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fotografia com vocação mundana

por   /  28/02/2013  /  19:53

Da fanpage do Instamission:

Uma ótima reflexão sobre o Instagram, escrita por Ronaldo Entler: “O Instagram é essencialmente composto por aqueles que registram suas férias, a família, os amigos, as baladas, a casa, o que comem, aliás, coisas com as quais muitos bons fotógrafos também se divertem. Torcemos o nariz mas a fotografia também é isso, ela sempre teve vocação para as coisas mundanas. Essa afirmação já aparecia em tom de acusação na boca de artistas e críticos do século XIX. A história da fotografia é indissociável da cultura de massa, ela não pode ser entendida sem que se leve em conta suas manifestações populares e anônimas. Nesse sentido, o Instagram e o iPhone são tão relevantes quanto a 5D, assim como, historicamente, a Kodak foi tão relevante quanto a Leica.”

As imagens são de @maluteodoro.

Leiam o posto completo > http://iconica.com.br/blog/?p=4669

(Obrigada pela dica, Janaina Pinho!)

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pertences

por   /  28/02/2013  /  18:46

Do Anorak:

Yoko Ono, 1980

Ela fez essa foto na janela do apartamento que ela morava com John Lennon logo depois de receber os pertences dele que estavam com a policia.

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as colagens de manuela eichner e zé vicente

por   /  28/02/2013  /  10:39

“Vi teu nome num peixe” é uma série de 13 colagens feitas por Manuela Eichner e Zé Vicente, artistas plásticos lindos e talentosos! ♥

Usando revistas velhas de acervo pessoal e encontradas em sebos, os dois criaram um poema visual. As imagens compõem um mural de 20 metros por 2,10 metros, que também ganhou pinturas dos dois – formas e fundos de cor, como o rosa e o amarelo.

A exposição foi criada para o eStônia, novo espaço do restaurante Ramona, no centro de São Paulo. A abertura acontece no próximo sábado (2/3), a partir das 19h, e eu vou colocar umas músicas por lá! Vamos? https://www.facebook.com/events/268890229909972/

Pra saber mais sobre esses dois queridos e sobre o trabalho que eles apresentam a partir de sábado, fiz uma mini-entrevista, que vocês lêem logo após a foto deles em plena montagem!

- Quando vocês começaram a fazer colagens? E quando se juntaram?

Zé Vicente: Comecei aos 7 anos com figurinhas de chiclet que ilustravam as notícias de um jornal independente. Ironicamente, mais de 20 anos depois, passei a fazer colagens para a Folha de SP.

Manuela Eichner: Desde que cheguei em São Paulo em 2009, comecei a usar a colagem e nos últimos dois anos tenho me dedicado totalmente a esta
linguagem. Juntos já colaboramos no coletivo de arte Mergulho (2006) em Porto Alegre, e depois nos cruzamos pelo caminho do design gráfico e ilustração da Folha de SP. Neste ano optamos em trabalhar mais com o que amamos e acreditamos e esta série concretiza esta decisão.

- Como é o processo de criar uma colagem? E ainda mais uma mega-colagem? Que materiais vocês usam, de onde vocês pegam, em quem vocês se inspiram?

Manuela Eichner: O processo de seleção de imagem para recortar é uma comunicação de outra ordem. Uma maneira de se deslocar um pouco de uma linguagem já conhecida, tem um quê surrealista. Recortar uma imagem e interferir no dialogo que ela passa a ter com outras é transformador. “Vi teu nome num peixe” foi a primeira experiência de colagem em dupla e em grande dimensão pra ambos, e foi foda! Pensar no tamanho pequeno e grande ao mesmo tempo, protótipo e real, medidas, arranjo, é como montar uma narrativa. E a descoberta de recortar gigante e aplicar as colagens na parede precisaram de muito mais esforço. Usamos revistas de arquivos pessoais e que compramos em sebos da cidade. Procuramos para esta série muita textura de revistas antigas onde encontramos corpos e posturas de outras épocas. O que nos inspirou muito para esta série foi pensar na transformação, no movimento, na paixão, no sentimento de que o fim é iminente e por isto misturamos imagens de pessoas com imagens da natureza, como a de fenômeno bem presente em São Paulo, o Raio.

Zé Vicente: Criar uma colagem em dupla é como compor uma canção (com melodia, harmonia e letra) onde cada um faz um pouco de tudo. A escolha das imagens (em revistas, livros, etc.), como ela é recortada, a associação entre elas. Tudo influencia no resultado final. Depois de “agrupados” e bem posicionados, fotografamos e scaneamos cada recorte. No caso desta obra, optamos por imprimi-las em vinil fosco (adesivo) e pintar fundo e formas de cor.

