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Maria Beraldo: “A música só pode me salvar e não me afundar”

por   /  05/04/2018  /  9:00

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Existe algo de hipnotizante quando Maria Beraldo encara a câmera e começa a cantar. Tem força e mistério, como em “Cavala”. E também tem suavidade, uma aproximação de quem liga o computador, pega o violão e se diverte com aquilo que sabe fazer desde criança.

Cantora, compositora, clarinetista e claronista, Maria se prepara para iniciar a carreira solo, aos 29 anos. Vai até domingo (08/04), aliás, a campanha de financiamento de seu disco no Catarse (apoiem!).

Ela faz parte da banda de Arrigo Barnabé em “Claras e Crocodilos” e da Quartabê. Já gravou Moacir Santos, este ano lança um disco a partir da obra de Dorival Caymmi, além de assinar os arranjos de sopros de algumas faixas do novo CD de Elza Soares. Também vai lançar o primeiro álbum do trio Bolerinho.

Na entrevista abaixo falamos de música e de ser mulher, tópicos do nosso maior interesse.

Mais: @mariaberaldobastos_ + facebook.com/beraldomaria

– O que a música representa na tua vida?

Poxa, essa pergunta é coisa muito séria. Tão séria que eu acredito que vou levar a vida descobrindo e transformando uma possível resposta, mas tenho nesse momento uma sensação com relação a ela, que não é exatamente uma resposta.

No processo de produção do meu disco solo – que começou há alguns meses como produção, e como composição há uns 4 anos – eu percebi mais objetivamente a função emocional da música na minha vida. Tem uma coisa física de preenchimento emocional. De cuidar das minhas carências e preencher buracos de uma maneira muito objetiva. Sou muito passional e algumas pessoas são donas do meu humor, ou minha relação com essas pessoas. Descobri nesse processo como minha relação com a música também opera nesse âmbito. Conduz processos emocionais profundos e rasos, pode me salvar e me afundar. E me dar extremo e muito prazer.

Mas isso é uma divagação e pode parecer blablabla. Mas, ora, se não fosse isso eu não dedicaria minha vida a fazê-la – fazer-me.

A música é a maneira que eu tenho de dizer. É como aprendi a me expressar. É uma ferramenta de transformação pessoal muito potente e uma via de condução.

Faço música desde os 6 anos de idade tocando instrumentos e desde a barriga ouvindo e cantando. E vejo na música que faço em cada período da minha vida quem eu era naquele momento. Talvez a via mais transparente de mim.

Nesse sentido acredito que ela só possa me salvar e não me afundar.

Venho estreitando minha relação com ela e comigo.

E isso tudo porque aprendi os afetos em conexão com a música.

Meus pais são músicos, minha irmã também, e mais dois irmãos, todos esses músicos profissionais. Então pra mim muita coisa foi aprendida com essa via, esse meio de comunicação com as outras – que não exclui os homens – e comigo.

Me toca a música dos outros – quando me toca.

Me comunico profundamente através dessa coisa que ela é.

– Ser mulher na música significa….

Adoraria responder que ser mulher na música significa ser uma pessoa na música. Ou que ser mulher na música significa ser mulher na música, mas não chegamos nesse ponto ainda.

Ser mulher na música é uma luta. Me encontro cada vez mais como mulher – a mulher que eu quero ser a cada instante, não a que está descrita nas bulas – e cada vez mais como uma pessoa que se coloca como indivíduo na música – e isso me leva de volta ao coletivo automaticamente.

Acredito que toda mulher que busca sua autonomia na música é uma mulher de luta, e cada uma encontra sua maneira. Eu encontrei uma agressividade muito grande que é minha, combinada com uma doçura, e assim digo o que tenho pra dizer, busco o que tenho pra buscar. Tenho muitos sofrimentos como mulher no meu corpo, e meu corpo é feito de muitas mulheres que sofreram por suas vidas inteiras, e esse sofrimento talvez, de maneira exponencial, é pensando cronologicamente nas gerações de frente para trás. Sinto essa vibração em mim – parece que minha matéria encontra sua potência quando se dispõe a tal conexão com essas pessoas, as do presente que são feitas de muitas outras pelas linhas múltiplas dos tempos. Nada místico, nada premeditado, só foi acontecendo. Fui encontrando minha identidade em uma agressividade que eu não conhecia e que me leva a transformações. A doçura igual, mas ela eu já a conhecia e me cansei um pouco, mas permanece.

Me sinto muito acolhida pelas mulheres. Virei mulher na música num momento de glória – estamos finalmente mais atentas, mais juntas.

As dificuldades, os absurdos, os assassinatos, permanecem, mas sinto que estejamos criando ferramentas para irmos nos levantando. Juntas.

