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Posts por "Dani Arrais"

A vida muda num instante

por   /  06/10/2015  /  9:09

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Ao escrever sobre a vida sem John, ela alcançou uma síntese perfeita da catástrofe humana: “A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente”. (…)

O que fazer quando você é a que resta? Se você é uma escritora, escreve. Agarra-se às palavras na tentativa de compreender o impossível, agarra-se para não afundar. Agarra-se porque é preciso enfrentar as lembranças, sempre fragmentadas, e com elas construir uma memória que faça algum sentido na paisagem devastada que agora é você. Com 1 metro e 56 centímetros e meio de altura e a silhueta de quem poderá ser levada embora na primeira brisa, Joan Didion é uma escritora feroz. Examina a si mesma sem autopiedade ou pieguice e entrega-se ao leitor com todas as suas marcas. A grandeza de seu texto está na capacidade de entrelaçar a tragédia às pequenas delicadezas do cotidiano. Como ao perceber que, por muito tempo, escrevera vendo as roupas de Quintana secar ao sol.

As lembranças espreitam Joan atrás de cada porta, dentro de cada gaveta. Ela levanta a tampa da caixa de joias forrada de cetim e encontra lá dentes de leite. Abre a porta do guarda-roupa e vê três velhas capas de chuva de John, uma jaqueta de camurça dada a Quintana pela mãe de seu primeiro namorado e um bolero de angorá, há muito comido pelas traças, que sua mãe ganhara de seu pai depois da Segunda Guerra Mundial. Ela abre caixas e acha convites para casamentos de gente que há muito se separou, cartões de agradecimento de funerais de pessoas cujo rosto esqueceu. “Em teoria, essas lembranças servem para trazer de volta o momento”, escreve. “Na prática, servem apenas para demonstrar quão inadequadamente apreciei o momento quando ele aconteceu.”

Texto A mulher que restou, de Eliane Brum, sobre a escritora Joan Didion, que perdeu o marido e a filha em um intervalo de poucos meses.

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Trilha: Música pop pós-30

por   /  11/09/2015  /  11:00

Petra Collins

Ver minha afilhada cantando um hit que não para de tocar no rádio me fez ouvir música pop com outros ouvidos. Estávamos em uma viagem juntas, a música da Ellie Goulding tocava em todo lugar, e eu ficava perguntando do que ela mais gostava. Sofri muito bullying (beijos, Luisinho!) porque não conhecia direito a Taylor Swift ou a Sia nem tinha visto todos os últimos filmes da Disney (se você considerar como últimos quaisquer que tenham sido lançados há 10 anos, ops).

Voltei pra casa e comecei a ouvir “Love me like you do” e a lembrar dela, da viagem. Ouvi o disco da Lorde, comecei a gostar muito de “400 lux”. Fui ouvir a Taylor Swift depois de me dar conta de como ela é uma artista gigante, não só pelos números de visualizações no YouTube, por exemplo, como também pelas parcerias que faz, pela banca que ela coloca com quem quer vender a música dela. Pra completar, li uma pesquisa falando que as pessoas costumam parar de ouvir música nova aos 34 e pensei: não quero, haha!

O resultado disso tudo é uma mixtape cheia de música pop que eu ando ouvindo MUITO. “High by the beach”, da Lana del Rey, já tocou 20 vezes só hoje. “Marvin Gaye”, do Charlie Puth, começa com “Let’s Marvin Gaye and get it on”, o que me faz pensar: como pode ninguém ter feito esse trocadilho antes? Tem também George Ezra, Sky Ferreira, Haim, Ariana Grande, Beyoncé, Major Lazer, Charlie Puth, The Weeknd e Rihanna.

Pra combinar, quer coisa mais adolescente do que essa foto maravilhosa da Petra Collins?

Deixem o preconceito de lado e apertem o play! 

(Obrigada, Lulu, Ari e Luisinho por me mostrarem essas coisas todas. E Lia por ter insistido na Lorde e nas Haim!)

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O amor

por   /  11/09/2015  /  9:00

Celso Sim e Arthur Nestrovski cantam “O amor”, uma música de Caetano que me comove todas as vezes. Deitado, José Miguel Wisnik observa. São muitos os dias em que eu amo São Paulo. Esse domingo de agosto no Teatro Oficina foi um deles.

Talvez quem sabe um dia por uma alameda do zoológico 
Ela também chegará, ela que também amava os animais 
Entrará sorridente assim como está na foto sobre a mesa 
Ela é tão bonita, ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão 
O século trinta vencerá o coração destroçado já 
Pelas mesquinharias 
Agora vamos alcançar 
Tudo o que não podemos amar na vida 
Com o estelar das noites inumeráveis 
Ressuscita-me ainda que mais não seja 
Porque sou poeta e ansiava o futuro 
Ressuscita-me lutando contra as misérias do cotidiano 
Ressuscita-me por isso 
Ressuscita-me quero acabar de viver o que me cabe 
Minha vida para que não mais existam amores servis 
Ressuscita-me para que ninguém mais tenha de sacrificar-se 
por uma casa, um buraco 
Ressuscita-me para que a partir de hoje 
A partir de hoje 
A família se transforme 
E o pai 
Seja pelo menos o Universo 
E a mãe 
Seja no mínimo a terra 
A terra 
A terra

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#vitrinedonttouch: Vital Lordelo

por   /  10/09/2015  /  16:00

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No #vitrinedonttouch de hoje, vamos conhecer o trabalho de Vital Lordelo, artista brasiliense que adora espalhar suas artes pela cidade que escolheu para morar, Porto Alegre.

