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várias vidas na brevida de juliana amato

por   /  21/05/2013  /  17:01

Juliana Amato, 25, escreveu um dos melhores livros de estréia que já li, o “Brevida”. Gosto de surpresa, de não saber o que eu vou encontrar quando viro a página, e ela me deixou sem acreditar no que ia lendo quando inventou Crianço, a Mamãe Biscate, a Assistente Social e depois os juntou em contextos inimagináveis.

O jeito como ela escreve surpreende, incomoda, deixa a gente querendo mais. Se fosse um filme, ia precisar de continuação, por mais que elas sejam sempre arriscadas, na vida e na ficção.

Como o livro é curto, 65 páginas, o fim da leitura deixou aquela sensação de “e agora?”,  logo resolvida com o Google, que me levou ao blog dela, o Microclima.

Depois de devorá-lo, passei a ter o comportamento normal de quem acompanha blogs e fui lendo os posts na medida em que eles apareciam. Surgiram alguns intitulados Diário Aleatório. Um tempo depois, ela falou que o diário seria lançado na Feira Plana, que aconteceu em abril no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

Em vez de papel, desta vez ela fez um site com os trechos do diário, que é “uma coleção de dia estranhos”, desses que a gente entende mais profundamente do que queria.

Ainda na vontade de ler mais coisas que ela escreve, fiz uma entrevista. Espero que vocês leiam e, também, comprem o livro, que é excelente! ♥

- Quando você descobriu que queria escrever?

Juliana Amato: Eu não sei muito bem. Na verdade, fazendo um pouco de charme, rs, acho que ainda nem descobri isso. Mas lembro bem de uma vez que escrevi dois poemas – eu devia ter uns 15 anos – que achei muito bonitos. Eu fiquei muito orgulhosa deles e saí mostrando para alguns amigos. Acho que, depois desses dois poemas – que eu nem sei de onde vieram – eu não parei. Comecei a freqüentar grupos, jornais independentes, cursos.

Antes disso, talvez minha mente escritora já pirava com as Barbies. Eu criava muita historinha.

E minha família sempre diz que, bem antes de saber ler, com um aninho, dois, sei lá, eu pegava os livros e ficava inventando historinhas com base nas figuras. Acho que toda criança faz isso, né? Mas, sabe como é, mãe é mãe.

- Você escreveu o “Brevida” para o concurso da Edith [editora que tem entre seus criadores o escritor Marcelino Freire] ou ele já tava pronto antes?

Já estava pronto. Eu escrevi ele logo que pedi demissão do restaurante [onde foi garçonete]. Daí até chegar o concurso passou, mais ou menos, um ano, um ano e meio. Eu ficava só mandando pra um monte de amigo.

- Você ganhou um concurso disputado, o Só Escritoras [feito pela Edith em 2011]. Imaginava?

Não imaginava. Porque era um concurso para mulheres, e eu não acho assim o “Brevida” muitomulher. Por um lado, pensei: “isso pode me diferenciar”, mas, por outro, achei que o monte de palavrão e o tema, meio delicado, poderiam fazer o “Brevida” ser desclassificado rapidão.

- De onde veio o Crianço?

Ah. Eu sei dizer exatamente de onde veio a Mamãe Biscate, mas o Crianço… Bem, ele veio do nome dele. Um dia eu pensei que o masculino de criança é crianço. Aí, logo em seguida, pensei que esse era um nome muito legal prum personagem. Mas como seria esse personagem chamado Crianço? Aí ele foi vindo…

- E a Mamãe Biscate então?

A Mamãe Biscate veio de observar algumas clientes que frequentavam o restaurante. Sabe aquelas mulheres mais maduras, meio malhadas, com luzes, perfume forte e superchiques, anéis e tal? Então.

Elas iam lá com seus esposos, de camisa polo e mocassins sem meia. Daí olhando para elas um dia eu pensei “Mamãe Biscate”.

- Quais são suas referências e influências? E o que você tá lendo agora?

Acredito que os textos que mais me impressionaram foram “O Monstro” e “As cartas não mentem jamais”, os dois do Sérgio Sant’anna. Acho incrível a atmosfera que ele cria. E Ana Cristina Cesar, e Hilda Hilst. Gosto dessas mulheres intensas e obsessivas com as palavras, com a comunicação.

Agora agora eu estou mais vendo. Descobri que gosto muito de escrever pensando em cenas, em situações – atmosfera. E gosto muito de cinema e de TV. Gosto do Eric Rohmer pelos temas, e pela construção da relação entre os personagens, ambígua. Gosto da Lucrecia Martel pela maneira como ela prende os personagens, como se eles não pudessem estar fazendo outra coisa, ou melhor – como se não houvesse nada a fazer. Gosto do Woody Allen, porque ele é engraçado demais, captando o ridículo de si mesmo, de nós mesmos. Gosto da Lena Dunham (descobri “Girls” e viciei), porque acho ela muito muito sincera. E da Miranda July, pelo inesperado.

De livros, gostei muito do “Hotel Mundo”, da Ali Smith, que li ultimamente. E também do “A Visita cruel do tempo”, da Jennifer Egan. E da Verônica Stigger e da Angélica Freitas. Putz, tudo mulher.

- Já fez outro depois do “Brevida”?

