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#OcupeEstelita, 17/06/2014

por   /  18/06/2014  /  11:11

Não tenho palavras pra expressar o que sinto diante do que está acontecendo no Recife. Ultraje, impotência, revolta, incredulidade são algumas coisas que passam na minha cabeça. As cenas vividas ontem pelos integrantes do movimento #OcupeEstelita são inacreditáveis. Reuni aqui textos, fotos e vídeos que tentam nos dar uma dimensão do caos que tomou conta da cidade. Obrigada a todos que lutam bravamente nessa terra que a gente tanto ama e que tanto nos decepciona. Força e muita resistência!

Do Mídia Capoeira: No dia do segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo, o Governo do Estado tentou se utilizar da atenção das pessoas para o futebol e realizou a retirada das pessoas que ocupavam a área do Cais José Estelita. Mais de 20 dias depois da ocupação, os desrespeitos à legislação urbanística do Projeto Novo Recife já são de conhecimento público. O Ministério Público Federal já se posicionou contra a operação (http://www.prpe.mpf.mp.br/internet/Ascom/Noticias/2014/Nota-de-repudio-Reintegracao-de-posse-Cais-Jose-Estelita), assim como a imprensa nacional começa a denunciar (http://blogdojuca.uol.com.br/2014/06/o-novo-recife-e-o-movimento-ocupeestelita/). Assistam às cenas chocantes do vídeo gravado, editado e divulgado pelo movimento #OcupeEstelita

Anistia Internacional: Poucas horas antes do Brasil entrar em campo, a Polícia Militar de Pernambuco desocupou o Cais José Estelita, em Recife. A Anistia Internacional Brasil condena uso excessivo da força pela PM na desocupação do local. “Lamentável a desocupação violenta hoje, no Cais José Estelita, em Recife (PE), rompendo todos os acordos feitos com o poder público. O que está em jogo nisso é o projeto de cidade que a população quer e a participação da sociedade na escolha da ocupação de áreas nobres nas cidades”, afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil. Leia a nota pública > http://bit.ly/1lvW5Ig

Ivan Moraes Filho, jornalista: “O que querem fazer no terreno é o que estão fazendo com a gente aqui” Eu não lembro quem foi que disse isso enquanto driblávamos (muitas vezes sem sucesso) balas de borracha e bombas de efeito moral, ontem, durante os protestos do #ocupeestelita. Nada mais perfeito. A violência de quem reprime reuniões pacíficas, prende e fere pessoas que querem discutir uma cidade mais humana e justa. É a mesmíssima violência de quem utiliza o poder pra empurrar goela abaixo de uma cidade inteira projetos que ferem a nossa mobilidade, conforto, o direito à moradia. De quem descumpre acordos. A mesma de quem acha natural “cumprir ordens” que machucam a pele e a cidadania das pessoas. De quem acha que empresas e dinheiro valem mais do que pessoas. A violência e  covardia de quem escolhe sempre os mesmos alvos para serem atacados e pagarem as contas do “progresso” e do “desenvolvimento”. De quem passa por cima os processos legais sem constrangimento. A mesma violência inconsciente da jovem jornalista que pergunta a um ativista armado com um telefone celular se ele levou três tiros durante um “confronto” com policiais protegidos por armaduras e escudos. E tantas outras violências cotidianas que não ganham manchetes de jornais ou mesmo posts raivosos no feicebuque. Violências tantas vistas e sofridas por um bocado de gente que se acordou assustado numa manhã de terça-feira, num simbólico dia de jogo da seleção na Copa do Mundo. Que experimentou as formas mais óbvias de violência. Tiros, bombas, espadas, gás de pimenta, chicotes, escudos e cacetetes. Mas que não se deixou ferir. Um dia depois de tantas atrocidades não resta dúvida que o povo, desta vez, venceu a batalha.

Liana Cirne Lins, advogada, militante do Direitos Urbanos e professora da Faculdade de Direito do Recife – UFPE: Últimos minutos do dia que entrou para a história de Pernambuco como a ruína do estado democrático de direito e o fim da credibilidade das instituições estatais. O estado de exceção é o estado de Pernambuco. Desde a manhã está evidente para todos que o objetivo da ação policial nunca foi a desocupação do imóvel, tanto assim que não apenas não houve tentativa de desocupação amigável, como minha presença na qualidade de advogada para promover a desocupação voluntária foi impedida. O objetivo sempre foi a repressão violenta do Movimento Ocupe Estelita. Eu gostaria de não ter vivido o dia de hoje. Eu gostaria de não ter visto o que vi. Eu gostaria de não ter ouvido os gritos que ouvi e os barulhos de bombas e balas sendo disparadas. Eu gostaria de não ter perdido minha crença nas instituições jurídicas. Eu gostaria de não ter chorado, completamente impotente, na frente dos ativistas que eu desejava proteger e de costas para a polícia de choque que nos acuava. Eu gostaria de não ter visto Milton Petruczok sendo arrastado pelo pescoço, Cristina Lino Gouvêa sendo levada nua e imóvel com pontapés nas costas. Eu gostaria de não ter visto o sangue nas dezenas de feridos. Eu gostaria de eu mesma não ter sido agredida com um cacetete por um policial do GATI enquanto desempenhava meu papel de advogada. Eu gostaria de viver numa democracia. Mas hoje eu não tive nada do que eu gostaria de ter. E também hoje Ocupar Estelita ganhou um significado radicalmente maior. É mais do que uma luta pelo direito à cidade e contra uma prefeitura corrupta e um consórcio de empresas sem limites morais como a Moura Dubeux e a Queiroz Galvão. É agora também uma luta contra um governo do estado mentiroso e traidor, contra um judiciário que colocou em xeque sua imparcialidade. É uma luta contra um estado que faz as vezes de milícia do poder econômico. Estou indo dormir muito mais pobre do que acordei. Perdi sonhos e estou embrutecida pela brutalidade que testemunhei. Vou dormir com as dores físicas que senti na pele e com as dores morais que senti na alma. Mas vou dormir certa de que acordarei curada, porque nossa luta é um caminho sem volta. E nesse caminho os sonhos serão refeitos. E serão cada vez mais belos.

Kleber Mendonça Filho, cineasta, diretor de “O Som ao Redor”: Blitz de publicidade paga em jornal, TV de horário nobre, YouTube e Facebook, ação agressiva em dia de jogo do Brasil, sócio fala-mansa fazendo turnê em debates na imprensa sem revelar nada, escavadeiras a postos. É uma estratégia de guerra, toda desenhada. E o Movimento para o Recife só ganha força.

