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como viver sem ironia

por   /  19/01/2013  /  10:46

Como viver sem ironia é um texto de Christy Wampole que tem circulado muito por aí e ganhado muitos likes.

Só agora parei pra ler o texto, que é excelente. Guardem 10 minutinhos do dia e leiam, vai ser bom!

A revista Serrote fez a tradução > http://www.revistaserrote.com.br/2013/01/como-viver-sem-ironia-por-christy-wampole/

Como viver sem ironia, por Christy Wampole

Se a ironia é o éthos de nossa época – e ela de fato é –, então o hipster é o nosso arquétipo do estilo de vida irônico.

O hipster assombra todas as ruas da cidade e cidades universitárias. Manifestando uma nostalgia por épocas que ele mesmo jamais viveu, esse arlequim contemporâneo se apropria do que há de mais ultrapassado no que diz respeito à moda (bigodes, shorts minúsculos), quinquilharias (bicicletas de marcha única, toca-discos portáteis) e hobbies (produção artesanal de bebidas, tocar trombone). Ele cultiva a esquisitice e o constrangimento e passa por várias etapas de autoavaliação antes mesmo de tomar qualquer decisão. O hipster é um pesquisador das formas sociais, um estudioso do que é cool. Ele estuda implacavelmente, escavando em busca daquilo que não foi ainda descoberto pelo público geral. Uma citação ambulante, suas roupas referem-se a algo muito além de si próprias. Ele tenta negociar o antigo problema da individualidade, não por meio de conceitos, mas a partir de coisas materiais.

É um alvo fácil para piadas. No entanto, rir do hipster é só uma forma diluída de sua própria aflição. Ele não é mais que um sintoma e uma das manifestações mais extremas do estilo de vida irônico. Para muitos americanos nascidos nas décadas de 1980 e 1990 – membros da Geração Y –, caucasianos de classe média em particular, a ironia é o modo primário para se lidar com a vida. Basta habitar um espaço público, virtual ou concreto, para ver o quanto esse fenômeno se encontra disseminado. A publicidade, a política, a moda, a televisão: quase todas as categorias da realidade contemporânea exibem essa vontade de ironia.

Tomemos como exemplo uma propaganda que se anuncia como propaganda, faz piada com o próprio formato e tenta atrair seu público-alvo para rir dela e com ela. Ela já reconhece, preventivamente, o próprio fracasso em produzir algo com sentido. Nenhum ataque pode ser feito contra ela, pois ela própria já se mostrou vencida. O molde irônico funciona como um escudo contra a crítica. O mesmo vale para o estilo de vida irônico. A ironia é o modo mais autodefensivo que existe, pois permite que a pessoa evite a responsabilidade das suas escolhas, estéticas ou não. Viver ironicamente é esconder-se em público. É uma forma, flagrantemente indireta, de subterfúgio – que significa etimologicamente “fugir em segredo” (subter + fúgio). De algum modo, tornou-se insuportável, para nós, lidar com as coisas de maneira direta.

Como isso aconteceu? Em parte, a situação deriva da crença de que essa geração tem pouco a oferecer em termos de cultura, de que tudo já foi feito, ou de que um compromisso sério com qualquer crença acabará substituído por uma crença oposta – de maneira que o compromisso inicial vire risível, na melhor das hipóteses, ou desprezível, na pior. Esse estilo de vida irônico funciona como uma desistência preventiva e assume a forma de reação, em vez de ação.

A vida na era da internet sem dúvida colaborou para que uma sensibilidade irônica florescesse. Nesse meio, uméthos pode ser disseminado de modo rápido e amplo. Nossa incapacidade de lidar com o que temos à mão é evidente em nosso uso de tecnologia digital e em nossa dependência cada vez maior dela. Ao priorizarmos o remoto em vez do imediato, o virtual sobre o real, somos absorvidos nas esferas pública e privada por aparelhinhos que nos levam a outros lugares.

Além disso, os ciclos de nostalgia tornaram-se tão curtos que tentamos até mesmo injetar o momento presente com sentimentalismo quando usamos, por exemplo, certos filtros digitais para deixar as fotos com um aspecto “apagado”, uma aura de historicidade. A nostalgia exige tempo. Não se pode acelerar o processo que dá sentido às lembranças.

