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Aço, de Alessandra Leão

por   /  26/05/2015  /  12:00

Alessandra Leão

Música que vale a pena é aquela que me tira do lugar e me faz ter a sensação de viajar só de fechar os olhos. Toda vez que eu ouço Alessandra Leão sinto isso. Desde a época do Comadre Florzinha, até hoje nos shows no Sesc ou na Casa de Francisca. Ela me leva não para um destino conhecido e esperado, e sim para um lugar novo cheio de encontros e sensações que me acompanham por um bom tempo, até mesmo depois de voltar. A viagem às vezes é pra dentro, pra uma história dela em que vejo uma minha reverberar. Em outras, é para um pedaço de Pernambuco que só conheço de ouvir cantar.

Pra nossa sorte, Alê resolveu nos proporcionar várias viagens. Ela está fazendo uma trilogia de EPs, aqueles álbuns menores do que um CD tradicional, com cinco, seis músicas. Primeiro ela lançou “Pedra de Sal”, que é brilhante e ainda tem a maravilhosa “Tatuzinho”. Agora vem o segundo capítulo, “Aço”. Visceral, rasgado, o disco começa assim: “Cortei a carne até sangrar / E o que sai de dentro dela é aço, é aço”. E o que vem depois segue essa toada.

O Don’t Touch foi escolhido para mostrar “Aço” em primeira mão na internet.

Vamos ouvir juntos?

Abaixo, as respostas dela a uma entrevista que fiz:

A escolha em fazer uma essa trilogia, que chamo de “Língua”, parte de algumas questões de ordens distintas: temporal, financeira e principalmente estética. Ela fala de um mergulho íntimo e pessoal, e cada um dos capítulos se relaciona com uma etapa dessa trajetória. “Pedra de Sal”, lançado no fim do ano passado, fala do princípio da jornada, de quando tomamos ar antes do mergulho, de achar que o ar vai faltar, de seguir adiante e tocar o fundo.

“Aço” é a parte mais visceral e profunda, fala do que me constitui, do que sou feita agora. Pra isso, foi preciso “cortar a carne” e me embrenhar por dentro de mim. O que nem sempre é um caminho fácil, e por isso, a presença de cada um que compartilhou esse tempo comigo, tem sido mais do que fundamental: Luciana Lyra (co-direção artística), Vânia Medeiros (projeto gráfico), Kastrup (bateria), Missionário (sintetizador), Mestre Nico (percussão), Kiko Dinucci (guitarra), Rafa Barreto (guitarra e parceria numa das faixas), Ligia Meneguello e Dora Moreira (produção) e principalmente Caçapa (que assina a produção musical e a maioria dos arranjos, além de dividir duas músicas músicas). Essa parceria com ele vem desde o meu primeiro disco e acho que em “Aço” sinto a presença dele mais pulsante e intensa, esse de fato é um disco muito sobre mim, sobre nós dois, e essa parceria, que se ramifica por tantas partes da nossa vida.

Além dessas pessoas que já trabalham comigo há um tempo, a presença de Odete de Pilar, coquista da Paraíba, foi um dos momentos mais emocionantes dessa parte do mergulho. Foi pra ela que compus “Odete”, música que gravei no meu primeiro disco, não nos conhecíamos pessoalmente e esse encontro foi dos mais bonitos e necessários. Em “Aço”, cantamos “Corpo de Lã” juntas e viramos bicho e voltamos melhores do que chegamos, assim são os bons encontros. Assim, me senti com ela e me sinto com esses meus companheiros todos.

Esse é um processo que eu precisava passar – e acho que precisarei outras vezes ainda, outros mergulhos, pois essa nossa profundidade muda dia a dia, e precisamos voltar a tomar ar, dar novos mergulhos e emergir deles. É um caminho profundamente transformador. Essa sou eu agora.

“Aço” vai pro mundo, que bom. Agora, que venha “Língua”!