Não. Tenho me juntado com muita gente pra criar coisas junto, e participado de coletâneas e tal. Fiz o Diário Aleatório com a Thany Sanches e um livretinho chamado “Jo Quem Pô para Adultos”, com o Nelson Provazi. Mas tenho outras coisas em andamento, tudo no meio de uma multidãozinha.

Eu até já tenho um livro em mente, que quero muito escrever. Mas acho que ele só vai ficar pronto quando eu tiver uns 50, 60 anos. O tema é muito delicado.

- Qual é?

Não quero falar o tema, porque senão não acontece. Só digo que é sobre: casais – que, ok, já descobri e assumo, é uma leve obsessão.

- E o Diário Aleatório? Como os posts viraram o site?

Eu fui escrevendo dia a dia e ia colocar no Microclima. Mas pensei que eles poderiam se perder muito ali, já que fazem parte de uma coisa só, e o blog não iria reunir essa “coisa só”. Então sentei com a Thany e pensamos nisso. Em não ser linear, cronológico, em juntar com imagens que traduzissem esses textos. Ela foi a responsável por todas as montagens de texto com as fotos, que ficaram lindas. Eu só coloquei minha caligrafia. Lançamos pela cuco, um “coletivo editorial cinematográfico” que estamos montando. Foi bem esquisito ver todo mundo lendo esses textos e “curtindo”, mas foi muito importante escrevê-los.

- Você vive ou espera viver da sua literatura? Nesse meio tempo, você trabalha com literatura de alguma forma? Ou em uma coisa completamente diferente?

Não vivo dela, e não sei se espero viver dela um dia. Ainda não consigo imaginar ainda ficar escrevendo com prazo, com tema, com “compromisso”. Gosto muito de escrever e faço isso sempre que posso, penso em textos o dia todo, e gosto que isso seja um prazer.

No momento eu trabalho com edição de texto, tradução, revisão. E estudo roteiro. Não tem como fugir do texto.

[Juliana se formou em Letras pela USP, em 2010]

- Você escreve mais e/ou melhor quando tá feliz ou triste?

Quando eu estou.

- Quando você coloca um livro no mundo, espera o quê?

Não só com livros, mas qualquer novo texto que eu coloco no Microclima (ou mesmo na timeline do Facebook, rs). Bem, eu espero que as pessoas leiam, que gostem – claro – e que se sintam alguma sensação nova, diferente – que sintam uma possibilidade, talvez.

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as colagens de manuela eichner e zé vicente

por   /  28/02/2013  /  10:39

“Vi teu nome num peixe” é uma série de 13 colagens feitas por Manuela Eichner e Zé Vicente, artistas plásticos lindos e talentosos! ♥

Usando revistas velhas de acervo pessoal e encontradas em sebos, os dois criaram um poema visual. As imagens compõem um mural de 20 metros por 2,10 metros, que também ganhou pinturas dos dois – formas e fundos de cor, como o rosa e o amarelo.

A exposição foi criada para o eStônia, novo espaço do restaurante Ramona, no centro de São Paulo. A abertura acontece no próximo sábado (2/3), a partir das 19h, e eu vou colocar umas músicas por lá! Vamos? https://www.facebook.com/events/268890229909972/

Pra saber mais sobre esses dois queridos e sobre o trabalho que eles apresentam a partir de sábado, fiz uma mini-entrevista, que vocês lêem logo após a foto deles em plena montagem!

- Quando vocês começaram a fazer colagens? E quando se juntaram?

Zé Vicente: Comecei aos 7 anos com figurinhas de chiclet que ilustravam as notícias de um jornal independente. Ironicamente, mais de 20 anos depois, passei a fazer colagens para a Folha de SP.

Manuela Eichner: Desde que cheguei em São Paulo em 2009, comecei a usar a colagem e nos últimos dois anos tenho me dedicado totalmente a esta
linguagem. Juntos já colaboramos no coletivo de arte Mergulho (2006) em Porto Alegre, e depois nos cruzamos pelo caminho do design gráfico e ilustração da Folha de SP. Neste ano optamos em trabalhar mais com o que amamos e acreditamos e esta série concretiza esta decisão.

- Como é o processo de criar uma colagem? E ainda mais uma mega-colagem? Que materiais vocês usam, de onde vocês pegam, em quem vocês se inspiram?

Manuela Eichner: O processo de seleção de imagem para recortar é uma comunicação de outra ordem. Uma maneira de se deslocar um pouco de uma linguagem já conhecida, tem um quê surrealista. Recortar uma imagem e interferir no dialogo que ela passa a ter com outras é transformador. “Vi teu nome num peixe” foi a primeira experiência de colagem em dupla e em grande dimensão pra ambos, e foi foda! Pensar no tamanho pequeno e grande ao mesmo tempo, protótipo e real, medidas, arranjo, é como montar uma narrativa. E a descoberta de recortar gigante e aplicar as colagens na parede precisaram de muito mais esforço. Usamos revistas de arquivos pessoais e que compramos em sebos da cidade. Procuramos para esta série muita textura de revistas antigas onde encontramos corpos e posturas de outras épocas. O que nos inspirou muito para esta série foi pensar na transformação, no movimento, na paixão, no sentimento de que o fim é iminente e por isto misturamos imagens de pessoas com imagens da natureza, como a de fenômeno bem presente em São Paulo, o Raio.

