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Posts da categoria "entrevistas"

tse vai controlar campanha na internet

por   /  02/04/2008  /  16:27

Sem Facebook, MySpace e YouTube, provavelmente a campanha de Barack Obama à Presidência dos EUA não teria alcançado tanta repercussão. O “candidato 2.0”, que tem perfil em redes sociais e trava debates on-line, conseguiu arrecadar US$ 135 milhões, até janeiro, via doações de internautas.

A força da rede em campanha eleitoral, no entanto, deve passar longe das terras brasileiras. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou as condutas vetadas para a campanha municipal de 2008.

De acordo com o artigo 18 da Resolução 22.718, “a propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral”.

Isso significa que apenas os candidatos poderão promover suas propostas quando começar o período eleitoral, em 6 de julho. Se um eleitor quiser fazer propaganda em seu blog ou no Orkut, poderá ser impedido -também há risco de multa para ambos.

“Ao proibir a utilização dos recursos gratuitos que estão disponíveis na rede, o TSE beneficia quem controla os canais da “mass media” e prejudica quem tem maior articulação na rede”, analisa o doutor em ciência política Sérgio Amadeu.

De acordo com o presidente do TSE e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, o objetivo é equilibrar a campanha. “Se não, quanto maior o poder de penetração do candidato e seu poder econômico de arregimentar gente para ter blog, ele terá maior propaganda, desequilibrando a disputa”, afirmou em entrevista por telefone à Folha.

Espera
Consulta ao TSE feita pelo deputado federal José Aparecido (PV-MG) questiona se será possível usar ferramentas da internet para angariar votos -como marketing por e-mail, blogs, perfis em redes sociais etc. A consulta 1.477 ainda precisa entrar na pauta do TSE e ser avaliada pelos ministros -isso deve ocorrer até julho.

matéria minha no caderno informática de hoje

mallu magalhães no blog circuito integrado

por   /  05/03/2008  /  19:37

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Fiz um post pro blog Circuito Integrado, que é uma extensão do caderno Informática, da Folha de S.Paulo, sobre Mallu Magalhães:

Mallu Magalhães, cantora paulistana de apenas 15 anos, também foi assunto no caderno Informática de hoje. Depois de colocar quatro músicas de sua autoria no MySpace, a menina viu sua vida dar um giro de 180º. O burburinho começou nos blogs e foi para a grande imprensa _Mallu foi capa da Ilustrada, do Folhateen e virou assunto da Escuta Aqui, coluna de Álvaro Pereira Júnior. Os convites para shows surgiram aos montes, assim como a quantidade de pessoas querendo se tornar amigas da menina, principalmente em redes sociais, como o Orkut e o MySpace.

“No MySpace já aprovei mais de 4.500 pedidos. No Orkut, meu perfil ficou lotado. Criei outro, mas mesmo assim tive que recusar muita gente, porque não cabia mais. Tem dia que eu penso: vou tirar meia hora só para aceitar; mas é tanta gente, que eu clico, clico e não acaba. Depois de 280 pessoas você não agüenta mais!”, disse Mallu, em entrevista à Folha na tarde de sexta-feira. “Me esforço, mas não consigo acompanhar o ritmo. E fico até triste. Mas sempre que dá eu tento. Gosto de, pelo menos, deixar um recado para a pessoa, agradecendo.”

Mallu escolheu colocar suas músicas _”Don´t You Leave Me”, “Tchubaruba”, “J1” e “Get to Denmark”_ no MySpace pela praticidade que o site oferece. “Até para aceitar amigos é fácil, dá para aprovar dez [pedidos] de uma vez só. Para pôr música e foto também é bem fácil.”

A relação com a internet vem de cedo. “Para mim, internet é música. Gosto de procurar artistas, uso bastante o Google. E agora também procuro o que as pessoas falam de mim”, disse. Para as críticas maldosas, Mallu nem liga. “Gente ruim sempre tem, né? Eu sou saudável, tenho amigos, família. Sou feliz. Pra quê eu vou ligar?”

Sobre as propostas de gravadoras (tem quem diga que seis empresas já entraram em contato), Mallu despista. Mas afirma que vai continuar usando a internet para mostrar sua música. “Eu acho que nunca vou largar a internet, afinal ela sempre foi minha aliada.” A paixão pelos encartes de CDs a deixa em dúvida sobre se lançaria seu futuro disco totalmente on-line. “O maior problema é que eu gosto muito de encarte. Sonho em fazer o meu, cheio de desenhos, de coisas bonitas… Até tenho alguns!”