Chico Barros, juiz: Como juiz, não costumo exercer juízo de valor sobre a atuação de outros tribunais, mas como professor de Direito Processual desta vez usarei o permissivo da LOMAN: em pleno processo de negociação entre as partes, não há espaço para medidas adjudicatórias desse impacto. O Tribunal de Pernambuco foi precipitado, infeliz e contrário a tudo que hoje se estuda sobre a Justiça restaurativa. Contrário às recomendações internacionais sobre o tema, contrário aos programas do CNJ e assim por diante. No mais, como juiz, como professor, como cidadão, como pessoa humana, abomino a violência (tanto à direita quanto à esquerda).

Juka Kfouri, jornalista: O projeto “Novo Recife” é um projeto imobiliário que está destruindo uma área histórica da capital pernambucana para erguer as torres mais altas da cidade, num processo cheio de ilegalidades, já denunciado pelo Ministério Público Federal. Durante o processo o prefeito Geraldo Júlio (PSB) suspendeu o alvará de demolição e a reintegração de posse da área – ocupada pelos manifestantes. Hoje, se aproveitando do jogo do Brasil, a tropa de choque esteve no local às 5h. Muita bomba de efeito moral, muita bala de borracha, muita gente machucada e hospitalizada. Toda a ocupação foi feita de maneira pacífica e festeira. Xico Sá escreveu um texto lindo sobre o episódio. Como se pode ver numa das fotos abaixo, há um quadro com a programação que estava sendo feita no local: produção de malabares e brinquedos de papelão. Foi para remover esse pessoal perigosíssimo que o governador mandou a tropa de choque, com gás de pimenta, bala de borracha e bomba de efeito moral. O obra está embargada – segue uma foto de um post da prefeitura nas redes sociais, afirmando que o alvará continua suspenso. Não obstante as empreiteiras já enviaram para o local tratores, escavadeiras e funcionários para derrubar os galpões históricos.

João Valadares, jornalista: Hoje, dia 17 de junho de 2014, eu, João Lyra Neto, governador de Pernambuco, no gozo de minhas atribuições legais, autorizo todo e qualquer pernambucano a não cumprir os acordos firmados com o meu governo. Hoje, eu autorizo todo e qualquer pernambucano a não me respeitar e não confiar na palavra empenhada pelos meus secretários. No meu governo, acordos públicos são fechados e não cumpridos. Hoje, em Pernambuco, fica instituído o dia da desmoralização pública da minha gestão. As comemorações, por minha ordem, já foram iniciadas.
Revoguem-se todas as disposições em contrário.

Outra de João Valadares: A ação do Batalhão de Choque hoje, no Recife, foi autorizada por uma caneta magoada, preterida e cheia de tinta. O governador João Lyra, escanteado pelo presidenciável Eduardo Campos do processo eleitoral no quintal socialista, mostrou o que é capaz de fazer. Bastaram dois meses para virar o inimigo íntimo número 1 do ex-governador. Ironia que, na semana passada, ao avaliar a vaia tomada por Dilma na abertura da Copa, Eduardo Campos soltou um “a gente colhe o que a gente planta”. A ação desastrosa do Choque hoje ocorreu justamente no momento em que o prefeito do Recife, Geraldo Julio, autorizado por Campos, se movimentava para tentar negociar uma saída. No momento em que manobrava nos bastidores para transformar o limão numa limonada. O recurso seria julgado esta semana. Burrice política crônica do governador em antecipar a ação truculenta do Choque? Não acredito. O Choque fez o que sempre fez: desceu a porrada. Foi preparado para isso. Agora, o PSB no Recife é o PT do ano passado. A discussão e divergência são públicas. A roupa suja também. O prefeito declarou publicamente que foi surpreendido, a secretária Cida Pedrosa alegou no facebook que os acordos não foram respeitados. Comparou a ação da polícia de Lyra aos tempos da ditadura. No dia em que a Justiça concedeu a reintegração de posse, um dos secretários mais fortes de Geraldo Julio chegou a ligar para o secretário de Defesa Social de Pernambuco pedindo para que segurasse a execução da ordem. De nada adiantou. A caneta cheia de mágoa do governador é bem mais forte.

Juliana Cesar, advogada feminista e ativista de direitos humanos: O Consórcio Novo Recife concordou em suspender a reintegração enquanto está sendo conduzida a negociação na Prefeitura do Recife. Além disto, um acordo – noticiado na imprensa – estabeleceu que a reintegração, quando viesse a ocorrer, seria anteriormente discutida com todas as partes envolvidas, inclusive representantes da ocupação, para que ela fosse feita da maneira menos conflituosa possível. SECRETÁRIOS ESTADUAIS E OFICIAIS DA PM estavam presentes nesta reunião. Ontem à noite FALEI COM UM UM SECRETÁRIO ESTADUAL sobre um boato de reintegração e, após contato com a SDS, isto me foi TERMINANTEMENTE NEGADO. Este é o grau de confiabilidade deste Governo e a prova do desrespeito que ele possui com os direitos humanos, bem como do valor que dão às suas próprias palavras. GOVERNO VIOLENTO, COVARDE E SEM PALAVRA!

Leonardo Cisneiros, integrante do Direitos Urbanos e professor da UFRPE: João Lyra, cabra safado, sem vergonha! No interior, homem sem palavra não é homem! Choque perseguindo e encurralando manifestantes até no Pina! Fiquei encurralado entre um segurança armado de um restaurante e uns 20 caras do Choque. Paguei de transeunte, ia conseguir sair, mas um cachorro fardado me reconheceu e levei umas porradas de cassetete só por isso…

Nação Zumbi: Recife desfigurado e desmoralizado. Perdendo identidade e resgatando o coronelismo com força total. Resgate cultural do coronelismo. É o único resgate cultural que interessa ao governo do estado de Pernambuco neste momento. A Nação Zumbi não tem medo de governo ou prefeitura de Recife. Já discordamos anteriormente sobre a política empregada nas áreas culturais nas redes. Agora recente também discordamos da maneira com que foram feitas as ações relacionadas á ‪#‎ocupaestelita‬. Entendemos que temos o direito de discordar e o exerceremos se acharmos necessário. A distribuição inteligente de espaços da nossa cidade nos interessa e queremos um Recife/Olinda para todos. Cidades com boa infra-estrutura. Sabemos que temos um importante posicionamento político e gostamos de deixar isso bem claro apesar de não sermos chatos com isso. Sem medo de retaliações pelas partes envolvidas é isso que pensamos. Mais uma vez viemos dizer que discordamos de instituições e não pessoas.

