
Aquela manhã havia sido uma das tantas manhãs em que chegava carta de mamãe. Ele e Laura falavam pouco do passado, e quase nunca do casarão de Flores. Não é que Luis não gostasse de recordar Buenos Aires. Tratava-se, porém, de evitar nomes (as pessoas, evitadas fazia já tanto tempo, mas os nomes, os verdadeiros fantasmas que são os nomes, essa duração obstinada). Um dia, havia se animado a dizer a Laura: “Se fosse possível rasgar e jogar fora o passado, como o rascunho de uma carta ou de um livro. Mas fica sempre aí, manchando a cópia passada a limpo, e eu acho que isso é o verdadeiro futuro.”
Julio Cortázar, em “Cartas de mamãe”
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A foto é de Dmitry Savin


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