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Posts da categoria "amor"

o melhor da art rio

por   /  06/09/2013  /  14:45

Nunca tinha ido a uma feira de arte e confesso que achei difícil apreciar as obras naquele esquema. Mas eis os meus preferidos da Art Rio 2013, que acontece no Rio de Janeiro até o próximo domingo (8/9).

Pra começar, um trabalho de Dan Flavin dedicado a Henri Matisse. Não sei quando foi que alguma coisa mudou em mim, mas ultimamente tenho gostado tanto de coisas que eu não gostava antes… Essa obra é um exemplo. Poderiam ser só umas lâmpadas fluorescentes coloridas, mas tem algo a mais, que eu não sei explicar, mas que me faz passar uns bons minutos olhando, contemplando… Acho lindo como essas luzes parecem uma pintura! ♥

Já o Norman Parkinson fez uma foto que, desde sempre, eu iria gostar muito. Adoro o menino de branco olhando pra gente, a mãe maravilhosa, dona de si, procurando alguém, a casinha verde que me lembra uma de Playmobil que meu irmão tinha quando a gente era pequeno. Demais!

Gosto muito ver os desenhos do Picasso, longe da fase cubista, que aprecio, mas já vi tanto na vida… Gosto da simplicidade dos traços, das cores. E de ter lembrado da música dos Modern Lovers > http://www.youtube.com/watch?v=Kc2iLAubras

Volpi é sempre bonito. E achei engraçado quando duas amigas disseram seguidamente: “queria uns dois desses pra pôr lá em casa”.

Graciela Sacco foi a melhor descoberta do dia! A fotógrafa usa suportes muito diferentes pra colocar suas fotos. É uma alegria ver fotografia sem ser naquelas molduras enormes, suntuosas, com cara de que foram escolhida pra combinar com o sofá… Adorei o jogo de esconde-esconde que ela fez no trabalho acima, em que os retratados aparecem por trás de uma janela iluminada.

Outra que adorei foi a Sandra Gamarra, uma artista peruana faz pinturas belas e um tanto sombrias.

E, pra terminar, uma belezinha perfeita para fazer vídeo no Instagram! A obra é do Juan Fontanive.

Ah, as fotos do post fui eu que tirei.

Mais em > http://www.artrio.art.br/

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encontros de arte, forma e flexibilidade

por   /  05/09/2013  /  14:15

Os movimentos naturais do corpo servem de inspiração para a exposição “Natureza Amplificada”, que a Nike exibe no Rio de Janeiro até o próximo domingo (8/9), na programação paralela da Art Rio 2013. Explorando conceitos como forma, flexibilidade e liberdade, a marca exibe objetos, vídeos e instalações desenvolvidas pelos brasileiros Gisela Motta e Leandro Lima, pelo estúdio inglês Universal Everything e pela dupla italiana Quayola + Sinigaglia.

Ao entrar no Armazém da Utopia – nome temporário para o armazém 6 do Cais do Porto do Rio de Janeiro -, o visitante se depara com uma linha de evolução dos tênis da Nike, acompanhada por um esqueleto enorme.

Ao dobrar à direita, uma imensidão azul surpreende o olhar. “Zero hidrográfico”, da dupla paulistana Gisela Motta e Leandro Lima, busca inspiração nas ondas do mar, no biomimetismo [área que estuda a biologia e as suas funções, procurando imitar a natureza em áreas da ciência e da tecnologia] delas. Os artistas buscaram criar uma referência instável sobre o mar, fazendo relação com o conceito de flexibilidade, a partir de um objeto formado por lâmpadas azuis fluorescentes.

A obra reproduz aquela sensação de calmaria de quando contemplamos o mar, ao mesmo tempo em que intriga por suscitar isso a partir de um material resistente como uma lâmpada, oposto à fluidez da água. Dá para passar vários minutos olhando para as ondas mecânicas, se imaginando em vários lugares distantes dali.