Zé Vicente: Criar uma colagem em dupla é como compor uma canção (com melodia, harmonia e letra) onde cada um faz um pouco de tudo. A escolha das imagens (em revistas, livros, etc.), como ela é recortada, a associação entre elas. Tudo influencia no resultado final. Depois de “agrupados” e bem posicionados, fotografamos e scaneamos cada recorte. No caso desta obra, optamos por imprimi-las em vinil fosco (adesivo) e pintar fundo e formas de cor.

- E na hora que vocês colocam os trabalhos no mundo, o que vocês esperam?

Instigar, provocar e criar o desejo de enxergar além das formas prontas e fechadas de veiculação de imagens. Esperamos ouvir diferentes interpretacões, visões e sentimentos que as pessoas dividem neste tipo de compartilhamento. Aprender e encontrar novas descobertas para os próximos projetos.

 

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entrevista da contente pra florista

por   /  06/09/2012  /  10:37

Sabe uma daquelas entrevistas que a gente adora responder? Eu e a Lu falamos da Contente e dos nossos projetos para o site d’A Florista, que é bem lindo!

Aqui, um trechinho:

Elas concretizaram o sonho de trabalhar com o que amam e serem felizes. A jornalista pernambucana Daniela Arrais (@daniarrais) e a publicitária mineira Luiza Voll (@luizavoll) são sócias e idealizadoras da Contente, empresa que desenvolve projetos que rapidamente viram hit na internet. Uma das iniciativas de mais sucesso da dupla é o Instamission, projeto colaborativo que utiliza o Instagram e, há pouco mais de um ano, lança semanalmente um desafio para os usuários do aplicativo. Outro projeto dessas meninas empreendedoras é o recém-lançado Autoajuda do Dia, que utiliza o Pinterest como plataforma. “Estamos apaixonadas!” O talento para identificar tendências, transformá-las em projetos fofos, interessantes e, principalmente, capazes de alavancar recursos que já permitem que a Dani e a Lu vivam contentes despertou nossa curiosidade. E para inspirar caminhos criativos aos nossos leitores que querem empreender, se aventurar e se dedicar ao que realmente amam fazer, fomos conversar com as duas. Elas gentilmente compartilharam suas histórias e um monte de dicas boas. Aproveitem!

Leiam a entrevista! > http://www.aflorista.com.br/as-rosas-falam/meninas-contente

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rooney é mara

por   /  02/02/2012  /  10:08

Entrevistei a Rooney Mara, a Lisbeth Salander da trilogia “Millenium”, no ano passado. O texto saiu na Serafina, da Folha de S.Paulo, de janeiro!

Rooney é mara!

Lembra da menina que deu o fora em Mark ZuckerbeRg em “A Rede Social”? Agora ela é Lisbeth Salander, da saga “millenium”, versão Hollywood

Por Daniela Arrais, de Nova York

Um dos grandes prazeres de ler um livro comprado por Hollywood antes de o filme ser lançado é imaginar quem você gostaria de ver em cada papel.

Com o best-seller “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” é ainda mais divertido porque o autor, o sueco Stieg Larsson, inventou tipos como Lisbeth Salander, uma hacker de 24 anos, cheia de piercings e tatuagens, supersexual, vulnerável e vingativa.

Numa manhã de fim de verão, em Nova York, a melhor tradução da Lisbeth Salander do livro se personificou na minha frente, na pele da atriz Rooney Mara, 26. Ainda com o corte de cabelo assimétrico e roupas que pertenceriam facilmente à personagem (menos as sobrancelhas descoloridas), a atriz incorporou a fala, os gestos contidos e os trejeitos de Lisbeth.

“O filme mudou a maneira como eu me visto”, disse. “Antes eu era mais ‘girlie’, romântica, feminina, usava mais vestidos. Mas gostei da praticidade de colocar uma calça, uma bota e uma camiseta. Gostei de ser um menino em 2011.”

Ser Lisbeth Salander significa não só uma mudança no visual, que a atriz vai ter que carregar por alguns anos (a Sony Pictures divulgou que fará outros dois filmes), mas em sua carreira. Até então,

Rooney Mara tinha participado de um remake de “A Hora do Pesadelo”, fez um papel pequeno em “A Rede Social” e só. Foi aí que conheceu o diretor David Fincher (“Zodíaco”), de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”.

Ser praticamente desconhecida a favoreceu. “Uma das razões pelas quais as pessoas gostam tanto dessa personagem é porque ela é um mistério, um enigma”, aposta a intérprete.

SUCESSO PÓSTUMO

O filme é a adaptação para o cinema do primeiro livro da trilogia “Millenium” (nome da revista editada pelo protagonista Mikael Blomkvist), escrita por Stieg Larsson. Ele morreu de infarto aos 50 anos, em novembro de 2004, sem desfrutar do sucesso dos livros -o primeiro, “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, foi publicado em 2005. A trilogia tem ainda os títulos “A Menina Que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar” e já vendeu mais de 50 milhões de exemplares no mundo todo, 338 mil deles no Brasil.

A história começa nos anos 1960, quando a sobrinha de um empresário rico desaparece. O corpo nunca é encontrado e o tio acredita que o crime foi cometido por alguém da família. Contrata o jornalista Mikael Blomkvist (vivido por Daniel Craig), para a investigação.