- E na hora que vocês colocam os trabalhos no mundo, o que vocês esperam?

Instigar, provocar e criar o desejo de enxergar além das formas prontas e fechadas de veiculação de imagens. Esperamos ouvir diferentes interpretacões, visões e sentimentos que as pessoas dividem neste tipo de compartilhamento. Aprender e encontrar novas descobertas para os próximos projetos.

 

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marina abramovic e ulay

por   /  27/02/2013  /  13:54

Marina Abramovic e Ulay nasceram no mesmo dia, mas em anos diferentes. Quando se encontraram, não precisaram de muito tempo para dividir a intimidade de seus diários uma para o outro. Assim que começaram, perceberam que haviam arrancado a página da data comemorativa. Foi um sinal cármico, pensou a artista, segundo perfil escrito por Judith Thurman para a New Yorker.

“Fomos diretamente para a casa dele e ficamos na cama durante dez dias”. E acrescentou: “Quando voltei para casa, fiquei desesperada de amor e não conseguia andar ou falar”. E acrescentou: “Quando voltei para casa, fiquei desesperada de amor e não conseguia andar ou falar”.

Durante 12 anos, entre 1976 e 1988, Marina e Ulay fizeram arte juntos. Viveram com aborígenes no deserto da Austrália, empunharam um arco e uma flecha contra o outro, equilibrando-se a partir da tensão…

A união dos dois também passou por muitas surras e curativos, mas, no fim, não resistiu às exigências da intensa proximidade, de feridas primordiais ou da discrepância de ambição sugerida por Ulay em um e-mail. “É muito importante entender o quanto Marina investe em sua carreira artística. Isso é sua vida”, escreveu. “Esse é um dos motivos pelos quais ela nunca quis filhos.” A separação foi devastadora para ela, pois conseguia enfrentar qualquer revés, exceto o abandono. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Mas refletiu: “Todos se esforçam tanto para começar um relacionamento e tão pouco para acabar com ele”. Em 30 de março de 1988, Marina e Ulay fizeram sua última performance. Ela começou a caminhar pela Muralha da China a partir do leste, nas montanhas, e Ulay saiu do oeste, em um deserto. Após três meses, e milhares de quilômetros, encontraram-se no meio e se deram adeus. 

Mais de 20 anos depois, a artista apresentava “The Artist is Present”, uma retrospectiva de sua obra no MoMa, em Nova York, e compartilhava um tempo de silêncio com qualquer pessoa que sentasse à sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse.

O reencontro foi registrado no vídeo abaixo e é uma fratura exposta. Se curada ou não, só conseguimos imaginar… E nos emocionar muito. ♥

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miranda july entrevista lena dunham

por   /  27/02/2013  /  11:40

A artista Miranda July entrevista Lena Dunham para a Interview.

Lena escreve e dirige “Girls”, um dos melhores seriados dos últimos anos. Ela é Hannah, uma jovem de 20 e poucos anos que busca amor em relações complicadas, não sabe bem o que fazer da vida e experimenta de tudo.

Hannah e Lena têm feito muita gente discutir sobre ser jovem numa cidade grande e não ter muitas perspectivas, ser jovem com um corpo fora do padrão, ser super ok com isso e ajudar a afirmar de verdade o quanto ser diferente é bom, ser jovem e criar um produto de tanto sucesso ao falar de questões de auto-estima, degradação, aceitação e tentativas inesgotáveis. Sou fã! ♥

A couple of weeks ago, Lena Dunham and I met for dinner. As soon as we’d placed our orders at a French-ish café in the Silver Lake section of Los Angeles, we plunged into a conversation about love between girls—both platonic and romantic. I began to describe my first real relationship, which was with a girl, and Lena immediately asked, “How did you feel about her vagina?” A few days later, I was telling this to an old friend, and the old friend said, “I’ve known you for 20 years and I’ve never thought to ask you that. . . How did you feel about her vagina?” Of course, Lena always goes straight for the most interesting thing, the thing you really want to know, even if it seems too intimate or too silly or too gross. Other things that might be considered too intimate/silly/gross: Lena’s normal-looking thighs. And stomach. Self-empowerment through self-degradation. The stuff that gets up around the sides of condoms. Or pretty much anything on her half-hour TV series Girls, the second season of which recently began airing on HBO.