Zero hidrográfico, explicam, é o nível do mar relativo, que varia de acordo com o clima e sofre alterações com o aquecimento global e o desgelo. “A gente criou um mecanismo com 36 hastes que movem os vértices desse grid e, a partir do caos, gera um movimento orgânico”, diz Leandro. “Quando a gente instala o trabalho, ele está totalmente reto, em um plano. Uma pequena resistência, uma voltagem, um parafuso mais apertado ou não acaba criando uma diferença de sincronia, gerando um movimento caótico, que está acontecendo naquele momento”, diz Gisela. “E ele não se repete, porque não está escrito, programado, e sim analógico. Apesar de ser extremamente mecânico é totalmente vivo”, completa.

Já o estúdio inglês Universal Everything criou uma daquelas obras que fazem a gente se misturar com o que vê. “Fit” é uma série de quatro vídeos que só acontecem se o espectador interagir com eles. Funciona assim: você se posiciona diante do vídeo e começa a fazer movimentos, que estimulam os elementos que compõem a instalação. O resultado é que sua silhueta se transforma em linhas coloridíssimas, que ganham mais vida quanto mais você se esforçar na sua performance.

Dá pra passar vários minutos explorando as mudanças que o corpo da gente provoca na tela. Você vai criando uma dança que mistura seus movimentos à espécie de espelho coloridíssimo que aparece na tela. Em certos momentos, o corpo forma pontos coloridos que parecem uma centrífuga, puxando você praquele arco-íris em movimento. Em outros, os pontos parecem risquinhos, que se movem rapidamente ao seu redor. Uma bela viagem para os sentidos!

A terceira obra que completa a exposição foi criada pela dupla italiana Quayola + Sinigaglia e traduz os conceitos de elasticidade e liberdade. Intitulada “Flexure”, a vídeo instalação é descrita como “uma escultura digital atemporal”.

Traduzindo, é uma tela gigante que não pára de se transformar, explorando as conexões entre som e imagem. Você vê as imagens se transformando em retângulo, espiral e cilindros bem rapidamente, enquanto o som vai mudando também. Em alguns momentos, parece que o som traduz com precisão uma imagem “se rasgando”. Bem interessante!

 

“Natureza Amplificada: A Arte + Ciência da Forma, Flexibilidade + Liberdade”

Armazém da Utopia (av. Rodriguês Alves – Armazém 6, Cais do Porto, Rio de Janeiro)

Até domingo 8/9

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O Don’t Touch My Moleskine viajou a convite da Nike.

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belle and sebastian, anos depois

por   /  18/07/2013  /  8:48

Vi o Belle and Sebastian ao vivo de novo e chorei três vezes, quase sem querer.

Talvez porque a banda de abertura foi o Yo La Tengo, que eu amo, talvez porque o local do show foi o Prospect Park, no Brooklyn (que é lindo demais), talvez porque tem dias em que uma coisa corriqueira na minha vida como ver um show vira um desses momentos grandiosos.

Do meu lado tinha uma menina de pouco mais de 20 anos, e ela falava oh my god o tempo todo, tentava tirar foto e só fazia tremer (praticamente uma versão minha de 2001). Do outro lado, tinha um nerdzinho fofo, que cantava tudo e ria muito de tudo que o Stuart Murdoch falava. Aliás, como tinha homem nesse show! No Brasil é tão mais banda de menina, né?

Sabendo que a platéia deles é a mesma há anos, a banda misturou músicas mais recentes com clássicos, principalmente do “Tigermilk” e do “If you’re feeling sinister”.

Quando começou “Starks of track and field”, chorei, fiz um vídeo pra dividir com vocês, lembrei de quem eu era há 12 anos e tive um flashback de quase tudo que aconteceu na minha vida.

Foi importante e tão bonito.

