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A noite sem filtros de Luara Calvi Anic

por   /  03/08/2015  /  19:00

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Antes do Instagram, existia o Flickr. Uma comunidade de apaixonados por fotografia, com dinâmica e estética próprias. Lugar perfeito para você se perder clicando de foto em foto e descobrindo mundos tão diferentes do seu. Em uma madrugada no Gtalk com o Claudio Silvano, o Flickr serviu de inspiração para reunirmos e mostrar pra mais gente porque aquele apanhado de “foto errada” nos parecia tão interessante. Surgia então o Oh Oh, zine filho único de pais separados, cujas fotos me pareciam tão lindas em 2010 quanto hoje > donttouchmymoleskine.com/oh-oh-zine.

Ver as fotos da Luara Calvi Anic me lembrou dessa época em que eu não largava o Flickr por nada. Ao mostrar sua casa, seus amigos e, principalmente, a noite paulistana com música boa de verdade – tocada pelos DJs da Selvagem (aqui tem uma mixtape deles feita especialmente pro Don’t Touch!), ela cria um mundo de desbunde e de ressaca, de tédio e fantasia.

Luara tem 32 anos, é jornalista, trabalha na revista Claudia, onde edita cultura e comportamento, e já passou por Trip, Tpm e Lola. Também toca a editora independente picnic anic. Na entrevista a seguir, ela conta sobre sua fotografia, 100% analógica.

Mais em > www.instagram.com/luaracalvianic + www.flickr.com/photos/luaracalvianic + www.facebook.com/picnicanicdog

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A primeira coisa que elas têm em comum é o fato de serem feitas com filme, o que traz uma tonalidade particular. Uso filme não por nostalgia, mas porque tenho a mesma câmera desde os 18 anos e gosto do quanto eu conheço seu funcionamento. Já tentei fotografar com digital, e certamente vou fazer isso de novo, mas essa possibilidade de clicar a mesma imagem 350 vezes, ou mais, me dá traz um certo desinteresse de editar e organizar aquele HD lotado. Com o filme tiro duas fotos da mesma imagem para garantir, quando chego nas 36 poses mando revelar, fico ansiosa com o resultado, e é uma sensação ótima quando vejo o que saiu.

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As fotos também têm em comum o fato de trazerem uma parte do meu cotidiano. Tem minha amiga Fernanda, sobre quem estou escrevendo um livro, deitada na cama, a festa Selvagem, que fotografo desde o começo (2011), meus amigos, tem algumas viagens, a minha casa.

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Conforme vou fotografando percebo que as fotos se agrupam de alguma forma. Aí vou criando categorias particulares na minha cabeça. Deve vir do jornalismo essa mania de agrupar as coisas para dar algum sentido à elas. Depois, transformo esses grupos em fotolivros que publico pela picnic anic, minha mini editora de mim mesma. Por exemplo, um deles tem apenas fotos da Selvagem, um outro chama Blue Velvet, que são fotos com uma tonalidade azulada. Agora estou preparando um com fotos que fiz na Croácia, de onde vieram parte dos meus antepassados.

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Eu comecei a fotografar quando comprei essa minha câmera. Na época, 2002, eu trabalhava na loja de artes da Livraria Cultura. Dava bastante tempo de olhar os livros, conversar com os clientes. Lá, eu tive contato com a maioria dos fotógrafos que gosto até hoje. Demorou para eu pegar a técnica, saiam aquelas fotos completamente desfocadas que no começo eu até achava legal mas depois começou a me incomodar a falta de domínio, não as fotos sem foco. Dessas eu continuei gostando. As coisas ficaram mais claras quando eu grudei em amigos fotógrafos para aprender um pouco de técnica.

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Como sou também jornalista, e diariamente preciso ter clareza para comunicar, com as fotos é o oposto: não pretendo comunicar nada específico. O que faço não é fotojornalismo. Então acho divertido quando quem vê fica intrigado. Por exemplo, essa foto do braço em uma cama é um homem ou uma mulher? Essa pessoa está no hospital? Sei lá, no jornalismo eu pesquiso, pergunto, tento entender e explicar da maneira mais clara possível. Na fotografia, não preciso explicar nada.

