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“Factfulness”, de Hans Rosling

por   /  30/06/2020  /  9:00

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Atenção, é possível curar seu vício em notícias! Aprenda 10 passos para fazer isso e resgate seu tempo – e de quebra sua sanidade também! Poderia continuar esse texto assim, pra fisgar você pela urgência, rs, mas será que tudo é tão urgente assim? Venho compartilhar uma leitura que me fez um bem enorme: “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” (@editorarecord), de Hans Rosling, com Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund.
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O livro parte da ideia de que nossa visão de mundo está sistematicamente equivocada. A gente acha que o mundo nunca esteve tão horrível, quando na verdade nunca estivemos tão bem (sei que é difícil ler isso agora, mas ele mostra como evoluímos em praticamente todos os indicativos). Ele fala de 10 instintos que distorcem nossa perspectiva, como o de separação, que divide o mundo entre “nós” e eles”, e o de generalização, que faz com que “nós” pensemos que todos “eles” são iguais (exemplo: falar de “problemas da África”).
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Uma visão baseada em fatos traz mais conforto e menos estresse e desesperança. Ao contrário da visão de mundo dramática, que é negativa e aterrorizante. “Quando você ouve sobre algo terrível, acalme-se fazendo esta pergunta: se tivesse acontecido uma melhora igualmente grande, eu teria ouvido algo a respeito? (…) Tenha em mente que as mudanças positivas podem ser mais comuns, mas elas não chegam até você. Você precisa descobri-las. (E, se você olhar as estatísticas, elas estão em toda parte.) Esse lembrete lhe dará a proteção básica que permitirá a você, e a seus filhos, continuar assistindo ao noticiário sem serem arrastados diariamente para a distopia”, escreve.
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E termina falando pra atualizarmos constantemente visão e conhecimento e estarmos dispostos a mudar de opinião a partir de novos fatos. Adorei o livro, contribuiu pro meu detox. Continuo me informando (buscando mais contexto), mas deixei de achar que preciso saber de tudo o tempo todo agora.
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#bibliotecadonttouch #ainternetqueagentequer

As morning pages de Julia Cameron

por   /  17/06/2020  /  9:00

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A convite do projeto @voa__voa, falei sobre a mágica das morning pages, exercício proposto pela Julia Cameron no livro “O caminho do artista”. Segue um trechinho:
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Sempre achei que a escrita é um grande mergulho que a gente faz pra dentro, antes de compartilhar e buscar conexão a partir do que escrevemos. Recomendo as páginas matinais pra quem chega pra conversar e diz que tá duvidando de si, que não se acha suficiente, que quer dividir suas ideias e projetos e ainda não tem coragem. Ao escolher escrever, até quando você não tem o que dizer, você descobre uma força. Ah, e um spoiler: até quando você acha que não tem o que dizer, só escreva. Como diz a autora, geralmente algo acontece depois de uma página e meia.
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Vai lá ouvir inteiro o áudio que gravei pra esse projeto lindo da @abreusabrina e da @laradias sobre criatividade? Quem aí também faz parte de clube de seguidoras das páginas matinais? 🙋🏻‍♀️
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#escrevescreve #bibliotecadonttouch #ocaminhodoartista #juliacameron

“A mulher de pés descalços”, de Scholastique Mukasonga

por   /  03/06/2020  /  9:00

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Scholastique Mukasonga perdeu 37 pessoas da família no genocídio em Ruanda, em 1994. É desse lugar devastador que ela parte para escrever “A mulher de pés descalços” (@editoranosbr), um dos livros de sua trilogia do genocídio. Logo nas primeiras páginas a gente sente a porrada que a leitura provoca: “Mãezinha, eu não estava lá para cobrir o seu corpo, e tenho apenas palavras – palavras de uma língua que você não entendia – para realizar aquilo que você me pediu. E eu estou sozinha com minhas pobres palavras e com minhas frases, na página do caderno, tecendo e retecendo a mortalha do seu corpo ausente.”
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A autora escreve sobre fome, violência, estupro, guerra, colonização (“Os brancos pretendiam saber melhor do que nós quem éramos e de onde vínhamos.”), deslocamento. Ao mesmo tempo vai fazendo poesia, lembrando de sua própria história, do pãozinho que a transportava para outros mundos, de sua mãe, Stefania, que vivia inventando esconderijos para as filhas escaparem, enquanto cultivava a terra, preparava comida e ainda atuava como uma espécie de guardiã da cultura do povo tutsi, arranjando até casamentos. É para Stefania que a autora escreve, para os tantos outros que perderam a vida de forma tão brutal (estima-se que entre 800 mil e 1 milhão de pessoas foram mortas em Ruanda). Scholastique escreve pra proteger a memória, porque quando a gente esquece mata a vítima pela segunda vez, como disse em uma entrevista. Forte demais, tô pronta pra ler os outros dois.
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P.S.: Foi ótimo complementar a leitura com uma incursão no @clubetraca, semana passada. Obrigada pelo contexto e pelas trocas, @clarissag e toda turma!
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#bibliotecadonttouch