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Como você organiza seus livros?

por   /  25/07/2020  /  9:00

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Organizo meus livros por gênero e por ordem alfabética, tudo bem minucioso. Sempre sei onde está cada um, exceto aqueles que de repente somem. Olhei hoje pra estante e vi um monte de capa em diferentes tons de amarelo. Quis fazer uma foto deles juntos. Tentei colocá-los bem organizadinhos, como na segunda imagem, mas preferi a bagunça da primeira. E você? Como organiza seus livros? Amo ver as estantes alheias 😍 Ah, e hoje é dia do escritor, um viva pra essas mentes brilhantes que nos presenteiam com tantas histórias!

#bibliotecadonttouch

Você já fez algo 191 vezes?

por   /  23/07/2020  /  9:00

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191 vezes. Cento e noventa e uma vezes. Cento-e-noventa-e-uma-vezes. Você já fez alguma coisa 191 vezes? Michaela Coel fez 191 versões do roteiro de “I may destroy”, série em que ela também atuou, co-dirigiu e fez a produção executiva. Esse número não sai da minha cabeça, assim como Michaela e o seriado não saem da minha cabeça. Essa é a mensagem que trago hoje: 191 vezes, galera.
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Não existe vida perfeita e sucesso de rede social, aqui a gente arranha só a casquinha. Tudo é jornada, é montanha russa, é crise, é treta, é tanta coisa, inclusive o arremate final que mostra o que dá certo. Ler essa entrevista da Michaela me deixou impressionada. Acabei lembrando também que a Beyoncé ensaiou oito meses pra uma apresentação no Coachella. Oito meses, conhecido como aproximadamente 240 dias.
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Nas velocidades em que a gente vive, a da internet e a do capitalismo, é fácil demais só ver o resultado final. Que bom que essas artistas fenomenais nos lembram que propósito, trabalho e excelência requerem muita bunda na cadeira e uma capacidade de se desapaixonar pelo que você criou, só pra criar algo ainda mais foda depois. Assistam a série (tô vendo na HBO, mas alerta de gatilho: aborda violência sexual), leiam entrevista, vejam vídeo da fala em que ela aponta os episódios de racismo que sofreu e os silenciamentos da indústria (tem também a parte em que ela recusa 1 milhão de dólares porque não abre mão de seus direitos autorais e de sua autonomia criativa).
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E bora fazer mais um combinado? Da próxima vez que a gente achar que tá demorando demais criando algo, vamos lembrar dessas mulheres? E quando a gente tiver achando que dá pra melhorar, vamos refazer até estar no ponto? Tudo leva tempo, não vamos esquecer, muito menos nos distrair com o que os outros estão fazendo (aproveito pra compartilhar a imagem da @contente.vc que combina bem com esse tópico). Bom dia!
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#escrevescreve #ainternetqueagentequer #imaydestroyyou #michaelacoel

cinema  ·  escreve escreve  ·  especial don't touch  ·  vida

“Observações sobre um planeta nervoso”, de Matt Haig

por   /  18/07/2020  /  9:00

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Um livro para mentes que quase não desligam. Em “Observações sobre um planeta nervoso” (@intrinseca), Matt Haig parte de sua experiência com depressão e crises de pânico para nos guiar por uma reflexão sobre a velocidade insana com a qual nos acostumamos a viver. O autor faz uma investigação sobre como viver num mundo louco sem enlouquecer, fala como as redes sociais são gatilhos pra nossa ansiedade, aborda como vivemos em um sistema que nos faz querer sempre mais (“Estão nos vendendo infelicidade, por que é onde o dinheiro está.”), tenta responder sobre como ter um celular e continuar funcionando como um ser humano, como trabalhar sem surtar. Ele nos convida a viver em uma escala humana e indica aquele combo que a gente conhece: dormir bem, aprender a curtir a própria companhia, não ser sugado pelas notícias, se conectar com a natureza, parar de correr: “Não seja apenas o dono do seu tempo, torne-se a prioridade dele”. Em resumo, Haig nos convida a nos olharmos com mais carinho, aceitando quem a gente é, onde estamos, a ter um olhar de mais apreciação sobre a vida. O legal é que ele faz isso a partir de um texto sucinto e cheio de boas referências. Você pode chamar de auto-ajuda (e é, só que bem escrita), eu chamo de livro que me faz tentar mudar alguma coisinha pra melhorar o dia a dia. Vontade até de ler de novo num parque, aumentando o pé direito da minha perspectiva.
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#bibliotecadonttouch #ainternetqueagentequer #matthaig