* A foto é de Thiago Bernardes/Folha Imagem

entrevista: mallu magalhães

por   /  29/01/2008  /  22:04

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É domingo, fim de tarde, e Mallu desce do carro do pai para ensaiar no estúdio Lúcia no Céu, em Perdizes. Ela é pequena, magrinha, usa camiseta pólo, jeans e tênis vintage DKNY, herdado da mãe e da irmã. Fala sem parar, como se, finalmente, agora, tivesse encontrado gente de olhos e ouvidos atentos a tudo que ela quer dizer, tocar e cantar.

Mallu tem 15 anos. Se for tirar pela certidão de nascimento, ela é uma garota como outra qualquer, que não vê muito sentido em dedicar a maior parte do tempo para a escola, se queixa dos poucos amigos (e até da falta deles) e é super fã de uma banda, a Vanguart _foi para eles que ela abriu um show, este mês, no Clash Club, fazendo sua primeira apresentação mais profissional.

Deixando o cartório de lado, a gente encontra uma garota com gostos e referências apurados, com consciência de que é uma artista _e, por isso, não se intimida em pedir para músicos mais velhos e experientes tocarem exatamente no tempo em que ela quer, para que tudo saia como o imaginado nas melodias cheias de onomatopéias da sua cabeça.

Mallu fala em Hélio Oiticica e seus parangolés, se declara fã da Tropicália, de Cazuza, de João Gilberto. “Pra mim eu nasci na época errada, queria ter tocado com os Mutantes”, diz. Quando pega o violão e começa a dedilhar melodias simples, costuma dizer um “ah, num tá muito legal, desculpa”. Depois emenda com outra música, que, para ela, tem o mesmo tipo de “melodia medríocre”. Mas, ao mesmo tempo, dispara: “Eu acredito nas melodias medíocres. Porque Beatles, eu amo Beatles, e eles eram tão simples…”

Surpresa com o assédio repentino, Mallu ainda não sabe se quer se apenas cantora. Pensa em cursar design gráfico na USP _por ora, freqüenta a biblioteca da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), onde gosta de ler sobre arte, principalmente a pop art de Andy Warhol.

Por enquanto, a menina que começou a tocar porque queria fazer que nem o pai, imitando “Leãozinho”, de Caetano, dá os primeiros passos. Para saber se era isso mesmo que queria, fez um sarau em casa, com poucos amigos. Apareceu mais gente do que ela esperava. E muita gente se surpreendeu com as músicas _”principalmente as em inglês”.

Ela juntou o dinheiro que ganhou do pai, da mãe e da avó e comprou um violão, o mais barato da loja. “Nem sabia que ele seria tão bom assim”, diz. Depois, alugou umas horas no estúdio para gravar as músicas que estão no MySpace. Ela fez questão, também, de registrar as músicas na Biblioteca Nacional.

Agora, tenta aprender gaita e piano. É “bem auto-didata”, como diz, apesar de já ter feito aulas de violão clássico e de canto. As aulas de música na antiga escola, ela faz questão de esquecer. “Eu odiava, odiava, saia de lá chorando. Eu não tocava do jeito que eles queriam, não entedia aquelas bolinhas na partitura. Aí eu falava: meu, por que a gente num faz uma coisa diferente?”.
Agora ela faz.

A seguir, trechos da entrevista que eu fiz com Mallu em parceria com Ronaldo Evangelista e Bruna Beber, com fotos de Eugênio Vieira.

You´re the inspiration
Quando eu tô muito triste, sempre sai musica. Muito feliz, só de vez em quando. Mas é sempre pra alguém, né? Isso facilita, mas atrapalha. Você tem que fazer uma música que rime, que tenha sonoridade e que seja real ao mesmo tempo.

The book is on the table
Meu inglês não é fluente, sendo que eu tenho dicionário. Se eu tô tocando, é porque tá vindo alguma coisa. É sem querer, você não escolhe. Vai meio pela sonoridade. É difícil começar uma música com a letra. Vem primeiro um dagadagada.
Se eu gosto de alguém, a pessoa saca. Se você canta em inglês, a pessoa não entende na hora. É bom cantar em inglês porque você consegue se soltar. Você meio que quer que te ouçam, mas você não quer se expor….

Poliglota
Língua que você não entende é a melhor coisa do mundo, porque você pega a sonoridade. Tem coisa melhor que isso?

Eu tenho que fazer inglês, né? Mas meu negócio é francês e italiano. Tenho uma musica em francês, mas é daquelas escondidas, que você toca pra você e pra si mesma. Sabe quando você aprende um novo tempo verbal e acha ele bonitinho porque eles rimam?