Embora tenhamos adquirido novas habilidades (lidar com mais de uma tarefa ao mesmo tempo, conhecimento tecnológico), elas vieram às custas de outras habilidades: a arte da conversação, a arte de olhar para as pessoas, a arte de ser visto, a arte de estar presente. Nossa conduta não é mais governada pela sutileza, finesse, graça e atenção, todas essas qualidades que as décadas passadas prezavam mais que agora. Predominam, no momento, a introversão e o narcisismo.

Nasci em 1977, no final da Geração X, e tornei-me adulta nos anos 1990, uma década que, perfeitamente encaixada entre duas ruínas arquitetônicas – do Muro de Berlim em 1989 e das Torres Gêmeas em 2001 – parece agora ser relativamente sem ironia. O movimento grunge falava sério quanto à sua estética e atitude, com uma postura hostil à autoridade, semelhante à do movimento punk. Em minhas lembranças, que talvez sejam nostálgicas demais, o feminismo chegava a um ápice sem precedentes, as preocupações do ambientalismo ganhavam atenção mundial, e as questões de raça agora eram tratadas de modo mais aberto: todos esses movimentos continham em si as mesmas eletricidade e euforia que tocam as gerações quando testemunham uma mudança secular ou milenar.

Mas o ano 2000 veio e partiu sem nenhum desastre. Tínhamos esperança durante a década de 1990, mas a esperança é uma emoção muito vulnerável; precisávamos de um mecanismo de autodefesa, algo que toda geração tem. Para a Geração X, esse mecanismo assumia a forma de uma apatia diligente, o esforço ativo de não dar a mínima. Nosso arquétipo era o vagabundo que passava pela vida com preguiça, vestido de roupas de flanela, sozinho e incompreendido em seu quarto. E, quando nos entediávamos com a apatia, sentíamos uma raiva ou melancolia vaga, comendo antidepressivos como se fossem doces.

A partir desse ponto privilegiado de referência, um grupinho irônico parece ser confortável demais, desmiolado demais e complacente demais. O estilo de vida irônico é um problema de primeiro mundo. Para quem tem uma formação relativamente boa e segurança financeira, a ironia funciona como um tipo de cartão de crédito cuja conta nunca precisa ser paga. Em outras palavras, o hipster pode fazer investimentos frívolos em falso capital social sem precisar pagar de volta um único centavo sincero. Ele não é dono de nada do que possui.

É óbvio que os e as hipsters produzem uma irritação distinta em mim, uma que, até muito recentemente, eu não sabia explicar. Eles me provocam, porque são, como vim a perceber, uma versão amplificada de mim, apesar da distância com que os observo.

Eu também exibo tendências irônicas. Uma das dificuldades que tenho, por exemplo, é a de dar presentes sinceros. Em vez disso, dou o que no passado só seria aceito em “inimigos secretos”: uma pintura kitsch de alguma lojinha, uma caneca de café com imagens espalhafatosas do Texas, bonecos de plástico de luchadores mexicanos. Presentes bons para dar risada na hora, mas que valem pouco a longo prazo. Existe algo na responsabilidade de escolher um presente pessoal e significativo para um amigo que faz com que esse ato seja íntimo demais, importante demais. De certo modo, não consigo suportar a possibilidade de que um amigo não goste de um presente que eu tenha escolhido com sinceridade. O simples ato de perceber esse meu comportamento autodefensivo me fez pensar profundamente sobre o quanto esse posicionamento irônico podia ser potencialmente tóxico.

Em primeiro lugar, ele marca uma aversão profunda ao risco. Como resultado do medo e da vergonha preventiva, a vida irônica revela um amortecimento, uma resignação e uma derrota culturais. Se a vida tornou-se um mero apanhado de objetos kitsch, uma série infinita de piadas sarcásticas e referências à cultura pop, uma competição para ver quem consegue ser mais apático (ou, pelo menos, um espetáculo dessa competição), parece que, coletivamente, demos um passo em falso. Será que essa é a causa de nosso vazio e mal-estar existenciais? Ou seria um sintoma?

