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Longe de tudo e de todos

por   /  25/02/2016  /  13:13

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O meu último aniversário passei sozinho no pequeno aeroporto de Ljubliana, na Eslovênia, aguardando um voo para Skopje, na Macedônia. Sentado numa desconfortável cadeira, mirando as montanhas que compõem o maciço dos pré-Alpes, percebi de repente quão longe me encontrava de tudo e de todos e o quanto isso me pesava os ombros. Num vislumbre, vi meu rosto refletido no vidro da ampla janela, espectro estilhaçado pela luz do começo de tarde. E nele reconheci a passagem do tempo, essa terrível abstração concreta — a areia já se acumula, inexorável, no porão da minha ampulheta.

Vasculhei um lado e outro procurando enxergar minha mãe e por um momento senti seus dedos afagando meus cabelos — senti até mesmo o cheiro de sabão em pó, anil e água sanitária que usava para lavar trouxas e mais trouxas de roupa para fora. Ali estavam novamente seus castanhos olhos tristes — olhos que perderam o viço quando meu irmão morreu, aos 26 anos, em um estúpido acidente. Tenho certeza que ela morreu junto com ele — apenas permaneceu entre nós arrastando os dias como alguém condenado à prisão perpétua conta as horas: sem esperança.

Sinto falta, um texto lindo do Luiz Ruffato no El País

A foto é do François Fontaine

amor  ·  fotografia  ·  literatura

Os livros preferidos das escritoras

por   /  24/02/2016  /  9:09

Virginia Woolf

Li “A louca da casa”, de Rosa Montero, e fui à casa da Ivana Arruda Leite, amiga querida e escritora de quem sou fã. Falei da Rosa, e claro que ela já tinha lido. A Andrea também, a Bia, idem. Perguntei quais outros livros tinham um poder tão arrebatador, e elas me indicaram “Um teto todo seu”, da Virginia Woolf, que eu devorei em seguida.

Uma dica tão valiosa merece ser compartilhada, e eu acabei perguntando a essas mulheres que eu tanto admiro quais são seus outros livros preferidos. O resultado é precioso – e eu tô aqui querendo ler todos!

Ivana

Ivana Arruda Leite

Sempre me embanano quando pedem meu livro preferido. Então vou falar alguns.
Aos 18 anos, “Antes do Baile Verde” – Lygia Fagundes Telles
Aos 30 anos, “Morangos mofados” – Caio Fernando Abreu
Aos 35 anos, “Jogo da amarelinha” – Júlio Cortazar
Aos 40 anos, “Além do bem e do mal” – Friedrich Nietzche
Aos 50 anos, “A caixa preta” – Amós Oz
Aos 55 anos, “Patrimônio” – Philip Roth
Aos 60 anos, “Sábado” – Ian Mcewan; “Elizabeth Costello” – J. M. Coetzee.
Aos 64 anos – “Antes do baile verde” – Lygia Fagundes Telles.

Lá na época (2004?), nenhum livro me pareceu tão meu quanto “O passado”, do Alan Pauls.

Andrea 2

Andrea del Fuego

Vou citar meu assombro atual: Vergílio Ferreira com o romance “Aparição”. No atacado, todos do Ian McEwan, todos do Philip Roth, todos (poucos) da Sylvia Plath.

“Um teto todo seu” é Bíblia.

Bia

Beatriz Antunes

Depois de “Um teto todo seu”, nada mais me virou do avesso.

Eu leio muito mais não-ficção… Acho que “Hiroshima” é meu livro favorito (John Hersey). Mas é isso, reportagem. E desgraça. Não tem combinação melhor.

“Stasilandia” – Anna Funder é foda também. E “O demônio do meio-dia” – Andrew Solomon.

AH! Tem um livro muuuuuito bom. Tipo m u i t o fucking bom. “A menina sem estrela”, do Nelson Rodrigues. Uma espécie de autobiografia dele.

[Na foto da Bia, a ilustração é do Renato Moriconi para o livro “Telefone sem fio”, escrito em parceria com o Ilan Brenman (Companhia das Letrinhas). “Como eu amo essa ilustração, quero até tatuá-la, eu tenho um postalzinho na minha sala, para me inspirar quando trabalho”, diz. “E essa caixa com cara de homem é uma revista literária maravilhosa, chamada McSweeney’s. Cada edição da revista vem num projeto gráfico diferente, e essa é uma caixa cheia de contos e quadrinhos e coisinhas lindas dentro, com encadernações as mais diversas. Acho que é de 2010. Mas a caixa é muito engraçada, isso que importa.]

Ruth Erdt

por   /  23/02/2016  /  9:09

Ruth Erdt

I was around 12 years old when i imagined a camera.
This camera I conceived was attached to my head, could be used any time and ‘took pictures’ when I wanted it to, and from the angle I chose.
The focus of that apparatus was outside me.