“A inspiração está em tudo. De detalhes de um azulejo a textura da asa de pequenos insetos, conversas soltas no centro da cidade, cafeterias e uma música que tocou no rádio do táxi ou no elevador. Tudo está em tudo”, diz ele. “Meu trabalho retrata as relações como um grande catálogo sentimental. Sinto e tenho me permitido conectar e reavivar a simbologia do que pode ser o sentimento. Tenho elaborado cartazes e humanizado o concreto armado, fazendo eco nos vidros espelhados. A quem passa declaro essas representações desse presente ausente”, completa.

Mais em > www.facebook.com/pages/Vital-Lordelo + www.flickr.com/photos/dom_vital + www.instagram.com/domvital

 

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Lendo sobre fotografia

por   /  09/09/2015  /  10:00

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Desperate crossing, uma reportagem porrada do New York Times sobre o drama dos regufiados

Kodak

“This was more than just a camera,” said Mr. Sasson who was born and raised in Brooklyn. “It was a photographic system to demonstrate the idea of an all-electronic camera that didn’t use film and didn’t use paper, and no consumables at all in the capturing and display of still photographic images.” The camera and the playback system were the beginning of the digital photography era. But the digital revolution did not come easily at Kodak. “They were convinced that no one would ever want to look at their pictures on a television set.”

Em 1975, um funcionário da Kodak inventou a câmera digital. Os patrões o fizeram escondê-la

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Faço minha a frase de um fotógrafo norte-americano chamado Philip-Lorca diCorcia, que disse: “Fotografia é uma língua estrangeira que todo mundo acha que sabe falar”. Em certo nível, todo mundo é fotógrafo e, ainda assim, se você realmente acredita no potencial do meio, não há uma relação de um para um entre o que uma foto retrata e o que ela significa. Esse entendimento da diferença entre o tema de uma foto e a intenção artística por trás dela – que pode ter a ver com o tema ou não – muda um pouco as coisas. Uma foto do meu cachorro no meu celular opera em um nível diferente do que fazem fotógrafos com intenções artísticas sérias, expressando-se através da fotografia. Dito isso, vivemos um ótimo momento na fotografia, porque todos tiram fotos, e o tema está em voga. O bom é que as pessoas também andam interessadas na materialidade da imagem, em sua apresentação, em suas características físicas. Isso, a meu ver, está relacionado com a enxurrada de imagens que vem às nossas telas nos dias de hoje e que são materiais. Outra coisa que noto é um interesse dos jovens na história da fotografia, em sua espinha teórica. Tudo isso me dá uma grande esperança para o futuro, porque acredito na relevância da fotografia também como objeto estético. Faz total diferença estar diante de uma fotografia emoldurada do que só vê-la através de uma tela. Por isso, é essencial que os museus existam e as colecionem, para que as pessoas sejam transformadas por elas – ainda que isso soe ingênuo.

Entrevista com a Sarah Meister, curadora de fotografia do MoMa (Museum of Modern Art de Nova York), ao El País

Marcelo Min

Marcelo Min morreu na última quinta-feira (27/8). E eu ainda não posso afirmar que isso de fato aconteceu. Aqueles que amamos morrem devagar dentro da gente, e a qualquer momento eu sinto que ele vai chegar com aquele jeito meio tímido, com aquele sorriso inteiro bom, e dizer: “Oi, Eliane”. E depois faríamos alguma reportagem em que invariavelmente alguém o chamaria de “japonês”. E nós dois riríamos por causa dessa sina de que no Brasil todos os descendentes de orientais viram “japonês.” Min era descendente de coreanos. Mas ele morreu. E quando me pediram para escrever um texto sobre ele, minha reação imediata foi dizer: “não consigo”.  Como escrever sobre o Min quando a morte dele me rouba todas as palavras? Naquele momento, eu me sentia como uma criança que ainda não sabia onde as palavras moravam. Agora, algumas horas depois, volto a ser adulta. Sei onde as palavras moram, mas sei também algo que jamais vou superar: as palavras são faltantes, não dão conta da vida. Então, Min, me perdoa por me faltarem palavras para contar da falta que você nos faz. (…) Ailce, a mulher que acompanhamos no seu morrer, nos ensinou que pensar sobre a morte é pensar sobre a vida. E pensar sobre a vida é pensar sobre o tempo. Ailce havia adiado demais e um dia descobrira que seu tempo tinha acabado. Ensinou, a mim e a Min, que o tempo é a delicadeza inegociável. Acho que Min aprendeu esse ensinamento essencial, talvez o mais profundo, melhor do que eu, que agora me resto a lamentar todas as vezes em que adiei para o dia seguinte o encontro que me levaria até ele. Não há dia seguinte. Não há nem mesmo hoje. Há esse instante, agora, em que tecemos nosso tempo. E sobre isso não podemos negociar, não há o que vender ou comprar. O tempo nem mesmo se aluga. O tempo tem de ser nosso. Já. Tomado de quem nos tomou, para ser tecido em nossos próprios termos.