Ao longo da história, a ironia já serviu a propósitos úteis, como fornecer uma vazão retórica a tensões sociais de que não se falava. Mas nosso modo irônico contemporâneo é, de algum modo, mais profundo; ele já vazou do reino da retórica para o da própria vida. O éthos irônico pode levar a uma vacuidade e uma insipidez da psique individual e coletiva. Historicamente, os vácuos acabam preenchidos por alguma coisa – e, com muita frequência, alguma coisa perigosa. Fundamentalistas nunca são irônicos; ditadores nunca são irônicos; as pessoas que mexem com coisas na esfera política, independentemente dos lados que escolhem, nunca são irônicas.

Onde podemos encontrar exemplos da vida não irônica? Como ela é? Modelos não irônicos incluem crianças muito novas, pessoas de mais idade, pessoas muito religiosas, pessoas com sérias deficiências físicas ou mentais, pessoas que sofreram, e as que moram em lugares econômica ou politicamente complicados, onde a seriedade é o estado de espírito governante. Meu amigo Robert Pogue Harrison, numa conversa recente que tivemos, falou desse modo: “Sempre que o real se impõe, ele tende a dissipar a neblina da ironia”.

Observe uma criança de quatro anos de idade em sua vida cotidiana. Você não verá a menor indicação de ironia em seu comportamento. Ela ainda não assumiu, por assim dizer, o véu da ironia. Ela gosta do que gosta e declara seus gostos sem dissimulação. Não está particularmente consciente dos juízos dos outros. Não se esconde por trás de uma linguagem indireta. Os modelos mais puros da vida não irônica, no entanto, encontram-se na natureza: os animais e plantas são isentos de ironia, que existe somente onde habita o humano.

O que significaria vencer o empuxo cultural da ironia? Afastar-se do irônico representa dizer o que se pensa, pensar o que se diz e considerar a seriedade e a declaração direta como possibilidades expressivas, apesar dos riscos inerentes. Significa assumir o cultivo da sinceridade, da humildade e do autoapagamento, rebaixando o frívolo e okitsch em nossa escala coletiva de valores. E pode incluir também fazer um inventário honesto de si próprio.

Começa assim: dê uma olhada ao seu redor, em casa. Você se vê cercado de coisas de que gosta mesmo ou coisas de que gosta só porque são absurdas? Ouça o que você diz. Pergunte a si mesmo: Eu me comunico essencialmente por piadas internas e referências à cultura pop? Que porcentagem das coisas que falo tem sentido? O quanto me valho de linguagem hiperbólica? Eu me faço de indiferente? Olhe suas roupas. Quanto do seu guarda-roupa poderia ser descrito como peças de fantasia, derivativas ou reminiscentes de algum arquétipo de estilo específico (a secretária, o mendigo, a coquette, ou você quando era criança)? Em outras palavras, suas roupas fazem referência a alguma outra coisa, ou só a si próprias? Você tenta deliberadamente parecer nerd, estranho ou feio? Em outras palavras, o seu estilo é um antiestilo? A pergunta mais importante: como você se sentiria se sofresse uma mudança interna, em silêncio, off-line e sem que os outros vissem?

Ao longo das últimas décadas, vimos algumas tentativas de banir a ironia. Os movimentos, nas artes, do que é definido de modo frouxo como Nova Sinceridade vêm brotando desde que os anos 1980 se posicionaram como uma resposta ao cinismo, ao afastamento e à meta-referencialidade do pós-moderno (a Nova Sinceridade vem sendo associada recentemente aos livros de David Foster Wallace, aos filmes de Wes Anderson e à música de Cat Power). Mas nenhuma dessas tentativas vingou, como comprova a nova era da Ironia Profunda.

O que as futuras gerações farão com esse sarcasmo feroz e com o cultivo descarado da besteira? Será que ficaremos satisfeitos em deixar um arquivo cheio de vídeos de pessoas fazendo coisas idiotas? Será que um legado irônico é, de fato, um legado?