I want to take a moment to point out the manner in which Lena asked me the vagina question: She asked it seriously, her two adorably big front teeth momentarily hidden by the earnest line of her lips. I felt like my answer was going to be the most important thing anyone had ever said. This, in case you don’t know, isn’t particular to Lena—this is how girls talk to one another when they really like each other, endlessly pushing deeper with growing boldness. This is why women have to talk to each other so much and for so long; it is simply more satisfying than other things—exactly in the way thatGirls is more satisfying than a lot of other shows. No other show makes us (and by “us” I mean us girls and the show’s considerable male viewership—56 percent of the audience that watched the series premiere last April were men) feel so buzzed and almost uncomfortable with excitement. “What is this new feeling?” we ask ourselves. “It’s like I’m high on a drug I never knew existed.” It turns out that this is how it feels when concerns that have historically been considered too intimate/silly/gross—too female—are publicly treated with serious attention by a very skilled artist. The huge skills, along with her totally unedgy good will, are why Lena can be so radical and so mainstream at the same time. She’s a real writer, has a thrilling sense of timing, and her casting (Adam Driver, Jemima Kirke) is a gift to us all. And I also happen to know from intel on the crew that she has no problem saying, “Uh, no thank you” when her executive producer, Judd Apatow, makes a suggestion that she doesn’t think works.

People love the mythology of talent popping up fully formed out of nowhere. How could Lena’s first feature, Tiny Furniture (2010), be so good—so zingy and perfectly executed? She must be a genius! Or: nepotism! The truth is less exciting and doesn’t let your lazy ass off the hook: Tiny Furniture was Lena’s second feature—the first was Creative Nonfiction (2009), and no, it’s not quite as good. She had to work to figure it out. And Girls? Not her first multi-episode series either—and not even her first show about girls in New York. Lena’s web series, Delusional Downtown Divas, launched on Index magazine’s site in 2009 and ran for 20 episodes over two seasons. The kooky, campy divas make the privileged Girls girls look like everywomen. I’m not saying that Lena’s ascent has not been quick—my neck hurts from looking up so fast. But this is the kind of woman who is so relentlessly diligent that she makes us formerly-perceived-as-productive people have to rethink our whole approach. My answer to Lena’s question at dinner? Terrific. I felt terrific about it. I thought of it as a warm Danish from an expensive pastry shop. 

Lena and I did this interview over the phone a couple of days before Christmas. She was in L.A. and pushed the time of our call by 30 minutes so she could get acupuncture; I was in a house in the mountains and pushed it another 15 minutes so I could finish feeding sweet potatoes to my son. 

Leiam a entrevista completa > http://www.interviewmagazine.com/film/lena-dunham-february-2013#_

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música do dia: let me back in

por   /  26/02/2013  /  16:58

A Gabi Sampaio me mandou uma música linda do Rilo Kiley e me deu uma nostalgia! Dos tempos em que a gente passava a vida ouvindo bandas novas, se emocionando toda madrugrada, fazendo amizade no Soulseek só de fuçar as pastinhas do outros… ♥

Ouçam que lindeza > http://www.spin.com/articles/rilo-kiley-jenny-lewis-let-me-back-in-new-song-rkives

Mais em > http://rilokiley.com/

 

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fotografia de amor

por   /  22/02/2013  /  17:51

Joana Pires escreve no 7 Fotografia sobre uma fotografia de Larissa Ribeiro que eu amo muito! ♥ E ainda mistura as impressões e referências com palavras sobre o texto do Antonio Prata.

Leiam > http://setefotografia.wordpress.com/2013/02/21/ninguem-pode-ficar-olhando-pra-sempre-o-amor/

Já esbocei, uma vez, um texto sobre o que uma imagem como essa é capaz de me provocar, mas é coisa para se pensar de novo. Para se trazer para o juízo novamente. Esse texto falava do instante.

Porque o instante nos escapa. O presente está sempre perdido.

Heiddeger sugeriu que o instante é um momento sentido tão plenamente que não pode conter nenhuma outra sensação. A gente só é capaz de reconhecê-lo quando o compara ao que nos acontece antes e ao que nos acontece depois. Dois conceitos estão interligados nessa noção de momentâneo: o de sensação e cognição. A sensação é o que sentimos no momento do instante, a cognição é o que só se reconhece depois que o momento passou. Adoro essa rebeldia do instante, que nunca será apreendido, fixado. Ele nos ensina a viver, mas se perde quando reconhecemos o aprendizado, quando entendemos a mensagem.

