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Posts por "Dani Arrais"

Carta a D.

por   /  04/09/2015  /  10:00

Amores Anônimos

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais de quarenta e cinco quilos e continuas bela, graciosa, desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

Primeiro parágrafo matador de “Carta a D.”, de André Gorz.

A foto é de @marimguimaraes para o @amoresanonimos.

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Transeunte coração, de Ava Rocha

por   /  03/09/2015  /  16:00

Ava Rocha

Gostando muito dessa música “Transeunte coração”, da Ava Rocha!

Teu transeunte coração
Faz como um peixe no áquario
Nada solitário
Na cidade desilusão

Procura
Um amor
Pelas ruas
Transitadas

Não sou essa mulher que você procura
Não sou essa mulher que você procura

Quando pensares que sou eu
Por favor não me olhe
Porque não vou te reconhecer

Não, não sou eu
Quem você ama, quem você procura
Não, não sou eu
Quem você procura, pra ser amada por você
Não, não sou eu
Quem você ama, quem você procura
Não, não sou eu
Quem você procura, pra ser amada por você

Ela lançou este “Ava Patrya Yndia Yracema”, que é bem interessante – tô a semana toda ouvindo, entendendo.

Ouçam comigo, logo abaixo dessa ilustração linda!

Mais em > www.avarocha.com

Ava Rocha 1

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Quando o Brasil não me espantar estarei morta

por   /  03/09/2015  /  12:00

 

809568

Quando o Brasil não me espantar estarei morta. Espanta-me o presidente da Câmara que conduz um culto evangélico, a bala perdida que entra na casa da minha amiga no Rio, as três horas que levo a vir de Guarulhos, e que ainda haja água em São Paulo. Espanta-me nunca ter passado mais de 24 horas em Salvador, não conhecer o sertão de Euclides, ter lido Nelson Rodrigues tão tarde. Espanta-me o Alto Rio Negro, a poesia de Caetano, o verbo do Rosa, o queixo de Noel. Espanta-me a juventude de Machado de Assis. Espanta-me a antiguidade de Monique Nix. Espanta-me ir ver o Metá Metá e dançar morna. Sobre o vale do Anhangabaú, continua a espantar-me tanta gente falar a mesma-e-outra língua, ando a aprendê-la, ela não pára. A propósito de Anhangabaú, espanta-me que em 2015 queiram prender Zé Celso. A propósito de justiça, espanta-me que o exército esteja na Maré e ainda haja Polícia Militar. Espanta-me que uma menina aborte clandestinamente enquanto mais um Boeing 777 volta de Miami. Espanta-me o olho arrancado, o olho por olho e o mau-olhado. Espanta-me de novo a cor da terra em Minas Gerais, o desconhecido que pergunta tudo jóia e me chama de amada. Espantam-me sempre as formas de Nuno Ramos para este estranho fruto de todos nós. Tudo me espanta além do bem e do mal, então difícil achar o que seja o “vosso comportamento”. O Brasil são tantos que nunca vai virar um imenso Portugal.

Alexandra Lucas Coelho, escritora portuguesa, em entrevista para Ronaldo Bressane.

Leiam em > www.ronaldobressane.com/2015/09/01/o-fado-e-foda

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Miley Cyrus + Flaming Lips

por   /  01/09/2015  /  8:00

Miley

Status: ouvindo Miley Cyrus e gostando (muito)! Ou frases que jamais achei que falaria, haha

O disco “Miley Cyrus & Her Dead Petz” é uma colaboração com o Flaming Lips e tem participação de nomes como Ariel Pink. “Eu posso fazer só o que eu quero fazer e fazer a música que eu quero fazer”, ela disse ao @nytimes. O lançamento, em streaming e de graça, foi feito durante o #VMAs.

Ouçam: soundcloud.com/mileycyrus

#galeriadonttouch: Ilana Lichtenstein

por   /  25/08/2015  /  12:00

Lieko Shiga Irana

Quais são as fotos preferidas dos fotógrafos? Ilana Lichtenstein (@ilanalichtenstein) responde para a #galeriadonttouch!

A primeira é “Irana”, de Lieko Shiga. “Gosto da sensação nítida de que no universo que a #LiekoShiga desenvolve não há limitação. Acho que os limites são todos mentais e ela vai vertiginosamente longe, para dentro e para o alto, no desenho da luz. Além de tudo, essa foto específica se chama Irana, não faço ideia do porque. Mas é como se pronuncia o meu nome em japonês e, por uma linda ironia que cada vez faz mais sentido para mim, esse nome soa sempre muito próximo, e toda vez que pronuncio se confunde com a palavra japonesa ‘iranai’: desnecessário.”

Gabriel Orozco My hands are my heart

A segunda foto escolhida pela @ilanalichtenstein é “My hands are my heart”, de Gabriel Orozco. . “As mãos e o coração são os elementos do corpo que mais me guiam na fotografia e, junto com a pele, três das palavras que mais voltavam, circularmente, quando tinha o costume de escrever. Esse artista #GabrielOrozco coleciona uma simplicidade que espanta muito. Da primeira vez que vi alguma coisa sua, sem conhecer nada, a exposição extensa não se anunciava de início, começava por uma sala quase vazia com só quatro potes de iogurte e depois uma caixa de sapato.. Não exibia toda a variedade e força de suas tramas de cara. E no percurso, também por uma frase que estava na parede bem mais adiante, fui saber que ele mesmo contava: dizia achar importante decepcionar o espectador. Pois só assim, depois de decepcionado, pode se abrir verdadeiramente para um encontro, limpo. Penso na frase da Clarice Lispector, dentro de ‘A Hora da Estrela’: ‘Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho’. Acho que é um trabalho de limpeza, esse de se livrar de tudo o que dispersa. E, por fim, essa coisa das mãos, do barro e do coração, uma junção tão simples, ficam para mim como uma imagem-presente de um poema de Manoel de Barros.”

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