Pierre Lucena: Como confiar em alguém que em um dia senta em uma mesa para negociar e no outro manda a PM para bater? Infelizmente a reação do Estado às manifestações do ano passado foi o reforço da repressão policial, quando deveria ser na melhoria da prestação de serviços e no aumento da transparência. Quem pensa que este tipo de atitude autoritária de empresas que mandam na cidade não estava na pauta da revolta popular, é porque realmente não entendeu nada da crise urbana que vivemos. #‎OcupeEstelita‬

Ana Paula Portella: Foi uma armadilha. Das mais perversas e nojentas, digna dos governos mais autoritários. Espalharam o boato sobre a reintegração, o que nos levou a checar a informação com o governo do estado, quando fomos tranquilizados e informados de que o acordo estava mantido. Os professores desse tipo de técnica ainda estão vivos na memória desse país. Liana Cirne Lins explica tudo aqui, direto do ‪#‎resisteestelita‬

Marcelo Pedroso, cineasta: A bravura da resistencia contra a covardia do Estado encontra foco no acampamento. A estrutura ja estava armada na noite de ontem, mesmo depois de horas de bombardeio e tiros! Quem puder ajudar, leve mantimentos, agua potaval, comida, produtos de higiene, extensao, fios eletricos, ferramentas e vinagre.

Chico Ludemir: O que vivemos hoje assim que o sol raiou no Cais José Estelita foram atos de terrorismo. A policia, a partir das 5h da manhã acordou a ocupação com seu cavalos e batalhão de choque. Em menos de uma hora tudo que havia no Cais já encontrava-se destruído. Para isso, usaram de força extrema, desmedida e, diante da resposta pacífica dos manifestantes, foram covardes e desumanos.

Carolina Leão, jornalista: O direito à cidade é o direito não à cidade arcaica e nostálgica de um passado, ou à da ideologia burguesa enquanto organismo econômico e social gerido por um aparato político-institucional, mas à vida urbana, à centralidade renovada, aos locais de encontro e de trocas, à informação, aos ritmos da vida e empregos do tempo (Manoel Rodrigues Alves).

Moacir dos Anjos, curador: As construtoras passam por cima de leis, embargos e acordos, com a participação ativa do Governo do Estado (PSB), via PM, e a Prefeitura (também PSB) ainda quer sair de bom-moço, como se não tivesse nada a ver com isso. Entendi mal ou é isso mesmo? Se é assim, é uma total desmoralização da autoridade do prefeito.

Leo Falcão, cineasta: It’s a clear undemocratic act against the law and the population, in a combined action of private economic power, an accessary Government and a negligent major media. For that, we ask the International community of media, social and political activists to share this violence practiced against the Brazilian people, who so far has fought only with arguments, art, joy and courage.

Pedro Caldas Ramos, 15 anos: Na maioria dos dias acordo as quatro da manhã, me arrumo, saio de casa, falo com o vigia. Na maioria dos dias ando pela Rua João Lira, onde vejo o céu quase claro, ando pela Rua da Aurora. Na maioria dos dias vejo o nascer do sol de dentro do Capibaribe, na maioria dos dias vejo um céu de Michelangelo. Vejo também o Recife Antigo, com seus prédios com mais histórias que um livro sagrado. Vejo o Recife acordar, vejo o mais belo. Não sou contra as causas dignas mesmo com seus problemas, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS, não queria morar em um apartamento, mesmo sendo ele antigo, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS, grande e acolhedor como uma casa, NÃO GOSTO DOS PRÉDIOS. Não imagino o nascer do sol atrás dos prédios, não imagino um Recife sem as quatro pontes que passo, não imagino o Recife cinza, imagino e verei sempre o Recife mais belo. O Recife que sempre me surpreende. O céu nunca igual, a água nunca igual, os prédios nunca iguais. Lutemos então pela nossa paisagem! Pois quero viver e dizer a sessenta anos “A CIDADE” é igual, a sessenta anos ela me surpreende, quero passar o resto dos meus dias me impressionando com a beleza do nascer do sol atrás da Prefeitura! ‪#‎OcupeEstelita‬ ‪#‎ResisteEstelita‬

A batalha pelo Cais José Estelita, por Renan Truffi > http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html

Conflito no centro histórico do Recife deixa 10 feridos, por Daniel Carvalho > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/171675-conflito-no-centro-historico-do-recife-deixa-dez-feridos.shtml

MPPE recebe denúncias de violência policial em reintegração de posse no Recife > http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/06/mppe-recebe-denuncias-de-violencia-policial-em-reintegracao-no-recife.html

Nota de repúdio do Ministério Público Federal > http://www.prpe.mpf.mp.br/internet/Ascom/Noticias/2014/Nota-de-repudio-Reintegracao-de-posse-Cais-Jose-Estelita

PM retira à força ocupantes do Cais José Estelita > http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-06/urgente-pm-retira-forca-ocupantes-do-cais-jose-estelita#.U6BNDHutBjI.twitter

Reintegração de posse no Recife termina com 4 detidos e 3 feridos > http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/06/1471756-reintegracao-de-posse-no-recife-termina-com-4-detidos-e-3-feridos.shtml

Repressão em “reintegração de posse” no Ocupe Estelita > https://www.facebook.com/media/set/?set=a.401288810009457.1073741866.285490214922651&type=1

#OcupeEstelita vai recorrer ao CNJ e reivindica soltura de jovem preso em reintegração > http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2014/06/18/ocupeestelita-vai-recorrer-ao-cnj-e-reivindica-soltura-de-jovem-preso-em-reintegracao-494254.php

Pra acompanhar:

Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/

Movimento #OcupeEstelita > https://www.facebook.com/pages/MovimentoOcupeEstelita/320033178143669?fref=photo

O outro compilado de links que fiz aqui > http://donttouchmymoleskine.com/ocupeestelita/

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#OcupeEstelita

por   /  03/06/2014  /  15:15

Recife ferve – e nos dá a esperança de que tudo pode mudar, desde que gente muito articulada se junte para protestar, reclamar, mostrar alternativas e ocupar a cidade. Reuni alguns links pra gente ficar por dentro. Acrescentem sugestões nos comentários!