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Corpo em deslocamento na fotografia de Patrícia Araújo

por   /  27/07/2015  /  19:00

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Patrícia Araújo busca desvendar o universo da intimidade. A fotógrafa cearense, radicada em São Paulo desde 2009, dedica-se a pesquisas em arte contemporânea e “investiga as relações do corpo diante de situações de borda (situações de fronteira) em contextos de viagens e deslocamentos”.

A série Patagônia, destaque deste post, mostra bem isso ao inserir pedaços de um corpo, ou de vários, em meio a cenas em que a natureza surge pronta para ser contemplada. Quais histórias emergem desse encontro?

Em entrevista para o Don’t Touch, a fotógrafa fala sobre a sua trajetória e o seu encantamento pela fotografia.

Mais em > patriciaaraujo.net + situacaodeborda.tumblr.com + edicoesaderiva.org

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Há algum tempo a fotografia vem tomando outro rumo no meu trabalho. Me dedico a pesquisas em arte contemporânea e cada vez mais venho trabalhando com outros suportes: vídeo, desenho, cartaz, performance, texto. A fotografia caminha lado a lado à essa produção como companheira do dia adia, registrando meu mundo afetivo, quase como um diário. Geralmente depois de alguns processos intensos de produção para algum trabalho eu também paro para olhar as fotos que foram feitas naquele período. Edito, entendo a história que desejo contar e transformo esses registros em pequenas publicações que costumo chamar de livros-diário.

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Comecei a fotografar “de cara” na redação de um jornal em Fortaleza. Passei 3 anos lá atuando como fotojornalista. Transitava da editoria de polícia a cultura e essa experiência foi muito importante para o meu amadurecimento como pessoa dentro desse mundo louco. Mudei para São Paulo em 2009 e aqui passei 2 anos na Folha de S. Paulo (na revista da Folha). Foi quando comecei a me dedicar quase 100% a retratos – que amo fazer!

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No mesmo período entrei no mestrado em artes visuais na ECA e resolvi me dedicar mais a pesquisa que estava fazendo. Hoje desenvolvo projetos em arte contemporânea em que investigo as relações do corpo diante de situações de borda (situações de fronteira) em contextos de viagens e deslocamentos. Desde 2010 me afastei um pouco do fotojornalismo “hard”, mas continuei e continuo atuando como freelancer na área de fotografia e vídeo. Hoje toco a Aterro Filmes, uma produtora de vídeo e foto, em parceria com o videomaker Raphael Villar. Também lancei este ano em parceria com o artista Haroldo Saboia a Edições à Deriva, uma editora de publicações independente.

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[Sobre a série Patagônia] Esse trabalho é um conjunto de fotografias trocadas por dois amantes apaixonados. Como cartas, eles trocavam fotografias em viagens e se fotografavam quando juntos. O livro é de autoria mista com fotografias minhas e outras apropriadas. Conta a história de um lugar que nunca existiu, do encontro de dois corpos em segredo e sussurros.

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[Sobre o que espera de resposta para suas fotos] Respostas, reações – sejam elas de que natureza for. A ausência de reação, a impossibilidade de troca ou embate é que me frustra. 



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Mal-entendido em Moscou, de Simone de Beauvoir

por   /  02/07/2015  /  11:00

Simone de Beauvoir

“Mal-entendido em Moscou” é um livro de Simone de Beauvoir até então inédito no Brasil. Fala de amor e de envelhecimento. De estar com alguém, sentir plena cumplicidade e, por uma coisa mínima, pensar em jogar tudo fora – o que contribui pra um pensamento que eu tenho de vez em quando, de que não mudamos tanto assim com o passar do tempo. Temos angústias, medos e questionamentos que se repetem, são cíclicos, e nos assemelham a uma adolescente de 13 anos, não importa se já passamos dos 60.

O livro é um companheiro, desses que deixam saudade quando vão embora. Como as vozes dos narradores se intercalam, a gente consegue sentir bem o quanto o que nos aflige tantas vezes é exatamente igual ao que perturba o outro. Pena que na vida real a gente nem sempre consiga aprofundar tanto assim. Se você quiser acrescentar novas nuances à sua própria crise existencial, corra pra livraria e aproveite.