Tuiuiu iu iu sou curumim iê iê
Eu faço esse negócio de escola. E faço trabalho comunitário. Gosto muito de ir numa tribo de tupi guarani. Tive que parar depois de um tempo. Mas eu gostava muito da tribo, de conhecer a língua, a cultura.

Minha mãe morava no Pico do Jaraguá. Aí meu avô contratou um índio para babá. Depois de um temop, achei um dicionário de tupi, entre as roupas de bebê, um livro todo obscuro. Eu tava até fazendo uma rima em tupi, ainda vai sair. Outro dia mesmo eu tava escrevendo essa tal letra.

De volta às origens

Quando você vai viajar é caro pra caramba. Viaja, mas ainda tem que pagar a escola. Foi chegar no Canadá e só ouvir música em inglês que me deu uma saudade do Brasil! Daí compus duas músicas em português. Eu gosto muito do Brasil, minha grande frustração era não compor em português. Agora tô feliz.

Influências
Tropicália foi assim. Eu gosto muito de arte. E muito de pop art. Eu tava entre as minhas pesquisas na biblioteca da FAU, aí tava folheando e achei um tal de Hélio Oiticica. Ai foi parangolé pra cá e pra lá. Aí tava o Caetano. Tinha lá todas as capas, o Dromedário Elegante. Aí eu comecei a procurar, quem são esses caras? O cara canta “Leãozinho” e faz músicas assim? Aí começou Rita Lee.

Eu gosto da Tropicália de ponta a ponta. Música brasileira, não adianta, é bossa. E folk. A antiga é bossa. E meio que Mutantes, que eu num sei direito, é meio rock´n´roll, sei lá. E tem João Gilberto, lógico. Pra mim, tô feita: Tropicália, Cazuza e folk em geral. E um pouquinho de rockabilly. De coisa nova, gosto de Quarto das Cinzas, Bluebell. E Vanguart, é claro!

Na onda do rádio
Eu tentei [ouvir música que toca em rádio, tipo Avril Lavigne], pra num ser assim, né? Mas a Avril é insuportável. High School Musical eu não tenho problema, acho bonzinho e simpático, mas Avril não dá. Não gosto da pessoa, da música. Mas eu tento ouvir de um tudo.

Tchubaruba
A única musica que eu não compus pra ninguém foi “Tchubaruba”. Tchubaruba é o que você pensa de bom. Eu tentei criar uma coisa que as pessoas tivessem na cabeça, que fosse fácil de falar. Tudo bem que num é, mas, sei lá, é pra pessoa meio que tentar. É impossível representar a felicidade… Eu tentei juntar minha própria concepção de felicidade numa palavra só. É meio um verbo, um substantivo, um nome, uma definição e é um texto. E não é pra ninguém. É pra mim. E é pra todo mundo. Você pode tá ouvindo musica e tchubarubando, comendo sucrilhos e tchubarubando.

Te pego na escola
Eu mudei de escola, pra uma que toma um pouco menos meu tempo. Gosto muito de fazer as minhas coisas. Esse negócio de escola não é pra mim. Mas eu faço porque meu pai paga, é minha obrigação. Mas eu acho, assim, que tenho que tomar cuidado pra não perder meu tempo.

Eu podia fazer 18 logo, poxa.. Quanto mais eu cresço, mais o tempo passa rápido. Por isso que eu num gosto de ficar o tempo inteiro pra escola.

Why must I be a teenage in love?
Na verdade, eu acredito _eu sei que é muito chavão e normal falar isso, só que eu vou falar. Mas eu acredito que o amor resolve tudo. Às vezes você tá em casa, sem fazer nada, e você fala “putz minha vida é um bode”. Mas se você tivesse com quem você ama do seu lado, não seria assim…

So faraway
Foi aí [em “Go to Denmark”] que comecei a não gostar das pessoas. Você faz, faz, faz, faz e nada. As vezes a pessoa descobre, não fala porque num deve. O garoto nunca ouviu, ele foi pra dinamarca. Eu tentei [mandar a música para ele], mas num deu. Mas eu não gostava tanto dele quando ele tava aqui. Devia ter mostrado antes, se eu tivesse feito antes, né? Ele voltou, aí eu fiquei feliz que ia conhecer ele de novo. Ele chegou, mas me falaram que ele foi embora mais cedo. O que mais me irrita é assim, que ele sempre falava para eu cortar a franja, aí no dia em que eu cortei, liguei pra ele, e me disseram que ele tinha ido para o aeroporto…

Daqui pra frente
Talvez role um projeto com Rossato, do Bidê ou Balde. Se rolar, vai dar pra fazer a demo e o clipe. Não sei direito. Às vezes as pessoas falam comigo, eu fico feliz com aquilo, aí gosto de ficar olhando pra pessoa, imaginando o que ela tá pensando. E esqueço de prestar atenção no que ela tá falando. Esse é o problema de viver em outro mundo…

folk this town

por   /  14/12/2007  /  16:15

Domingo é dia de estréia da Folk This Town, festinha pra quem, como eu, quer ouvir boa música _de preferência, sentado. Gonzo é um dos envolvidos no projeto. Aproveitei pra fazer uma entrevistazinha com ele. Vejam aí e apareçam no domingo, vai ser foda!