– No que você tá trabalhando agora?

Agora estou mergulhada no meu primeiro disco, “Cavala”. Estou terminando a produção dele junto com o Tó Brandileone, começando a mixar com o Ricardo Mosca e produzindo o clipe do single que antecederá o álbum.

Estou trabalhando muito no meu projeto de financiamento coletivo para este disco, na plataforma do Catarse: catarse.me/mariaberaldo

Estou ensaiando com a Quartabê – banda que tenho com Mariá Portugal, Joana Queiroz e Chicão – o nosso terceiro disco, desta vez a partir da obra de Dorival Caymmi, com apoio da Natura Musical.

Estou em fase de pré-lançamento do álbum do “Bolerinho”, meu trio com Luísa Toller e Marina Beraldo Bastos (sim, minha irmã). O disco já está pronto.
Fora isso existe o trabalho com Arrigo Barnabé para o qual vivo na espreita e o qual muito me nutre.

E para além tenho gravado discos de amigos como Rodrigo Campos, Marcelo Cabral, Rômulo Fróes, Manu Maltez e tenho ido ver meus amigos tocando, o que não é um trabalho mas participa dele.

– “Cavala” fala do encontro de duas mulheres. No mundo da música por muito tempo as grandes cantoras não falavam abertamente sobre sua sexualidade, e hoje a gente começa a ver uma mudança. Te dá vontade de falar sobre o assunto? Como é ser lésbica ou sapatão nesse universo?

Ser lésbica exige um posicionamento político. Ou você se omite ou você enfrenta a realidade e rompe muitos padrões sociais e sofre preconceitos.

Eu por muito tempo me reprimi muito, por conta de muitos fatores na minha criação, e também graças a essa mesma criação eu tive forças pra perceber e lutar contra essa repressão.

Encontrei muita força nessa luta – de enfrentar o que for preciso pra poder simplesmente ser, o que jamais poderia ser simples.

A música é um canal muito forte pra mim e encontrei na composição e nesse meu trabalho solo uma via de transformação e de libertação totalmente relacionada à minha sexualidade. Então meu trabalho solo fala disso, tem essa força política ligada ao fato de eu ser lésbica e dos sofrimentos que tive e tenho por isso.

Estão nesse trabalho também os prazeres e orgulhos que tenho e fui encontrando cada vez mais através dele.

Preciso afirmar minha sexualidade porque se eu não afirmo sou engolida pela heteronormatividade e isso me fez muito mal por muito tempo, então sai de dentro de mim em forma de grito.

Me sinto muito bem recebida desse jeito.

Sinto que ajudo muitas mulheres lésbicas com minhas músicas. As pessoas precisam de espelhos, de referências, precisamos saber que não estamos sozinhas porque somos seres de sociedade. Eu cresci sem referência de mulheres lésbicas que eu admirasse e que fossem assumidas. Cresci vendo essas mulheres – que eu admirava e que eram referência pra mim, por exemplo, professoras – omitindo o fato de serem casadas com outras mulheres, ou mesmo sua sexualidade independente de casamento. E isso pra mim sempre foi sofrido. Hoje recebo muitas mensagens nas redes sociais de pessoas que dizem que minha música as ajudou a sair do armário, pessoas totalmente identificadas com minhas músicas, acho que ela tem essa função de espelho, e dá força.

Isso consome muita energia. Para além dos haters que começam a aparecer, e dos amigos que manifestam em forma de preocupações cuidadosas visões que agridem totalmente minha natureza e o posicionamento político que preciso ter para sobreviver nessa sociedade homofóbica (sem perceberem que estão fazendo isso, é claro, mas consumindo muita da minha energia de luta), lido todos os dias com minhas dificuldades pessoais, com a minha remanescente homofobia que às vezes aparece, e me expor tem um custo muito alto, mas não tenho dúvidas de que vale muito à pena.

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– Me indica uma música que você ama desde sempre? E uma que você tá apaixonada recentemente?

Amo desde sempre “Três Estrelinhas” (Anacleto de Medeiros):

To apaixonada por “Consideration” (Rihanna e SZA):

Mais entrevistas com cantoras brasileiras:

O artivismo fundamental da Aíla

O climão de Letrux no melhor disco do ano

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Projeto I’m Tired fala do impacto das microagressões cotidianas

por   /  03/04/2018  /  10:10

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O projeto I’m Tired (@theimtiredproject) “utiliza a fotografia, o corpo humano e as palavras escritas como ferramentas para falar do impacto duradouro que microagressões cotidianas, suposições e estereótipos causam em nossas vidas”. Criado por Paula Akpan e Harriet Evans, tem como objetivo tirar camadas de discriminação para relevar pensamentos e sentimentos que geralmente não são expressados, seja por medo de reação, seja por dúvida se outras pessoas também passam por isso. Forte, né?