I myself was often depicted in those first pictures.
My aim was not so much to see, as to ‘feel’ an image. Somehow the moment when I pressed the release was extraordinary, a faltering in the course of the day, a deceleration, a dead point that engraved the image on my brain. These initial self-portraits were then joined by new images of objects bathed in a mysterious light, or images of people I wanted to get in contact with, to whom I felt somehow bound. There were no restrictions, just the compilation of a huge archive of imaginary images. 

Ruth Erdt

Ruth Erdt 2

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A louca da casa, de Rosa Montero

por   /  22/02/2016  /  9:09

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Se o livro que estamos lendo não nos acorda como se fosse um punho batendo em nosso crânio, para que lê-lo?

Kafka

Existem livros que nos fazem repensar a relação com a literatura. São aqueles que transformam uma biblioteca imensa em um amontoado de papel e te deixam com vontade de fazer uma faxina e só manter títulos que despertem tamanho entusiasmo. “A louca da casa”, da autora espanhola Rosa Montero, tem esse efeito.

Mistura de autobiografia e exercício sobre o que é escrever, o livro é um desses que você grifa do começo ao fim. Livro lido, livro gasto, livro com história, sabe? Do jeito que eu gosto. Rosa é espanhola, tem 65 anos e já escreveu mais de 15 romances. Também é jornalista, e eu conheci o trabalho dela quando li um perfil seu sobre John e Yoko, em uma xerox que ganhei em alguma aula na época da Folha.

Por alguns anos, os livros dela ficaram na estante sem me chamar a atenção. Talvez por conta das capas, que não me diziam muito. Até que no fim de 2015 resolvi ler “Histórias de mulheres”, uma série de perfis de mulheres das artes, da literatura, de áreas diversas como antropologia. Mulheres marcantes, cujas trajetórias e seus feitos foram resumidos em poucas páginas por uma Rosa apaixonada por cada uma delas, leitora ávida de biografias, feminista, eternamente incomodada com o silêncio a que somos submetidas desde sempre. Deu vontade de ler tudo que Georges Sand, Agatha Christie, Simone de Beauvoir, Frida Kahlo escreveram, ou ao menos mais um pouco do que escreveram sobre elas.

Na sequência, peguei “A louca da casa”. Li nos primeiros dias do ano, em uma paradisíaca praia no Ceará, o que deve ter contribuido para a perfeição do momento. Virava cada página com aquela ansiedade de quem espera mais uma descoberta, mais um insight poderoso, mais um trecho que resume tão bem o que já me passou pela cabeça, ou o que eu nem sabia direito que pensava mas logo fez todo sentido.

Rosa nos conduz por uma investigação sobre o ato de escrever, misturando suas histórias e percepções com fragmentos da vida de escritores do cânone e as ideias deles sobre o ofício. “Quero dizer que escrevemos na escuridão, sem mapas, sem bússola, sem sinais reconhecíveis do caminho. Escrever é flutuar no vazio”, diz.

Ela também fala das armadilhas da literatura, como a busca pelo sucesso. Fala de travar e achar que jamais será capaz de escrever outra linha novamente. Fala de vidas destruídas pela literatura e de outras salvas pelo mesmo motivo. Fala de viver não para colocar as experiências no papel, que aí o caminho é fácil demais, mas de entender que “o imaginário reaviva a imaginação, enquanto a realidade pura e dura, o ruído imediato da própria vida, é péssima influência literária.”

Com maestria, ela ainda brinca com o poder da palavra. Conta uma história de sua vida, e a gente acha que aquilo aconteceu, até que somos surpreendidos por mudanças no roteiro, uma, duas, três vezes. Não basta apenas falar do que a palavra é capaz, mas sim mostrar isso brilhantemente nas páginas que se seguem. Rosa encanta porque é frágil, vulnerável, tem medo e dúvida, às vezes trava, às vezes quer ser reconhecida. E principalmente porque nos faz entender que deixar a imaginação, essa tal louca da casa, solta (e ser bastante fiel à disciplina) é o que faz com que as histórias que ela nem sabe que existem continuem a surgir de dentro dela. Que sorte a nossa.

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Separei alguns trechos pra dividir com vocês!

A literatura é um caminho de conhecimento que precisamos percorrer carregados de perguntas, não de respostas.