Antônio Prata, num texto incrível publicado na Ilustrada, da Folha, disse que “toda memória é um luto pelo que vamos deixando para trás”. Ele falava dos amores que se acabam e da memória que mantém o que precisa ficar e ao mesmo tempo apaga o que acha conveniente esquecer.

E aí me lembro dessa fotografia de larissa r. – fotógrafa previamente citada aqui no blog em um Flickrweek meu – e de tantas outras imagens que vi, que produzi e das quais participei. Lembrei dos instagrams dos amores dos amigos. A fotografia do amor é uma tentativa de apreender esse instante que escapa. O amor em si é um instante que vivemos geralmente intensamente, já pensando no momento dele se perder. E quando se olha para a foto é possível sentir aquela sensação fina, quase uma pequena pontada que é como uma raspagem de um momento. A sensação não se tem de volta – jamais. Mas o dar-se conta do que se sentiu pode ser retomado, logo após o momento passar, ou tempos depois. Olho uma foto antiga e dou-me conta de que o que vivi foi bom, foi forte, foi bonito. Mas não vem novamente.

Essa foto linda de larissa me diz isso. E me fala de todos os amores, de todos os beijos passados, de todas as bocas úmidas que encontram as peles macias de outros, e desse toque que nunca pode ser repetido. No texto de Antônio Prata, ele fala do encontro de dois ex-namorados para um almoço convencional e na superfície. Ele fala que “há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento dessa impossibilidade”. Porque tocar aquele instante que uniu os dois num determinado momento passa a ser, agora, reconhecidamente impossível.

“Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua amizade. Reconstroem o pátio da escola, o Centro Acadêmico, o prédio em que moraram –e o adentram. Em três chopes, refez-se o antigo elo. Para os ex-amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de móveis e objetos valiosos, porém trancado. Nesses almoços, estamos sempre no corredor, olhando para a porta fechada. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar”, diz Antônio, num trecho valioso. E o quarto ali é como a fotografia aqui na nossa mão. Estamos diante dela, olhamos para ela, sentimos saudade mas não podemos nem queremos entrar nela novamente. Não é seguro.

Pater disse que “a arte é valiosa pela propriedade de nos afetar com uma impressão especial e única de prazer”. A fotografia faz isso. O instante também. O instante, que é como o amor…

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fratura exposta (profissional)

por   /  22/02/2013  /  9:39

A Ana Luiza Gomes escreveu uma Fratura Exposta com foco no profissional. É um ótimo texto, principalmente pra quem mudou, está mudando ou quer mudar de trabalho para fazer o que ama completamente.

Leiam > http://www.anamappe.com.br/blog/2013/02/20/fratura-exposta-profissional/

Vai me dizer que você não escutou ainda de algum amigo quando reclamou das horas extras que fez no trabalho: “você têm que fazer o que ama!”. Quem largou o emprego chato e foi buscar trabalhar “com o que ama” é o novo modelo de felicidade completa!

Eu conheço alguns e comprovo, nunca os vi tão felizes (e enriquecendo). Já outros, com seus empregos enfadonhos, estão desesperados em busca de um encontro com esse tal amante chamado trabalho. Se enfiam em leituras, se aventuram em freelas malucos, começam a fazer cursos de tudo que é diferente, ou seja, se arriscam em vários blind dates. O restante até trabalha com o que gosta e, por isso mesmo, vive o sufoco da rotina aniquilando seus corações – e bolsos –, do hobby à profissão, do amante à esposa, da paixão ao peso de um compromisso eterno.

Já passei por vários destes estágios e não, definitivamente, não estou enriquecendo (ainda, rs). Já li alguns bons livros sobre, inclusive a bola da vez The School of Life, “Como encontrar o emprego da sua vida”. E digo, o autor, Roman Krznaric, me vendeu direitinho o príncipe no cavalo branco: a vocação em encontro com as necessidades do mundo. Terminei o livro com a sensação de ter lido algum clássico da Disney. Romance, aventuras, encontros, desencontros e uma pitada de mágica com destino! Esse amor profissional promete mais que qualquer aliança.

A melhor leitura com certeza foi um livro sobre arte contemporânea chamado “Are you working too much?”. Uma coletânea de textos críticos do e-flux (que você tem acesso de graça aqui) que eu li nas férias de 2011! Entre uma análise sobre a crise dos modelos tradicionais de emprego, estudos sobre a vida profissional de um artista contemporâneo e debates sobre o tal “trabalho imaterial”; pontuar as novas questões do comportamento e do mundo, na minha visão, sempre é bem mais incrível pela arte. Eu já indiquei a leitura aqui no blog de dois desses artigos, um do Boris Groys e outro do amado Diedrich Diederichsen.