Saudade das pernas

por   /  12/07/2020  /  9:00

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Texto que escrevi a convite do Entretempos, blog da @cassianadh na @folhadespaulo, sobre artes visuais diluídas em diferentes suportes. Aqui o texto inteiro: https://entretempos.blogfolha.uol.com.br/2020/07/05/saudade-das-pernas-ensaio-palavra-imagem-com-daniela-arrais/

Gostei tanto desse convite: ela me pediu pra escolher algumas imagens e escrever a partir delas. Algumas fotos têm me chamado muito a atenção. São imagens de um mundo vivendo a pandemia e ainda assim querendo criar espaços para o encontro. Parece que hoje foi um dia de muita saudade.
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#escrevescreve #diáriodaquarentena

Carlos Álvarez/Getty Images

Carlos Álvarez/Getty Images

Viver uma pandemia não estava nos meus planos. Me falta repertório emocional para passar por um momento histórico. Até gostava de ver filme e série e de ler sobre futuros distópicos meio catastróficos, meio inevitáveis, mas ainda assim, distantes. No futuro, afinal. Agora, enquanto um vírus se espalha quase sem controle e ainda podemos ser atingidos por nuvens de gafanhotos e tempestade de areia do deserto, queria escapar para o futuro-futuro-onde-sim-vai-ficar-tudo-bem-tomara. Ou então voltar para o passado, quando podia encontrar quem quisesse no momento que estivesse a fim. Saudade das pernas de vocês, como disse um amigo querido.

Porque na vida vivida pelas telas, alternando entre celular e computador, terminando o dia de frente para TV, vemos pedaços da gente. Estamos em uma observação constante sobre nós mesmos refletidos em lives, Zooms, videoconferências. Ainda bem que vivemos a pandemia em um momento que a internet dá conta de reproduzir múltiplos espaços da nossa vida, claro. Dá pra trabalhar, estudar, fazer doação, encontrar os amigos e a família, buscar entretenimento e informação (essa última, quanto mais moderação, melhor para sua saúde mental). É por ela que tentamos suprir a falta do outro com uma checagem emocional constante – agora a interlocução conta com minutos iniciais para conferir se tá dando pra atravessar o dia.

Kathy Willens/AP

Kathy Willens/AP

Ainda assim, que saudade de abraçar.

De ver, encostar, ocupar o mesmo espaço, ficar na rua, dançar, passear pela cidade, ir de uma exposição a um restaurante, emendar com a sobremesa, migrar para o quintal dos amigos, apertar as crianças que estamos deixando de ver na idade que elas têm agora – e me parte o coração não poder pegar no colo meu sobrinho de cinco meses ou brincar com um menino de três anos enquanto ele se diverte com um cachorro que é seu amigo também. Tem dias que sinto falta até da conversa de elevador, quando a gente conseguia falar sobre o tempo, e não sobre a pandemia vivida no pandemônio que se tornou o Brasil em 2020.

Noam Galai/Getty

Noam Galai/Getty

É aos sábados que essa saudade se intensifica. Quando a gente fazia tudo isso prolongando o dia para ficar junto, cada hora chegando mais um amigo, naquela aglomeração de afeto que era capaz de nos dar mais energia de vida. Conversando sobre todos diversos assuntos, lembrando do Carnaval que acabou de acontecer, dos planos, das viagens, reforçando nosso entendimento de que a gente vive bem quando vive junto. Ouvindo música, escutando o outro de corpo inteiro, experimentando até ficar em silêncio também. A conversa pela tela é focada, não deixa espaço para a pausa. E tantas vezes é no silêncio compartilhado que acontece uma conexão mais profunda.