Obrigada sempre, B&S! ♥

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coitadinha bem feito

por   /  17/07/2013  /  9:25

A primeira vez que ouvi Angela Ro Ro de verdade foi numa fossa. Eu chorava um dia, me lamentava no outro, vivia de sofrer. Um amigo querido, o Ronaldo Evangelista, virou pra mim e disse: você tem que ouvir o melhor disco da Angela Ro Ro, de 1979. Aquelas músicas eram a trilha sonora perfeita. O disco virou um clássico do meu iPod.

Quando ouvi falar do disco “Coitadinha Bem Feito”, um tributo idealizado pelo DJ Zé Pedro e pelo jornalista Marcus Preto, fiquei curiosa. Ainda mais pelo fato das músicas do tributo serem interpretadas por homens.

“Era uma ideia antiga. Sempre achei que o discurso de Angela caberia bem na voz desses meninos de hoje”, disse Zé Pedro ao Don’t Touch.

O disco, que vocês encontram no iTunes e em lojas físicas, reúne 17 intérpretes. “O critério foi escolher os cantores mais inquietos e criativos da nova música pop brasileira”, completa o DJ, cuja música preferida da cantora é “A mim e a mais ninguém”.

As minhas faixas preferidas do disco são as interpretadas por Thiago Pethit, Romulo Froes, Lucas Santtana e Adriano Cintra. Fiz as mesmas perguntas para cada um deles.

Thiago Pethit

- Qual é a sua história com “Mares da Espanha”? E como você chegou na versão?

Eu descobri o som da Angela Ro Ro através de “Mares da Espanha”. Depois veio “Escândalo” e “Amor meu grande amor” e aos poucos fui conhecendo tudo. Cada descoberta dessas levava pelo menos três semanas pra parar de tocar na minha vitrola, trancado no escurinho do meu quarto, quando eu ainda era adolescente e curtia uma fossa, uma boa lama de amor mal resolvido. haha Acho que foi por esse motivo que eu escolhi “Mares da Espanha”. Era uma música que me transportava pra essa primeira impressão sobre o trabalho dela.

Uma coisa que chama muito atenção nas versões originais dela é o jeito “enlameado” e rasgadamente dramático com que ela interpreta e compõe. E é lindo, porque é uma dor tão verdadeira, tão legítima. Eu não queria “copiar” ou simular essa característica da Angela na minha versão. Escolhi olhar pra canção e pra própria figura da autora sob outro aspecto. E como eu sou fascinado por esse universo feminino com densidades mais fortes e violentas do que delicadas, mais das bacantes que das ninfas, me inspirei no lado mais libidinoso da canção e das palavras. Há lendas que dizem que Mar da Espanha era uma boate carioca. É também uma cidade em Minas Gerais. Seja onde for, a imagem marítima é muito sensual e feminina. A frase mais maravilhosa da canção e mais sexy é justamente “Você navegando nos mares da Espanha, tecendo pra outra seu corpo com manha, você navegando o vazio da Espanha”. Então busquei sentido nessa outra Angela. Não a que soa tantas vezes triste, mas a que é também violenta e sexy como uma gata no cio. E reconstruí a canção em cima do blues que ela propõe. E tentei encontrar uma voz de ressaca, ora rouca e adoecida, ora afetada e agressiva como uma ressaca dos mares.

Romulo Fróes

- Qual é a sua história com “Só nos resta viver”? E como você chegou na versão?

Minha história com “Só nos resta viver” é minha história com o rádio, na década de 1980, na minha adolescência. Essa música fez um estrondoso sucesso, tocava sem parar e ainda que eu não prestasse atenção na Ângela Ro Ro, tava mais ocupado com as bandas de Manchester, rsrsrs, era impossível não conhecer essa música. Tanto que quando eu soube que seria ela a minha faixa, eu cantei de cor sem nem pestanejar e olha que já não a houvia há pelo menos 20 anos! Isso pra mim demonstra a força dessa canção!