Acho que a vida é um mistério descomunal do qual só arranhamos a casquinha, apesar de nossas pretensões de grandes cérebros. Na verdade não sabemos de quase nada; e a pequena luz dos nossos conhecimentos é rodeada (ou melhor, sitiada, como diria Conrad) por um tumulto de agitadas trevas. Também acredito, e continuo com Conrad, na linha de sombra que separa a luz da escuridão; em margens confusas e fronteiras incertas. Em coisas inexplicáveis que nos parecem mágicas só porque somos ignorantes. O romance se dá numa região turva e escorregadia, em torno de um romance sempre acontecem as coisas mais estranhas.  

Seja como for, não é preciso morrer, nem se tornar um doido oficial e ser trancado num manicômio, nem se drogar feito o junkie mais decadente, para ter vislumbres do paraíso. Em todo processo criativo, por exemplo, você chega à beira dessa visão descomunal e alucinante. E também entra em contato com a loucura primordial toda vez que se apaixona loucamente. (…) Porque a paixão talvez seja o exercício criativo mais comum da Terra (quase todos nós inventamos algum dia um amor) e porque é a nossa via mais habitual de conexão com a loucura. Em geral os seres humanos não se permitem outros delírios, mas aceitam o amoroso. A alienação passageira da paixão é uma doidice socialmente admitida. É uma válvula de escape que nos permite continuar sendo equilibrados com todo o resto.

Manter a distância exata do que conta é a maior sabedoria de um escritor; você tem que fazer com que aquilo que narra o represente, como ser humano, de uma maneira simbólica e profunda, da mesma maneira que os sonhos; mas tudo isso não deve ter nada a ver com o episódio de sua pequena vida.

A literatura é uma felicidade inata e uma dificuldade adquirida. [Irmãos Goncourt]

– Sei lá. Às vezes a gente evita começar o trabalho. É uma coisa esquisita.
– Por preguiça?
– Não, não.
– Por quê?
– Por medo.

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The Waiters e a celebração de 13 anos de música

por   /  19/02/2016  /  13:13

Matt Love - Lulina

Foi em mais uma véspera melancólica de Natal que ouvi “Christmas lights” pela primeira vez. Lulina mandou a música por email, e eu senti um conforto no coração. Ela também contou que havia feito a música com um amigo virtual que morava nos Estados Unidos, o Matt. Música literalmente feita por computador, que legal! Quando ela fez sua primeira turnê internacional, o Matt também estava lá, articulando lugares para os shows, tocando junto. A amizade dos dois já dura treze anos, se transformou na banda The Waiters e, no ano passado, deu cria: um disco indie lo-fi delicioso.

Conversei com o Matt por email querendo saber mais da relação deles. “Não foi há tanto tempo que nos conhecemos, mas em termos de ciberespaço, foi há séculos. As coisas mudaram tanto!” O ano era 2003, e Matt pesquisava nomes de filmes com o título “Plan _ From Outer Space” (cineastas amadores fazem homenagem ao clássico filme B “Plano 9 do Espaço Sideral”). Quando digitou “Plan 13 From Outer Space”, achou um único link, com a frase solta em um texto em português. “Era o blog de uma mulher incrível. Por sorte, os programas de tradução também tinham começado a existir, e descobri que ela dizia que iria escrever uma música chamada ‘Plan 13 From Outer Space’. Pensei: ok, estou procurando filmes, mas posso procurar músicas também.”

Alguns cliques depois, Matt descobriu o email de Lulina e sua fixação pelo número 13, que ele também compartilhava. “Também descobri que uma das bandas preferidas dela era o Beat Happening. Agora sim eu tinha uma conexão pra dividir! O primeiro show do Beat Happening foi de abertura para a Wimps, minha primeira banda, que também fazia seu primeiro show”, lembra. “Escrevi e pedi pra ela me mandar uma cópia da música quando estivesse gravada. Ela respondeu e disse ‘vamos gravar juntos!’. Lulina tem uma maneira maravilhosa de se relacionar com as pessoas por meio da música, e a ideia de conhecer melhor as pessoas fazendo música com elas também é uma prática que adotei.”

Não por acaso, 13 anos depois do primeiro encontro virtual, Matt e Lulina – e Leo Monstro, artista que é parceiro da cantora há anos – lançaram juntos o primeiro disco do The Waiters. A banda surgiu de uma conversa entre Matt e Leo. O norte-americano, que foi funcionário público por mais de duas décadas e deixou o emprego para virar cuidar dos pais em tempo integral, formou com uns amigos uma banda, a Dweebish, mas acabava tocando pouco. Léo, pernambucano radicado em São Paulo, sentia falta de tocar com mais frequência. Surgia, então, o The Waiters, simplesmente porque eles estavam sempre esperando – inclusive a cantora ter tempo pra se juntar.