– Como surgiu a idéia pro Folk This Town?
– Um dia eu recebi um e-mail falando de uma festa temática, acho que era sobre anos 90. Pô, o revival dos anos 80 nem esfriou e a galera já está se jogando na década de 90? Aí eu fiquei pensando como tem festa pra tudo em São Paulo, que eu poderia pegar uma semana qualquer e achar uma festa que fosse exatamente do jeito que eu queria ir. O que não é verdade, “pô, São Paulo, a maior cidade da América do Sul (uia!), não tem uma festa folk”. Aí eu coloquei no meu MSN e no Gchat, uma mensagem escrita “simbora montar uma balada de folk em são paulo?” – e choveram amigos topando a idéia.

– Qual é a proposta da náitchi?
– O nome “folk” é uma idéia genérica de um tipo de som mais calmo, que pode ser tanto Woody Guthrie quanto Cat Power, Smog ou Big Star – algo que não cabe em nenhum tipo de pista de dança, mas ainda assim é orgânico. Por isso que o projeto acontece no Santa Augusta Bar, um lugar com uma estrutura muito bacana, com mesinhas e cadeiras. A Folk This Town não é uma festa pro requebro, pro molejo ou pra bater cabelo – a não ser que Nick Drake te empolgue a esse ponto…

– Quais são os critérios para a escolha de quem vai tocar?
Acho que o primeiro ponto é: sem bateria. A não ser que o instrumentista seja muito habilidoso e saiba levar as coisas na manha, bateria costuma deixar tudo mais barulhento. Mas, a partir disso, rola muita coisa: pode ser cover de Johnny Cash, releitura caipira de indie rock e nomes consagrados como Blue Afternoon (curtiu, Gui?). Acho que os dois artistas que fazem a estréia da festa são um bom exemplo: o Edson, com seu som minimalista de um lado, e a Lulina, com uma proposta diferente da banda “oficial” dela, fazendo um álbum na íntegra.

– Que público vocês querem atingir?
Ah, a gente não quer atingir ninguém, vai que machuca… (Tá, não resisiti a oportunidade de fazer um piada TOTALMENTE sem graça). Nós queremos atingir um público que já existe, mas que não tem esse espaço – todas as pessoas que gostam de voz, violão, melodias delicadas, sons tranquilos e orgânicos. Eu adoro pista, adoro música pra dançar, adoro show pesado e barulhento, mas também curto ficar ouvindo um bom dedilhado – a idéia é que eu não sou o único, que existe mais gente procurando isso, e que a partir de agora esse espaço vai existir, num domingo, depois do almoço na casa da mãe, com todo o sossego do mundo.

Folk This Town
Santa Augusta Bar
Rua Augusta, 976
Dia 16/12 (domingo)
A partir das 18h
Entrada: R$ 7,00 com nome na lista
Bônus Folk: consumindo R$ 12,00 ou mais, a entrada fica isenta.
Lista: folkthistown@gmail.com
Shows de Edson (http://www.myspace.com/edsonblossoms) e Lulina e convidados (http://tramavirtual.uol.com.br/lulina)

entrevista: le rock démodé

por   /  10/10/2007  /  17:35

 

le rock démode é quase o les sucettes, banda paulistana que eu conheci na bizarre. em 2002, eu era turista em são paulo e passei uma tarde na loja que hoje não existe mais. entre um cd e outro, aquela capa com uma menina chupando pirulito me chamou a atenção. era o les sucettes, banda que tinha como inspiração o psicodelismo dos anos 60 e referências que iam de serge gainsbourg a ronnie von. três lindas músicas (piano song, oubliez cette chanson e outra que num lembro o nome agora) foram suficientes pra eu me apaixonar. até estava na cidade quando eles fizeram o derradeiro show no crowne plaza, mas acabei numa festa de fashionista…

uma vez encontrei maurício fleury (voz, violão, órgão e piano elétrico) e perguntei porque eles não voltavam com a banda. ele falou que tinham rolado uns desentendimentos, que agora cada um tinha seus projetos. mas eis que, semana passada, ronaldo me fala que eles vão voltar. com novo nome e nova proposta, maurício, gustavo cunha (violino e voz), mauro cunha (baixo), ricardo melo (voz, violão, guitarra, piano elétrico e órgão), pedro falcão (bateria e voz) e rita retz (voz, escaleta e percussão) se reuniram para formar o le rock démodé, que se apresenta hoje no auditório da faculdade santa marcelina. por e-mail, maurício e ricardo responderam a algumas perguntas.