Depois destas leituras, de fazer cursos – vários inúteis e alguns excelentes – depois de tentar, em vão, tornar este blog em algo rentável, depois de tentar me reiventar num cargo novo dentro do meu próprio emprego, não, eu não tenho a resposta. Eu sou a própria fratura exposta profissional. O que eu aprendi, como todos em busca de seu grande amor, é que a busca é bem interessante e válida. Ao invés de só reclamar que o trabalho te cansa, ele vira algo mais dinâmico, vivo, cheio de histórias e até divertido algumas vezes.

De todas essas tentativas, confesso que a mais importante tenha sido esta: quando começo um projeto novo, eu sempre parto de algum ponto muito pessoal. Seja a perda da minha avó para fazer o #vovomeinspira ou a minha inquietação sobre o meu próprio país para pesquisar #obrasilcoms. Eu canalizo todos os meus questionamentos e os transformo em projetos como um recurso para pensar a vida. E compartilhar tudo isso é das formas mais belas de se aprender.

Vai ver esse amante chamado emprego não esteja muito distante de um encantamento pela própria vida, por um dia a dia que merece ser muito mais que um trabalho pesado, por uma vida mais leve em que os amores se confundam, em que esse profissional e pessoal sejam eternos namorados.

*Para quem não conhece o “Fratura Exposta” do blog amado Don’t Touch, descubra! E confira alguns projetos interessantes sobre o tema no site da Contente.

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ex

por   /  21/02/2013  /  8:25

Ex, por Antonio Prata, na Folha

Marcamos num restaurante perto do trabalho dela, no Itaim –o que me pareceu não só prático, mas tranquilizador: dava ao encontro algo de corriqueiro, prosaico, sem pompa ou circunstância. E por que haveria de ter pompa ou circunstância? Somos apenas ex-namorados, já há muito separados, indo almoçar num dia de semana. Ela pede uma salada e uma Coca Zero; eu, o menu do dia e uma água com gás.

Ficamos juntos por três ou quatro anos, lá pelos 20 e poucos. Fizemos planos, como fazem todos os casais. Escolhemos nomes para os filhos que não tivemos, combinamos viagens nas quais nunca embarcamos: todo um futuro que, por razões que a própria razão desconhece –ou, mais provavelmente, que a memória achou de bom alvitre apagar–, deu com os burros n’água.

“Essa é a Dora, na natação”, ela me diz, estendendo-me o celular. “Vai passando pra direita. Ó, o Francisco no aniversário de um ano. Os dois juntos na escola…” Vejo algumas fotos de seus filhos, até que entra uma dela beijando o marido, num Réveillon. Entrego-lhe o celular, ela o pega de volta, sem pressa. E por que teria pressa? Não há amor nem mágoa entre nós.

“O amor acaba”, disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que nos encontramos a cada ano ou dois. Marcamos um almoço num dia de semana. Falamos do passado, mas não muito. Falamos do presente, mas não muito. Há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento dessa impossibilidade.

Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua amizade. Reconstroem o pátio da escola, o Centro Acadêmico, o prédio em que moraram –e o adentram. Em três chopes, refez-se o antigo elo. Para os ex-amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de móveis e objetos valiosos, porém trancado. Nesses almoços, estamos sempre no corredor, olhando para a porta fechada. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar. Como disse um grego que viveu e amou há 2.500 anos: não somos mais aquelas pessoas nem é mais o mesmo aquele rio.

Uma vez vi um filme, não me lembro qual, em que um sujeito declarava: “Se duas pessoas que um dia se amaram não puderem ser amigas, então o mundo é um lugar muito triste”. O mundo é um lugar triste, mas não porque ex-amantes não podem ser amigos: sim porque o passado não pode ser recuperado. Eis a verdade banal que descobrimos, frustrados, ao fim de cada encontro: toda memória é um luto pelo que vamos deixando para trás.

“Café?”. “Não, obrigada, preciso voltar pro trabalho”. “É, eu também tô meio com pressa”. Rachamos a conta, nos beijamos nas bochechas, damos um abracinho demorado e chocho, com a ternura triste dos amores findos e seguimos cada um para o seu lado.

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A foto é de Michael O’Neal.

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