A Ângela tem um lado passional, rasgado, confessional, que é o oposto de mim e do meu trabalho, mas que eu não queria fugir, apelar pra um caminho mais fácil pra mim e fazer uma versão cool da canção. É impossível cantar de modo contido versos como “quem dera pudesse, a dor que entristece, fazer compreender os fracos de alma, sem paz e sem calma, ajudasse a ver, que a vida é bela e só nos resta viver”. Foi muito enriquecedor para mim como intérprete sair desse registro mais contido com o qual estou acostumado. Mas como eu sou eu (risos), uma vez que a faixa esbarrou numa certa cafonice que me deixou incômodo, chamei o grande Luca Raele pra envenenar um pouco a música com um naipe de clarinetes soando entre o jazz e a música erudita e que fez a Ângela Ro Ro lembrar de Miles Davis, na primeira audição que ela fez do disco! Eu acho que a Ângela pode ser definida um pouco desse jeito, uma artista com cabeça de vanguarda e alma de bolero! Minha versão foi por esse caminho!

Lucas Santtana

- Qual é a sua história com “Amor, meu grande amor”? E como você chegou na versão?

A da maioria das pessoas que escutaram ela quando pintou nas rádios, com aquela voz rouca e totalmente sedutora aos ouvidos. Essa letra é atemporal e com essa melodia irresistível. Me inspirei no cinema, sou fã de som ambiente, às vezes vejo um filme duas vezes só para me concentrar nessa camada da história. A minha versão começou com aquele ambiente e a minha voz solitária no meio da multidão, aí depois as outras coisas foram pintando. Ou foram pedindo para entrar, a gente nunca sabe bem ao certo o limite disso.

Adriano Cintra

- Qual é a sua história com “Gota de sangue”? E como você chegou na versão?

Eu nunca havia prestado muita atenção nessa música, meu disco preferido da Angela é o “Escândalo”. Quando o Marcus me convidou para participar e me mandou a faixa, fiquei em primeiro lugar apavorado de ter que mexer naquela música, como todas as músicas da Angela, é muito, muito pessoal e a interpretação dela é insuperável. Fiquei ouvindo a faixa sem parar por uns três dias seguidos.

Eu fiz a minha versão da música. Eu não ousaria fazer uma releitura minimamente fiel à faixa. Eu desossei, peguei o formato da canção e fui pondo minhas coisas, toquei uma bateria à la “Ashes to Ashes”, do Bowie, toquei meu baixo, fiz uma guitarra do jeito que eu sei fazer, sassaricando pelas notas, pus uns pads, um piano bem do Ace of Base… Fiz um solo de saxofone bem sem vergonha nas notas que eu sei tocar. E na hora de cantar, optei por fazer um coro.. Nunca encontraria uma interpretação que abraçasse aquele drama de forma digna. Como estrupiei a música e a travesti, achei que o coro serviu bem.

- Você tatuou o nome do disco! Como foi isso?

Tatuei sem pensar, estava na Galeria do Rock, entrei no tatuador e expliquei: “Olha, eu tenho essas tatuagens horrorosas no meu braço que eu fiz nos anos 1990 e eu queria contextualizar elas com essa frase Coitadinha Bem Feito. Ele me olhou meio sarcástico e falou: “Você não é aquele cara daquela banda Cansei de Ser Sexy? Diz aí, isso é uma mensagem praquela japonesa cantora da banda né?” (Marcus Preto estava lá e presenciou essa cena). Eu quase morri quando ele falou isso porque o Coitadinha Bem Feito era para conversar com as tatuagens ridículas, não havia a pretensão dessa frase ser nada mais do que uma explicação dos desenhos abaixo dela. Mas não temos como controlar o entendimento alheio, então cada um entenda como quiser… Até porque todos nós precisamos ouvir um Coitadinha Bem Feito em alto e bom tom vez ou outra nessa vida. Eu que o diga…

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os malabaristas de david hockney

por   /  10/07/2013  /  8:35

Aos 75 anos, David Hockney não para de experimentar. Em 2010, ele saiu em defesa da arte digital feita em iPads. “Você pode fazer um desenho do sol nascendo às 6h30 da manhã e mandá-lo para as pessoas às 7h”, disse ele à BBC, na ocasião da exposição que ele fez em Paris com desenhos, principalmente de flores.