- Pra começar, uma bela foto de Eric Gomes e um vídeo do Trem do Forró no #OcupeEstelita > https://www.youtube.com/watch?v=KJdzvac7Y8k&feature=youtu.be

- Pra acompanhar todo dia:

Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/

#ResisteEstelita > https://www.facebook.com/pages/Resiste-Estelita/656041921137604?ref=stream

- Uma foto linda de Leonardo Cisneiros.

- Carta ao prefeito do Recife, Geraldo Júlio. Assinem! > http://www.change.org/pt-BR/peti%C3%A7%C3%B5es/carta-ao-prefeito-do-recife-geraldo-j%C3%BAlio

- Na Carta Capital: O que a imprensa do Recife não conta sobre o Estelita, por Mariana Moreira e Mariana Martins > http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/cronica-de-uma-morte-anunciada-a-cobertura-do-ocupeestelita-em-pe-3964.html

- No blog do Alex Antunes: Smells Like Mangue Bitch > https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/smells-mangue-bitch-233815698.html

- No blog Brasil, da Folha: Entenda a “guerra” que agita o Recife às vésperas da Copa do Mundo > http://brasil.blogfolha.uol.com.br/2014/05/30/entenda-a-guerra-que-agita-o-recife-as-vesperas-da-copa-do-mundo/

- Na Vice: O Recife colocou seus últimos espaços públicos à venda e parte da população local não está gostando nada disso. > http://www.vice.com/pt_br/read/o-recife-colocou-a-venda-seus-ultimos-espacos-publicos-e-parte-da-populacao-local-nao-esta-gostando-nada-disso

- Na Folha: Terras públicas para quem?, por Raquel Rolnik. “O movimento “Ocupe Estelita” contesta a legalidade do leilão e denuncia a ausência de estudos de impacto, entre outros pontos. Mas, principalmente, reivindica espaços públicos de diálogo que permitam a negociação de propostas alternativas, já que se trata de intervenção em local estratégico da cidade. O que acontece no Recife é apenas um exemplo da longa história do ocaso das terras públicas no Brasil. A decisão sobre o que fazer nesses terrenos, por que, como e pra quem é fundamental para nossas cidades e merece debate público amplo, aberto e transparente.” > http://www1.folha.uol.com.br/colunas/raquelrolnik/2014/06/1463510-terras-publicas-para-quem.shtml

- PCR suspende alvará de demolição dos armazéns do Cais José Estelita > http://www2.recife.pe.gov.br/pcr-suspende-alvara-de-demolicao-dos-armazens-do-cais-jose-estelita/

- A imprensa classe média, por Érico Andrade. “Para a imprensa é preciso dizer que queremos mais do que a suspensão do Novo Recife sem deixar de dizer, contudo, que já somos vitoriosos porque a especulação imobiliária e o desrespeito ao planejamento urbano, bem como o desrespeito às leis que regem a cidade começam a ser combatidas. As armas dos Direitos Urbanos são, sabemos: as leis, a consistência dos argumentos sólidos e técnicos e, principalmente, a participação de milhares de pessoas que se encarregam de publicizar o direito ao contraditório que a imprensa se nega a mostrar.” > http://direitosurbanos.wordpress.com/2014/06/03/a-imprensa-classe-media/

- No Estadão: Projeto imobiliário de R$ 800 milhões se torna alvo de guerra jurídica no Recife > http://m.estadao.com.br/noticias/brasil,projeto-imobiliario-de-r-800-milhoes-se-torna-alvo-de-guerra-juridica-no-recife,1174016,0.htm

- Uma foto de H.d. Mabuse.

- Pequeno guia para entender as críticas e propostas do #OcupeEstelita > https://midiacapoeira.wordpress.com/pequeno-guia-para-entender-as-criticas-e-propostas-do-ocupeestelita/

- Um texto de João Vale:

Hoje a cidade foi Refundada.
Como disse Jampa, temos um novo Marco Zero.
Não mais o marco zero do português colonizador.
Mas dos cidadãxs exercendo seus direitos.

10.000 pessoas em fluxo
abençoam esse nascimento.

Acabou-se, Consórcio Novo Recife.
A partir de amanhã nós
vamos debater mesmo
não mais a reintegração de Posse
mas a RETIRADA de vocês 
das decisões sobre a cidade.

EVOÉ, UM RECIFE NOVO SURGIU
Obrigado Moura Dubeux, Queiroz Galvão e construtoras!
Vocês ajudaram a cidade a se RE-CONHECER!

A HISTÓRIA SE ABRIU NOVAMENTE
A UTOPIA ESTÁ BRINCANDO DE NOVO

- O projeto Novo Recife é ilegal? Liana Cirne Lins responde.

- O #OcupeEstelita defende que o cais fique abandonado? Ana Paula Portella responde.

- O projeto Novo Recife vai garantir o acesso da população ao interior do Cais José Estelita? Cristina Lino Gouvêa responde.

- O “Novo” Recife é um projeto que integra a cidade? Mateus Alves responde.

- Esclarecimentos sobre o projeto Novo Recife, por Belize Câmara > http://direitosurbanos.wordpress.com/2012/12/29/esclarecimentos-sobre-o-projeto-novo-recife-por-belize-camara/

- Qual o problema da verticalização?, por Leonardo Cisneiros > http://direitosurbanos.wordpress.com/2014/03/23/qual-o-problema-da-verticalizacao/

- Sobre o Novo Recife e o modo de “fazer de otário” toda uma cidade, por Renato Feitosa > http://ombudspe.org.br/artigos/sobre-o-novo-recife-e-o-modo-de-fazer-de-otario-toda-uma-cidade/

- Foto tirada do Direitos Urbanos > https://www.facebook.com/photo.php?fbid=769734759713293&set=gm.604673339630249&type=1

- Nossos filhos merecem uma cidade que respeite a sua história. Negocia, prefeito! > http://vimeo.com/96808315

- Contra-editorial ao Jornal do Commercio, por Edilson Silva > https://www.facebook.com/groups/direitosurbanos/permalink/604056536358596/

- Uma fala de Cristiano Ramos: “Para além de ocupação, reintegração e destinação, o Estelita será sempre um desses momentos mágicos – igualmente encantadores e terríveis – que nos servem como fenda da fechadura, janela a revelar afetos insuspeitos e demonstrar que algumas estupidezes eram ainda maiores do que imaginávamos. Depois dele (ou melhor seria dizer “com ele”, já que não nos deixará?), teremos vontade quase irrefreável de alguns abraços, mas também precisaremos trocar de calçada muitas vezes, por saber que alguns diálogos (que ainda tentávamos) são praticamente impossíveis, além de extremamente perigosos. Estelita, candeia de tanta ternura; Estelita, seta que não nos deixará esquecer as possibilidades da ignorância e da truculência – horrendamente travestidas de informação e modernidade.”