O disco, encontro entre Olinda, cidade da infância de Lulina, e Olympia, em Washington, onde Matt vive, é um presente pra todos que passamos os últimos anos da adolescência ouvindo maravilhas indies. “É muito lindo poder registrar essa parceria de 13 anos em um disco”, diz Lulina. “Ele é uma grande celebração dessa amizade musical e envolve muitos amigos que se juntaram a nós ao longo desses anos”, completa ela, que em 2010 fez uma turnê pela costa oeste dos EUA, com shows em Seattle, Olympia, Portland, Wenatchee e Anderson Island, e também por Chicago. “O Matt foi o meu baixista nessa turnê, pois o Zé não conseguiu visto. Foi muito especial, imagina assistir Calvin Johnson [do Beat Happening] dançando na minha frente todo empolgado durante o show?”

Matt (à dir.) com a banda Wimps, em Seattle, 1984

Matt (à dir.) com a banda Wimps, em Seattle, 1984

Falando em bandas, Matt, 59 anos, cresceu rodeado por discos de vinil e tinha como hábito ir a uma loja com o irmão a cada sábado escolher um título novo. Entre suas influências, estão Bob Dylan, The Clash, Bad Company, Foreigner, Thompson Twins, Talking Heads, B-52s, XTC, Abba. Da época em que era DJ de uma rádio, relembra algumas pérolas: “O Superman”, de Laurie Anderson, e “Singing in the Rain”, do Just Water. “Passo por períodos na vida em que escuto a mesma música repetidas vezes. ‘Love will tear us apart’, do Joy Division, me manteve vivo após o divórcio com minha primeira mulher. Passei por épocas longas em que ouvia ‘My old school’, do Steely Dan, repetidamente. Sem falar em ‘Strawberry Fields forever’.”

Matt já veio ao Brasil seis vezes, sendo a primeira em 2008, e sempre se impressiona com a recepção. “Daniel Belleza me disse que todo mundo que ele conhece conhece Lulina, e eu vi que isso era verdade. Em toda loja, casa de show que eu ia, falavam ‘Matt está numa banda com Lulina!’. ‘Ah, Lulina!’ Foi uma recepção bem calorosa.”

Enquanto se dedica o quanto pode à música, ele faz planos de gravar um segundo disco do Waiters em um intervalo menor de tempo – e de voltar ao Brasil com a mulher, Anne, e a filha, Olivia, em dezembro deste ano. “Fazer música, ao menos desde Dylan, é um processo indefinido e misterioso, no qual você se joga e lida com insegurança.” Ele conta que já esbarrou em vários becos sem saída por ignorar a “maneira certa” de fazer as coisas, mas se deu conta de que tudo isso vira história – ou música. “Venho de uma cidade pequena, quero voltar para uma cidade pequena, mas a cada dois anos vou para algumas das maiores e mais legais cidades do mundo e brindo a todas essas experiências.”

Lulina celebra a parceria. “O que eu mais admiro nele? A generosidade, o amor que tem pela música e por nós, todos os seus amigos brasileiros, e também a persistência e paciência pra não desistir de continuar compondo e tocando com a gente, mesmo com a distância e o pouco tempo disponível de todos. Ver o Matt no palco é tocante, ele é puro coração ali. É uma felicidade muito grande quando esse grupo está junto, seja compondo, gravando ou fazendo show.” Que venham os próximos encontros.

+ Lulina no Don’t Touch

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#bibliotecadonttouch: Noemi Jaffe

por   /  18/02/2016  /  9:09

Noemi

A convidada da semana na #bibliotecadonttouch é a Noemi Jaffe, escritora que eu adoro! Estou lendo o livro mais recente dela, “Írisz: as orquídeas” – e nunca deixo de acompanhar seu maravilhoso blog, Quando nada está acontecendo.

Da Companhia das Letras: Noemi nasceu em São Paulo, em 1962. Doutora em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo e crítica literária, é autora de “A verdadeira história do alfabeto”, vencedor do prêmio Brasília de Literatura, e “O que os cegos estão sonhando?”, entre outros.

A foto é do Renato Parada.

Hiroshi Senju 1y

Vender sua própria alma… Invencionice falsa! E, alma, o que é? Alma tem de ser coisa inteira supremada, muito mais do de dentro, e é só, do que um se pensa: ah, alma absoluta! Decisão de vender alma é afoitez vadia, fantasiado de momento, não tem a obediência legal. (…) Então, se um menino menino é, e por isso não se autoriza de negociar… E a gente, isso sei, às vezes é só feito meninio. (…) Se tem alma, e tem, ela é de Deus estabelecida, nem que a pessoa queira ou não queira. Não é vendível.

“Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa [a foto é de Hiroshi Senju]

Katrien-De-Blauwer-Collage-Dress

Ela tinha conhecido a felicidade, uma felicidade rara, uma felicidade intensa, e ela prateava as ondas encrespadas com um puco mais de brilho à medida que a luz do dia se apagava e o azul fugia do mar e ela se envolvia em ondas de puro limão que se curvavam e intumesciam e morriam na praia e o êxtase explodia em seus olhos e ondas de puro prazer corriam pelo solo de sua mente e ela sentia: Basta! Basta! 

“Ao farol”, de Virginia Woolf [a colagem é de Katrien De Blauwer]

Mario Botta 2

Chamemos o nosso homem, o herói da história, de Amargo. Imaginamos um homem e, para ele, um nome. Ou, ao contrário: imaginamos o nome e, para ele, o homem. Embora isso tudo seja secundário, pois o nosso homem, o herói da história, chama-se, na realidade, Amargo. O pai dele se chamava assim. E o avô também. Por conta disso, Amargo foi registrado como Amargo no cartório: essa é, portanto, a realidade, a que – como cabe à realidade – Amargo hoje em dia não atribui muita importância. Nos últimos tempos – num dos anos derradeiros do milênio que se encerra, digamos, no início da primavera de 1999, num final de manhã ensolarado -, a realidade se tornara, para Amargo, um conceito problemático, e, o que era mais grave, um estado problemático. Um estado em que – segundo os sentimentos mais íntimos de Amargo – a realidade era o que mais faltava. Se de algum modo o obrigavam a usar a palavra, Amargo sempre acrescentava: “a assim chamada realidade”. Entretanto, isso era apenas uma frágil compensação, que não o satisfazia.

“Liquidação”, de Imre Kertesz [a foto é de Mario Botta]

Merit Badge

E é assim como aqueles que nos iluminam são os cegos. Assim é como alguém, sem saber, chega a mostrar-te irrefutavelmente um caminho que, por sua parte, seria incapaz de seguir. A Maga jamais saberá como o seu dedo apontava para a fina moldura que cerca o espelho, até que ponto certos silêncios, certas atenções absurdas, certas corridas de centopéia deslumbrada eram a senha para o meu sólido estar-em-mim-mesmo, que era um estar em nenhuma parte. Enfim, isso da fina moldura… Se queres ser feliz, como dizes/ Não poetiza, Horacio, não poetiza. Visto objetivamente: ela era incapaz de me mostrar qualquer coisa dentro do meu terreno, até mesmo no seu girava desconcertadamente, tateando, apalpando. Um morcego frenético, o desenho da mosca no ar do quarto. De repente, para mim, ali sentado, olhando para ela, um indício, uma suspeita. Sem que ela o soubesse, a razão das suas lágrimas ou a ordem das suas compras ou a sua maneira de fritar qualquer comida eram sinais. Morelli falava de algo assim quando escrevia: “Leitura de Heisenberg até o meio-dia, anotações, fichas. O filho da porteira me traz a correspondência e falamos de um modelo de avião que ele está montando na cozinha de sua casa. Enquanto me conta isto, dá dois saltos sobre o pé esquerdo, três sobre o direito, dois sobre o esquerdo. Pergunto-lhe por que dois e três, e não dois e dois ou três e três. Olha-me surpreendido, não compreende. Sensação de que Heisenberg e eu estamos do outro lado de um território, enquanto o garoto continua a cavalo, com um pé em cada um, sem saber, e que brevemente estará apenas do nosso lado e toda a comunicação terá sido perdida. Comunicação com quê, para quê? Enfim, continuemos a ler; talvez Heisenberg…”

“O Jogo de Amarelinha”, de Julio Cortázar [a foto é de Oli McAvoy]

Ina Jang

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então não me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável em mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.

“A paixão segundo GH”, de Clarice Lispector [a foto é de Ina Jang]

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Quem já passou pela #bibliotecadonttouch:

Paula Gicovate

Liliane Prata

Emilio Fraia

Maria Clara Drummond

Andando na fé de Clarice Freire

por   /  15/02/2016  /  11:11

@claricefreire

Estudei a vida inteira em um colégio católico, coisa que nunca entendi. Meu irmão estudava em uma escola meio intelectual, meio de esquerda, e eu naquela outra que começou sendo exclusiva para boas moças. Fiz primeira comunhão, crisma, até vi Jesus quando voltava de uma atividade no sítio, aquela parte tão distante da sala de aula. Foi uma alucinação coletiva das crianças da segunda série, tamanha era a repetição das palavras da Bíblia no dia a dia. Adolescente, entendi que a religião católica não era a minha. Preferia ouvir outro Deus, outros deuses. Neil Young, Lou Reed, aquelas músicas que diziam mais de mim do que qualquer parte do evangelho.

