Favoritos

Hoje eu não sou força nem resistência

por   /  29/10/2018  /  13:13

c

Hoje eu não sou força nem resistência. Sou dor, tristeza e incredulidade. Amanhã também, talvez. Quando tragédias acontecem a gente precisa de tempo. E eu acho que a gente fica tão agoniado que esquece disso. De repente recebemos as mesmas mensagens e imagens e textões nos inúmeros grupos de Whatsapp dos quais participamos. Vemos o Instagram e o Facebook inundados de análises e mais imagens de “vamos lá, precisamos resistir”.

Quero ter espaço para sentir raiva também. De quem anulou voto ou se absteve em um momento tão crítico para a nossa democracia. De grande parte da imprensa que tratou o presidente eleito como folclórico por tanto tempo, quando deveria ter denunciado suas aberrações – e que ontem, ao transmitir uma oração em rede nacional, esqueceu de dizer que não é normal um cena dessa em um Estado laico.

Sinto raiva porque essa eleição foi conduzida com desinformação e mentira em grandes proporções. Com a tecnologia sendo usada para o mal. Que desespero que dá.

Hoje não tenho forças. Nem quero ter. Depois de um baque a gente precisa pensar, sentir, chorar, buscar no cotidiano algum refúgio, entender o turbilhão dentro da gente. E parece que a internet não nos deixa ficar em posição fetal lamentando que tempos sombrios vem por aí.

Sinto medo, tô destruída. E tá tudo bem também. Acho que a gente precisa abrir espaço para múltiplas subjetividades, para formas plurais de encarar as coisas.

Sei, também, que essa dor passa. E que juntos a gente vai inventar maneiras de viver nesses novos tempos. Mas só se a a gente deixar tudo assentar. Com o tempo. Bom dia.

A foto é da @floravnegri.

“A primeira vitória do opressor é roubar sua alegria”

por   /  17/10/2018  /  13:13

View this post on Instagram

Perdi a vontade de postar aqui. Até que ontem li nos stories da @luzamanda a seguinte frase: “A primeira vitória do opressor é roubar sua alegria”. Nada poderia me traduzir tão bem. Há algumas semanas tá difícil continuar existindo. É um baque atrás do outro, tudo parece ruir. E eu sei que tenho que resistir, que temos que resistir. Mas o que a gente faz quando se sente exausta, triste, sem energia para converter votos e bradar em todos os lugares o que é óbvio: que qualquer projeto democrático é melhor do que aqueles que querem “acabar com tudo que tá aí”? Admiro quem tá na linha de frente e mando meu abraço pra quem não tá conseguindo. Volto a escrever aqui pra lembrar que a nossa resistência vai muito além do 28 de outubro. Que a gente encontre, então, maneiras de se fortalecer, hoje e todos os dias.

A post shared by Don’t Touch My Moleskine (@donttouchmymoleskine) on