Favoritos

Posts da categoria "analyze this"

hiato

por   /  18/08/2009  /  23:55

comma

a gente passa todos os minutos da vida tentando se comunicar. do momento que a gente acorda até aquele em que a gente vai dormir e pensa que, finalmente, terá um descanso. mas aí a gente sonha, e o insconciente trata de querer dizer alguma coisa, mesmo que da forma mais esdrúxula que nem um filme de lynch consegue antecipar. são horas na internet, mais alguns minutos no telefone. milhões de links, de leituras tão rápidas que, quando a gente vai ler no papel, a vista vai pulando alguns trechos. e ainda tem a vida real, né? a gente encontra amigos, bate papo de cinco minutos com os conhecidos, pede informação no meio da rua. é muita informação. é muita tentativa que nem sempre dá em alguma coisa. e pra quê? pra quê tanto excesso? tem hora em que tudo que a gente precisa é de silêncio.

a foto é um comma pendant, da chao & eero

last night spinoza saved my life

por   /  10/08/2009  /  0:13

Se a experiência, entretanto, não mostrasse aos homens que fazemos muitas coisas das quais, depois, nos arrependemos, e que, freqüentemente, quando somos afligidos por afetos opostos, percebemos o que é melhor, mas fazemos o que é pior, nada os impediria de acreditar que fazemos tudo livremente. Assim, uma criança acredita apetecer, livremente, o leite; um menino furioso, a vingança; e o intimidado, a fuga. Um homem embriagado também acredita que é pela livre decisão de sua mente que fala aquilo sobre o qual, mais tarde, já sóbrio, preferia ter calado. Igualmente, o homem que diz loucuras, a mulher que fala demais, a criança e muitos outros do mesmo gênero acreditam que assim se expressam por uma livre decisão da mente, quando, na verdade, não são capazes de conter o impulso que os leva a falar. Assim, a própria experiência ensina, não menos claramente que a razão, que os homens se julgam livres apenas porque estão conscientes de suas ações, mas desconhecem as causas pelas quais são determinados. Ensina também que as decisões da mente nada mais são do que os próprios apetites: eles variam, portanto, de acordo com a variável disposição do corpo. Assim, cada um regula tudo de acordo com o seu próprio afeto e, além disso, aqueles que são afligidos por afetos opostos não sabem o que querem, enquanto aqueles que não têm afeto nenhum são, pelo menor impulso, arrastados de um lado para o outro. Sem dúvida, tudo isso mostra claramente que tanto a decisão da mente, quanto o apetite e a determinação do corpo são, por natureza, coisas simultâneas, ou melhor, são uma só e mesma coisa, que chamamos decisão quando considerada sob o atributo do pensamento e explicada por si mesma, e determinação, quando considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do repouso, o que se verá mais claramente no que resta ainda a dizer. (…) Aqueles, portanto, que julgam que é pela livre decisão da mente que falam, calam, ou fazem qualquer outra coisa, sonham de olhos abertos.

Spinoza, em “Ética”

amor  ·  analyze this

a memória é um pesadelo

por   /  09/08/2009  /  2:11

Não, a memória não é nada disso. Acho que ela parece mais um oceano agitado por ondas aleatórias de angústia e dor a encobrir imagens perturbadoras em fuga através de fronteiras imprecisas nos substratos mais profundos da mente humana, como no “Império dos Sonhos”, do Lynch. É isso: a memória é um pesadelo fílmico do David Lynch. Não é à toa que ela vem com um dispositivo autolimpante – o esquecimento.

Reinaldo Moraes em “Pornopopéia”, meu livro preferido de 2009 até agora

amor  ·  analyze this

doa-se um coração

por   /  05/08/2009  /  13:51

L’important est d’aimer, d’aimer grandement, profondément, souvent, de se donner (…) A resposta, a reação, é uma simples alegria humana – a desproporção é apenas uma provação divina à sinceridade do amor (…) donner sans compter e sans mesurer

Anaïs Nin, em “Incesto”

isso é o amor pra marilda hoje. adorei!  =)

amor  ·  analyze this

música para embalar o dia

por   /  03/08/2009  /  13:08

alguém cantando longe daqui
alguém cantando longe, longe
alguém cantando muito
alguém cantando bem
alguém cantando é bom de se ouvir
alguém cantando alguma canção
a voz de alguém nessa imensidão
a voz de alguém que canta
a voz de um certo alguém
que canta como que pra ninguém
a voz de alguém quando vem do coração
de quem mantém toda a pureza
da natureza
onde não há pecado nem perdão
onde não há pecado nem perdão

amor  ·  analyze this  ·  música

a realidade da solidão

por   /  02/08/2009  /  21:09

Então não pertencia a mundo nenhum? E alguém pertence a algum?
Algumas pessoas são assim; em certos momentos têm a ilusão de fazer parte de um grupo, seja ele político, intelectual, boêmio, de meditação, ou a qualquer outro, mas nunca conseguem. Elas sabem que somos todos fundamentalmente sós, embora procuremos durante todo o espaço de uma vida negar essa realidade, que nem chega a ser triste, é apenas a realidade. Quanto esforço elas fazem -fizeram- para se encaixar em algum desses universos sem nunca conseguir; e será que alguém consegue? De verdade?
As pessoas às vezes se sentem irremediavelmente sós; mas basta um dia encontrar um novo amigo, um novo amor, para o mundo ficar mais bonito e a vida voltar a valer a pena.
É isso que se procura e às vezes encontra; e quando acontece, é bom demais.

Danuza Leão, hoje na Folha

amor no papelão

por   /  28/07/2009  /  3:37

cardboard1

ah, o amor… nosso grande objeto de estudo   =)

como vocês vão perceber, a criação é do cardboard love

I never really intended for these little bits of cardboard to be a big deal, but the response has been both surprising and uplifting. In general, I am a pretty negative person. This project has been a chance for me to focus on the positive for a change. Some people like these, some think they are lame, to each his or her own. I’m just glad to have someone in my life that makes me not afraid to be lame.

vejam tudo: http://www.cardboardlove.com/

cardboard2

cardboard3

cardboard4

cardboard5

cardboard6

cardboard7

cardboard8

cardboard9

cardboard10

amor  ·  analyze this