Oli Scarff/AFP via Getty Images

Oli Scarff/AFP via Getty Images

Depois de 100 dias, começamos a experimentar a “fadiga da quarentena”. Nosso corpo faz um esforço para nos adaptar a situações como a que estamos vivendo. Quando precisamos fazer isso por muito tempo, esse mecanismo entra em falência. Começam as rusgas individuais por questões que são estruturais. O problema não é que sua amiga foi ao shopping quando considerou aquilo uma necessidade, e sim que vivemos um desgoverno, uma pandemia sem ministro da saúde, sem orientação – e sem subsídios para que ficar em casa deixe de ser uma questão de privilégio e se torne uma de saúde, de direito. Em vez de cobrarmos de quem têm poder, ficamos chateados com quem fura a quarentena.

Cecilia Fabiano/AP

Cecilia Fabiano/AP

A certa altura talvez muitos de nós vamos furar a quarentena, imagino. Porque a gente tem necessidade de afeto, de abraço, de toque, de ficar junto. E, sem previsão de quanto tempo vai durar a pandemia, vamos precisar desenhar alternativas para ver o outro com segurança, respeitando protocolos. Uma amiga me ajudou a levar o pensamento para um lugar menos rígido, falando de necessidade versus risco. “Comprar comida num supermercado é alto risco, mas grande necessidade, por isso vamos. No começo da pandemia a gente colocou os encontros como baixa necessidade. Três meses depois virou alta necessidade…”

Talvez a gente precise se envolver em plástico, como na cena abaixo, em um lar de idosos em Gravataí, no Rio Grande do Sul, que montou uma cortina plástica com espaços para abraços, para que eles pudessem entrar em contato com suas famílias. Ao olhar a imagem, primeiro senti angústia e quase um desespero. Para logo depois pensar que essa gambiarra pode se tornar possibilidade também. Se é disso que vamos precisar para viver momentaneamente o presente com um pouco mais de afeto, me vem à cabeça uma figurinha de Whatsapp: já tô com roupa de ir. Porque não vejo a hora da gente se encontrar de novo – e mais uma vez.

Nelson Almeida/AFP

Nelson Almeida/AFP

“Falso espelho”, de Jia Tolentino

por   /  07/07/2020  /  9:00

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A internet maximiza nosso senso de oposição, nos faz supervalorizar nossas opiniões, degrada nossa noção de solidariedade, distorce nosso senso de identidade e destrói nossa noção de escala. Quem escreve esse vrá é Jia Tolentino em “Falso espelho” (@todavialivros), série de 9 ensaios sobre cultura contemporânea, alinhavando como a internet, que nos prometia tanta conexão, também é capaz de provocar alienação. Refletir sobre isso é pensar na #ainternetqueagentequer, como falamos na @contente.vc.
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“A loucura cotidiana perpetuada pela internet é a loucura dessa arquitetura que instala a identidade pessoal no centro do universo. É como se estivéssemos em um posto de observação olhando para o mundo inteiro com um binóculo que faz tudo se parecer com nosso próprio reflexo. Por meio das redes sociais, muitas pessoas passaram a ver qualquer nova informação como uma espécie de comentário sobre quem elas são”, escreve a autora.
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O livro também trata de temas como religião, drogas, heroínas da literatura, indústria da beleza, que agora conseguiu transformar o mito da beleza no mito de estilo de vida, em que a mulher usa a tecnologia disponível e gasta dinheiro para se tornar sua versão idealizada, entendendo isso como algo natural e até feminista. Aborda, ainda, o fenômeno girlboss, de mulheres empreendedoras, mostrando como um de seus maiores expoentes era só discurso – outra armadilha da internet. Entre o ser e o fazer, muito tempo é gasto com o mostrar, que pode ser muita performance, né?
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Jia é uma canadense descendente de filipinos que entrou na internet pela primeira vez aos 10 anos. Escreve para publicações como a New Yorker, sendo apontada como voz proeminente de sua geração. Sabe essa série de desconfortos que a gente sente ao viver no mundo em 2020? Ela nos ajuda a navegar por eles, explicando muito do que a gente pensa/sente, em um texto afiado e cheio de referências. Baita leitura!
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#bibliotecadonttouch #falsoespelho #jiatolentino