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IMS Paulista, uma nova paixão para São Paulo

por   /  14/09/2017  /  11:11

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São Paulo ganhará no próximo dia 20/09 o Instituto Moreira Salles da avenida Paulista. Depois de 4 anos de obras e de expectativa, a cidade recebe um presente – e o público, um lugar maravilhoso para apreciar fotografia, arte, música, cinema. Ontem, na apresentação para a imprensa, fizemos uma visita guiada pelo prédio e suas exposições. E posso dizer sem dúvida: nasce um novo hit na cidade. Um daqueles lugares que vão ficar apinhados de gente, ainda mais com a Paulista aberta aos domingos.

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O IMS Paulista começa com cinco exposições, além da célebre videoinstalação “The Clock”, de Christian Marclay, que recebeu o Leão de Ouro na Bienal de Veneza, em 2011, tem 24 horas de duração e conta com milhares de cenas de TV e cinema que fazem referência ao horário do dia.

“Você sempre tem uma tensão em relação ao tempo. Quando você vai ao cinema, relaxa e sabe que vai sentar e ficar ali por duas horas. Aqui não. Você está sempre pensando no tempo de alguma maneira. O que cria essas pequenas narrativas que são sempre interrompidas é o som”, diz Heloísa Espada, coordenadora de artes visuais e curadora dessa exposição.

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O IMS exibe pela primeira vez no Brasil “Os americanos”, de Robert Frank, um dos ícones da fotografia. A série faz parte do repertório de quem ama fotografia, e ver ao vivo as 83 imagens que compõem o livro é um deslumbre. Entre 1955 e 1957, Frank percorreu os Estados Unidos para fazer retratos de todo tipo de gente. Fez mais de 28 mil fotos, que são um verdadeiro retrato da América profunda.

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Com auxílio do célebre fotógrafo Walker Evans, a viagem também rendeu um livro, que ganha versão brasileira publicada pelo IMS, em parceria com a editora alemã Steidl, celebrada por seu acervo de fotografia. “Pra mim é um verdadeiro curto circuito temporal. Me sinto devolvido para os anos 1950 nos Estados Unidos e, no momento seguinte, me sinto devolvido para esse presente tão conturbado, misturado, confuso que é agora dos Estados Unidos, mas também é do Brasil – e dessa própria avenida”, diz Samuel Titan Jr., um dos curadores da exposição.

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A mostra conta também com fotos inéditas que Frank fez em Manaus. Ele estava em uma viagem pelo Peru, que também originou um livro, e deu um pulo no Brasil. “A relação que ele estabelece com Brasil naquele momento. E também em 1956, que inclui fotos do Pierre Verger”, diz Sérgio Burgi, coordenador de fotografia e curador da exposição.

A mostra conta ainda com uma série de fotos de 24 livros de Frank impressas em formato banner, tomando a parede. Frames de filmes, várias edições do livro célebre e de mais outros. O IMS também vai exibir uma retrospectiva da filmografia de Frank, com 25 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens. É emocionante ver as imagens de Frank ao vivo. Elas viraram referência de fotografia de rua, em que a técnica importa menos do que a expressão de quem é retratado, o momento que diz tanto ao ser congelado.

Brasil

“Corpo a corpo” mostra sete trabalhos desenvolvidos por artistas e coletivos brasileiros em parceria com Thyago Nogueira, coordenador de fotografia contemporânea do IMS e editor da revista Zum. Os artistas foram convidados a pensar como as imagens podem nos ajudar a enxergar os conflitos sociais que emergiram no Brasil nos últimos anos. “O mote da exposição é o uso do corpo como um elemento de representação social e atuação política – seja pela presença física e simbólica nos espaços públicos, seja como o veículo condutor da câmera, seja como lugar de expressão da individualidade, que aproxima e separa os indivíduos”, diz o IMS.

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Pra mim os destaques são os trabalhos de Bárbara Wagner. Em “À procura do quinto elemento”, ela retrata os candidatos de um concurso de MCs de uma famosa produtora de funk de São Paulo. São 52 fotografias e um vídeo que nos fazem pensar na música como passaporte para uma vida radicalmente da que eles têm.

Em “Terremoto Santo”, ela e o parceiro Benajmin de Burca fazem uma espécie de musical sobre cortadores de cana da zona da mata de Pernambuco que sonham em gravar um videoclipe gospel. É sensacional!

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“Eu, mestiço”, de Jonathas de Andrade, parte de uma pesquisa dos anos 1950 da Unesco em que fotografias de pessoas com diferentes tons de pele eram usadas como base de um questionário sobre quem parecia mais bonito, rico ou inteligente. O artista fez uma série de retratos com gente de diferentes partes do país para pensar sobre a relação que estabelecemos com a imagem.

A mostra conta ainda com trabalhos do coletivo Mídia Ninja, que exibe transmissões feitas entre 2013 e 2017 de vários protestos no país; “A máscara, o gesto, o papel”, de Sofia Borges, que mistura bocas e gestos de políticos do Congresso Nacianal; “Postais para Charles Lynch”, do coletivo Garapa, que surgiu a partir de notícias sobre linchamentos no Brasil e pesquisa de vídeos no Youtube sobre o tema.

Biblioteca

Pra completar, o IMS Paulista conta, ainda, com uma biblioteca maravilhosa dedicada à fotografia. Começa com 6.000 títulos, deve dobrar de capacidade em breve e tem espaço para 30 mil. Além de aquisições e doações, o acervo conta com coleções especiais de nomes como Stefania Bril, uma das primeiras críticas de fotografia do Brasil, Thomaz Farkas Iatã Cannabrava, Paulo Leite. Gerhard Steidl doou um conjunto completo de livros produzidos por sua prestigiada editora.

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O IMS conta ainda com ateliês e laboratório para cursos, workshops e oficinas, cinema, livraria e o restaurante Balaio, do chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó. O prédio de 7 andares fica entre as ruas Consolação e Bela Cintra. Sua obra custou R$ 150 milhões. O IMS foi fundado em 1992 pelo banqueiro Walther Moreira Salles. É uma entidade civil sem fins lucrativos, vive de um fundo e não se vale de incentivos fiscais e patrocínio.

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IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424

De terça a domingo, das 10h às 20h. Às quintas, até 22h

Entrada gratuita

ims.com.br

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