Corta para muitos anos depois, mais precisamente para março de 2015, e estou em um restaurante delicioso na praça Buenos Aires, em Higienópolis, São Paulo, conhecendo in real life Clarice Freire, a escritora que virou fenômeno com seu Pó de Lua, uma série meio poema, meio desenho que arrebata mais de 1,2 milhão de fãs apenas no Facebook, sem contar os 200 mil no Instagram, e que também conquistou o mercado editorial com seu livro de estreia – vendendo mais de 70 mil cópias.

Clarice estudou naquela mesma escola, e pela primeira vez após a alucinação coletiva eu vi alguém com um background parecido com o meu falar tão apaixonada e verdadeiramente sobre a religião católica. Não que a conversa tenha começado por aí, mas sabe aqueles encontros que duram horas e que transcendem, te mostrando alguém encantador? Foi assim. Vou contar pra vocês.

Bienal do Rio

Clarice nasceu em Recife, tem 27 anos e vem de uma família de artistas. O pai sempre escreveu. A mãe pintava com aquarela. A irmã, Sofia, é cantora e compositora – aliás, ela e Clarice já apareceram antes por aqui, cantando em homenagem aos 25 anos de casamento dos pais. O tio, Marcelino Freire, é escritor, professor, descobridor de talentos literários. “Desde cedo eu era levada para peças de teatro, sarau de poesia. Eu pensava que nunca iria escrever. Me comparava e pensava: não tem como.” Mesmo assim, a herança falou mais forte, e, adolescente, ela começou a escrever, bastante influenciada pelo pai e pelo tio. Os rascunhos ficavam em cadernos escondidos em seu quarto.

Começou a estudar publicidade. Em 2010, aos 21 anos, foi morar em Segóvia, na Espanha, e ali, andando pela cidade, vivendo experiências diferentes, viu que a criatividade fluía mais solta. Quando voltou para Recife, conseguiu um estágio em uma agência. “Passava o dia vendendo sabonete, carro. Entre um job e outro, tinha que esvaziar a cabeça. E isso saía em forma de poesia”, lembra. Ao fim do dia, ela amassava aqueles papéis e os jogava no lixo. Um dia, quando chegou no trabalho, Elisa, sua dupla de criação, havia colocado os papéis em cima da mesa, como se fosse um livro, indagando como ela podia jogar aquilo fora. Foi a amiga quem criou um blog para Clarice, que era zero da internet na época. “Eu não queria, foi uma confusão. Ela acabou me convencendo quando disse que era para eu não perder mais as ideias.”

Com os pais, Wilson Freire e Lúcia Souza. Foto: Américo Nunes

Com os pais, Wilson Freire e Lúcia Souza. Foto: Américo Nunes

O nome surgiu com a lembrança de um professor que havia perguntado se ela sabia porque a Lua era tão bonita. “Ele me disse: ‘Porque mesmo ela sendo só pó, como eu e você, ela consegue refletir a luz de outro, maior que ela. Por isso as nossas noites não são escuras.’ Aquilo me marcou tanto, eu quis ser como a Lua,  até pela noção que tenho de Deus, da vida, das coisas. Foi tão forte que falei: Pó de Lua.” Com o tempo, ela passou a escrever muito no blog, aquilo virou a parte boa do dia, quando ela podia escrever sobre o que importava de verdade. Durante o dia ela continuava escrevendo, jogando os papéis fora, e os colegas iam juntando tudo. Uma outra amiga a presenteou com um Moleskine, e foi aí que ela passou a escrever e desenhar sem jogar o resultado fora.

Em 2011, o blog começou a fazer sucesso espontaneamente, sem nenhuma estratégia. A cada dia, ela se  impressionava com as respostas dos leitores. Quando ganhou um celular que tirava foto, pensou que finalmente conseguiria mostrar como era seu processo. Criou uma fanpage. “O compartilhamento era muito mais rápido por ali, me impressionava. Mas aquilo era o paralelo, eu mantinha meu trabalho.” Quando se formou, passou dois meses em Buenos Aires fazendo um curso de criatividade. Voltou, e o projeto mudou, cresceu. “Comecei a ter menos medo de brincar, ousar, inventar coisas. A gente não tem que ter medo de criar o que quiser, e eu brincava de dar mil significados para as palavras.” Foi quando fez a poesia do palito de fósforo.

fosforo

“Só o fósforo teve 14.000 compartilhamentos. Pensei: o que aconteceu? Por que as pessoas estão assim por causa de um palito de fósforo?”. Ela acabou lembrando de outro motivo para o nome do blog: o filme “Casa de Areia”, em que as personagens de Fernanda Montenegro e Fernanda Torres moram em dunas e passam a vida imaginando o que tem na Lua. Um dia, a mais nova chega com a notícia de que o homem pisou pela primeira vez na Lua, ao que a outra pergunta o que tinha lá, e ela responde: areia. “A gente fica procurando o extraordinário na Lua, enquanto ele está no ordinário ao nosso redor. Mas a gente não tem olhos para ver porque está olhando pra Lua. Isso foi uma chave sobre o que eu queria escrever.”