Com certeza, a vida irônica é uma resposta provisória aos problemas do excesso de conforto, do excesso de história e do excesso de opções, mas minha convicção firme é a de que esse estilo de vida não é viável, e oculta em si muitos riscos sociais e políticos. Deixar que um amplo segmento da população anule sua voz cívica, por meio do padrão de negação que descrevi, é sugar as reservas culturais da comunidade como um todo. As pessoas podem escolher continuar a se esconder atrás do véu da ironia, mas essa escolha significa render-se às entidades comerciais e políticas que ficarão mais que satisfeitas em assumir o papel de pais para cidadãos autoinfantilizados. Por isso, em vez de rir do hipster – um hobbie favorito, especialmente entre os hipsters –, tente determinar se as cinzas da ironia não se assentaram sobre você também. É preciso algum esforço para espaná-las.

Tradução de Adriano Scandolara

Christy Wampole é professora-assistente de língua francesa na Princeton University. Sua pesquisa tem como principal foco a literatura e o pensamento francês e italiano dos séculos 20 e 21. “How to Live Without Irony” foi publicado originalmente no blog Opinator, do The New York Times, dia 27 de novembro de 2012 (opinionator.blogs.nytimes.com/2012/11/17/how-to-live-without-irony).

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carros voadores

por   /  18/01/2013  /  8:25

Matthew Porter criou uma série de fotos com carros voadores.

Eles escolheu modelos retrô e se inspirou em cenas de programas de TV e em filmes dos anos 1960 e 1970 para criar as imagens que são manipuladas digitalmente.

Adorei o resultado!

Mais em > http://nyti.ms/WKYLzK

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o melhor carnaval

por   /  17/01/2013  /  9:12

O melhor Carnaval é o de Pernambuco!

Há um ano rolou um texto na MTV Iggy sobre o assunto. E nas vésperas da folia, o texto voltou a circular.

Aqui a versão original > http://www.mtviggy.com/articles/goodbye-rio-hello-recife-a-taste-of-brazils-best-hidden-carnival/

Abaixo, a traduzida!

Pra esquentar, músicas de Carnaval > https://soundcloud.com/olinda

Adeus Rio, Olá Recife: Um Gostinho do Melhor Carnaval Escondido do Brasil
Largue seu amante e festeje com Pac-Man

Por Marlon Bishop
Traduzido por Gustavo Maia

Esqueça o Rio, seus enormes carros alegóricos e plumas, suas dançarinas peitudas vestidas com pedaços de tecido pequenos e estrategicamente posicionados, seu Sambódromo exclusivo e sua estrondosa bateria de samba. É um carnaval para as câmeras, para panfletos de agências de viagem, para turistas acima do peso do Arkansas (EUA). Pergunte a quem sabe o que é bom e eles lhe dirão: o Carnaval mais real do Brasil é o do Recife.

Recife é uma das grandes cidades do Nordeste do Brasil, um município antigo, originalmente construído por plantadores de açúcar da Holanda na saliência mais oriental da América do Sul, a parte que encaixa como uma peça de quebra-cabeça no canto do Leste da África. Carnaval no Recife – e em Olinda, sua cidade-irmã colonial – é um carnaval de rua. Não há áreas exclusivas separadas por cordas ou ingressos caros, apenas um monumental caos humano, milhões de pessoas enlouquecendo juntas ao pôr do sol. Velhos e novos, ricos e pobres, hippies e playboys, negros e brancos, todos se misturam nas ruas de pedra – bebendo cerveja direto da garrafa, beijando desconhecidos e dançando até que suas sandálias Havaianas se partam.

“Nos últimos 40 anos o Carnaval do Rio tem sido uma janela para vender uma imagem pobre e até racista do Brasil no exterior. Tudo sobre aquela celebração é calcado nos interesses da televisão comercial. Já na Bahia, o Carnaval é repleto de segregação causada por razões econômicas e socais”, afirma o administrador de rádio e DJ de tecnobrega do Recife, Patrick Torquato. “Mas o Carnaval do Recife é rico com uma mágica inexplicável, você só tem entende se experimentar. Os sons, as cores. É o Carnaval mais multicultural, o que melhor representa a mistura cultural do Brasil.