Desde maio deste ano, o artista, um dos ícones da pop art, exibe no Whitney Museum, em Nova York, uma vídeo-instalação intitulada “The Jugglers, June 24th 2012″.

É a primeira vez que o artista inglês trabalha com vídeo. Usando 18 câmeras fixas, ele filmou um grupo de malabaristas em ação. Vestidos de preto e brincando com objetos coloridos, eles se movimentavam em frente a uma parede rosa/vermelha, que contrasta com o piso azul. Na instalação, Hockney usa 18 telas para mostrar o movimento contínuo dos malabaristas.

O mais curioso é que não existe sombra em parte alguma. A imagem é precisa, vibrante, quase como se fosse um de seus quadros icônicos (e um dos meus preferidos é A big splash), mas em movimento.

“David Hockney nos surpreende mais uma vez, explorando como as múltiplas perspectivas podem transformar a nossa experiência da imagem em movimento“, disse Chrissie Iles, curadora do Whitney Museum. “Os tons vívidos de ‘Jugglers’ evoca a cor intensa dos filmes Technicolor de Hollywood, enquanto os movimentos lúdicos dos malabaristas ecoam as ações simples de filmes mudos. Hockney mina as histórias do cinema e da pintura através da lente da tecnologia, para criar uma nova forma de ver.”

David Hockney: The Jugglers

Whitney Musem (945 Madison Avenue com 75th St)

Até 1/9

Mais > http://whitney.org/Exhibitions/DavidHockney

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a luz de james turrell

por   /  26/06/2013  /  14:25

O Guggenheim Museum é famoso por seu projeto arquitetônico, assinado por Frank Lloyd Wright. James Turrell se adaptou ao formato cilíndrico do espaço para instalar a inédita “Aten Reign”, uma obra hiperbólica que ganha força quanto mais o espectador a contempla.

“Aten Reign” é a primeira grande mostra de Turrell em Nova York em 30 anos. O artista norte-americano de 70 anos também faz atualmente mais mais duas exposições, uma no Los Angeles County Museum of Art e outra no Museum of Fine Arts, em Houston.

Composta por cinco anéis elípticos, o coração de “Aten Reign” é a luz natural que vem da abertura do teto. Para fazer isso, o artista envolveu a espiral do museu em um tecido branco fino e esticado.

A luz muda de acordo com a hora do dia, o tempo e as luzes no exterior da construção. Pela primeira vez, o Guggenheim deve ser observado apenas do térreo, o que o transforma em um ambiente lúdico, contemplativo e etéreo, que mais parece o céu – ou uma nave espacial.

Um dos expoentes do movimento Light and Space, que surgiu no sul da Califórnia nos anos 1960, Turrell usa a luz como meio para descobrir como a nossa percepção funciona. Uma de suas frases famosas é:

Primeiro, eu estou lidando com nenhum objeto. A percepção é o objeto. Em segundo lugar, estou lidando com nenhuma imagem, porque eu quero evitar o pensamento associativo, simbólico. Em terceiro lugar, eu estou lidando com nenhum foco ou lugar particular para olhar. Com nenhum objeto, nenhuma imagem e sem foco, o que você está olhando? Você está olhando para você olhando.

Dos primeiros segundos para os últimos minutos de observação, o mesmo lugar se transforma. O que antes é quase que apenas uma cor forte, com variações de tons, vai mudando à medida que você mistura os tons, tem a impressão de ver as bordas da espiral se mexerem e entra em um estágio mental de deleite e contemplação.

Ver os visitantes do museu sentados ou deitados por longos minutos observando todo o espectro de cores de Turrell é uma cena que deixa a obra ainda deslumbrante – e não deixa de ser a obra em si. “Meu trabalho não é tanto sobre a minha visão, minha arte é sobre a sua visão“, já disse Turrell. “Não há ninguém entre você e a sua experiência.”