1. como foi que vocês decidiram voltar com o les sucettes?

ricardo – na verdade não é uma volta do les sucettes. a banda acabou definitivamente em 2003. por coincidência voltamos a tocar juntos, as mesmas pessoas daquela formação, mais outros dois integrantes. e agora somos o le rock démodé.

maurício – não houve a decisão de voltar com o les sucettes, e sim uma vontade de colaboração entre nós. eu e o ricardo tínhamos várias músicas escritas e nos damos muito bem musicalmente, estávamos vendo de fazer umas coisas juntos, eu também já estava fazendo umas trilhas sonoras com o gustavo, então ligamos para o mauro e voltamos a tocar, mas a banda só se concretizou com a presença iluminada do pedro (bateria) e da rita (voz e escaleta), mas tudo aconteceu naturalmente, não teve nenhuma “volta” planejada, até porque não encaramos como volta, e sim como outro trabalho, os tempos são outros, assim como as músicas.

2. qual a diferença da banda que vai fazer show de hoje para aquela de uns anos atrás?

maurício: a diferença mais básica é a presença de um baterista, acho que encontramos o melhor, o pedro toca muito e é um grande amigo, e também de uma vocalista, a rita é muito boa e bem nova, vocês ainda vão ouvir falar muito dela! fora isso, diria que o repertório também é composto de músicas novas, em português. acho que hoje também temos muito mais experiência de vida e de música, ou seja, só melhorou.

ricardo – acho que melhoramos um bocado, felizmente. e contar com mais dois integrantes
na banda faz uma grande diferença.

3. o repertório do show é todo de músicas próprias ou entram releituras?

maurício – desde que a gente começou a tocar, sempre nos divertimos tocando um monte de coisas que a gente gosta, então nada mais natural que apresentar várias covers de coisas que a gente gosta… vamos mostrar algumas no show, mas tem muito mais ainda esperando pra entrar no repertório.

ricardo – a maioria do repertório é de autoria própria, inclusive com uma releitura do les sucettes. e vai ter versão dos kinks e do tindersticks também.

4. como surgiu o les sucettes?

maurício: o les sucettes começou quando nos conhecemos e começamos a tocar, sempre voltados pra coisas legais dos anos 60 principalmente, mas mais pra gente se divertir… o ricardo já escrevia canções fazia tempo e então começamos a trabalhá-las, gravamos um epzinho totalmente independente, onde nos revezávamos em todos os instrumentos. a partir daí começamos a fazer shows só os dois, depois entrou o mauro e, por fim, o gustavo.

ricardo – acho que surgiu no final de 2000, começamos a ensaiar eu, o maurício e o ronaldo popaska. tocávamos umas versões de byrds, velvet underground. daí ficamos só eu e o maurício um tempo. depois entraram o mauro, do sala especial, e o gustavo.

5. qual foi a trajetória de vocês? onde tocaram, o que gravaram…

ricardo – gravamos um primeiro ep em 2001, fizemos uns shows no sesc consolação, no crowne plaza. do último show no crowne plaza resultou mais um ep ao vivo.

maurício – foram poucos e bons shows.

6. por que a banda ficou parada por um tempo?

ricardo – a Banda acabou mesmo, em 2003, então naõ ficamos parados. é claro que nesse meio tempo cada integrante continuou fazendo música, eu fiz o the velvet voices  e o electronic decadanse, o maurício tem o multiplex e toca em vários outros projetos. no ano passado voltamos a tocar juntos quando fizemos uns shows com a karine alexandrino. o gustavo continuou tocando em orquestras e ele e o maurício fizeram umas trilhas de desfile em parceria e assim por diante.
 

7.  por que vocês fizeram a opção de priorizar as letras em português?

maurício – sempre escrevi músicas instrumentais ou em português, em inglês devo ter uma ou duas só… e gosto bastante da música brasileira, principalmente dos anos 60 e 70: marcos valle, tom jobim, ronnie von, roberto e erasmo, com certeza são grandes influências pra mim.

ricardo – bom, pra mim foi um caminho natural, uma vez que sempre fizemos letras em português. e como estou morando aqui no brasil, acho importante fazer musica bacana na nossa língua. inclusive no show vai ter uma versão em português de uma música que era em francês na época do les sucettes.