“Eu vi que as pessoas estavam procurando dar sentido às coisas, ver poesia na vida, nas coisas insignificantes. Daí surgiu o conceito: Pó de Lua para diminuir a gravidade das coisas. Percebi que eu queria falar com delicadeza da vida. Por mais que eu falasse de temas duros, como pobreza, dor, solidão, angústia, sempre tinham outros mais lúdicos, como saudade, e outros mais bonitos, como amor. Sempre usando delicadeza. E eu via que isso chegava no coração das pessoas. Eu falo muito do coração. Acho que é por isso que tenho um diálogo tão sincero.” Hoje mais de 1,2 milhão de seguidores acompanham sua poesia pelo Facebook. E claro que esse alcance já rendeu muita história, de gente que se transformou ao ler seus escritores, que fez fã clube, viajou longas distâncias só para pegar um autógrafo e dar um abraço.

A convite da editora Intrínseca, o Pó de Lua virou livro, em 2014. “A minha literatura é a junção de várias coisas. Ela é desenho, caligrafia, ilustração. Tem poesia, tem prosa”, define. Ela sabe que o que faz é diferente – e se existem milhões de seguidores, sempre aparecem alguns detratores. “Muita gente tem preconceito, diz que é literatura de Facebook.” Ela contesta: “É literatura, e ela usa da plataforma que quiser para existir. O mundo está em transformação, por que a literatura não?” Para fazer o livro, Clarice escolheu metade das poesias que as pessoas queriam ter nas mãos (aquelas que mais faziam sucesso no Facebook) e fez a outra metade inédita. Viajou pelo Brasil inteiro para divulgar o livro, ouviu centenas de histórias emocionantes, conheceu leitores que a acompanhavam desde o comecinho no blog. “Foi surreal, acho que nunca vou esquecer na minha vida.”

Comunidade dos Viventes 3

Com Gabriel Marquim, da Comunidade dos Viventes

Hoje Clarice é escritora em tempo integral. Quando conversamos, ela preparava o segundo volume do livro do Pó de Lua, previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano. Ela também se dedica à Comunidade dos Viventes e ao Projeto Vincular, em Recife. Há oito anos, o amigo Gabriel Marquim chegou para Clarice perguntando qual era o sonho dela. “Falei que era ser publicitária. Ele respondeu: ‘Isso é um projeto muito bonito, mas qual é teu sonho?’ Tentei procurar alguma coisa mais nobre, falei casar. Ele disse que era outro projeto belíssimo. ‘Que meus filhos sejam pessoas muitos boas?’. Outro projeto lindo, cara, mas qual é seu sonho? Eu percebi que não tinha um. Comecei a questionar: o que é um sonho? Por que sonho é diferente de projeto? Aquilo deu um nó na minha cabeça.”

Nas conversas com o amigo, ele perguntava: pelo que você daria a sua vida, pelo que nossa geração seria capaz de dar a vida? “Ele me apresentou ao evangelho, a um Jesus muito diferente que eu estava acostumada a ver, aquele que coloca a mão no seu coração, que cura seus problemas, faz milagre, corre com você em um campo florido vestido de branco. Eu nunca tive paciência pra isso. Naquele momento conheci um homem revolucionário, que fez uma revolução através do amor. E que falou de eternidade, de um amor que não é sentimento, mas amor-decisão. Aquilo me transpassou. Eu vi que o amor-sentimento é frágil, passa, mas o amor-decisão, que é ‘eu decido viver o amor na minha vida, como força e direção’, faz qualquer criatura se sentir honrada, criando um vínculo profundo com tudo.”

Clarice e a irmã, Sofia, no festival Coquetel Molotov

Clarice e a irmã, Sofia, no festival Coquetel Molotov

E foi aí que a Clarice se apaixonou – e é aqui que vocês fazem o link com o começo desse texto. “Comecei a ler o evangelho como quem lê um romance, a conhecer a personalidade daquele homem, aquele amor capaz de ir até o fim, até as últimas consequências pelo outro”, diz ela, que não foi criada em uma família católica. “Minha vida virou de ponta de cabeça. Eu tropecei em Deus, acho que ele me queria muito, por algum motivo que ainda estou descobrindo qual é.” Com Gabriel e mais outros amigos, formou a Comunidade dos Viventes, que reúne voluntários para desenvolver atividades educativas, esportivas, culturais e de saúde. Na prática, eles promovem de oficinas de desenho e capoeira a modelos de casas populares, e ainda articulam doações, conseguem bolsas de estudo etc. “Eu aprendi, principalmente no meio artístico, que ter uma espiritualidade, e ainda mais se dizer católica, é o mesmo que dizer que é alienado. E isso é um baita de um preconceito. Eu tenho pena de quem se fecha para essa beleza”, dispara.

