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“A mulher de pés descalços”, de Scholastique Mukasonga

por   /  03/06/2020  /  9:00

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Scholastique Mukasonga perdeu 37 pessoas da família no genocídio em Ruanda, em 1994. É desse lugar devastador que ela parte para escrever “A mulher de pés descalços” (@editoranosbr), um dos livros de sua trilogia do genocídio. Logo nas primeiras páginas a gente sente a porrada que a leitura provoca: “Mãezinha, eu não estava lá para cobrir o seu corpo, e tenho apenas palavras – palavras de uma língua que você não entendia – para realizar aquilo que você me pediu. E eu estou sozinha com minhas pobres palavras e com minhas frases, na página do caderno, tecendo e retecendo a mortalha do seu corpo ausente.”
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A autora escreve sobre fome, violência, estupro, guerra, colonização (“Os brancos pretendiam saber melhor do que nós quem éramos e de onde vínhamos.”), deslocamento. Ao mesmo tempo vai fazendo poesia, lembrando de sua própria história, do pãozinho que a transportava para outros mundos, de sua mãe, Stefania, que vivia inventando esconderijos para as filhas escaparem, enquanto cultivava a terra, preparava comida e ainda atuava como uma espécie de guardiã da cultura do povo tutsi, arranjando até casamentos. É para Stefania que a autora escreve, para os tantos outros que perderam a vida de forma tão brutal (estima-se que entre 800 mil e 1 milhão de pessoas foram mortas em Ruanda). Scholastique escreve pra proteger a memória, porque quando a gente esquece mata a vítima pela segunda vez, como disse em uma entrevista. Forte demais, tô pronta pra ler os outros dois.
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P.S.: Foi ótimo complementar a leitura com uma incursão no @clubetraca, semana passada. Obrigada pelo contexto e pelas trocas, @clarissag e toda turma!
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#bibliotecadonttouch

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