Mais: theimtiredproject.com

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O artivismo fundamental de Aíla

por   /  29/03/2018  /  15:15

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Escute “Lesbigay” e prepare-se: a música vai grudar na sua cabeça e vai te fazer querer ouvir muito mais do que Aíla tem para cantar. Ao vê-la ao vivo, a potência impressiona. Ela enche o palco inteiro,  e aí você entende que música boa te faz dançar enquanto fala de algumas das questões fundamentais desse mundo doido em que a gente vive.

Conversei com a cantora paraense em uma extensa entrevista, daquelas que dá vontade de trocar os emails por uma conversa ao vivo, sabe? Espero que gostem!

Mais Aíla: @ailamusic + YouTube + site oficial

As fotos são de Julia Rodrigues.

– Ouvindo seu disco lembrei daquela frase “Se não posso bailar, não é a minha revolução”. Você fez um álbum político do começo ao fim. Conta um pouco sobre ele, sobre como assuntos tão diversos como desmatamento a LGBTfobia te interessam?

De um tempo pra cá, eu senti que precisava falar do hoje, das coisas urgentes que nos cercam, que precisam ser ditas. Eu queria uma poesia mais política. Desde que comecei a idealizar esse novo trabalho, um pensamento que me movia muito era a possibilidade de fazer as pessoas dançarem muito, cantarem alto e refletirem ao mesmo tempo. Sempre imaginei aproximar canções pops, dançantes, desse discurso mais ‘artivista’. Com esse desejo, temas como feminismo, assédio, racismo, homofobia, ocupações, intolerância e resistência ganharam o centro do debate.

Arte é revolução. O maior sentido de fazer arte hoje, pra mim, é transformar o agora, é mover, fazer refletir, cutucar, contra-atacar. Somos responsáveis pela construção de espaços de debates, de diálogos. Apesar de vivermos em um mundo controlado pelo medo, pelo capital, pela repressão, nossa arte precisa ser um sopro de resistência e liberdade. Esse disco é um grito contra a intolerância, o preconceito, o ódio, o aprisionamento, a exclusão.

– Você cresceu na periferia de Belém. O que isso te deu de bagagem?

Acho que a minha origem, a Terra Firme, que é também um dos bairros mais populosos de Belém, tem total relação com as minhas inquietudes, as minhas lutas, as minhas ideologias, as minhas buscas… Tenho muito orgulho de ter vindo da “TF”, e mais feliz ainda de poder estimular outros artistas da periferia a apostarem nos seus sonhos e acreditarem que a arte pode sim fazer revolução.

Foto 2 Julia Rodrigues

– O que te formou musicalmente? O que te inspira a compor?

Desde sempre, fui estimulada a ouvir todo tipo de música, de todos os cantos. Ainda no Pará, pelos LPs e fitacassetes da minha mãe, Mutantes, Tropicália e Jovem Guarda a todo vapor. Pelas frequências das rádios, chegavam os sons quentes da América Central que se misturavam às referências locais, cumbia, calypso, lambada. Pelos carros-som e festas de aparelhagem, em altíssimo volume, ecoava o brega, o tecnobrega, que é o beat da periferia. Na adolescência, ouvi demais música brasileira e de artistas transgressores também: Elis, Cazuza, Cássia, Marina, Arnaldo. Minha formação musical tem muita relação com esse mix de referências, essa multiplicidade… Nos últimos anos, em busca de inspirações pro novo trabalho, conheci muita coisa nova, imergi na obra de uma banda brasileira de pós-punk da década de 80, chamada As Mercenárias, uma banda só de mulheres, com letras diretas, pops, curtas, e políticas, que muito me influenciou a começar a compor. A música “Rápido”, desse meu novo disco, flerta bastante com essa influência. Adentrei em universos de artistas brasileiros que muito me inspiram hoje, como o pernambucano Siba, a multiartista Karina Buhr, o grande Chico César e o próprio Lucas Santtana, que produziu esse meu disco mais recente. Sou fã de artistas que são agitadores políticos também. Um artista posicionado politicamente, nos tempos de hoje, é necessário, urgente, e faz todo sentido pra mim.

– Voltei de Belém ano passado encantando com o tanto de música maravilhosa que ouvi. Como ser de lá influencia a tua música? Quem são os artistas que te formaram, com quem você já trabalhou, com quem deseja trabalhar, o que a música paraense representa pro Brasil?