Deixo vocês com uns trechos:

Diziam isto constantemente: a senhora tem um ar jovem, vocês são jovens. Elogios ambíguos que anunciam futuros penoso. Manter a vitalidade, a alegria e a presença de espírito é continuar jovem. Logo, são próprios da velhice a rotina, a melancolia, a caduquice. Dizem: a velhice não existe, não é nada; ou então: é muito bonita, muito tocante; mas, quando a encontram, fantasiam-na em palavras mentirosas.

Seria lindo, pensava ele constantemente, se o passado fosse uma paisagem na qual se pudesse passear a seu bel-prazer, descobrindo pouco a pouco todos meandros e recantos. Mas não era o caso.

Ela disse a si mesma: “Vou ter tempo, todo o tempo do mundo para mim, que sorte!” Mas não é uma sorte quando não se encontra nada para fazer. E, além disso, ela se dava conta, a abundância de lazer nos empobrece.

Em Paris, somos ligados por uma rede de hábitos tão estreita que não sobra espaço para nenhuma interrogação. Mas, debaixo dessa carapaça, o que sobra entre nós de verdadeiro e vivo? Saber o que ele é para mim não me diz o que sou para ele.

Nicole se encontrava de mãos vazias, sem ter nada no mundo além de André, que de repente ela não tinha mais. Contradição atroz da raiva nascida do amor e que mata o amor.

Para saber mais sobre o livro, vale ler este texto do Estadão > O desencanto de Simone de Beauvoir está em livro inédito no Brasil

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Aço, de Alessandra Leão

por   /  26/05/2015  /  12:00

Alessandra Leão

Música que vale a pena é aquela que me tira do lugar e me faz ter a sensação de viajar só de fechar os olhos. Toda vez que eu ouço Alessandra Leão sinto isso. Desde a época do Comadre Florzinha, até hoje nos shows no Sesc ou na Casa de Francisca. Ela me leva não para um destino conhecido e esperado, e sim para um lugar novo cheio de encontros e sensações que me acompanham por um bom tempo, até mesmo depois de voltar. A viagem às vezes é pra dentro, pra uma história dela em que vejo uma minha reverberar. Em outras, é para um pedaço de Pernambuco que só conheço de ouvir cantar.

Pra nossa sorte, Alê resolveu nos proporcionar várias viagens. Ela está fazendo uma trilogia de EPs, aqueles álbuns menores do que um CD tradicional, com cinco, seis músicas. Primeiro ela lançou “Pedra de Sal”, que é brilhante e ainda tem a maravilhosa “Tatuzinho”. Agora vem o segundo capítulo, “Aço”. Visceral, rasgado, o disco começa assim: “Cortei a carne até sangrar / E o que sai de dentro dela é aço, é aço”. E o que vem depois segue essa toada.

O Don’t Touch foi escolhido para mostrar “Aço” em primeira mão na internet.

Vamos ouvir juntos?

Abaixo, as respostas dela a uma entrevista que fiz:

A escolha em fazer uma essa trilogia, que chamo de “Língua”, parte de algumas questões de ordens distintas: temporal, financeira e principalmente estética. Ela fala de um mergulho íntimo e pessoal, e cada um dos capítulos se relaciona com uma etapa dessa trajetória. “Pedra de Sal”, lançado no fim do ano passado, fala do princípio da jornada, de quando tomamos ar antes do mergulho, de achar que o ar vai faltar, de seguir adiante e tocar o fundo.

“Aço” é a parte mais visceral e profunda, fala do que me constitui, do que sou feita agora. Pra isso, foi preciso “cortar a carne” e me embrenhar por dentro de mim. O que nem sempre é um caminho fácil, e por isso, a presença de cada um que compartilhou esse tempo comigo, tem sido mais do que fundamental: Luciana Lyra (co-direção artística), Vânia Medeiros (projeto gráfico), Kastrup (bateria), Missionário (sintetizador), Mestre Nico (percussão), Kiko Dinucci (guitarra), Rafa Barreto (guitarra e parceria numa das faixas), Ligia Meneguello e Dora Moreira (produção) e principalmente Caçapa (que assina a produção musical e a maioria dos arranjos, além de dividir duas músicas músicas). Essa parceria com ele vem desde o meu primeiro disco e acho que em “Aço” sinto a presença dele mais pulsante e intensa, esse de fato é um disco muito sobre mim, sobre nós dois, e essa parceria, que se ramifica por tantas partes da nossa vida.