Mikael se alia a Lisbeth, uma hacker reclusa, bissexual e muito arredia, que esconde por trás do jeito punk de adolescente uma inteligência e uma frieza fora do comum. Entre muito suspense e violência, começa um romance entre os dois investigadores de ocasião.

DRAGÃO TATUADO

A trilogia “Millenium” fez de Stieg Larsson um dos autores mais vendidos do mundo, e a saga do jornalista e da hacker viraram filmes e seriado de TV na Suécia antes de Hollywood pegar carona.

Na versão europeia, o título do primeiro livro foi mantido, “A Garota com Tatuagem de Dragão”, e a atriz sueca Noomi Rapace fez o papel de Lisbeth. Sua interpretação é considerada um dos pontos altos dos filmes. “Stieg foi corajoso, escreveu sobre assuntos que gostamos de ignorar. Na Suécia, todo mundo tem essa superfície perfeita, é educado e controla seus sentimentos”, disse Noomi ao jornal inglês “Daily Telegraph”.

Assim que surgiu a notícia sobre o remake hollywoodiano com novo elenco, Noomi Rapace foi fina: “David Fincher é um grande diretor, deve ter feito uma boa escolha”, afirmou ao jornal “LA Times”.

A nova adaptação é ambiciosa. A ideia é que vire um sucesso como a série “Harry Potter” ou a saga “Crepúsculo”, mas voltada para adultos com estômago forte. “Acho que vai ter muita controvérsia, mas isso não é ruim”, diz Rooney.

Na vida real, o drama continua. A viúva do escritor, Eva Gabrielsson, 57, anunciou que possui mais de 200 páginas inéditas de um quarto volume da série. Ela disputa na Justiça os direitos sobre a obra do marido, um milionário póstumo. Pelas leis da Suécia, como ela não era legalmente casada com o escritor, não recebe nada. Sem testamento nem filhos, os direitos acabam indo para o pai e para o irmão do autor, que tentam um acordo com ela.

Eva escreveu um livro de memórias, “Millennium, Stieg and Me” (Millenium, Stieg e eu), em que diz que “Lisbeth se liberta aos poucos de seus fantasmas e inimigos”. Em entrevistas, afirma que pode terminar o quarto volume, já que frequentemente escrevia com o marido.

UMA VIDA MENOS ORDINÁRIA

Em Nova York, Rooney conta que, desde que começou a treinar para viver Lisbeth Salander, sua vida parece cada vez menos real. “Me senti sugada física e emocionalmente.”

Antes de atuar no cinema, a garota nascida em Bedford, Nova York, em uma família milionária, dona de dois times de futebol americano (entre eles o New York Giants), estudou psicologia, fez cursos sobre organizações sem fins lucrativos e viajou pelo mundo. “É bom ter outras coisas na vida pela qual você é apaixonado.”

E, apesar da pouca experiência sob os holofotes, já sabe que o melhor lugar para uma atriz é longe deles. “Quanto menos as pessoas sabem sobre um intérprete, mais acreditam nos personagens que ele escolhe.”

Até aqui, pelo menos, a atriz parece estar no caminho certo para conquistar os fãs de uma dose de mistério.

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don’t touch no jornal o tempo

por   /  15/12/2011  /  9:00

Saiu uma matéria sobre o Don’t Touch no jornal O Tempo!

Sabe aquele blog tão bacana que dá vontade de ter igual? Que quando o autor dá um tempo nos posts, você tem ímpetos de enviar um e-mail ou comentário pedindo “volta, vem viver outra vez ao meu lado?”. Pois se há uma página que cumpre esses requisitos é a Don´t touch my Moleskine (http://donttouchmymoleskine.com).

A descrição já prende o internauta acostumado em abrir e fechar janelas pela rede. “O Don’t Touch My Moleskine é um blog sobre amor, arte, design, fotografia, música e o que mais der na telha. Surgiu em setembro de 2007 e, desde então, reúne em posts diários tudo aquilo que é capaz de encher os olhos e o coração”.

A autora, Daniela Arrais, pernambucana radicada em São Paulo, tem um texto leve e gostoso de ler; além disso, pinça imagens lindas e inspiradoras. Ela indica outros blogs, flickrs e tumblrs que merecem ser favoritados. Ao contrário da negativa que o título possa sugerir, Dani divide com os internautas grandes ideias de seu moleskine.

Há sessões fixas que podem ser lidas e relidas, basta seguir pelas tags. Algumas das mais bacanas: “O que é o amor pra você hoje?” – uma série de vídeos sobre o tema -, as entrevistas descontraídas do “Cafofo Sessions”, “Mixtapes”.

O Don´t touch my Moleskine tem fan page no Facebook e o perfil da autora (@daniarrais ) também pode ser seguido livremente no Twitter.

Vão lá > http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=187875,OTE&IdCanal=4

as grandes perguntas que formam um guru

por   /  17/11/2011  /  12:15

Escrevi sobre o Deepak Chopra para o delicioso Suplemento Pernambuco! > http://www.suplementope.com.br/

As grandes perguntas que formam um guru

Daniela Arrais

Em uma rápida pesquisa sobre Deepak Chopra na internet, o usuário Fidodido lança a pergunta em um fórum: “O que acham de Deepak Chopra? Gênio ou charlatão?” As respostas surgem rapidamente. Alguém que escolheu o apelido de Kracman diz que o guru é “um Paulo Coelho sofisticado”. Ao que Sai.ram retruca dizendo que ele “sabe das coisas”. Tabacof sobe o tom: “Alguém que propaga uma ideia completamente retardada como a da cura quântica perde toda a credibilidade”.

