadamente sinistro.

5. Trinta metros de Mediterrâneo azul-escuro proporcionam tempo suficiente para uma lição mental.

Em momentos assim, pode ser útil relembrar explicitamente seu treinamento:

“Vocês vão se infiltrar na vida de criminosos.

“Vocês vão estar em perigo constante.

“Algumas de vocês não vão sobreviver, mas as que sobreviverem se tornarão heroínas.

“Algumas de vocês irão salvar vidas e até mesmo mudar o curso da história.

“Exigimos de vocês uma combinação impossível de características: escrúpulos de aço e o desejo de violá-los;

“Amor incondicional pelo seu país e uma vontade de se associar a indivíduos que estão trabalhando ativamente para destruí-lo;

“Instintos e intuição de especialistas e a mente limpa e o frescor próprios de principiantes.

“Todas vocês vão executar este serviço apenas uma vez, depois da qual retornarão a suas vidas.

“Não podemos prometer que suas vidas estarão exatamente iguais quando vocês voltarem para elas.”

6. Entusiasmo e flexibilidade podem se manifestar mesmo na forma como você se ergue do mar e sobe em rochas calcárias amarelas.

“Você nada muito rápido”, proferido por um homem que ainda está debaixo d’água, pode não ser um elogio.

Rir às vezes é melhor do que responder.

“Você é uma garota adorável” pode ter um sentido muito direto.

Ou seja: “Eu quero comer você agora.”

“E então? O que acha?” sugere uma preferência por respostas diretas a risadas.

“Ok” deve ser pronunciado com bastante ênfase para compensar a palidez denunciadora.

“Você não parece muito convencida disso” indica ênfase insuficiente.

“Não sei” só é aceitável quando seguido, timidamente, de um “Você vai ter que me convencer”.

Jogar a cabeça para trás e fechar os olhos lhe permite parecer pronta para o sexo ao mesmo tempo em que esconde a repulsa.

7. Estar sozinha com um homem violento e cruel, cercada de água, pode fazer a praia parecer muito distante.

Talvez, nesse instante, você sinta solidariedade pelas gatinhas visíveis lá longe, em seus biquínis coloridos.

Talvez entenda, nesse instante, por que não está sendo paga para este trabalho.

O serviço voluntário é a mais alta forma de patriotismo.

Lembre-se de que você não está sendo paga quando ele sair da água e se mover em sua direção.

Lembre-se de que você não está sendo paga quando ele levar você para trás de uma pedra e colocá-la em seu colo.

A Técnica da Dissociação é como um paraquedas: você precisa puxar a corda na hora certa.

Se puxar rápido demais, você pode dificultar sua habilidade de agir em momentos cruciais;

Se demorar muito, você vai mergulhar fundo demais na ação para conseguir se libertar.

Você vai se sentir tentada a puxar a corda quando ele a envolver com braços cuja força musculosa lembra, vagamente, os do seu marido.

Você vai se sentir tentada quando o sentir se mexendo contra o seu corpo embaixo de você.

Você vai se sentir tentada quando o cheiro dele a envolver: metálico feito uma mão quente segurando moedas de um centavo.

A ordem “relaxe” sugere que seu desconforto é palpável.

“Ninguém pode nos ver” sugere que seu desconforto foi interpretado como medo de se expor em público.

“Relaxe, relaxe”, proferido em tons rítmicos e roucos, sugere que seu desconforto está sendo mal recebido.

8. Inicie a Técnica da Dissociação apenas quando a violação física for iminente.

Feche os olhos e inicie uma contagem regressiva a partir do número dez.

A cada número, imagine que você está saindo de seu corpo e movendo-se lentamente para longe dele.

No oito, você deve estar pairando logo acima de sua pele.

No cinco, você deve estar flutuando a mais ou menos meio metro do corpo, sentindo só uma vaga ansiedade sobre o que vai acontecer a ele.

No três, você deve estar se sentindo inteiramente desconectada de seu eu físico.

No dois, seu corpo deve ser capaz de agir e reagir sem a sua participação.

No um, sua mente deve estar tão livre que você não toma conhecimento do que acontece lá embaixo.

Nuvens brancas girando e se enroscando.

Um céu azul tão profundo quanto o mar.

O som de ondas batendo contra as pedras já existia milênios antes das criaturas que podem ouvi-lo.

Feridas e arranhões em pedra narram uma violência da qual a própria terra há muito tempo se esqueceu.

Sua mente vai se juntar ao seu corpo quando for seguro.

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