Além dessas pessoas que já trabalham comigo há um tempo, a presença de Odete de Pilar, coquista da Paraíba, foi um dos momentos mais emocionantes dessa parte do mergulho. Foi pra ela que compus “Odete”, música que gravei no meu primeiro disco, não nos conhecíamos pessoalmente e esse encontro foi dos mais bonitos e necessários. Em “Aço”, cantamos “Corpo de Lã” juntas e viramos bicho e voltamos melhores do que chegamos, assim são os bons encontros. Assim, me senti com ela e me sinto com esses meus companheiros todos.

Esse é um processo que eu precisava passar – e acho que precisarei outras vezes ainda, outros mergulhos, pois essa nossa profundidade muda dia a dia, e precisamos voltar a tomar ar, dar novos mergulhos e emergir deles. É um caminho profundamente transformador. Essa sou eu agora.

“Aço” vai pro mundo, que bom. Agora, que venha “Língua”!

Acompanhem a Alessandra Leão:

www.alessandraleao.com.br

www.facebook.com/alessandraleaooficial

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Últimas conversas

por   /  08/04/2015  /  9:09

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É impossível superar uma vida interrompida. Com morte por infarto ou velhice, a gente aprende a lidar. Com uma tragédia, criamos um espaço doído e intocável que se força e se esforça pra encontrar paz de vez em quando – e que entende que nunca vai conseguir sentir isso pra sempre de novo.

A minha tia morreu há mais de dez anos e nunca pôde ver quem eu me tornei. A cidade que escolhi para morar, a casa que transformei no melhor lugar do mundo, a profissão em que me formei, depois a que inventei. Não soube das minhas histórias de amor, das viagens que fiz, das que sonho fazer. Nunca ganhou um presente de Berlim ou Nova York, nem sabe das músicas que eu ouço hoje, dos filmes que vejo, quais livros já li daquela estante infinita.

Aprendi a disfarçar a dor. E tenho uma tristeza que me acompanha sempre desde o dia em que tudo acabou. Sei que ela não ia querer saber que eu sinto essas coisas e talvez seja por isso eu tento viver tão bem.

Tem dia que é foda.

Geralmente acontece quando alguém ou alguma coisa te lembra que não tem jeito, que aquela pessoa que você amava profundamente não vai viver de novo, por mais que a medicina, a ciência e a tecnologia avancem tanto. Acabou, finito, já era, zerou. O mundo dela nunca mais vai encontrar o seu.

Eduardo Coutinho foi um dos maiores cineastas do mundo. Morreu tragicamente há pouco mais de um ano, assassinado pelo filho, que sofre de esquizofrenia. Deixou de presente uma obra vasta, pequenos grandes tratados sobre o ser humano em sua essência. Sem filtro, só com verdade – até quando ela é mentira.

Muito antes de o Humans of New York existir (e ser uma das melhores coisas da internet hoje), Coutinho ouvia o que qualquer pessoa tivesse a dizer e extraía de cada uma sua melhor parte, ou a mais comovente. “Ser ouvido é uma das necessidades mais importantes do ser humano. Ser ouvido é ser legitimado”, diz ele em “Eduardo Coutinho. 7 de outubro”, filme que inverte os papéis e coloca o cineasta na frente das câmeras para ser entrevistado pelo documentarista Carlos Nader.

E ele ouvia com tanto interesse e tanto cuidado, sem preconceito ou julgamento. Tão raro, né? “É preciso amar pessoas e personagens. Com seus truques”, diz  ele em “Últimas conversas”, filme que estreia na vigésima edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários.

