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Posts por "Dani Arrais"

#bibliotecadonttouch por Liliane Prata

por   /  07/10/2015  /  10:10

Lili

A #bibliotecadonttouch desta semana é da Liliane Prata (@liliprata)!

Ela é jornalista e escritora. Autora de oito livros, entre juvenis e adultos (o mais recente é “Eu odeio te amar”), posta crônicas e vídeos no seu lilianeprata.com.br (adoro os vídeos dela, aliás!) e é editora da revista Claudia.

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“A redoma de vidro”, de Sylvia Plath

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“Plataforma”, de Michel Houllebecq

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“A paixão segundo G.H.”, de Clarice Lispector

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“Bonsai”, de Alejandro Zambra

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Trecho de crônica da Martha Medeiros

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“Capitães de Areia”, de Jorge Amado

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A imbecilidade organizada com a internet

por   /  07/10/2015  /  9:09

marias, javier

A internet tem coisas maravilhosas, mas há algo que é novidade: pela primeira vez a imbecilidade está organizada. Sempre houve imbecilidade; imbecis iam ao bar, tornavam públicas as suas imbecilidades, mas é agora que se organizam, com grande capacidade de contágio. E há um problema agregado: as pessoas se intimidam diante de internautas exaltados e se desculpam sem motivos. E as pessoas sofrem represálias. É truculência. E não há melhor forma de a truculência triunfar do que se intimidando e se amedrontando.

Javiér Marias, autor espanhol que eu adoro, em entrevista ao El País

internet  ·  literatura  ·  vida

É debaixo deste silêncio que acontece o estouro

por   /  06/10/2015  /  19:19

Cassiana

Está tarde, por enquanto está tarde, faz tanto tempo desde a última vez que fomos até à entrada do rochedo, mais tempo ainda desde que mergulhámos na enseada e nos deparámos com o coral, com o brilho, com a coloração perfeita que fazia lembrar a transumância. Tenho pensado na palavra transumância. Tenho pensado muito naquele excerto do diário de Pavese que fala dos mitos e da atenção, dos símbolos, dos nomes. Nalgum momento, ele diz qualquer coisa como: estamos convencidos de que uma grande revelação só poderá sair da teimosa insistência numa mesma dificuldade. E também: sabemos que o modo mais seguro — e mais rápido — de nos espantarmos é fitarmos impávidos sempre o mesmo objeto. Segundo Cesare Pavese, é pela atenção e pela repetição que acontece o estouro do milagre. Ainda acredito em milagres.

Notas para um século surpreendente, texto da Matilde Campilho.

A foto é da Cassiana Der Haroutiounian.

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Entrevista: Rafael Mantesso, autor do “A dog named Jimmy”

por   /  06/10/2015  /  13:13

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Rafael Mantesso tem um desses perfis de Instagram (@rafaelmantesso) que nos fazem disparar  onomatopeias a cada post. Ele criou a conta depois de se divorciar da ex-mulher. Na separação de bens, ela ficou com os móveis e quase todo o resto. Ele, com o cachorro, que leva o nome da marca de sapatos preferidas dela: Jimmy Choo. Olhando diariamente o focinho expressivo do cão e dando vazão à sua vontade de desenhar, ele começou um passatempo que virou um perfil blockbuster, com quase 400.000 seguidores. Em setembro, os posts viraram livro, “A dog named Jimmy”, reunindo cenas clássicas e imagens inéditas- e já é um best-seller na Amazon.

“Comecei o perfil por conta do blog que eu tinha na época (Marketing na Cozinha). Na época a ideia era ter mais um canal além de Twitter e Facebook pra divulgar o site. Quando eu comecei a fazer fotos do Jimmy o objetivo era mostrar em primeiro lugar que aquele perfil era de uma pessoa de verdade (as pessoas achavam que eu pegava foto de internet e que era tudo fake) e em segundo mostrar que a raça bull terrier é incrivel”, lembra ele em entrevista ao Don’t Touch.

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Ele não imaginava, entanto, que o perfil do cão no Instagram seria um divisor de águas na sua vida – e até para a raça. “Nunca um bull terrier teve tanta visibilidade. Eu recebi ano passado um email do presidente do Kennel Club de Londres, que criou a raça há séculos, me agradecendo pelo trabalho, dizendo que eu inverti a curva da raça na Inglaterra ano passado. Isso não tem preço.”

O segredo para ter um perfil com 394.000 seguidores? Fazer com vontade. “E não pensar muito nos seguidores. Ser original também conta. Existem 100 milhões de perfis de cachorro, de bull terrier uns 500 mil. Se for pra fazer o que alguém já faz prefiro não fazer nada.” As alegrias são diárias e chegam por e-mails e comentários, em fotos de outros cachorros e até de tatuagens que fazem com as ilustrações do Rafael. “Esse sorriso que as pessoas dão do outro lado é a maior recompensa.” Apesar do sucesso estrondoso, Rafael não vive exclusivamente do perfil. Faz o festival Fartura Gastronomia e cuida da comunicação do Instituto Ata, do qual é cofundador. “O Jimmy é a melhor parte do meu dia”, confessa.

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A mulher do fim do mundo, de Elza Soares

por   /  06/10/2015  /  12:12

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Muito bom o disco novo da Elza Soares, “A mulher do fim do mundo”!