Deepak Chopra, o guru indiano que fez fama e fortuna ao exaltar a meditação como passaporte para uma vida melhor, é tudo, menos uma unanimidade. Para quem lê seus livros e segue seus ensinamentos, ele é responsável por mudanças no rumo da vida. Para quem faz um raio-x de sua atuação, que vai de palestras pelo mundo à música feita em parceria com Madonna (Bittersweet), ele é o retrato da autoajuda travestida de religião.

Alguns números talvez sirvam para que Deepak flutue acima de qualquer questionamento. Desde 1998, ele já vendeu mais de 30 milhões de livros, segundo a revista Forbes. Seu império engloba da venda de chás a programas de perda de peso. As 40 palestras que costuma dar a cada ano rendiam, em 2007, mais de US$ 2 milhões. Em um programa de TV de comédia, ele chegou a brincar, dizendo que não era um “profeta”, mas um “lucro” – a piada faz sentido em inglês, em que as palavras “prophet” e “profit” têm pronúncia semelhante.

Mas, como bom guru espiritual, Deepak Chopra paira acima dessa questão tão mundana que é o dinheiro. Em uma entrevista ao The Guardian, relativizou o alcance de sua fortuna. “Eu cheguei aos Estados Unidos, vindo da Índia, com 22 anos e US$ 8. Tenho 61 anos agora [2008] e, obviamente, conquistei um monte. Mas as pessoas superestimam minha riqueza.” E continua: “Eu não a acumulei em um sentido tradicional. Mas me considero extremamente rico porque isso é um estado de consciência. Se você tem bilhões de dólares mas está sempre pensando em dinheiro, você não é um homem rico.” Ponto para ele, que consegue ser rico nos planos material e espiritual.

O que importa aqui, no entanto, não é riqueza de conta bancária, mas aquela que você alcança quando encara os problemas da vida com serenidade – e, logicamente, consegue resolvê-los. Desta vez, mais uma vez, Deepak Chopra tem o que ensinar, baseando-se em sua própria trajetória. “Na minha vida, nada dá errado. Quando as coisas parecem não atender às minhas expectativas, eu as deixo ir, como acho que elas devem ser. É uma questão de não ter apego a qualquer resultado fixo.”

Talvez seja por isso que seus livros vendam tanto. Para aqueles que já tentaram algumas sessões de análise, outras tantas idas a igrejas, mais algum aconselhamento espiritual, livros de autoajuda funcionam como mais uma tentativa. Afinal, a questão é não ter apego a qualquer resultado fixo. Vale tentar de tudo para ser alguém melhor, para ter uma vida mais feliz.

Para mostrar como o desapego é uma palavra que surgiu cedo em sua vida, Deepak Chopra deixou de lado a carreira de médico para se dedicar à cura dos males da mente e do espírito. Quando encontrou um manual de meditação transcendental em um sebo em Boston, nos idos dos anos 1980, viu sua vida se transformar: largou a rotina de chefe de equipe em um grande hospital e foi se conectar ao mundo transcendental. Descobriu um filão e tanto.

Hoje, é dono de um império. Ao The New York Times definiu sua atuação: “Eu fui treinado como médico. Eu fui à escola médica porque queria fazer as grandes perguntas. Nós temos uma alma? Deus existe? O que acontece depois da morte?”.

Foi em busca de resposta a essas e a outras questões da humanidade, que Márcia de Luca, 59, foi visitar a Índia pela primeira vez, há 27 anos. Foi ali que a hoje professora de ioga começou a entrar em contato com a ayurveda, o sistema de medicina indiana criado há mais de seis mil anos. “Andando pela cidade, via muitos livros do Deepak e sobre a ayurveda. Fui estudando com ele”, lembra.

Depois de assistir a uma reportagem no Fantástico sobre o guru, decidiu visitar o centro que ele tem em La Roya, na Califórnia. Lá, os problemas da mente e do espírito ganham tratamento cinco estrelas. Marcia passou três anos estudando com Deepak Chopra, na ponte aérea Califórnia-São Paulo. “Foi maravilhoso. Eu estudava, fazia lição de casa, não só com ele, mas com vários outros mestres. Descobri a paixão da minha vida”, conta ela.

Naquela época, há quase 30 anos, a turma era formada por cerca de dez pessoas. “Ele ainda dava alguma formação. O que aprendi foi diretamente com ele, que era uma pessoa acessível, mas que já estava começando a ficar ocupado.” Hoje, Márcia comanda o Espaço Marcia de Luca, em São Paulo, onde aplica técnicas milenares de ioga, ayurveda e meditação.


SOM PRIMORDIAL

O empresário Luciano Gosuen, 43, ainda não leu livros de Deepak Chopra, mas já pratica seus métodos – em especial, o som primordial. “Não faz muito tempo, mas veio em um momento em que procuro ampliar minha consciência na busca de autoconhecimento e compreensão na minha relação com a divindade que existe dentro de cada um.”

