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Posts por "Dani Arrais"

a perfeição

por   /  28/10/2007  /  17:43

foto de eugênio vieira

já tinha sido maravilhoso o show de cat power, na quinta-feira. mas ontem ela conseguiu se superar. o show foi incrível, perfeito, emocionante. o repertório foi quase o mesmo, com uma exceção ou outra, feito o cover de “satisfaction”. a roupa também era quase a mesma, com uma gravatinha de paetê a mais e uma bata branca a menos, o que deixava a camiseta verde musgo caindo pelos ombros o tempo todo. mó charme.

a garganta continuou doendo, mas ela tava bem mais inspirada. vai ver que a “culpa” foi do rio de janeiro, onde me disseram que o show também foi maravilhoso. assim que começou, ela pediu pra todo mundo levantar da cadeira e ir pra perto do palco. ou seja, comoção. hipnose. tinha hora que ela ficava a 20 cm do meu rosto. nossa senhora, é demais pra uma pessoa obcecada como eu!

e ela tava empolgada, animada, querendo muito fazer um show foda. soltava uns “fuck” e “i´m sorry” pela garganta (e tomava o que eu acredito ser uma cuba libre), mas se movia de um lado ao outro do palco, olhando pra cada um, estendendo a mão, fazendo gracinha, recebendo flores, papéis e beijos.

uma hora, ela perguntou se a gente já tinha assistido “piaf”. foi a deixa pra ela deixar um fã acender um marlborão vermelho, ela imitar piaf e cantar realmente como uma diva. em outro momento, ela agradeceu à furada de feist, disse que tinha ficado feliz em fazer um segundo show em são paulo, porque no primeiro ela não tava muito bem.

e quando a galera pedia “nude as the news”, “good woman” ou “moonshiner”, ela falava coisas do tipo “ah, não… é too depressing. lembra uma época em que eu estava fucked up”. falando assim, a gente perdoa, chan.

ai, ai… fim do repertório, ela saiu do palco fazendo uma mistura de c e coração, com a mão. ah, meu coração. e o melhor é que ela disse que talvez volte em janeiro. já imaginou? é felicidade demais pra uma pessoa só.

a única coisa que achei ruim foi o fato de ninguém ter insistido no bis. se fosse em recife, ela teria voltado umas cinco vezes, tenho certeza.

smack

por   /  27/10/2007  /  18:46

se bem que beijo é sempre de repente. como uma picada de cobra, um enfarte, uma notícia ruim que chega pelo telefone. se procurar, a gente acaba achando algum indício do que está para acontecer – mas só depois, quando já beijou ou se fodeu. agora, beijo que é beijo, por definição, é fenômeno que se deseja mas não se planeja.

reinaldo moraes, no conto “belo horizonte”, do livro “umidade”

o bolo

por   /  27/10/2007  /  17:16

Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora.

antonio prata

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a felicidade

por   /  26/10/2007  /  17:47

se o paraíso existe e tem trilha sonora, chan marshall vive por lá. desde 2001, quando eu vi o show do belle & sebastian no rio, não ficava tão ansiosa por um show. até folga do trabalho eu pedi, pra não correr risco de chegar atrasada. e, ufa, cheguei, sentei bem lá na frente e vi minha querida, minha musa, minha salve salve fazer um dos melhores shows da minha vida.

ela chegou de repente, fazendo um cover de billie holiday (“don´t explain”). de calça, camiseta e um blusão largado + um sapato branco de sambista de gafieira + munhequeiras que pareciam meia-arrastão, chan se movia de um lado ao outro do palco, fazendo umas danças esquisitas, uns gestos de mano. como disse lu, era uma dança de hospício. no meio tempo, ela tomava alguma coisa esquisita que parecia limão. vai ver era pra garganta (eu teria dado meu própolis a ela).

ai, meu coração. eu ficava olhando pra ela ali tão perto, sem acreditar. mó fã boboca mesmo. e eu curto esse sentimento. de gostar tanto de uma ciosa que seu coração salta até a boca, a mão fica suada, a visão fica meio embaçada, apesar de seus óculos estarem em dia. foi lindo. inesquecível =~

e, porra, que show foda! ela priorizou as novas músicas. fez cover de james brown (“lost someone”), frank sinatra (“new york, new york”), hank williams (“ramblin´ woman”), jessie mae hemphill (‘lord help the poor and needy”)… do “greatest”, cantou a faixa-título, “lived in bars”, “could we” e “willie”. e ainda teve “metal heart”. e no bis ela voltou com “naked if i want to”. ai ai ai….!

ela tava com dor de garganta, sofreu pra cantar algumas músicas. em alguns momentos achei até que ela tava mais pra “declamadora” ou rapper. mas vindo dela, qualquer grunhido já soa como poesia aos meus ouvidos. senso crítico aqui passa longe.

e ela interagindo com os amplificadores? cantava junto de um, num ficava satisfeita. partia pra outro, idem. reclamava com uma carinha que tava na coxia, pedia retorno, e nada.

eu tava com medo de que o show fosse parecido com o que ela fez aqui, esqueci quando, mas do tempo em que a tequila era tão presente na mochila dela quanto uma escova de dente. ainda bem que num foi. um surtinho ou outro, como o diálogo constante com os amplificadores ou um “i´m sorry” quase sussurrado pra ela mesma. só isso.

de resto, uma entrega total. aquela voz linda, aquelas letras de partir o coração. foda, incrível, inesquecível. ainda bem que amanhã tem mais!

vídeo de “don´t explain”, disponibilizado por lúcio ribeiro