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“A vida mentirosa dos adultos”, de Elena Ferrante

por   /  04/08/2020  /  9:00

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Gosto da Elena Ferrante porque ela faz a gente não querer largar um livro até saber tudo o que acontece. Gosto porque ela não tem pudor de tratar de temas mais espinhosos, como a rivalidade feminina velada. E antes que alguém fale “que nada, estamos vivendo o feminismo, bradando sobre sororidade”, eu digo: sim, tô com vocês, somando com mulheres. Ao mesmo tempo vivemos a humanidade, e a humanidade não é só filé com fritas não, aquela delícia. Também tem treta e emoção que às vezes a gente nem se autoriza a sentir, né? Agora deixa eu contar mais. Em “A vida mentirosa dos adultos”, a autora nos apresenta a Giovanna, uma menina que está se transformando em adolescente e começa a perder a inocência de quem acha que a mãe e o pai são o centro do universo. É um romance sobre conflitos familiares, sobre os momentos da vida em que parentes deixam de se falar e vão se enredando numa mágoa que dura décadas. Ao entreouvir do pai que está ficando feia como a tia Vittoria, a protagonista resolve se aproximar dessa tia, que vive em uma parte pobre de Nápoles, na Itália, enquanto ela é filha da parte mais abastada e intelectual da cidade. A menina parte para descobrir tudo: a história da família, o que originou tamanho rompimento, ao mesmo tempo em que vai começando a descobrir a sexualidade, a querer viver na pele o que lê nos romances. Ela vai entendendo que crescer é difícil – e dói. Ouve mentiras dos adultos, começa a mentir também, pequenas mentiras pra conseguir habitar os dois mundos, enquanto se maltrata e se afasta de quem a ama, enquanto quer o que a amiga tem, não necessariamente porque a amiga tem, mas só porque ainda não sabe direito qual é seu desejo genuíno. Ferrante sendo Ferrante, sempre um bom tratado sobre a confusão que é viver. O livro saiu em uma edição especial do clube da @intrinseca, em setembro tem o lançamento geral. #bibliotecadonttouch

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