Bom aluno que é, Luciano dá mais detalhes sobre a técnica: “Com o som primordial, partimos do pressuposto que, no seu nível mais básico, tudo no universo é som e vibração. Para podermos promover a união entre ambiente, corpo, mente, alma e espírito (propósito do ioga), utilizamos o som primordial como mantra e veículo para nos levar para dentro dessa jornada. O mantra é individual para cada praticante e identificado, segundo antigos conhecimentos da Índia, pelo som primordial em que o universo vibrava no momento de nosso nascimento.”

A economista e escritora Jhanayna Siqueira, 37, também dá os primeiros passos – ou uivos – para alcançar o som primordial. “A gente aprende que o som que vibrava no universo no momento de nossos nascimentos está diretamente conectado com nossa mente e que estabelecer essa conexão é essencial para atingirmos a paz interior”, diz.


Foi por buscar silêncio que a cineasta Bruna Granucci, 26, conheceu Deepak Chopra. Ela ganhou de presente de um amigo o best-seller As sete leis espirituais do sucesso e dedicou um tempo a pensar sobre a necessidade de ausência de ruído em sua vida. “Não somente o silêncio interior, que nos transporta para um estado de limpeza e calmaria mental, mas a prática do silêncio durante as situações que a gente vive”, explica.

Com Chopra, Bruna aprendeu que a quantidade de energia que alguém perde tentando convencer alguém de uma opinião poderia ser canalizada na busca por coisas que se quer alcançar. “Assim, você consegue essas coisas com mais sucesso.” Ensinamento simples, mas eficaz se colocado em prática. Para ela, toda prática de meditação é “extremamente rica e misteriosa em seus benefícios”. “Acredito que o fato de parar o que se está fazendo, diminuir o ritmo, silenciar-se, voltar-se para dentro e olhar para si não somente influencie a saúde mental, mas também a saúde física de alguém.”

A designer Carol Vinagre, 28 sempre gostou de buscar autoconhecimento pela literatura. “Acho que todo tipo de literatura é um pouco terapêutica, de autoajuda, mesmo quando não é enquadrada nisso”, diz a carioca. O interesse por Deepak Chopra surgiu depois que ela leu uma resenha sobre o livro A realização espontânea do desejo. “Eu estava em busca de mim mesma (uma constante) e de meu lado sombrio. Acabei lendo esse livro e, depois, As sete leis espirituais do sucesso. O que aprendi com esses livros foi a escutar mais a mim mesma e a olhar mais atentamente para o meu corpo, para o lado psicológico e o espiritual de uma maneira mais inteira, e não fragmentada.”

Para ela, Chopra se tornou um fenômeno por usar uma linguagem fácil e aliar ciência e espiritualidade de uma maneira muito interessante. “(A abordagem dele) vem de encontro ao vazio que encontramos atualmente em um mundo exacerbadamente capitalista, fragmentado. Ele sugere como poderíamos juntar esses fragmentos.”

As críticas negativas que o guru recebe são resultado dessa mistura, segundo Carol. “A questão da espiritualidade é colocada, quase sempre, no mesmo pacote da autoajuda. É claro que existe o mercado dessa literatura fácil, de receita de bolo. Os ensinamentos do Dalai Lama são autoajuda? Outros autores de que gosto muito e que escrevem muito bem sobre espiritualidade são o teólogo Leonardo Boff e o monge Anselm Grun. Seriam eles escritores de autoajuda? Para mim, não. Eles refletem sobre a vida e as relações humanas.”

Para Luciano, aquele que começou a buscar o som primordial, os questionamentos em relação a Deepak Chopra podem ser fruto de sua habilidade de “conseguir comunicar para uma cultura ocidental, contemporânea e materialista conceitos que venha de uma cultura milenar oriental espiritualista”. “Penso que existe muita coisa que precisamos conhecer sobre nós e sobre nossa relação com o divino e seu poder de cura. Faz sentido para mim que muitas doenças e desequilíbrios de saúde que vivemos hoje possuam uma origem psicossomática”, atesta.

Mesmo sendo um entusiasta das práticas milenares, Luciano acredita que as críticas são saudáveis. “É do dever de quem se interessa pelo assunto estudar, praticar e discernir sobre o que interessa para cada um.”

Para Bruna, a que faz cinema, “qualquer pessoa que se encoraje a apresentar uma alternativa à maneira de viver da grande maioria das pessoas terá que aguentar um bocado de críticas”.

“Eu sou como uma pessoa que está cantando no banheiro e está se divetindo e algumas pessoas estão ouvindo a música e elas gostam”, já disse o guru, simplificando de maneira perspicaz todo o verbo que gastam com ele. Verdade ou não, melhor a gente se juntar a Bruna, Carol, Luciano, Jhanayna e Márcia – e, claro, Madonna, Demi Moore, Michael Douglas, Winona Ryder e tantos outros – para tentar descobrir se tanta vontade de mudar a vida é suficiente para mudá-la de fato. Se der errado, lembremos do mesmo Deepak Chopra: afinal, cantar debaixo do chuveiro é a maior diversão.

faça uma coisa de cada vez e seja múltiplo

por   /  13/10/2011  /  18:39

Sabe quando você faz uma matéria e sonha se tornar personagem dela no futuro? Pois foi isso que aconteceu comigo quando estava apurando a matéria de capa da Galileu deste mês. Junto a Priscilla Santos e Érica Kokay, fui descobrir esse mundo dos “monotaskers”, pessoas que conseguem fazer uma coisa só de cada vez _e acabam sendo mais produtivas e mais felizes.