Clarice faz questão de ficar de olhos abertos para a beleza, diariamente. Inspira-se em Adriana Falcão, Clarice Lispector, Cecília Meirelles (paixão antiga), Manoel de Barros. gosta de ver filme, ouvir música, escrever, ficar com o namorado, viajar. E aproveita o silêncio das madrugadas para criar. “Tenho um privilégio muito grande. Isso tudo é o que eu amo na vida, e hoje é o que eu faço pra viver. É muito prazeroso, muitas vezes nem me sinto trabalhando.” Sobre o futuro, não se arrisca. “É muito difícil me ver daqui a dez anos, porque em seis meses minha vida mudou tanto! E eu gosto disso, porque gosto de estar aberta ao que a vida pode me apresentar.” Duas certezas ela divide com a gente: “Eu quero continuar escrevendo e publicando e quero estar com bem menos tempo, porque quero estar cuidando de mais gente.” Amém.

TEDx Recife

Leia a carta de Clarice para o Minha Carta de Amorwww.instagram.com/p/0NpMd4MDEp

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No brilho do Carnaval

por   /  04/02/2016  /  14:03

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Não sei vocês, mas eu só penso em Carnaval! Convidei a Vânia Goy, amiga querida, musa do make, editora de beleza da Cosmopolitan e do Belezinha, pra compartilhar com a gente algumas maquiagens incríveis para a folia.

Pra começar:

. David Bowie

The one and only, David Bowie e seus looks já eram lenda antes mesmo da sua morte, em janeiro deste ano. Claro, adoro Ziggy Stardust e o raio clássico cruzando o seu rosto, e também coleciono imagens de editoriais de moda e desfiles que homenagearam outros makes marcantes do cantor. Entre eles: o clique de Brian Adams para a Vogue alemã e Kate Moss na capa da Vogue Paris, ambas de 2012; e o desfile irresistível de verão 2013 de Jean Paul Gaultier — dá vontade de usar sombra azul na hora!

. Kate Moss

Essa é do time que sabe se divertir até o sol raiar. E eu amo o look que ela preparou para comemorar 34 anos, em 2008: vestido cheio de estrelas, cabelo cacheado bem 70’s, e uma estrela dourada meio em um dos olhos!

. Galliano para a Dior

Pense em sombra colorida, batom, glitter, postiços, strass e paetê. Pois era isso que tinha na mala da (gênia) Pat MacGrath, uma das maiores maquiadoras do mundo. Ela fazia verdadeiros bordados no rosto das modelos que desfilavam as coleções de John Galliano, quando o estilista estava no comando da Dior.

. Falando em Pat MacGrath

Nem só de colaborações malucas com John Galliano ela vive. Adoro os makes recentes feitos para as passarelas da Louis Vuitton (acho uma coisa meio Hans Donner!) e Martin Margiela (surrealista!). De estrelas, cabelo cacheado bem 70s e uma estrela dourada meio em um dos olhos!

. Frida Gustavson na Vogue UK

Esse editorial de beleza é uma das minhas referências frequentes quando quero fazer algo dramático e leve, feminino. Não dá para resisitir às estrelas brilhantes! As fotos de Lachlan Baile foram publicadas na Vogue inglesa em 2010.

. Malgosia Bela na Self Service

As fotos do Mario Sorrenti são uma loucura completa. Mas eu não canso de ver o rosto da modelo Malgosia Bela co-ber-to de glitter prateado.

—Para fazer em casa—

Gloss transparente e cola de cílios postiços são o segredo para manter as partículas de brilho no lugar. Técnicas testadas e aprovadas em dezenas de horas de carnaval, sol e suor.

. Rockstars da Daquared2

Lápis preto, gloss transparente e glitter da papelaria dão conta do recado. Vale usar produtos à prova d’água para não ficar completamente borrada.

. Gatinhas da Chanel

Para quem gosta de ficar sempre na estica e tem habilidade no trato com o delineador: passe a cola de cílios postiços com um pincel fino, como se você fosse fazer o seu delineador preto favorito, e deposite glitter por cima com a ajuda de um pincel chato. Sucesso absoluto, nunca sai do lugar.

. Minimalistas de Giambattista Valli

Coisa linda essa marcação sobre a pálpebra que vi no último desfile do estilista Giambattista Valli. O segredo é fazer o desenho com a ajuda de um lápis colorido, cobrir com cola de cílios e glitter — para iniciados.

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