- O sucesso do #OcupeEstelita e nossos vinte centavos, por Ivan Moraes Filho: “E estando lá, junto, cada um pôde dar sua contribuição, da maneira que achou conveniente. Não é pouca coisa ver tanta gente feliz num mesmo lugar com pouquíssima estrutura e nenhuma produção profissional. Num evento sem seguranças contratados, sem polícia e sem nenhum incidente que pudesse ser considerado como ponto negativo. Uma coisa linda de se ver é a capacidade que ainda temos de aprender e de conviver uns com os outros. O bloqueio da mídia foi vencido. A má vontade do poder público começa a ser superada diante da repercussão nacional e internacional do que acontece no Recife. Não há como ficar mais claro do que está: sobre o Cais, o que se quer é que toda a sociedade possa participar do debate sobre o que será construído na área através de um processo transparente e democrático.” > http://www.bodega.blog.br/anacronicas/o-cais-jose-estelita-sao-nossos-vinte-centavos/

- No Le Monde Diplomatique: A cidade que luta para não se tornar invisível. “Há alguns anos, Recife passa por um processo agressivo de transformação urbana. Nos acostumamos com o surgimento de um novo espigão em cada esquina: bairros formados tradicionalmente por casas mudam de maneira drástica com a demolição destas para a construção de prédios compridos. Comunidades inteiras são desalojadas sem o mínimo planejamento social. O que antes era uma rua de quintais, terraços e jardins, hoje é uma paisagem inóspita de muros altos, fachadas espelhadas e muitas vagas na garagem. Com a conivência do poder público, multiplicam-se os projetos imobiliários que visam apenas a geração de lucros e ignoram a dimensão humana. Assistimos à transformação do Recife amarelado de Renato Carneiro Campos, do Recife de cadeiras na calçada de Manuel Bandeira, do Recife cheio de gente de Alcir Lacerda, numa metrópole em que progresso contradiz identidade. Vemos a reprodução de um modelo de desenvolvimento urbano que espelha o fracassado sucesso de grandes cidades feitaspara poucos, como Dubai ou Miami: as grandes construtoras dominam o nosso solo, capitalizando a paisagem e segregando a urbe.” > http://www.diplomatique.org.br/acervo.php?id=3068

- Lia de Itamaracá no #OcupeEstelita. Emocionante!

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um novo significado para o casamento

por   /  17/07/2013  /  8:11

Casamento é a união formal de um homem e um mulher, pela qual eles se tornam marido e esposa, certo?

Não mais.

Depois que o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado nos Estados Unidos, um grupo de artistas anônimos decidiu hackear o significado da palavra no Oxford American Dictionary.

Eles criaram adesivos com a nova definição, que diz: “casamento é a união formal de duas pessoas, pela qual elas se tornam parceiras para a vida”. E saíram colando a novidade em dicionários de livrarias e bibliotecas de Nova York

Quem quiser fazer o mesmo, pode baixar os adesivos e sair hackeando dicionário por aí!

Mais em > http://hackmarriage.tumblr.com/

(Via Animal New York)

 

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o povo unido é gente pra caralho

por   /  21/06/2013  /  13:05

Bom texto do Michel Laub: O oposto da ironia é o pensamento literal, cheio de certezas, que em sua pior face deságua na patrulha ideológica, quando não em intolerância religiosa e moral. São culturas também dominantes hoje, por certo. Mas dizer que todo militante é fanático equivale a dizer que toda ironia é cínica, que toda ponderação é diversionismo e covardia. Ao contrário do que parece, o caminho do meio é tortuoso. A internet não é apenas um veículo que divulga passeatas de forma rápida e inédita. Há algo em sua essência que favorece a mobilização polarizada: porque em geral falamos para grupos que pensam como nós, a tendência é que as ideias circulem sem contraditório, e a competição de quem fala mais alto o que os outros já sabem e querem ouvir torna as palavras gradualmente mais enfáticas, mais raivosas. Ocorre que, numa ironia sobre o discurso irônico –típico do moderado cético, com sua mania enfadonha de ver a questão por diversos lados–, não deixa de ser otimista (o contrário da desistência blasé) acreditar que interlocutores estão dispostos a perceber nuances numa hora destas, por mais óbvias que sejam. De qualquer forma, vamos lá: 1) condenar excessos policiais não significa defender a baderna; 2) identificar tentativas de infiltração partidária não é criminalizar partidos; 3) distorções graves da democracia representativa não tornam aceitáveis as alternativas (como o fascismo disfarçado de democracia direta). > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/114968-ironia-e-protestos.shtml

A foto acima é da Mídia Ninjahttps://www.facebook.com/midiaNINJA

Acompanhem a Pós TV também > http://www.postv.org/http://twitcasting.tv/pos_tv

Está tudo tão estranho. E não é à toa. Texto da socióloga Marília Moschcovich > https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a

Manual de Ouro do Manifestante Idiota, por Bruno O. Barros > http://ilustrebob.com.br/2013/06/manual-de-ouro-do-manifestante-idiota/ (obrigada por compartilhar, Carol Almeida)