Belém é incrível mesmo, e é intensa musicalmente. Meu primeiro disco, o “Trelêlê” (2012), reflete muito o início da minha carreira, os tradicionais festivais de canção que eu participei pelo Pará, o convívio com compositores da região norte e todas as influências que me cercavam: carimbó, lambada, brega, guitarrada… A intenção era a de misturar a tradição popular musical do Pará com uma sonoridade mais moderna, muitos discos seguiram esse caminho na época. Naquele momento, tava rolando o “boom tropical” que o Pará viveu e exportou para o resto do Brasil (e exporta até hoje). Aí conheci pessoas queridas, parceiras pra vida toda, como Dona Onete. Fui a primeira cantora a gravar uma música dela, e tenho maior orgulho disso. Meu primeiro videoclipe, lançado em 2013, foi o primeiro videoclipe dela também, “Proposta Indecente”, música que reverberou demais. Em 2015, quando me mudei pra São Paulo, a intenção era de criar novas conexões e fazer circular mais o meu trabalho. Aí novas referências chegaram, novos caminhos. Então veio a vontade de compor sobre o agora… O meu lado ativista e inquieto acabou roubando a cena e fiz o disco “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”. Sinto que me encontrei totalmente nesse trabalho, me conectei comigo de vez. Tem o Pará ali ainda, um outro Pará, que faz dançar, mas cutuca, que tem lambada, mas tem punk também. Um Pará que o Brasil precisa conhecer mais.

Nesse processo todo, já me conectei e trabalhei com muitos conterrâneos, como Banda Strobo, Gaby Amarantos, Felipe e Manoel Cordeiro, Mestre Solano, e tenho buscado me aproximar cada vez mais dos artistas da periferia, onde encontro fortes afinidades, como o rapper Pelé do Manifesto, que pouca gente conhece e tem muito a dizer.

São Paulo, SP, BRASIL 26.05.2016 : Aíla. (Foto: Julia Rodrigues)

– O que ser cantora, compositora, artista, melhor te ensinou e ensina sobre a vida? E quais foram as maiores dificuldades no caminho?


Ser mulher em um país culturalmente machista, em qualquer meio, já trás um peso e uma dificuldade maior pra se alcançar qualquer objetivo, e na música não é diferente. A figura da cantora sempre carregou o estereótipo de “musa”, “diva”, intocável, que só tem que ser “bonita”, cantar “afinada” e ponto. Então pra mim a quebra de padrões já começou daí, fui percebendo que precisava me colocar de outra maneira. Nesse segundo disco, por exemplo, comecei a buscar parceiras mulheres pra compor junto, além de ter também começado a compor as minhas próprias músicas. Em termos visuais, comecei a investir em figurinos mais conceituais, artísticos, esquisitos para alguns, mas que na verdade fogem da imagem “cantora-mulher-sexy”. Eu posso cantar, compor, ser performer, produzir discos, tocar, sei lá, qualquer coisa… Mas as pessoas sempre irão reduzir a minha função somente a “cantora”, isso mostra que não importa a multiplicidade de coisas que uma mulher pode ser, ela sempre será enquadrada na categoria mais aceita pra sociedade machista. Mas sinto que isso tá mudando, e isso tem total relação com a luta feminista, com as nossas mudanças de posturas. Eu, diariamente, luto pelo contrário, seja no palco, ou fora dele, de forma individual ou coletiva, como a ideia de criar o Festival MANA > Mulher, Arte, Narrativas, Ativismo < que aconteceu no ano passado em Belém, um festival de arte e feminismo, idealizado por mim e pela Roberta Carvalho, que é artista visual e minha mulher, e que nasceu com o intuito de debatermos o protagonismo das mulheres nas artes. É isso, precisamos agir pra passar por cima das dificuldades.

– Agora pausa pra uma pergunta de RH: como você se vê daqui a cinco anos? E daqui a 20? O que você quer fazer que ainda não fez?

Ah, não sei muito o que será de mim (pausa dramática, risos)… Mas acho que estarei sempre cheia de inquietudes, lutando por alguma coisa, cheia de vontade de mudar as coisas pra melhor, e isso irá me mover, com certeza. Sendo mais objetiva agora (meu lado escorpiana), daqui há 5 anos, me vejo com mais 2 discos lançados, uns 20 clipes pela internet, 2 turnês internacionais, uma pela América Latina e outra não sei por onde ainda, e já na minha casa própria. Daqui a 20 anos? Uau, difícil imaginar, mas se eu estiver viva (quero estar!), estarei com 50 anos, e já quero ter aumentado a família, meu amor do lado forever, uns 3 filhos, adotados também, uma fazenda orgânica, com toda nossa alimentação diária vinda de lá, minha mãe do ladinho, cheia de saúde. Uma vida de música a todo vapor. Muitas composições novas, parcerias inéditas. E, através da minha arte, fazendo ARTivismo!