O desejo genuíno é a chave da ignição. E ele conduz, com suas perguntas lógicas e também com as absurdas. Ele que sabe escutar com interesse e paciência, o maior entrevistador do Brasil. Aquele que respeitava os silêncios – que tantas vezes fazia jorrar histórias e sentimentos de onde menos se esperava. Até mesmo em “um filme que deve dar errado”, como ele se refere ao “Últimas conversas”, montado por Jordana Berg e terminado por João Moreira Salles depois de sua morte. Entrevistando adolescentes, ele se questiona: “Se não estou curioso, falar pra que, pra quem?”. E do questionamento mais uma vez ele capta história comoventes.

Ver os filmes de Coutinho é um exercício gigante de empatia. É sentir a dor do outro, se colocar no lugar, querer entrar na tela e dar um abraço na maioria deles – no cara que canta “My way”, então, ai meu coração! É se ver em gente que não tem nada a ver com você. O cineasta universaliza a angúsita e a dor, nos coloca todos no mesmo lugar, transforma a tragédia em algo que faz com que a gente se entenda um pouco mais. Ele nos envolve na intimidade e na fragilidade do outro e nos faz melhor ao sair da sessão.

Viver é foda, puta que pariu, diria ele facilmente, jorrando palavrões, como sempre gostou. Vale a pena quando caras como ele criam um legado fascinante sobre a vida de gente comum. Ou quando você sai de um filme desses, pega o metrô pensando em vida e morte, e o shuffle do iPod toca “What a wonderful world”, música que você cantava para sua tia tentando fazer uma voz à la Louis Armstrong e acabava arrancando risadas deliciosas dela.

Tem dia que é foda.

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É Tudo Verdade – 20º Festival Internacional de Documentários

São Paulo e Rio de Janeiro de 09 a 19 de abril. Belo Horizonte de 29 de abril a 4 de maio, em Santos de 07 a 10 de maio e em Brasília de 27 de maio a 1 de junho.

www.etudoverdade.com.br

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O que é o amor pra você hoje? A volta!

por   /  17/03/2015  /  20:20

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Em 2009 criei a série O que é o amor pra você hoje?, em que fazia a pergunta para qualquer pessoa que encontrasse por aí.

O primeiro a responder foi o Juscelino, garçom do Balcão. No meio do caminho, tivemos Xico Sá, Dudu Bertholini, Bruna Surfistinha, Thiago Pethit, Clarah Averbuck, Contardo Calligaris, Valesca Popozuda, Lulina, Nina Becker, Soko, Buchecha (sem Claudinho), Ash, Carpinejar e vários anônimos de cidades como São Paulo, Recife e São Franscisco.

Foi lindo demais fazer essa série. Me surpreendi com a generosidade das pessoas de abrirem o coração – em alguns momentos, chorei junto. Depois de um tempo perdi a vontade de fazer a pergunta…

Até a semana passada, quando conheci a Clarice Freire, autora do fenômeno literário Pó de Lua. A Clarice é uma dessas pessoas que transborda amor. Depois de conversar por horas, me emocionar em vários momentos e ainda conhecer com ela refugiadas de guerra (!), tive vontade de fazer a pergunta de novo.

Vocês veem a resposta logo abaixo!

E conseguem relembrar a série aqui > bit.ly/oqueeoamorpravocehoje

Ficou com vontade de responder também? Manda seu vídeo usando a hashtag #oqueeoamorpravocehoje

A juventude pelo olhar de Pedro Pinho

por   /  12/03/2015  /  16:16

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Pedro Pinho fez nossos melhores retratos como pessoa jurídica. Eu e a Lu ficamos impressionadas com a rapidez com que ele faz o trabalho, cheio de leveza e bom humor. Esse rapaz de 24 anos consegue deixar seus retratados completamente à vontade, mesmo quando eles sofrem de vergonha crônica na frente da câmera, como é o meu caso, hehe.

No ano passado, o Pedro passou alguns meses no Texas para estudar fotografia. Aproveitou pra fazer muitos retratos lindos. Coloco alguns aqui, intercalando com uma conversa que tivemos. Espero que vocês gostem!