E, em São Paulo, o Facebook e o Twitter foram às ruas. Literalmente, escreve Leonardo Sakamoto: A manifestação de segunda, gigantesca, acabou por mudar o perfil dos que estavam protestando em favor da tarifa. O chamado feito pela redes sociais trouxe as próprias redes sociais para a rua. Quem não percebeu que boa parte dos cartazes eram comentários de Facebook e Twitter? Portanto, nem todos os que foram às ruas são exatamente progressistas. Aliás, o Brasil é bem conservador – da “elite branca” paulistana à chamada “nova classe média” que ascendeu socialmente tendo como referências símbolos de consumo (e a ausência deles como depressão). É uma população com 93% a favor da redução da maioridade penal. Que acha que a mulher não é dona de seu corpo. Que é contra o casamento gay. Que tem nojo dos imigrantes pobres da América do Sul. Que apoia o genocídio de jovens negros e pobres nas periferias das grandes cidades. Ou seja, não é porque centenas de milhares foram às ruas por uma pauta justa que a realidade mudou e vivemos agora em uma comunidade de Ursinhos Carinhosos. (…) Mas um grupo, principalmente de jovens, precariamente informado, desaguou subitamente nas manifestações de rua, sem nenhuma formação política, mas com muita raiva e indignação, abraçando a bandeira das manifestações. A revolta destes contra quem portava uma bandeira não foi necessariamente contra partidos, mas a instituições tradicionais que representam autoridade como um todo. Os repórteres da TV Globo, por exemplo, não estão conseguindo nem usar o prisma com a marca da emissora na cobertura – e não é só por conta de militantes da esquerda. Alckmin e Haddad, que demoraram demais para tomar a decisão de revogar e frear o caldo que entornava, ajudaram a agravar a situação de descontentamento com a classe política. “Que se vão todos”, pensam esses jovens. “Não precisamos de partidos para resolver nossos problemas”, dizem outros, que não conhecem a história recente do Brasil. “Políticos são um câncer”, que colocam todo mundo no mesmo balaio de gatos. Elas não entendem que a livre associação em partidos e a livre expressão são direitos humanos e que negá-los é equivalente a um policial militar dar um golpe de cassetete em um manifestante pacífico. Dito isso, creio que foi um erro de análise de militantes de partidos estarem presentes no ato empunhando bandeiras. Direito eles tinham, mas não era a hora. (…) Dentre esses indignados que foram preparados, ao longo do tempo, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia para tratarem o mundo de forma conservadora, sem muita reflexão, tem gente simplesmente com muita raiva de tudo e botando isso para fora. O PSDB tem culpa nisso. O PT tem culpa nisso. Pois, a questão não é só garantir emprego e objetos de consumo. Sinto que eles querem sentir que poderão ser protagonistas de seu país e de suas vidas. E vêm as classe política e as instituições que aí estão como os problemas disso. > http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/06/21/e-em-sao-paulo-o-facebook-e-o-twitter-foram-as-ruas-literalmente/

Brazil’s protesters in their own words > http://thelede.blogs.nytimes.com/2013/06/20/brazils-protesters-in-their-own-words/?smid=fb-share&_r=0

Texto do Igor Gielow: Emparedados por uma força nova e insondável, que transbordou do mundo virtual para as ruas, curiosamente os governantes apelaram para uma arma tradicionalíssima: o populismo. (…) Exceto que os governos tenham serviços de inteligência excepcionais, que lhes tenham garantido que o Facebook era aparelhado pelo MPL e voltará a ser território de fotos de bichinhos fofos, apelos humanistas rasos e afins, não. As imagens do começo da noite de ontem em na TV não insinuavam prognóstico muito mais róseo. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114936-governantes-apelaram-para-arma-tradicional-o-populismo.shtml

Os R$ 0,20 de aumento do transporte público foi o gatilho nesse processo de deterioração nas relações entre representantes e representados. Mais uma dentre tantas outras demandas sociais feridas pelo poder público ao longo de anos. Até aí, nenhuma novidade. Mas foi o suficiente para fertilizar um campo minado. Ao deixar o virtual para protestar no mundo real, da universidade às ruas, provocou a identificação imediata dos mais diferentes estratos sociais. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114941-manifestacoes-refletem-crises-de-representacao-e-representatividade.shtml

Foto de André Dusek, do Estadão > http://estadaofotos.tumblr.com/

Quem não gosta de partido é ditadura. Hora de escolher: ou dar as mãos aos skinheads neonazistas ou abraçar a tolerância e a democracia, escreve Mario Magalhães: Não está em debate o mérito do partido X ou Y, no governo ou na oposição, menos ou mais comportado. Nem se um sindicato representa dignamente ou não seus filiados. Ou mesmo se os imensos protestos resultam de força ou fraqueza de uma ou outra sigla _as opiniões são legítimas sobre todas essas questões. O que se discute é o direito democrático de seus integrantes participarem das manifestações. Desde os primeiros atos do Movimento Passe Livre, duas semanas atrás, os partidos tiveram direito de estar presente. No Rio, foi assim há quatro dias. Se outros chegaram ontem, é também seu direito, porque inexiste veto dos organizadores dos protestos, onde se sabe quem são eles. Como se disseminou um robusto sentimento antipartidos, sobretudo na classe média, os neonazistas capitalizam frustrações e comandam os ataques. É legítimo rejeitar siglas, tomar distância delas e derrotá-las nas urnas. Impedir sua expressão é mania de ditaduras.  Além de ser irônico que determinadas agremiações, cuja militância foi decisiva na construção do movimento contra o reajuste das tarifas, sejam agora reprimidas. Não deixa de ser curioso: quem protesta contra algumas covardias policiais agride covardemente quem não concorda com suas ideias. A faixa “Meu partido é meu país” é tão legítima como a do partidinho mais mequetrefe. Todos têm direito de se manifestar. > http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2013/06/21/quem-nao-gosta-de-partido-e-ditadura-hora-de-escolher-ou-dar-as-maos-aos-skinheads-neonazistas-ou-abracar-a-tolerancia-e-a-democracia/ (obrigada também, Carol)

Texto da Eliane Cantanhêde: As ruas do país estão em chamas, enquanto a Bolsa derrete, o dólar dispara e o índice de emprego –que se mantém muito bom– já não dá para o gasto político. Foi engolido pelas más notícias na economia e pela frustração popular. O curioso é que, saia Mantega ou não, a protagonista é outra e o filme está ficando repetitivo. Em janeiro, como escrito neste espaço, a ordem de Lula era “destravar” a economia e o governo ou, quem sabe, destravar a própria Dilma. Cinco meses depois, lê-se na própria Folha que agora Lula quer dar uma “chacoalhada” no governo (ou, quem sabe, chacoalhar a própria Dilma?). De lá para cá, a coisa desandou rápida e surpreendentemente. A acusação a Dilma é que, em dois anos, ela torrou o patrimônio político, econômico e social que herdou de Lula. A família lulista está tão em pé de guerra quanto os manifestantes que, por pouco, não subiram a rampa do Planalto na quinta-feira de fúria. Até o fechamento desta edição. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/114990-no-colo-de-dilma.shtml

Taking to the streets, texto da Economist: That has left commentators—and some marchers—struggling to explain why Brazil has taken to the streets. There is no shortage of causes. Violent crime and political corruption are endemic; police brutality is commonplace in poor neighbourhoods. Crack cocaine is sold and consumed openly in every big city. Brazilians pay taxes at rich-world rates (36% of GDP) and get terrible public services in return. The cost of living is startling. A minimum-wage worker in São Paulo whose employer does not cover transport costs (an obligation for formal employees) must spend a fifth of his pay to slog to work on a hot, overcrowded bus from the city’s distant periphery. But none of this is new. In fact, the past decade’s economic growth has brought the biggest gains to those at the bottom of the heap. So why now? One reason is that the world is watching: the Confederations Cup, a dress rehearsal for next year’s tournament, kicked off on June 15th. Another is a recent spike in inflation, which is eating into consumers’ buying power just as a credit binge has left them overstretched. > http://www.economist.com/news/americas/21579857-bubbling-anger-about-high-prices-corruption-and-poor-public-services-boils-over