– Ser artista no Brasil hoje é…

Resistência pura, mas é necessário seguir.

Por que não se fala da história de amor de Marielle?

por   /  17/03/2018  /  14:59

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Desde que soube da execução da Marielle, entrei em um looping de ler tudo, em todos os lugares. E de pensar em sua companheira. Que não teve sua dor estampada no jornal. A dor de uma mulher lésbica não sai no jornal.

Conversas com amigos e 2 posts me fizeram atentar pra essa questão. “Esse processo (…) reflete a lesbofobia presente nas relações sociais e na forma como nos percebem como abjeções, como vidas que não importam e que não têm o direito sequer de serem reconhecidas como legítimas e, portanto, podemos também ser apagadas, exterminadas. Ademais, ninguém fala da dor da sua companheira Mônica, ela não é ouvida, mas silenciada. É como se os nossos relacionamentos fossem nada, nossas dores fossem nada, o nosso amor fosse nada”, escreveu Simone Brandão Souza.

Imagina perder a mulher da sua vida em uma execução que mudou o Brasil e ninguém te citar? Ah, isso desvia o foco? Falar do amor de Marielle não desvia o foco. É mais uma violência. Não falar do amor de Marielle diminui inclusive a luta que a própria travava. Ela defendia a visibilidade lésbica – tema que lhe motivou a apresentar um projeto de lei na Câmara do Rio.

Por que não se fala da sexualidade de Marielle, se ela estava estampada nos posts, aos quais qualquer um facilmente tem acesso? Entrei no Instagram dela na quarta, quando o número era de 7.000 seguidores. Hoje, são mais de 70.000. Ninguém viu ali a matéria pronta? “A história de amor de Marielle em 10 fotos do Instagram”?. Faço por aqui mesmo.

“Muita gente ainda não entende que negar o nosso amor passa uma mensagem de que não somos tão dignas. Que a dor da companheira dela não é legítima como de outra esposa. Invisibilizar quem a gente é dói. Não reconhecer que existia uma amor tão real ali, como qualquer outro, é mais uma violência”, me diz uma amiga querida.

Mulher, negra, mãe, periférica, lésbica ou bissexual, quinta vereadora mais votada do Rio, socióloga, mestre em administração, defensora dos direitos humanos. Marielle é tudo isso. Marielle é um mundo inteiro. E a gente não pode nunca deixar de falar de amor. Toda forma de amor.

#mariellepresente

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Fotografar foi o início de uma liberdade, diz Chana de Moura

por   /  14/03/2018  /  10:10

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Chana de Moura é fotógrafa, gaúcha, tem 29 anos. Faz uso da fotografia para compreender como percebe e interage com os diferentes ambientes à nossa volta. Ela faz isso por meio de várias mídias, como a fotografia em si e também colagens, desenhos, gravuras e objetos. A natureza e o universo místico são duas de suas maiores fontes de inspiração. Em um bate-papo rápido ela mostra a profundidade de suas escolhas.

Mais: chanademoura.com.br e @chanademoura

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[Minha fotografia fala de] Reintegração. Creio que hoje em dia possuo um objetivo fotográfico mais definido do que o ato de fotografar significa em minha vida. Antes, pulsava em mim uma vontade louca de sair fotografando, de inventar cenas, procurar cenários e produzir um momento fotográfico. Hoje, eu fotografo elementos bem mais pontuais. Penso antes de fazer uma foto. Busco, através das imagens, compreender como é que eu e as outras pessoas percebem e interagem com os diferentes ambientes à nossa volta.

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Anseio compreender qual o papel da natureza e da paisagem em nossas vidas e porque agimos como se não fôssemos parte do mundo natural. Fotografo para expressar uma idéia ou, como no caso dos autorretratos recentes, pelo desejo de compreender-me enquanto um ser que habita este espaço comum com diversos outros seres de distintas espécies. Quando penso nisso, sempre lembro de uma fala de Sagan, nela ele ressalta a importância de sermos humildes. Veja bem: nós, humanos, surgimos no planeta quando 99,9% da terra já estava completa praticamente do jeito que a conhecemos hoje. Isso quer dizer que surgimos num último instante cósmico, que somos uma parte muito ínfima de um todo que veio antes de nós.

