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A fotografia de sonhar acordado de Tuane Eggers

por   /  19/10/2017  /  10:00

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Tuane Eggers cria imagens que parecem saídas de um sonho. Paisagens idílicas e corroídas pelo filme analógico se misturam aos amores e amigos em meio à natureza que ela tanto adora. O encontro dá tão certo que a gente é transportado para um tempo de beleza e contemplação.

Lembro dela da época do Flickr, muitos anos atrás. Existia toda uma estética Flickr, quem lembra? Lembro também que ela foi parar no filme “Os famosos e os duendes da morte”, de Esmir Filho. Mais recentemente, suas fotografias fizeram parte de “O filme da minha vida”, de Selton Mello.

Entre suas inspirações, estão as fotógrafas Aela Labbe, Polina Washington e Rinko Kawauch.

Nesta breve entrevista, ela fala sobre o que a motiva a criar imagens que falam tanto de impermanência. Espero que vocês gostem! #galeriadonttouch

Mais em: @tuane.eggers + cargocollective.com/tuaneeggers

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Meu nome é Tuane Eggers e sou natural de Lajeado, uma pequena cidade do interior do sul do Brasil, mas atualmente vivo em Porto Alegre. Acho que sou fotógrafa, mas também acho um tanto difícil de me definir assim em algumas poucas palavras…

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O que me encanta na fotografia é esse paradoxo entre o espaço e o tempo – enquanto ela congela o espaço, o tempo continua pulsando dentro de uma imagem infinita. Também gosto de pensar nessa capacidade que a fotografia possui de registrar algo que realmente aconteceu ou existiu no mundo, mas também de criar um mundo à parte, um mundo inventado a partir do real. É como se minhas imagens fossem um recorte de um espaço em que eu gostaria de viver para sempre, e acho que elas permitem que outras pessoas habitem esse espaço no momento em que são olhadas – e então, talvez, o tempo continue pulsando infinito dentro desse olhar.

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Nossa, muito difícil escolher apenas três [fotos mais fortes que já fez], mas vou falar dessas porque elas marcam, simbolicamente, a força de alguns momentos da minha vida. A primeira [que abre o post] é “Um amor que brota”, de 2015: um retrato do meu ex-namorado Antônio, pessoa tão importante na minha vida, que me ensinou tanto e estimulou tantas coisas bonitas na minha vida e no meu ser, incluindo o meu encantamento pela fotografia analógica. Além disso, essa foto também traz outro assunto que me encanta muito e está bastante presente no meu trabalho: os fungos, principalmente em forma de cogumelos, com a sua capacidade tão importante de decompor.

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A segunda [segunda foto do post] é “Estrada para a imensidão”, de 2014: além de ter sido feita em uma ocasião linda de uma viagem com amigos, ela ganhou um significado especial pra mim neste ano, pois está presente em “O Filme da Minha Vida”, dirigido pelo querido Selton Mello, e foi uma emoção enorme ver ela gigante na tela de cinema durante o filme.

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A terceira [foto do post] é “Dos imensos dias em que fomos tão grandiosamente pequenos”, de 2017: feita durante uma viagem que fiz com meus amigos em que fomos de carro desde o sul do Brasil até o Peru. Nessa viagem, tivemos uma experiência muito forte de dar a volta em uma montanha, durante quatro dias de caminhada, entre os 4 mil e 5,2 mil metros de altitude. Ela também marca uma fase importante de mudanças na minha vida.

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Acho que espero [com as fotos] reencontros com outros olhares sensíveis. Que elas possam despertar uma vontade de viver. Espero que meu fascínio pela natureza, pela vida e pela potência dos encontros reverbere em outros corpos. Por isso, a cada vez que recebo uma mensagem de alguém que se sentiu tocado pelas minhas fotografias, me sinto preenchida.

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