Charge do Patrick Chappatte para o NYT > http://www.nytimes.com/2013/06/20/opinion/global/chappatte-cartoon-protests-in-brazil.html?_r=3&

Texto do Fernando Rodrigues: No dia em que o Brasil e Brasília protagonizaram os mais abrangentes protestos de rua das últimas décadas, a presidente da República ficou muda no Palácio do Planalto e o governador do Distrito Federal foi a um evento na Embaixada da França. Dilma Rousseff e Agnelo Queiroz (PT) são o epítome dos governantes brasileiros. Resumem a perplexidade e falta de capacidade de liderança dos políticos de vários partidos diante do novo fenômeno de protestos sem líderes nem propostas definidas. Tanto a presidente como a maioria dos governadores formataram um discurso com três componentes. Primeiro, elogiam a democracia. Segundo, enaltecem os atos pacíficos. Terceiro, condenam as ações de vandalismo. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115083-silencio-de-presidente-resume-ausencia-de-acao-dos-politicos.shtml

Para saber mais sobre o MPL (Movimento Passe Livre) > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115092-passe-livre-prega-expropriacao-do-transporte-coletivo.shtml

O povo no poder > http://opovonopoder.tumblr.com/

As brazilian protests continue, the movement remains elusive. But who are the new Brazilian insurgents? What do they want, and how will they parlay their exhilarating slogans and righteous fury over a litany of issuesinto real change and policies? (…) In a sense, the Brazilian insurgency is a copy cat uprising, taking its cues from the rebels in Istanbul, Tunis, and Cairo, where young people with a gripe and smartphones spilled into the streets to make history and tweet it at the same time. Brazil’s intifada also is driven by amorphous crowds fed up with the status quo and driven by a politically combustible mix of resentment, frustration, and hope, with no clear manifesto or well-articulated plan. One of the defining aspects of the uprising is its elusiveness. The student rebels do not want leaders; they reject existing political parties and distrust elected officials. They are the sons and daughters of a generation of Brazilians who fought the dictatorship, helped revive direct elections, and laid down their arms and stones to be voted into power. Now they are turning on their godfathers, and their list of grievances against “just about everything” (tudo isso que está aí, in Portuguese) is a work in progress, grounded by a refusal to patronized.  Some 53 percent of Brazilian youths doubt that elections are honest, says Marcelo Neri, Brazilian secretary of strategic affairs and a social-policy expert. What’s also clear is how the movement blindsided politicians and academics, many of whom had comforted themselves with elaborate surveys and data points that consistently showed that Brazilians are ever more prosperous, confident, and hopeful about their future. “No one saw this coming,” says Carvalho. “Everyone was convinced that everything was OK.” > http://www.thedailybeast.com/articles/2013/06/20/as-brazilian-protests-continue-the-movement-remains-elusive0.html

Brazil rage spills onto the street > http://rt.com/news/brazil-protests-transport-unrest-871/

Mesmo após a redução em série das tarifas de ônibus, principal reivindicação dos protestos que tomaram conta do país, novos atos levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas e resultaram numa onda de violência e vandalismo em 13 capitais. Ocorreram ataques ou tentativas de invasão a órgãos dos Três Poderes em nove cidades. Ações de repúdio a partidos políticos foram recorrentes. Em Brasília, que contabilizou mais de 50 feridos, houve ameaça de invasão ao Palácio do Planalto e ao Congresso, depredação de órgãos como Itamaraty e Banco Central e pichação de outros dois ministérios. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115081-violencia-se-espalha-pelo-pais.shtml

Após uma série de atos de hostilidade contra militantes de partidos durante o ato que comemorou a revogação do aumento nas tarifas dos transportes, realizado na noite de quinta-feira (20) na avenida Paulista, região central de São Paulo, o MPL (Movimento Passe Livre) – que vinha convocando os atos desde a semana retrasada – anunciou em entrevista à rádio CBN que não irá mais fazê-lo. “O MPL não vai convocar novas manifestações. Houve uma hostilidade com relação a outros partidos por parte de manifestantes, e esses outros partidos estavam desde o início compondo a luta contra o aumento e pela revogação”, afirmou Douglas Beloni, do MPL. Além disso, o aumento no número de manifestantes que propõem ‘pautas conservadoras’ também motivou a decisão. “Nos últimos atos pudemos ver pessoas pedindo a redução da maioridade penal e outras questões que consideramos conservadoras. Por isso suspendemos as convocações”. > http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/21/apos-hostilidade-a-partidos-e-pauta-conservadora-mpl-nao-convocara-mais-atos.htm

Minha briga, por Alexandre Versignassi > http://super.abril.com.br/blogs/crash/minha-briga/

Roda Viva com o Movimento Passe Livre:

Globo abandona grade do horário nobre para transmitir ‘manifestação tranquila’ país afora > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115087-globo-abandona-grade-do-horario-nobre-para-transmitir-manifestacao-tranquila-pais-afora.shtml

Transporte e Copa devem motivar novos protestos: “Uma bandeira dos jovens é: partido não me representa’”, diz Renato Meirelles, presidente do instituto. Os protestos também são uma forma de a população mostrar que não basta aumentar o poder de consumo para ser feliz, analisa Caldas. A crença de que se a economia vai bem, tudo vai bem, não serve mais, diz o sociólogo: “Não é a economia, estúpido. É a política”. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/115102-transporte-e-copa-devem-motivar-novos-protestos.shtml

Mulher atacada por PM com spray de pimenta diz que sofreu tortura psicológica > http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/06/19/carioca-do-nyt-diz-que-sofreu-tortura-psicologica.htm

Que ótimo esse vídeo do PC Siqueira!