Acompanhei mais a persona Elza do que a artista ao longo dos anos, então pra mim foi supreendente ouvi-la cantar de um jeito tão rock’n’roll – expressão super desgastada que até me deixa com preguiça de repeti-la, mas que pra esse disco é inevitável.

O disco foi produzido por Guilherme Kastrup e tem participações de Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Felipe Roseno, Celso Sim e Rômulo Fróes, esses dois últimos assinam a direção artística.

“Fazer pela primeira vez na vida um disco só de inéditas, depois de tantos anos na estrada, já foi pra mim uma grande surpresa. Fui muito feliz em todo o processo porque esse projeto foi feito exclusivamente para mim”, conta Elza, ressaltando que a nova experiência, em comparação com outros trabalhos, exigiu uma dedicação maior, mas, ao mesmo tempo, permitiu mais autonomia nas interpretações. “Como são músicas que nunca tinha ouvido antes, precisei estudá-las mais a fundo. São arranjos muito caprichosos, com uma pegada rock ‘n’ roll, e eu tinha que estar muito segura para dar conta. Por outro lado, senti uma liberdade de criação muito grande. Foi bom para ver que os caminhos não se esgotam.”

Ouçam em streaming > Natura Musical

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A vida muda num instante

por   /  06/10/2015  /  9:09

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Ao escrever sobre a vida sem John, ela alcançou uma síntese perfeita da catástrofe humana: “A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente”. (…)

O que fazer quando você é a que resta? Se você é uma escritora, escreve. Agarra-se às palavras na tentativa de compreender o impossível, agarra-se para não afundar. Agarra-se porque é preciso enfrentar as lembranças, sempre fragmentadas, e com elas construir uma memória que faça algum sentido na paisagem devastada que agora é você. Com 1 metro e 56 centímetros e meio de altura e a silhueta de quem poderá ser levada embora na primeira brisa, Joan Didion é uma escritora feroz. Examina a si mesma sem autopiedade ou pieguice e entrega-se ao leitor com todas as suas marcas. A grandeza de seu texto está na capacidade de entrelaçar a tragédia às pequenas delicadezas do cotidiano. Como ao perceber que, por muito tempo, escrevera vendo as roupas de Quintana secar ao sol.

As lembranças espreitam Joan atrás de cada porta, dentro de cada gaveta. Ela levanta a tampa da caixa de joias forrada de cetim e encontra lá dentes de leite. Abre a porta do guarda-roupa e vê três velhas capas de chuva de John, uma jaqueta de camurça dada a Quintana pela mãe de seu primeiro namorado e um bolero de angorá, há muito comido pelas traças, que sua mãe ganhara de seu pai depois da Segunda Guerra Mundial. Ela abre caixas e acha convites para casamentos de gente que há muito se separou, cartões de agradecimento de funerais de pessoas cujo rosto esqueceu. “Em teoria, essas lembranças servem para trazer de volta o momento”, escreve. “Na prática, servem apenas para demonstrar quão inadequadamente apreciei o momento quando ele aconteceu.”

Texto A mulher que restou, de Eliane Brum, sobre a escritora Joan Didion, que perdeu o marido e a filha em um intervalo de poucos meses.

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Trilha: Música pop pós-30

por   /  11/09/2015  /  11:00

Petra Collins

Ver minha afilhada cantando um hit que não para de tocar no rádio me fez ouvir música pop com outros ouvidos. Estávamos em uma viagem juntas, a música da Ellie Goulding tocava em todo lugar, e eu ficava perguntando do que ela mais gostava. Sofri muito bullying (beijos, Luisinho!) porque não conhecia direito a Taylor Swift ou a Sia nem tinha visto todos os últimos filmes da Disney (se você considerar como últimos quaisquer que tenham sido lançados há 10 anos, ops).

Voltei pra casa e comecei a ouvir “Love me like you do” e a lembrar dela, da viagem. Ouvi o disco da Lorde, comecei a gostar muito de “400 lux”. Fui ouvir a Taylor Swift depois de me dar conta de como ela é uma artista gigante, não só pelos números de visualizações no YouTube, por exemplo, como também pelas parcerias que faz, pela banca que ela coloca com quem quer vender a música dela. Pra completar, li uma pesquisa falando que as pessoas costumam parar de ouvir música nova aos 34 e pensei: não quero, haha!

O resultado disso tudo é uma mixtape cheia de música pop que eu ando ouvindo MUITO. “High by the beach”, da Lana del Rey, já tocou 20 vezes só hoje. “Marvin Gaye”, do Charlie Puth, começa com “Let’s Marvin Gaye and get it on”, o que me faz pensar: como pode ninguém ter feito esse trocadilho antes? Tem também George Ezra, Sky Ferreira, Haim, Ariana Grande, Beyoncé, Major Lazer, Charlie Puth, The Weeknd e Rihanna.

Pra combinar, quer coisa mais adolescente do que essa foto maravilhosa da Petra Collins?

Deixem o preconceito de lado e apertem o play! 

(Obrigada, Lulu, Ari e Luisinho por me mostrarem essas coisas todas. E Lia por ter insistido na Lorde e nas Haim!)

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