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Quando fotografo, principalmente os autorretratos, os quais chamo de “Mecanismos de reinserção”, busco justamente essa reintegração. Desejo um lampejo do que seria a vida se a humanidade não tivesse se afastado tanto do poder primordial, do que conhecemos como a natureza. Não é que eu romantize a ideia de natureza, achando que esta não se trata de um império hostil, é só que na natureza parece haver uma coerência de vida, algo que acredito ser impossível de encontrar vivendo na estrutura em que nós, pessoas, vivemos hoje. Sei que esse afastamento é, afinal de contas, um processo natural, que não quer dizer que também não sejamos natureza por termos nos afastado em determinados aspectos, apenas creio que a fotografia pode ser uma maneira de percebermos o mundo no qual estamos inseridos e também de interagirmos com o mesmo. Quando tento me “reintegrar”, na verdade estou buscando quase uma utopia de experienciar a vida como se nada jamais tivesse sido rompido.

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[Ser mulher neste meio] É maravilhoso! Sou eternamente grata ao universo por ter nascido mulher, essa condição é algo que permeia muito meu pensamento criativo. Sei que há situações bem complicadas em outros meios, mas no meio da arte que conheço, não presencio muita distinção por gênero. Sei que no cinema e que em outros ramos da fotografia é mais delicada a questão de ser mulher. Claro, essa é apenas minha experiência de vida… Já ouvi de amigas que passaram por situações bem severas: muitos homens assumem compreender mais do que as mulheres, principalmente as competências técnicas. Mas acredito meu caminho é um pouco paralelo: eu gosto muito de experimentar em fotografia, não me encaixo muito bem nas especificidades das questões técnicas, gosto delas para subvertê-las.  Por isso, possivelmente, nunca passei pela situação de alguém querendo me ensinar algo que eu já sei.

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A fotografia em minha vida representa uma grande constelação de apreensão de mundo. Fotografar foi o início de uma liberdade, uma forma de se opor à realidade objetiva (mas sem desconsiderá-la). Hoje ainda é um sinônimo de liberdade, mas também é um meio de estender as emoções, reorganizar o mundo, repensar estados do corpo e do espírito. É um método de voltar-me para fora e voltar-me para dentro, é um comunicar-se com o futuro e um comunicar-se com o passado. Também é uma forma de des-frustrar-me com o presente.  Ou seja, entender pelo reflexo e pela apropriação da vida, ser espelho: apreender em si e devolver ao mundo.

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Quando a vida é uma euforia: o Carnaval de Joana Lira

por   /  23/01/2018  /  12:00

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Joana Lira é o Carnaval. Uma artista gráfica que personifica, no trabalho e na vida, a paixão pela maior de todas as festas. Ela é amor, suor, brilho e euforia. Euforia esta que é traduzida em suas aparições por Olinda. E que, por 10 anos, foi o fio condutor para que ela “vestisse” a folia do Recife com suas criações.

Sou apaixonada pelo Carnaval de Joana Lira muito antes de conhecê-la. Ao atravessar as pontes do Recife em meio a seus bonecos gigantes, vendo a cidade em outra dimensão, com um colorido de encantar. Ao olhar Joana de longe pelos blocos de Olinda, sempre maravilhosa em suas fantasias. Há poucos anos, nos encontramos em uma prévia do Eu Acho é Pouco ao som da bateria e de Lala K. Brincamos o dia todo com um espelho. E o que era admiração de longe se tornou um bloco de amor – de Carnaval e dia a dia.

Com muita alegria e um trabalho de seis anos pra colocar tudo de pé, Joana materializa seu legado com a exposição “Quando a vida é uma euforia”, que será aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Com curadoria de Mamé Shimabukuro, a mostra mistura obras documentais e imersivas sobre histórias e personagens da festa. Que sentimentos e emoções esses quatro dias suscitam? É o que a gente vai descobrir logo mais à noite. Convido vocês a conhecerem do Carnaval que é uma explosão para tantos de nós.

Antes disso, uma conversa com essa musa.

Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2010_JOSIVAN RODRIGUES_1 Joana Lira, exposição “Quando a vida é uma euforia”, carnaval 2009_JOSIVAN RODRIGUES_4

– Conta um pouco da tua relação com o Carnaval? Qual é a memória mais antiga que tu tem dessa festa na tua vida? E a mais inesquecível?

O Carnaval funciona pra mim como um combustível, uma injeção de vida. Mas não é qualquer Carnaval, tem que ser o carnaval de Pernambuco. Minha memória mais antiga é de ir pro Galo da Madrugada, ainda muito pequena, com meu pai. Sempre amei me fantasiar e sempre tive muitas fantasias, até hoje… rs. Tenho muitas memórias lindas, mas uma que me fez chorar foi me deparar, por puro acaso, numa noite já voltando pra casa, com o exuberante desfile do bloco Elefante de Olinda e poder ver de muito perto todo seu cortejo elegante e mágico. Parecia um sonho.

– Conta um pouco da tua trajetória como artista? Aquela coisa de se apresentar pra quem ainda não te conhece.