Acompanhem > www.pedropinho.com + www.pdrpinho.tumblr.com

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Eu nunca gostei de fotografar paisagem, objeto, animal… Meu negócio é e sempre foi gente. É muito difícil pra mim entender os motivos que me levam a fotografar determinadas pessoas, mas sempre acontece. Eu cresci desse jeito, sempre tinha alguém que eu ficava obcecado e fotografava de novo e de novo, de todos os jeitos possíveis. Sei cada ângulo de várias das minhas amigas de infância. Agora, eu cresci e essa obsessão não passou. Alguém sempre me desperta esse desejo de fotografar sem parar. Não sei se é empatia, desejo, ou até medo. De certa forma, me relaciono com essas pessoas através da minha lente, olhando e retratando o que acontece.

Comecei aos 14 e hoje, aos 23, continuo olhando pra juventude como um fio condutor de tudo o que faço. Já não me sinto tão jovem assim, olho pra pessoas mais novas com a sensação de ter acabado de passar por tudo aquilo. Ao mesmo tempo, sou muito novo e ainda não tenho resposta pra nada. É importante pra mim retratar tudo isso enquanto não estou tão distante do meu objeto.

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Cada foto tem que ser vista com a minha presença não-declarada ali. Eu estou dentro desse momento, olhando, pensando, me relacionando. Todos são pessoas que eu conheço, com algum sentimento envolvido. É sempre interessante pra mim olhar as fotos e pensar no que essas pessoas sentem por mim, se estavam confortáveis ou não, se tinham algo no olhar… Da mesma forma que, como fotógrafo, olho para essas pessoas, elas olham de volta, conscientes de que estou ali. Fotografar algo sempre é dar importância e, quando o objeto é uma pessoa, algo acontece entre fotógrafo e fotografado. Alguns se deixam ver de forma mais profunda, talvez por alguma recíproca aos meus sentimentos. São as fotos que eu olho por mais tempo e gosto mais.

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To Be Young, Texas, 2014 [fotos acima]

Sem querer ser pseudo-poético e falar de coisas abstratas demais, o projeto aborda o que resta em nós após a transformação para a “vida adulta”. As memórias apagadas, os fragmentos das tantas decisões tomadas, as pessoas que teríamos para sempre. As fotos são todas borradas, como memórias. É difícil dizer o que se passa, quais sentimentos flutuam naquele instante, o que essas pessoas estão fazendo. Assim como a juventude, tudo é sentido ao mesmo tempo, de forma extremamente emocional, confusa e difícil de decifrar.

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Eu fui para os Estados Unidos fazer um curso de seis meses na Baylor University, que tem um programa de Fine Art Photography. Por causa de dois trabalhos (To Be Young e Let Me In) fui selecionado pra receber uma bolsa e apresentar meu trabalho na conferência da SPE – Society for Photographic Education. Foi uma experiência muito incrível, ter acesso a todo equipamento do mundo e conviver de perto com um monte de fotógrafos importantes dos Estados Unidos. Também aproveitei pra viajar três meses. Visitei cinco estados e fiz questão de passar a maior parte do tempo sozinho. Me forcei a parar de ser tímido e fotografei um tantão de gente. Algumas vezes era bem estranho e desconfortável. Mas algumas pessoas se abriam um pouco além do normal e eu virava amigo. Foi muito interessante.

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Let me In, Texas, 2015 [fotos abaixo]

Nasci em Brasília, uma cidade que considero extremamente fechada e fria, onde cada morador preza pela sua privacidade e por uma distância que deve sempre ser respeitada. De alguma forma, essa herança me leva a inconscientemente questionar a olhar com olhos curiosos a forma como as pessoas abrem suas casas e o processo necessário para alguém passar de um estranho para amigo. Para esse projeto eu fotografei duas casas. Eu não conhecia nenhum dos moradores antes de começar o trabalho e não os visitei sem a câmera nenhuma vez. A cada visita, continuava a fotografar tudo o que eu estava vendo, sem pedir permissão, questionando a barreira do que é aceitável de se fotografar e o que é muito invasivo. As fotos mostram a intimidade de cada uma dessas casas, o seu comportamento e o estranhamento de se ter uma camera presente.

