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#galeriadonttouch: Adelaide Ivánova

por   /  07/12/2015  /  17:00

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Quais são as fotos preferidas dos fotógrafos? Adelaide Ivánova responde para a #galeriadonttouch!

Adelaide Ivánova é uma escritora, poeta, jornalista e fotógrafa brasileira, nascida no Recife, Pernambuco, em 1982. Lançou os livros “autotomy (…)” (São Paulo: Pingado-Prés, 2014), “Polaróides” (Recife: Cesárea, 2014) e em fevereiro lança “O bom animal” (Lisboa: Douda Correria, no prelo). Tem trabalhos fotográficos publicados por diversas revistas internacionais, como i-D (UK), Colors (Itália), The Huffington Post (EUA), Der Greif (Alemanha), Vogue Brasil e Vogue RG (Brasil), Ojo de Pez (Espanha) e Vision (China), entre outras. Faz parte das coleções do DKW Museum (Alemanha) e do Museu de Belas Artes da Bretanha (França). Vive e trabalha entre Colônia e Berlim, na Alemanha.

Escolher uma foto de um/a autor/a, dentre todas as suas outras, esvazia a própria foto de sentido. Por outro lado, pensar que uma foto só funciona no contexto de uma série também reduz o que essa foto pode comunicar. Que dilema. Fiquei nessa encruzilhada entre escolher fotos preferidas e escolher fotos de projetos que marcaram minha formação fotográfica (e, com o perdão da pieguice, minha formação humana), mas elas tinham que “sobreviver” sozinhas e isso não é fácil. Então fiquei com a segunda opção, por não me sentir confortável com a primeira. Essa lista não é a pequena lista dos melhores trabalhos do mundo, é apenas um lembrete dos trabalhos mais importantes na minha formação. Claro, todo recorte traz também limitações e aponta exatamente para as falhas de quem fez a seleção. E a minha falha nesse caso é: ela é composta quase que exclusivamente de mulheres norte-americanas brancas – e exclui artistas que mais tarde se tornaram referências fundamentais para mim, como Thabiso Segkala (África do Sul, 1981-2014), Rena Effendi (Azerbaijão, 1977), Zanele Muholi (África do Sul, 1972), Ute Mahler (Alemanha, 1949), Barbara Wagner (Brasil, 1980), Roger Ballen (EUA/África do Sul, 1950) e Inge Morath (Áustria, 1923).

Pra começar, com a foto acima:

Alessandra Sanguinetti (EUA, 1968). Alessandra me devolveu o prazer de fazer fotos bonitas. Não dá pra fazer isso sempre, com todo tema, mas às vezes é importante poder ser leve. Os temas dela não são sempre conflituosos, mas nem por isso pouco complexos. E ela usa lindamente o formato 6×6. Essa foto é da série “The adventures of Guille and Belinda”.

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Chauncey Hare (EUA, 1934), do livro “Protest photographs”. O livro já começa com o seguinte aviso, em letras garrafais: “DEDICADO PARA TODOS OS TRABALHADORES – Essas fotografias foram feitas por Chauncey Hare para protestar e alertar contra a crescente dominação da classe trabalhadora, por parte das multinacionais e seus donos e administradores, membros da elite”. Outro exemplo de projeto fotográfico que contém alto nível de engajamento pessoal. Por conta do contato com os fotografados, Chauncey acabou abandonando a fotografia (antes, tinha abandonado um cargo de alto engenheiro na indústria automobilística para virar fotógrafo), doou todo seu acervo para a Universidade da Califórnia para se dedicar à militância e virar terapeuta de trabalhadores. O que eu mais gosto dessa foto é o teor Diane-Arbus dela, de mostrar algo spooky dentro da normalidade, algo que você não sabe exatamente porque, mas incomoda.

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Cindy Sherman (EUA, 1954). O que me atrai no trabalho de Cindy é a coerência e exatidão da pesquisa dela, ao longo de todos esses anos, em relação à representação do feminino; por isso escolhi essa foto, que é da série Untitled Film Stills.

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Gerda Taro (Alemanha, 1910-1937). Fotógrafa de guerra que morreu durante a Guerra Civil Espanhola, aos 26 anos. Ela tinha um nível de engajamento pessoal com a luta anti-fascista que ia além do seu trabalho de fotógrafa. O Partido Comunista francês bancou seu funeral, com grandes honrarias. Eu gosto da elegância e da ousadia dela, de encenar fotografias num contexto super conservador, que é o da fotografia documental e de guerra. Só tenho uma coisa a dizer: que foto!