Nasci numa família cheia de dons artísticos e com gosto estético bem aguçado. Me formei em design gráfico em Recife em 1997, mesmo ano que fiz minha primeira exposição individual. Trabalhei com suportes diversos e pra mim isso sempre foi um encanto: estamparia, cerâmica, ilustrações de livros. Em 1999 me mudei pra São Paulo. Três anos depois, estava fazendo parte da equipe que criava a cenografia do carnaval do Recife, trabalho que desenvolvi por 10 anos e me jogou para o mundo. Com dele, lancei livro e participei de exposições dentro e fora do país. Fui convidada por grandes empresas a fazer linhas de produtos assinados de várias naturezas. Parcerias que conservo até hoje e que inclusive me apoiaram para eu poder realizar esta exposição. Já há algum tempo tenho repensado minha trajetória e tenho tido desejo de voltar a realizar meus projetos de artes visuais. Inclusive já comecei pôr em prática.

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Joana carnavalesca - foto Gilvan Barreto 1_low Joana carnavalesca - foto Gilvan Barreto 2_low

– E fazer o Carnaval do Recife por tantos anos, como foi a experiência? O que de mais precioso tu guarda disso?

Foi um aprendizado imenso, e ainda é, mesmo depois de já passados 7 anos que parei de fazer. Tem percepções que acontecem com a maturidade da vida e com o tempo. Antes eu acreditava que a maior mudança que este trabalho havia me dado era a de perceber que a força de um desenho é imensurável. Já hoje percebo que o que foi mais importante de verdade foi ter a oportunidade de criar obras onde pessoas de todas as classes sociais podiam ter acesso.

– Carnaval é euforia, mas também renovação e um monte de coisa mais. O que o Carnaval te ensinou e ensina?

Carnaval é tanto, né? É brincadeira, é transformação, é cultura, é todo mundo junto, é extravaso, é autoestima, é persona e personagem, é gastança de energia, é beijo na boca, é suor, é alma, é encontro, é riso, é cor, é aperto, é dor nas pernas, é reafirmação, é choro, é se deixar, é brilho, é paixão no talo, é comichão, é entender a dança da multidão… Como definir tanta emoção e aprendizado?

– Qual é seu roteiro imperdível em Olinda?

Faz anos que repito o mesmo roteiro. Este ano quero mesmo é me perder na multidão pra me achar de verdade.

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Exposição: Quando a vida é uma euforia

Instituto Tomie Ohtake (rua Coropés, 88, Pinheiros, SP)

Abertura: 23/01, às 20h

Até 04/03 – grátis

De terça a domingo, das 11h às 20h (fechado no Carnaval do dia 10 ao dia 14 de fevereiro, ao meio-dia)

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Uma viagem pelo México

por   /  14/11/2017  /  8:08

Graciela Iturbide 1

Fizemos recentemente missões super especiais no @instamission para promover a cultura mexicana. A ideia era falar do Taco Tuesday, movimento gastronômico que tem como desejo trazer a cultura mexicana para São Paulo. Como eles fazem isso? Oferecendo tacos e margaritas em dobro às terças-feiras entre setembro e dezembro. Nossa proposta contemplava uma missão cujo prêmio é uma viagem para o México, uma missão com influenciadores, um guia no @vailasp, além de uma breve pincelada sobre a arte mexicana aqui no @donttouchmymoleskine.

Pra começar, temos playlist. E aqui preciso contar da primeira vez que fui ao México, há uns 6, 7 anos. Fui pela Folha cobrir um evento do Google. Nos intervalos, bati perna, comi todas as delícias, vi uma lucha libre. Passando por uma loja de CDs, adorei a capa de um. Era da Paquita la del Barrio. Um CD triplo, que ouvi muito. Foi ela o ponto de partida dessa trilha, que é composta majoritariamente de mulheres mexicanas – ou que moraram lá, têm alguma relação. Há alguns homens também, porque “Amorcito corazón” é outra música que me acompanha há um tempo.

Vamos ouvir?

Agora vamos conhecer algumas maravilhosas fotógrafas mexicanas?

– Graciela Iturbide

“Aonde quer que nós vamos, queremos encontrar o tema que carregamos dentro de nós mesmos.” A frase é de Graciela Iturbide, um dos maiores nomes da fotografia mexicana. Nascida em 1942, ela percorreu o país para fotografar o papel e as condições das mulheres mexicanas na sociedade. Também fotografou a intimidade de Frida Kahlo em “El baño de Frida”, refugiados na Colômbia e no México, uma vendedora de iguanas que compôs uma imagem tão forte que virou icônica. “A câmera é só um pretexto para conhecer o mundo.”