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The best place to be is in love

por   /  11/03/2015  /  16:16

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A internet já me trouxe muitas alegrias – e algumas amizades que não sei viver sem. Com a Jordana foi assim. A gente é amiga do tempo de trocar cartas com envelope colorido e caneta escolhida pra combinar com o papel especial, de ficar horas, muitas horas no telefone, de passar meses sem falar nada e, quando retoma o contato, vê que tudo tá gostoso como tem que ser.

Daí hoje venho contar pra vocês que a Jo criou um projeto lindo pra espalhar amor por aí: @thebestplacetobeisinlove.

Ela manda os adesivos pra quem quiser. O passo seguinte é escolher lugares legais e sair colando, fazer umas fotos e colocá-las no Instagram ou no Facebook usando a hashtag #thebestplacetobeisinlove.

Sigam > www.instagram.com/thebestplacetobeisinlove + www.facebook.com/thebestplacetobeisinlove

Aproveitei pra saber mais do projeto. Leiam abaixo!

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- Como foi que surgiu a ideia?

Depois de eu me apaixonar por um projeto americano parecido, o You Are Beautiful (inclusive pedi a “benção” deles por estar fazendo adesivos com um design parecido – recebi a resposta mais fofa do universo). Então tive a idéia da frase e pensei “porque eu não posso fazer algo parecido com uma coisa que eu gostei tanto”? Mandei fazer 300 adesivos e fui espalhando por aí. Naquela época eu usava o Flickr, e algumas pessoas viram e pediram uns adesivos, que eu prontamente enviei. Nem todos me mandaram fotos de volta, mas isso não fez a diferença, porque eu queria mesmo era que o amor fosse espalhado pelo mundo.

- Quais foram as respostas mais legais que tu já recebeu até hoje?

Quando uma amiga de Instagram da Dinamarca me contou por email colocando uma foto do adesivo na barriga dela e mandando uma foto dizendo que tinha uma super novidade, que estava esperando gêmeas.

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- Você parou com o projeto por um tempo. Por que? E o que fez ter vontade de retomá-lo?

O projeto nunca parou, o que parou foi a conta do Flickr e o recebimento das fotos. Porém desde 2006 até 2014 tem gente espalhando o amor pelo mundo. A vontade de retomar foi porque minha vida em 2014 passou por uma GRANDE mudança, que exigiu que eu saísse da minha zona de conforto e também tivesse coragem para recomeçar e fazer algumas coisas diferentes de como eu vinha fazendo. Então resolvi criar uma página no facebook (que bem ou mal a tiazinha velha aqui ainda acho que é uma das ferramentas mais usadas pelas pessoas) e mostrar o projeto para o mundo de novo. Funcionou super bem até agora, desde que a página foi criada já enviei adesivos para um monte de estados do país e pelo menos seis países diferentes. Aguardo ansiosamente as fotos, hehe. Já recebi algumas, mas espero muito mais por vir.

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- O que tu espera quando coloca essa ideia pro mundo?

É bem simples: eu acredito no amor. E sempre foi assim. Acredito naquele amor por pequenas coisas, por grandes gestos ou por algo que simplesmente me mova, me inspire ou seja belo aos meus olhos. E isso é o que eu gostaria de dividir com o mundo. Assim a gente cria uma “gangue do amor” e deixa as pessoas perceberem que o amor não se resume a dividir seu sentimento com outra pessoa.

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Don’t Touch apresenta: Go, Writers para amadores

por   /  02/03/2015  /  10:10

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Seu coração virou confete neste Carnaval? Vem cá. Aproveita que é Ano Novo, que a roda do moinho voltou a girar e que tem coisa que só sai da gente por escrito. E voa pro Go, Writers. Edição especial para amadores, curadoria de textos do Don’t Touch My Moleskine, drink para abrir o peito e cadernos feitos à mão. Você vai aprender com a Cris Lisbôa que texto bom tem começo, meio, fim. E foi escrito por alguém com o coração na ponta dos dedos.

Vamos todos? Dia 12/03, em São Paulo.

Update: abrimos mais uma turma no dia 13/03!

Todas as informações em > bit.ly/dtmmgowriters