Acompanhem a Alessandra Leão:

www.alessandraleao.com.br

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Desenhar para estimular a criatividade

por   /  21/01/2015  /  16:30

Paulo von Poser 2

Sempre fui do tipo que faz mil coisas ao mesmo tempo. Sonho em ser monotasker, enquanto na maior parte do tempo ainda me desdobro para dar conta do que invento fazer. Uma das poucas vezes na vida em que entrei em um estado de concentração absoluta aconteceu quando fiz aula de desenho com o Dudi Maia Rosa. Passei alguns bons minutos me perdendo na tentativa de desenhar umas pedras que ele tinha recolhido do parque. Eu, que me arrisco no máximo a fazer boneco de palitinho, me vi pela primeira vez no flow, tentando expressar alguma coisa pela imagem. Foi demais!

Dia desses, o pessoal da Remix Social Ideas me perguntou se eu queria em fazer uma entrevista com o Paulo von Poser, um dos professores do curso Intensivo da The School of Life, que acontece a partir deste próximo fim de semana. Quando vi que o Paulo é desenhista, artista plástico e arquiteto, lembrei da aula e mandei umas perguntas pra ele.

Pra começar, perguntei qual é o primeiro passo que se deve dar deixar de dizer “mas eu não sei desenhar, só faço boneco de palitinho!”. E ele disse: Rabiscar violentamente, observando a respiração e o som do desenho, identificar o bloqueio crítico de controle e julgamento que te deixa irritado e frustrado ao desenhar, abandonar os modelos pré-estabelecidos, conhecer museus e ‘curtir’ a história da arte. É fundamental adquirir o hábito de anotar tudo e carregar sempre uma caderneta”.

Não é preciso se preocupar em desenhar bem, achar um estilo. “A letra de cada um já é um desenho, nossa identidade é o desenho das nossas impressões digitais.” Talvez por entender isso intuitivamente, Paulo começou a desenhar brincando com a comida que sobrava no prato nos almoços de família. Formou-se em arquitetura e também virou ceramista, ilustrador e professor. Completou 30 anos de carreira em 2012, com retrospectiva no Museu Brasileiro de Escultura e exposição no Museu de Arte Sacra.

Quando olha para sua trajetória, percebe que o desenho o ensinou a ensinar. “A beleza do desenho é sua incompletude e a abertura para o outro. Quem vê um desenho meu desenha também”, diz.

Para ele, desenhar estimula a criatividade. “Sentir e ‘sair’ do tempo pode ser um jogo interessante. Você pode desenhar em segundos ou demorar anos sem acabar, mesmo assim sua maior qualidade ainda é a síntese.” Ainda mais nesses tempos acelerados em que vivemos. “Estamos pressionados hoje: temos que ser responsáveis, bem sucedidos, ser saudáveis, conscientes e sustentáveis. Estamos exaustos de nós mesmos. Ser diletante pode ser revigorante, pois te esvazia e te prepara para novos propósitos.”

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Paulo von Poser é um dos professores no curso Intensivo que a The School of Life realiza em São Paulo entre os dias 23 e 27/01. Para saber mais > http://bit.ly/183FQ0t

Outro convidado é o David Baker, que já entrevistei por aqui > http://bit.ly/1bV4Ogn

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Um monte de coisa linda no Instagram

por   /  03/12/2014  /  9:09

sd

Um monte de coisa linda que achei no Instagram!

Aliás, vocês já seguem o Don’t Touch por lá? www.instagram.com/donttouchmymoleskine

Pra começar, não tenha medo do oceano, por @sejkko

livro

Ler juntinho. Do @theacademynewyork

dream

Para lembrar sempre! Da @anastrumpf

s

Um passaporte, por favor! Por @inayali

hans

Para refletir. Por @hansulrichobrist

nicanor

Respiro. Por @nicanorgarcia

time

Contagem. Do @taxiamarelony

karen

Oi, dezembro! Fofo demais o #calendáriosonoro feito por @karenhofstetter, @lucianaelaiuy e @musiquice!

macenzo

Bom dia! Que seja colorido assim, como na foto do @macenzo

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