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#aadmudabrasil

por   /  20/06/2013  /  13:42

Autoajuda do dia convida! ♥

#aadmudabrasil | O Brasil vive um momento único em sua história. Pelo país inteiro vemos milhões de pessoas nas ruas e, ao contrário das campanhas lideradas por políticos e partidos no passado, neste novo tempo em que vivemos cada um leva na mão seu pequeno cartaz, com seus próprios desejos de mudança. Cada um tem a sua causa e luta da maneira que acha melhor. Em comum, todos têm uma grande vontade: a de batalhar para que o país que tanto amamos se torne um lugar melhor para vivermos. Nesse período tão especial (que esperamos que dure por muito tempo!), perguntamos: quais são as mudanças que você quer para o Brasil? Escolha a frase que representa o seu desejo, coloque-a em uma foto ou em um pôster e mande pra gente usando a hashtag #aadmudabrasil. Juntando todas as vontades, vamos ter cada vez mais consciência de tudo o que precisa ser feito, nos fortalecendo para ir atrás das mudanças que o Brasil desesperadamente precisa! Aguardamos suas imagens!

A ilustração linda é da @joanalira > www.joanalira.com.br

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músicas para mudar o mundo

por   /  19/06/2013  /  14:58

Ninguém consegue pensar, falar, viver outra coisa além desse momento histórico. E isso é sensacional!

De trilha sonora para esses tempos, fiz uma mixtape: Músicas para mudar o mundo.

Tem de tudo: Tom Zé, Gil Scott-Heron, Geraldo Vandré, Gal Costa, Marvin Gaye, Patti Smith, Sex Pistols, Caetano e muito mais.

São mais de 30 músicas! E quem acompanha as mixtapes, sabe que meu número mágico é 13. Mas foi impossível. Tem coisa demais pra gente ouvir.

E como o momento é de fazermos tudo juntos, deixo a mixtape aberta para quem quiser incluir mais músicas!

A foto linda é do Rubens Kato, que encontrou esse grupo na av. Paulista, na última segunda-feira.

Ouçam e participem! ♥

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17 de junho de 2013

por   /  18/06/2013  /  12:37

Reflexo em fachada de prédio mostra o protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro, pela Avenida Rio Branco, chegando ao Teatro Municipal, no centro da cidade. A foto é do Fabio Mota, do Estadão.

Dilma, Alckmin, Haddad, Cabral, Sarney, Feliciano, partidos políticos, corrupção, polícia, violência, saúde, educação, cotas, inflação, imprensa, Fifa, Copa do Mundo e, é claro, transporte público. As manifestações que ganharam corpo em São Paulo desde o último dia 6 contra o reajuste das tarifas de transporte tomaram o país ontem e se tornaram um enorme protesto contra tudo e contra todos. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114592-contra.shtml

São, São Paulo, meu amor! Foto de Miguel Schincariol, da AFP.

Foto linda da @elisamatile para o Amores Anônimos! ♥ http://instagram.com/amoresanonimos

As manifestações que tomaram as ruas do país na noite de ontem tiveram invasões e tentativas de entrada em sedes dos poderes Legislativos e Executivos. Em Brasília, onde milhares de jovens se concentraram na Esplanada dos Ministérios, houve ocupação do teto do Congresso. > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114600-teto-do-congresso-e-ocupado-grupo-tenta-invadir-sede-do-governo-de-sp.shtml

Os milhares de manifestantes que marcharam ontem nas ruas de grandes metrópoles estão divorciados dos grandes partidos políticos. Nenhuma legenda conseguiu ainda capitalizar a seu favor os protestos. Por essa razão, torna-se imprevisível o desfecho do movimento. Pode resultar em algumas mudanças ou dar em nada. Texto do Fernando Rodrigues > http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/114601-movimento-esta-divorciado-dos-politicos-tradicionais.shtml

A foto é daqui.

As redes, nas ruas, no Brasil. Texto do Silvio Meira. “as redes, em si, não mudam nada: o barulho social dificilmente mudará governos, pelo menos enquanto houver uma representação mediando a democracia. para mudar um estado de coisas, hoje, a articulação em rede tem que ir pra rua, pois as redes são apenas plataformas de conexão para relacionamento e interação. as estruturas de poder estão no mundo real e é nele que as pessoas precisam agir. e pouco adianta, por outro lado, “desligar a rede”, como o egito chegou a tentar: tudo depende da internet, hoje, do próprio governo às bolsas e quase tudo que há em uma sociedade minimamente funcional. desligar a rede é parar o país, e quase não é mais possível em nações estruturadas, ditatoriais ou não.” > http://terramagazine.terra.com.br/silviomeira/blog/2013/06/18/as-redes-nas-ruas-no-brasil/

O Instamission também faz parte do movimento! Fotografe como você muda o país > http://instamission.com/

Carta amarela #58, por Guilherme Poulain. “Pois é. Em mim a carapuça também serviu. E aí, nesse exato momento do país fico pensando se eu não devia começar a revolução por mim mesmo? Fazer barulho adianta sim, e é importante. Talvez se eu começasse a pensar nas pequenas “malandragens” que faço, eu também faria do Brasil um pouco melhor. A gente concentra todas as nossas energias em encontrar os culpados. Uns querem tirar a Dilma do poder. Muitos querem acabar com a corrupção. Mas a corrupção só acaba se entrarem pessoas honestas no poder. Mas quem aí pode levantar a mão de ser 100% honesto? Espero que com esse barulho todo a gente consiga sim mudar o país. E é por isso mesmo que quero me orgulhar de ser um cidadão a altura de um novo país. Se o Brasil está em progresso, que estejamos nós em progresso também.” > http://moldandoafeto.com/2013/06/18/carta-amarela-58-em-progresso/ (obrigada por dividir, Julia!)

Patti Smith, grande musa! > https://www.facebook.com/pages/Patti-Smith/212587898832647

Foto da @carolsorelli.

Foto de Mauricio Lima para o New York Times.

Thousands gather for protests in Brazil’s largest cities > http://www.nytimes.com/2013/06/18/world/americas/thousands-gather-for-protests-in-brazils-largest-cities.html?ref=brazil&_r=0

Brasília!

Do Twitter d’O Globo.

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nova york está com o brasil

por   /  18/06/2013  /  10:49

17 de junho, um dia para nunca esquecer! ♥

Acompanhei pela internet os protestos no Brasil e fiquei emocionada o dia inteiro! Que força, que energia, que esperança, que vontade de mudar o mundo! E sabe o que é melhor? O mundo já tá mudando!

No começo da noite, fui pra Union Square, em Nova York, onde os brasileiros que moram aqui se reuniram para reverberar tudo o que tá acontecendo no Brasil. Foi lindo de ver!

Fiz algumas fotos, que vocês vêem ao longo deste post.

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