Rodopiando em Min, texto da Eliane Brum sobre o fotógrafo Marcelo Min

Nick Ut

Artless but honest pictures can still change our perceptions of the world. The self-delusion is to imagine that our own prejudices and desires play no part in their creation or their power. Wouldn’t images of young men with their heads blown off have ended the first world war sooner? Should we have seen pictures of the 116 dead children as they were pulled from the mudslide of Aberfan? Why aren’t there well-known images of the thousands of children who were charred in Dresden and Hiroshima? We pick and choose among the images that might horrify us, always believing that our intentions are good.

Can images change history?

FUTURE

Computational photography draws on all these resources and allows the visual image to create a picture of reality that is infinitely richer than a simple visual record, and with this comes the opportunity to incorporate deeper levels of knowledge. It won’t be long before photographers are making images of what they know, rather than only what they see. Mark Levoy, formerly of Stanford and now of Google puts it this way, “Except in photojournalism, there will be no such thing as a ‘straight photograph’; everything will be an amalgam, an interpretation, an enhancement or a variation – either by the photographer as auteur or by the camera itself.” (…) The twist is that new forces will be driving the process. The clue is in what already occurred with the smartphone. The revolutionary change in photography’s cultural presence wasn’t led by photographers, nor publishers or camera manufacturers but by telephone engineers, and this process will repeat as business grasps the opportunities offered by new technology to use visual imagery in extraordinary new ways, throwing us into new and wild territory. It’s happening already and we’ll see the impact again and again as new apps, products and services hit the market.

The next revolution in photography is coming

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Ed Weston, photographic pioneer of American Modernism, referred to the photograph (in 1932) as a “willful distortion of fact,” and this was long before Photoshop… and the debate as to whether photography was a mechanical reproduction of the real world or whether it was a medium for artists is as old as the technology itself. Photography has always been enmeshed with technology, but it has never been about it. The changes that Mayes is noticing are nothing new, even if they are dramatic and represent some amazing shifts in what photography can be and who can use it. Photography has also always been a very democratic medium, particularly after 1900. It’s one of the beautiful things about it. (…) Photography has always had many practical uses—none of this changes with shift from silver to silicon, or the addition of depth information, LIDAR, biometrics, geotags, and so forth, even as our tools for manipulation of images intensify. If anything it’s just another less gentle reminder that photography has always had the potential for utility, always been malleable in the hands of the photographer. Photography, in addition to all its pragmatic uses, has always been an artform of manipulating and painting with light, where artists show us something true, even if it isn’t always real.

The future of photography

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#bibliotecadonttouch por Mariano Marovatto

por   /  07/09/2015  /  11:00

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A semana na #bibliotecadonttouch vai ser do Mariano Marovatto (@marovatto)!

Cantor, compositor e escritor carioca. Entre suas produções mais recentes estão o disco “Praia” (Maravilha 8, 2013) e os livros: “As Duas” (Megamíni, 2014), “As Quatro Estações” (Cobogó, 2015) e “Casa” (7Letras, 2015). Atualiza regularmente o site www.marovatto.org

MM - Susan sontag, entrevista para a Rolling Stone

“A coisa mais terrível seria sentir que concordo com as coisas que já disse e escrevi – isso me tornaria ainda mais desconfortável, pois significaria que parei de pensar.” Susan Sontag no livro de entrevista para a Rolling Stone.

MM - Victor Heringer, Glória

“A ausência de Natália havia deixado um buraco em sua vida, que ele poderia tapar quando e como quisesse.” Victor Heringer em “Glória”

MM Ismar Tirelli Neto, Os Ilhados

“Os ilhados”, de Ismar Tirelli Neto

MM John Cage, Lecture on Nothing

“Lecture of nothing”, de John Cage

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Karaokê do Letuce

por   /  04/09/2015  /  15:00

Letícia Novaes é hipnotizante. Tem uma força, um magnetismo, uma presença e uma entrega impressionantes. Ontem, no Puxadinho da Praça, ela e o Lucas Vasconcellos fizeram um show bem intimista, voz e violão. Deu vontade de morar uns tempos no Rio, de fazer churrasco e poesia. De juntar os amigos pra cantar a vida rasgando o coração.

Não resisti e gravei umas músicas do show que virou um lindo karaokê. Raça Negra, Grupo Raça, Só Pra Contrariar, a música tema de Babalu e Raí em “Quatro por Quatro” e Paralamas do Sucesso, só maravilhas! 

Mais Letuce > www.facebook.com/pages/Letuce

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