No site da Galileu dá pra ler um trecho da matéria, que copio abaixo. Aproveitem pra comprar a revista na banca ou no iPad!

Você começa a escrever um e-mail de trabalho, mas é interrompido pelo toque do celular. Atende à ligação e, quando desliga, vê avisos de mensagens na telinha. Abre uma delas mas, antes mesmo de responder, algum colega chama você para terminar aquela conversa que começaram de manhã… E assim você vai, pulando de uma tarefa para outra. Ao final do dia, o desconforto de ter começado muitas coisas, concluído algumas e produzido bem menos do que gostaria. Vem a angústia de que sobrou muita coisa para o dia seguinte — e pouco tempo para aproveitar a vida.

Esse comportamento, comum no multitasking, estilo dos que desempenham várias tarefas ao mesmo tempo, começa aos poucos a ceder espaço a um estilo oposto: o monotasking. Ou seja: concentrar em uma coisa de cada vez com a intenção de fazer tudo bem feito, de preferência passando algum tempo longe das distrações da internet. “É uma contra-tendência, uma antítese ao excesso de informação e estímulos que vivemos”, diz Linda Stone. Para essa ex-executiva da Apple e Microsoft e uma das maiores estudiosas de atenção humana hoje, estamos deixando a era da Atenção Parcial Contínua (CPA, em inglês), em que prestamos um pouco de atenção a várias coisas o tempo inteiro, para entrar na era do unifoco, em que de fato nos concentraremos nos que estamos fazendo no momento. “Tudo que é escasso se torna valioso. A nova escassez é ter tempo para pensar e se concentrar”, afirma Henry Manson, chefe de pesquisa da agência de tendências de consumo Trendwatching, uma das maiores do mundo. “Vivemos uma aceleração do tempo: tudo tem que ser rápido, imediato. Mas não se pode ter inovação sem períodos de reflexão e preguiça”, diz a filósofa Olgária Matos, professora da USP.

O analista de sistemas Fabiano Morais, 40 anos, de Brasília, é um representante dessa tendência. Fabiano é obrigado a passar horas e horas à frente do computador por conta de seu trabalho — ele desenvolve sistemas para a web. E entende bem o significado da palavra dispersão: “É aquela fissura de saber se alguém te mencionou no Twitter ou fez um post novo no Facebook”. Como empreendia seus próprios projetos e trabalhava de casa, o empresário não sabia mais o que era horário de expediente, final de semana ou feriados. Mas reagiu a essa falta de limites, e criou espaço para folgas e diversão. “Quis comandar o ritmo da minha vida”, diz. Um exemplo: Fabiano passou a fechar o e-mail e sites tentadores enquanto executa uma tarefa. Virou adepto da yoga e de meditação para aumentar seu foco no presente.

Quando percebeu que os resultados eram positivos, acabou criando um projeto próprio em torno do tema: o Moov, um serviço na web que permite compartilhar listas de tarefas, contatos e histórico de relacionamento entre uma equipe. Fabiano coordena ainda 15 pessoas em uma empresa de tecnologia da informação e aplica em grupo os benefícios do que aprendeu. “As noites e finais de semana, agora, se transformaram em tempo livre ao lado da família.”

Mais em > http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI269848-17773,00-FACA+UMA+COISA+DE+CADA+VEZ+E+SEJA+MULTIPLO+TRECHO.html

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alain de botton para a serafina

por   /  04/10/2011  /  15:20

Fiquei tãaao feliz de entrevistar o Alain de Botton! Fiz isso para a revista Serafina, da Folha, depois de ter visitado a School of Life, em Londres.

A ilustração da matéria é da Adriana Komura.

Espero que vocês gostem! ♥

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“Escola da vida” criada em Londres planeja versão brasileira

A School of Life tem um objetivo ambicioso: o de mudar o mundo. Mas não incita seus alunos a discutir política nem a realizar alguma coisa efetivamente. Na “escola da vida” criada pelo filósofo Alain de Botton, mudar o mundo significa mudar o seu próprio mundo, por meio de conversas que vão de “como ser ‘cool’” até “como dosar trabalho e vida”, passando por “como fazer o amor durar”.

Foi nessa última aula que eu fui parar em uma quinta-feira de verão em Londres. Pela fachada discreta da casa localizada no bairro de Bloomsbury, desavisados podem supor que se trata de uma pequena livraria que aposta em títulos bem-humorados e de autoajuda.

A aula estava marcada para as 19h30. Meia hora antes, começaram a chegar os primeiros dos 30 alunos inscritos (ao custo de 30 libras, cerca de R$ 90). Em clima informal, todos comem sanduíches, tomam vinho, enquanto travam conversas sobre “o que você faz?”.

Pontualmente, para não perder a fama britânica, os alunos se dirigem a uma sala no andar inferior da escola. O professor David Water se apresenta, dizendo que já foi jornalista de moda, até que se cansou do mundinho e resolveu se aprofundar em temas universais.

Munido de uma apresentação de Power Point, começa a mostrar estatísticas sobre os desafios do amor: apenas 10% dos casais que se juntarem hoje vão chegar às bodas de diamante (60 anos) em 2070, enquanto 45% vão morrer até lá.