Sobre Frida, ela disse em entrevista para o LA Times: “Foi muito intenso. O banheiro tinha sido fechado por ordem de Diego Rivera, certamente porque continha todas as coisas dela. E, de fato, havia cartas e outros objetos pessoais. Era muito interessante. Foi como entrar em um espaço proibido, congelado no tempo – com alguns cheiros terríveis. Imagine um banheiro fechado há 50 anos. Eu não era uma Frida-maníaca, nem o sou agora. Hoje em dia ela é praticamente ‘Santa Frida’. Mas lá eu aprendi que ela era uma mulher maravilhosa que suportava muita dor. Eu tenho uma imagem do Demerol – a morfina que ela costumava tomar. Ela teve muita dor. Mas ela continuou pintando. A pintura era sua terapia. Sinto que tenho que conhecê-la melhor.”

Mais em: gracielaiturbide.org

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– Eunice Adorno

Começamos com Eunice Adoro, nascida em 1982, jornalista e dona de um trabalho que mergulha na intimidade de mulheres das comunidades de Nuevo Ideal, Durango e Onda Zacatecas que abriram as portas de suas casas, deixando-a fotografar  seus espaços íntimos e seus eventos diários. “A cumplicidade mútua e os relacionamentos emocionais que se formam entre elas são parte dessa série de imagens em que a vida cotidiana nos distrai da ideia dominante da vida conservadora dessas mulheres. Essas comunidades isoladas foram, para mim, vidas extraordinárias. O mundo dessas mulheres parece fascinante, enigmático. Essa viagem foi para mim, em que eu mesma me isolei do meu mundo cotidiano e, partindo por estradas empoeiradas, encontrei a minha própria história”, diz ela sobre o projeto “Mujeres flores”.

Mais em: euniceadorno.com/work/works/mujeres-flores

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– Mariela Sancari

Mariela nasceu na Argentina em 1976, mas desde 1997 vive no México. Seu trabalho parte de investigações pessoais para desenvolver seus trabalhos. Aqui mostramos “Moisés”, uma série em que ela busca em desconhecidos a figura do seu pai, que se matou quando ela e a irmã gêmea tinham 14 anos. As adolescentes não chegaram a ver o corpo, era como se ele tivesse desaparecido. Restou só o silêncio. As irmãs entraram em negação e procuravam o pai pelas ruas. “Imaginávamos ele com uma nova família, ou como um homem sem casa, vivendo na rua. Eventualmente, decidi fazer essas fantasias virarem realidade”, disse ao Guardian.

Mais em: marielasancari.com

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– Ruth Pietro Arenas

Ruth Pietro Arenas conta as histórias de mulheres que migraram do México para os Estados Unidos na série “Safe heaven”. Ela fotografa intimidade, usa muita cor e faz um retrato de uma das questões mais importantes da contemporaneidade. “O que acontece uma vez que você atravessa a fronteira? Essas mulheres são corajosas. Com a situação social no México, a pobreza, essas mulheres decidiram atravessar, dizendo: ‘Se eu morrer, morro.’ Quando eles não têm mais nada a perder, elas conseguem a força para cruzar. E, uma vez que eles estão aqui, eles têm que ter grande força de vontade de cuidar de tudo.” Forte.

Mais em: lens.blogs.nytimes.com/2013/05/09/across-the-border-live-and-in-color

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#bibliotecadonttouch: Clarissa Galvão

por   /  08/11/2017  /  9:09

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É tão bom acompanhar umas pessoas no Instagram e ir descobrindo o que faz parte dos seus dias. Com a Clarissa Galvão, ou @clarissag, é assim. Ela posta imagens poéticas, muitos #tbts do tempo em que morou na Holanda, momentos com o amor, com os amigos, muitas flores e luz e sombra. No meio de tudo, sempre tá com um livro poderoso no colo. E foi por isso que a convidei para mostrar alguns dos seus trechos preferidos na seção #bibliotecadonttouch.

“Estou desde o ano passado fazendo meu Leia Mulheres, assim sozinha mesmo… E assino também um clube do livro cuja curadoria é das fundadoras do Leia Mulheres no Brasil. Então todo mês recebo um novo livro escrito por uma mulher. É bem legal. Ledusha, por exemplo, conheci através delas. E é incrível”, nos conta ela.

Vamos ler o que tem na biblioteca dela?

O primeiro, que abre este post, é da Ana Martins Marques, em “O livro das semelhanças”.

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Noemi Jaffe, em “O que os cegos estão sonhando”.

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Adelaide Ivánova, em “O Martelo”.

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Ledusha, em “Risco no Disco”.

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Rebecca Solnit, em “A mãe de todas as perguntas”.

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Wislawa Szymborska, “Um amor feliz”.