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Mimi Chakarova (Bulgária, não sei quando ela nasceu, arrisco anos 70) – “The price of sex” é uma documentação sobre tráfico de mulheres na Moldávia. O que me marcou e ainda me comove, toda vez que re-olho essa série, é a profundidade e empatia com a qual Mimi abordou o tema – quase como militância (o projeto virou depois um documentário), sem perder de vista nem as pessoas que ela entrevistou/fotografou, nem a si própria enquanto autora. Eu gosto particularmente de que todas as fotos são tortas, desfocadas, mal enquadradas , granuladas, escuras ou super expostas – tudo “errado”, tudo que meus professores de fotografia teriam um treco ao ver. Mas é um trabalho e uma história que você não esquece nunca mais. Escolhi a foto mais “errada” de todas.

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Nan Goldin (EUA, 1953). “The ballad of sexual dependency” fez 40 anos esse ano e continua fresco, imbatível, insuperável. Se sexo não for política, e não for suficiente para uma pesquisa da vida inteira, eu já não sei mais de nada. Ninguém fez isso nem foi tão fundo como Nan Goldin, e é uma perda de tempo tentar fazer projetos sobre o assunto da mesma maneira como ela fez. Escolhi essa foto, que é a capa do livro homônimo, porque sim.

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Robert Mapplethorpe (EUA, 1946-1989). Outro artista importante pela exatidão da sua pesquisa em relação à gênero, representação de gênero e sexualidade. Esse é um dos seus auto-retratos.

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#galeriadonttouch: Toni Pires

por   /  02/12/2015  /  9:00

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Quais são as fotos preferidas dos fotógrafos? Toni Pires responde para a #galeriadonttouch!

Toni é fotojornalista e atuou nos principais veículos no Brasil. Foi editor de fotografia na Folha de S.Paulo e atualmente vive em Beijing fotografando para o Los Angeles Times e desenvolvendo projeto autoral no interior da China. Ele diz:

As fotografias que mais gosto embaralharam minha mente. Vem e vão e as troco no pensamento de acordo com o meu café da manhã. O humor e o desejo fazem as memórias revirarem e o gostar se transformar. E, assim, me inspiro em fotógrafos que despertam em mim uma onda de emoções, são invasores de minh’alma, os vejo como olhos mágicos que explodem em luz, transgressão e forma. Aqui, transito com nomes da história e jovens profissionais que me fazem acreditar que existem pessoas especiais, capazes de captar o mais íntimo dos sentimentos… Neste caleidoscópio de oito olhares me entrego ao infinito sonhar de imagens.

Sobre a foto que abre o post: Chien-Chi Chang um taiwanês que faz parte do quadro dos mestres da Magnum Photos e retrata entre outras partes do mundo, a Ásia, com um olhar despido de clichês e atrevido para os padrões da região.

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Minha inspiração maior, Dan Weiner, um fotojornalista americano que soube retratar pessoas, lugares e situações com elegante parcimônia e maestria.

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Elena Sariñena, a espanhola de delicadeza máxima para retratar o universo feminino com elegância e sensualidade, sem escorregar em clichês.

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Jacksparrow Apinchai foi o responsável por me levar aos campos de arroz do sudeste Chinês, depois que vi seu trabalho sobre as terraças de arroz na Ásia.

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Como minha escola é o fotojornalismo, James Nachtwey me perturba a mente com seus personagens e suas histórias.

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A alemã Eva Creel me encanta com seu olhar submerso nas águas e me inspira sempre que a água aparece em minhas retinas.

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Na era do selfie, ninguém menos que a fotógrafa disfarçada de babá, Vivian Dorothy Maier, me inspira e se apresenta como a mais crítica no momento “auto-selfie narciso” que vivemos.

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O clássico e metódico construtor de imagens, Christian Coigny, me ensina sempre que o domínio da técnica é fundamental, mesmo que seja para desconstrui-la.

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O que fazer quando uma ideia dá errado – ou chega ao fim

por   /  01/12/2015  /  18:05

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Vocês viram o especial de conteúdo que fizemos recentemente na Contente? Como matar um projeto.

Falar do que deu errado é um assunto que rende tanto que começamos a entrevistar algumas pessoas que admiramos para criarmos a versão YouTube do especial. O primeiro convidado é o Facundo Guerra, empresário argentino radicado no Brasil. Com seu trabalho, ele muda a rotina de São Paulo, seja com seu recente Mirante 9 de Julho, seja com o Cine Joia. Na trajetória de sucesso, ele não esconde os momentos em que tudo deu errado. Vejam abaixo.

E leiam! > www.comomatarumprojeto.com.br

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