“A gente idealiza muito, o tempo todo. As relações têm de ser tão perfeitas que parecem religião”, diz o professor. A aula segue dividida em tópicos sobre compromisso, solidão, diferenças, sexo, conversas, arte de amar e de espalhar o amor pelo mundo.

Mas a aula não fica apenas nas apresentações, o professor também passa exercícios aos seus alunos: vire-se para o lado, conheça seu colega e discuta se, quando está numa relação, você dá o mesmo peso a amor, amizade e sexo. É preciso ter equilíbrio? Ou dá para viver mais com um, menos com outro?

Ao meu lado estava Anthony Tan, um engenheiro de tecnologia da informação de 31 anos. Ele foi levado à School of Life pela namorada, Gwen, que soube do espaço pelos colegas de trabalho. “Para mim é bem difícil falar abertamente desse assunto com estranhos. Achei interessante ouvir toda a tagarelice”, diz, referindo-se, talvez, ao fato de a sala contar com 27 mulheres e três homens.

“Só achei que as conversas foram meio nervosas, fragmentadas.” Passado um mês, Anthony reflete: “Filosofando, acho que me dei conta do que uma vida amorosa significa. É difícil medir se minha vida melhorou depois da aula, mas certamente eu estou mais atento a ela”.

NÃO SOMOS GURUS

Nos primeiros dois anos (a escola foi criada em 2008), mais de 8.000 pupilos participaram de aulas na School of Life, segundo Alain de Botton, 41, suíço radicado em Londres. Acrescentando palestras, encontros na rua, sermões dominicais e outras atividades, o número já chega a 40 mil, diz ele. “Temos um retorno excelente. Geralmente as pessoas dizem que, em uma grande cidade solitária como Londres, elas nunca têm a chance de falar de uma maneira sincera e profunda com outras pessoas. Isso é tocante”, diz o filósofo.

O sucesso se dá, na opinião de Botton, porque a escola aborda problemas que fazem as pessoas sofrerem. “Morte, dinheiro, amor, trabalho e família. Esses são os problemas centrais que afligem as pessoas, e nossas aulas, programas e projetos circulam em torno desses grandes desafios. Estamos desesperados para conseguir respostas para os terríveis dilemas e tragédias que enfrentamos”, diz.

A ideia de criar a School of Life foi uma maneira de levar o que Botton já fazia na literatura para o mundo físico, em três dimensões. “Em meus livros, eu sempre me interessei em olhar como a cultura pode nos ajudar a viver. Em ‘Como Proust Pode Mudar a Sua Vida’ (de 1998) e em ‘As Consolações da Filosofia’ (de 2001), por exemplo, explorei como grandes textos da tradição ocidental podem nos ajudar a entender os desafios e os dilemas da existência hoje.”

A equipe que trabalha na School of Life é formada por acadêmicos e escritores que decidiram apostar em algo menos formal. “Nós não somos gurus e nem sempre somos otimistas. Há um pouco de melancolia e de escuridão nos temas que debatemos. Nesse sentido, estamos mais perto do espírito da religião, embora 
sejamos totalmente mundanos.”

NO BRASIL

Cansado de apenas escrever — oito livros ao longo de quase 20 anos de carreira; o primeiro, “Ensaios de Amor”, foi lançado quando ele tinha apenas 23 anos –, Botton deixou seu lado empreendedor aflorar. Antes disso, ele nunca precisou trabalhar efetivamente, porque é herdeiro de um dos maiores financistas da Suíça.

“Minha tentativa é colocar as necessidades da alma em um contexto de negócios. Não é uma ideia vulgar, mas intelectual. Por que o capitalismo tem de entregar apenas coisas superficiais? Ele não pode almejar profundidade?”, questiona.

Para tentar chegar a esse cenário, Botton e sua equipe têm grandes projetos. “Nós queremos ser o provedor número um de ‘boas ideias para vida cotidiana’”, diz.

Entre os planos está o de abrir uma empresa multinacional para administrar aulas, organizar conferências, publicar livros, fazer filmes, 
gerenciar hotéis e spas dedicados ao “esclarecimento emocional”, além de comercializar produtos como jogos e até artigos de papelaria. Filósofos apegados à tradição podem se contorcer diante do projeto. Mas isso não o intimida.

Além da escola em Londres, a ideia é crescer e abrir outras unidades pelo mundo. Uma delas em São Paulo. “Além de Seul, Istambul, Sydney e Vancouver -todas elas grandes cidades do futuro.” Botton não dá mais detalhes sobre a vinda da School of Life para São Paulo por questões contratuais. Mas adianta que, em novembro, uma versão de sua escola da vida aportará por aqui.

“Como sua prima no Reino Unido, a School of Life Brazil vai ter cursos, seminários, conferências e outros serviços. Estamos encantados”, diz o filósofo, que aproveita o mês para vir ao Brasil e lançar seu livro mais recente: “Religião para Ateus” (ed. Intrínseca).

Será que o negócio pega por aqui? “Não tenho dúvida de que a escola vai ser um enorme sucesso”, aposta. Ninguém pode culpá-lo por falta de ambição e excesso de ousadia. Para todos aqueles que gostam de consumir experiências e não resistem a uma pitada de autoajuda, pensar na vida é o novo preto.