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Posts da categoria "arte"

O mundo pré-selfie da japonesa Hiromix

por   /  12/05/2014  /  9:00

Antes de selfie virar palavra do ano, hit do Oscar e atividade nossa de quase todo dia, a fotógrafa japonesa Hiromix já experimentava documentar todos os detalhes da sua vida.

Ela começou a fotografar aos 17 anos e, aos 19, ganhou a décima primeira edição do New Cosmos Photograhy, concurso da Canon no qual ela recebeu a indicação de Nobuyoshi Araki, uma de suas maiores influências. Foi a deixa para suas fotos da vida íntima ganhassem uma popularidade gigante.

O ano era 1995, e vocês conseguem imaginar o impacto que suas fotografias tiveram na época? Ela adotou um estilo “meu querido diário”, com imagens de flores, discos, gatos, amigos e, claro, muitos auto-retratos. Pode ser comum hoje e todos fazemos, mas há quase 20 anos tinha um outro apelo – e muito frescor.

Aos 24, Hiromix, cujo nome de batismo é Toshikawa Hiromi, já tinha quatro livros publicados, o que mostra não só como sua fotografia gera identificação para uma legião de jovens seguidores quanto dá uma ideia do quanto os projetos fotográficos em livros fazem sucesso o Japão.

Em seu livro de 1998, ela dá uma boa noção da sua arte:

“Youth reflects transparency and beauty. Despite our lack of experience, the world often confronts us with unforgivable situations. We believe, more than anyone, in things that cannot be seen. Many unknown worlds are awaiting us. Surrounded by people and things we love, we smile carefree smiles. It is perhaps because I wanted to keep a record of this, that I take photos of myself.”

O que faz das fotos dela arte é aquela discussão eterna. De minha parte, gosto de ver em detalhes os registros de uma vida auto-centrada, que é tão enaltecida hoje, feita há muito tempo.

Mais em > http://photoguide.jp/txt/HIROMIX

Cat Power abre o coração

por   /  12/05/2014  /  8:30

Cat Power fala um monte em uma boa entrevista no Guardian.

Patti Smith gave me life-saving advice. She told me: “It’s your responsibility as an artist to stand up if you believe in something.” I was overwhelmed by that. At the time I was just trying to keep myself alive and stop myself jumping out of windows

We wouldn’t have art and music if we all saw things the same. I’ve spent a lot of my life not fitting in. As a culture we forget that we are very different to each other.

I used to lie about what I did. When a cab driver would ask me what I did for a living I’d say: “I’m a writer.” I never thought I was a “good artist”, like people are “good bartenders” or “good cleaning ladies” with efficiency and a work ethic. I didn’t believe in myself.

I’ve looked death in the eye. The day after Sun [her 2012 album] came out I was in hospital with angioedema [a stress-induced and potentially fatal swelling in the body]. They told me they were going to put me in a coma to save my lungs. My friend came to visit and told me I’d made the Billboard Top 10 and all I could think was: “I don’t want to die.”

Songs can be destructive but helpful. Lyrics come from different places. Sometimes they come from a need, hope, memories or dreams, and sometimes they just come for no reason, from nowhere.

Everywhere I’ve been, I’ve seen the same type of people. It doesn’t matter what language you speak or if you can drive a car or not. We all generally want the same thing: clean water, shelter and security for our families.

Leiam a entrevista completa > http://www.theguardian.com/music/2014/may/10/cat-power-this-much-i-know

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Testamento de partideiro

por   /  11/05/2014  /  15:00

Uma música para o domingo: “Tempo de partideiro”, de Candeia.

Mas se houver tristeza que seja bonita
De tristeza feia o poeta não gosta
E um surdo marcando o choro de cuíca
Viola pergunta, mas não tem resposta
Quem rezar por mim que o faça sambando
Porque um bom samba é forma de oração
Um bom partideiro só chora versando
Tomando com amor batida de limão

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O cotidiano banal de Stephen Shore

por   /  31/03/2014  /  14:00

A capa do livro que reproduz uma guia de revelação de filme analógico me chamou a atenção. Comecei a folhear aquelas páginas e encontrei fotos de um dia a dia sem filtro nem glamour. Pelo contrário: aquelas cenas davam espaço para uma refeição que não apetece aos olhos, um banheiro que acabou de ser usado, uma cama com lençóis sujos.

O livro era “American Surfaces”, de Stephen Shore, 66, fotógrafo norte-americano pioneiro no uso da cor – e um dos primeiros a ter suas fotos de cenas banais do cotidiano reconhecidas pelo mundo da arte.

Ele foi o primeiro fotógrafo vivo (segundo o livro; e o primeiro, segundo a Wikipédia) a ganhar uma exposição individual no Met (Metropolitan Museum of Art). Bem antes disso, Shore já atuava com determinação. Aos 14 anos, telefonou para o então curador do MoMa, Edward Steichen, e conseguiu vender três fotografias. Aos 17, conheceu Andy Warhol, passou a frequentar a Factory e a fotografar seus personagens icônicos.

Em “American Surfaces”, criou um diário visual das road trips que fez pelos Estados Unidos entre 1972 e 1973. O resultado é fascinante porque é muito simples – e nos leva a passar minutos criando histórias para cada uma de suas cenas.

Encontrei uma definição perfeita de Shore sobre o que faz: “Uma frase de que gosto muito chega perto de explicar minha atitude em relação a tirar fotografias. ‘A poesia chinesa raramenta ultrapassa os limites da realidade. Os grandes poetas chineses aceitam o mundo exatamente como eles o encontram em seus termos e sua profunda simplicidade. Eles raramente falam de uma coisa pensando em outra, mas são capazes e seguros o suficiente como artistas para fazerem os termos exatos se tornarem belos termos’.”

Coloco aqui algumas fotografias dele pra gente ver juntos.

Para saber mais sobre o fotógrafo, acessem > http://stephenshore.net/

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Tudo o que eu gostaria de ser

por   /  27/01/2014  /  9:09

Quando a autoajuda ganha relevância. Ken Trogowski fez um grande trabalho de edição em “Everything I Wish I Could Be”. O artista do Brooklyn se debruçou sobre mais de 100 livros de autoajuda para explorar a linguagem, as emoções e o desejo que temos de mudar e melhorar.

“Existe um livro de autoajuda para quase todo momento e problema na vida, de conselhos sobre relacionamento a lidar com a inevitabilidade da morte”, diz o artista em seu statement.

No trabalho, cada fotografia de grande formato reúne imagens de um arranjo de páginas, baseadas em torno de um tema central. “Juntos, os títulos criam narrativas maiores, que se tornam retratos de emoções, pessoas e acontecimentos da vida.”

Bom demais, né?

Vejam o trabalho completo > http://www.kentrogowski.com/projects/everything-i-wish-i-could-be/

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