Primeiro vamos desmistificar um pouco toda a “coisa” do Carnaval. Sim, ele é relacionado com a tradição celebração católica da Quaresma nos dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas e blá, blá, blá. Mas a verdade é que o Carnaval é um Halloween de quatro dias que não para no abafado calor tropical, sem a parte do “doces ou travessuras” (trick-or-treating), com bandas gigantes de marchinha e percussão. Algumas pessoas vestem fantasias tradicionais de Carnaval que envolvem pequenas sombrinhas multicoloridas, mas a maioria se veste de personagens como Batman, Pac-Man, Capitão América, Princesa Toadstool (aquela do Super Mario), o M&M verde e Osama Bin Laden.

A festa começa cedo, com os primeiros blocos ou troças carnavalescas invadindo as ruas lá pelas 8h da manhã. Durante o dia, o lugar para se estar é Olinda – a pitoresca cidade colonial com becos sinuosos e casas coloridas. Vendedores ambulantes vendem cerveja, copos gigantes de Red Bull e Whisky e cocos gelados para a essencial hidratação do meio da festa. Já que as ruas ficam lotadas além da capacidade, saiba: se entrar na multidão, você não terá nenhuma escolha a não ser seguir o fluxo, esmagado contra pelo menos mais um milhão de pessoas. Quando os blocos passam, tocando frevo em tubas e trombones ou maracatu em enormes tambores de madeira, quem estiver no meio da festa será levado na “procissão”, quer queira quer não.

Festas de dança improvisada menores brotam em qualquer lugar em que haja alguém com um tamborim ou um megafone e uma música para cantar. Enquanto isso, crianças pequenas nos terraços te ensopam com armas de água, desconhecidos de melam de tinta e pelo menos um indivíduo com mau gosto te ataca com um vibrador preso a uma vara de pescar. Aqueles que não acabam seus namoros imediatamente antes do Carnaval, uma tradição brasileira, se agarram aos seus parceiros até serem afastados por um homem vestido de crocodilo. Em um canto, Barack Obama e a Mulher Maravilha juntam os lábios de forma selvagem atrás de uma barraca de empanada.

Quando a noite cai, Olinda fica mais vazia e dá lugar ao Recife Antigo, que recebe multidões para enormes shows a céu aberto. A programação varia de grandes nomes da música brasileira, como Ney Matogrosso e Lenine, a atrações estrangeiras como Angelique Kidjo, ou ainda nomes ascendente como o rapper paulista Criolo. Mas nada supera a energia de quando o Nação Zumbi toca. Nação Zumbi é a antiga banda de apoio do já falecido Chico Science, uma lenda local que misturou hard rock e hip-hop com maracatu tradicional e mudou para sempre o curso da música brasileira. Quando clássicos dos anos 90 explodem nas caixas de som, as “rodas-punk” se espalham pelo horizonte e os dreadlocks (penteado rastafári) giram no ar.

Em palcos menores espalhados pela cidade, novos e inovadores artistas se apresentam, também de graça. Da “cena amazônica” de tecnobrega, Waldo Squash e sua Gang do Electro se apresentaram enquanto adolescentes gays pintados com tintas fluorescentes mostravam suas danças coreografadas. O grupo colombiano de hip hop-cumbia Sistema Solar “botou pra torar” e o Bixiga 70 “abalou as estruturas” ao revisitar músicas de Afro-funk brasileiro.

“Gerações mais novas precisam tanto ser educadas na traição e empurradas para frente pela vanguarda musical. Manter a relação entre o tradicional e o inovador é o poder da música brasileira em geral”, diz o DJ Patrick Torquato. “E os recifenses fazem isso muito bem.”

Um dia de Carnaval parece uma semana e a coisa toda parece uma vida inteira. No final, seu corpo e mente estão destroçados, implorando por descanso. Mas em todo o hedonismo, excesso e celebração existe uma sensação de renascimento coletivo, de recomeço. Isso é, até a festa do ano seguinte.

(Todas as fotos são de Beto Figueiroa. Para ver mais das suas incríveis fotografias de Carnaval, visite a página do Flickr dele)

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