James Turrell

Guggenheim Museu (1071 5th Avenue)

Até 25/9

Mais > http://www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/on-view/james-turrell

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nova york está com o brasil

por   /  18/06/2013  /  10:49

17 de junho, um dia para nunca esquecer! ♥

Acompanhei pela internet os protestos no Brasil e fiquei emocionada o dia inteiro! Que força, que energia, que esperança, que vontade de mudar o mundo! E sabe o que é melhor? O mundo já tá mudando!

No começo da noite, fui pra Union Square, em Nova York, onde os brasileiros que moram aqui se reuniram para reverberar tudo o que tá acontecendo no Brasil. Foi lindo de ver!

Fiz algumas fotos, que vocês vêem ao longo deste post.

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várias vidas na brevida de juliana amato

por   /  21/05/2013  /  17:01

Juliana Amato, 25, escreveu um dos melhores livros de estréia que já li, o “Brevida”. Gosto de surpresa, de não saber o que eu vou encontrar quando viro a página, e ela me deixou sem acreditar no que ia lendo quando inventou Crianço, a Mamãe Biscate, a Assistente Social e depois os juntou em contextos inimagináveis.

O jeito como ela escreve surpreende, incomoda, deixa a gente querendo mais. Se fosse um filme, ia precisar de continuação, por mais que elas sejam sempre arriscadas, na vida e na ficção.

Como o livro é curto, 65 páginas, o fim da leitura deixou aquela sensação de “e agora?”,  logo resolvida com o Google, que me levou ao blog dela, o Microclima.

Depois de devorá-lo, passei a ter o comportamento normal de quem acompanha blogs e fui lendo os posts na medida em que eles apareciam. Surgiram alguns intitulados Diário Aleatório. Um tempo depois, ela falou que o diário seria lançado na Feira Plana, que aconteceu em abril no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

Em vez de papel, desta vez ela fez um site com os trechos do diário, que é “uma coleção de dia estranhos”, desses que a gente entende mais profundamente do que queria.

Ainda na vontade de ler mais coisas que ela escreve, fiz uma entrevista. Espero que vocês leiam e, também, comprem o livro, que é excelente! ♥

- Quando você descobriu que queria escrever?

Juliana Amato: Eu não sei muito bem. Na verdade, fazendo um pouco de charme, rs, acho que ainda nem descobri isso. Mas lembro bem de uma vez que escrevi dois poemas – eu devia ter uns 15 anos – que achei muito bonitos. Eu fiquei muito orgulhosa deles e saí mostrando para alguns amigos. Acho que, depois desses dois poemas – que eu nem sei de onde vieram – eu não parei. Comecei a freqüentar grupos, jornais independentes, cursos.

Antes disso, talvez minha mente escritora já pirava com as Barbies. Eu criava muita historinha.

E minha família sempre diz que, bem antes de saber ler, com um aninho, dois, sei lá, eu pegava os livros e ficava inventando historinhas com base nas figuras. Acho que toda criança faz isso, né? Mas, sabe como é, mãe é mãe.

- Você escreveu o “Brevida” para o concurso da Edith [editora que tem entre seus criadores o escritor Marcelino Freire] ou ele já tava pronto antes?

Já estava pronto. Eu escrevi ele logo que pedi demissão do restaurante [onde foi garçonete]. Daí até chegar o concurso passou, mais ou menos, um ano, um ano e meio. Eu ficava só mandando pra um monte de amigo.

- Você ganhou um concurso disputado, o Só Escritoras [feito pela Edith em 2011]. Imaginava?

Não imaginava. Porque era um concurso para mulheres, e eu não acho assim o “Brevida” muitomulher. Por um lado, pensei: “isso pode me diferenciar”, mas, por outro, achei que o monte de palavrão e o tema, meio delicado, poderiam fazer o “Brevida” ser desclassificado rapidão.

- De onde veio o Crianço?

Ah. Eu sei dizer exatamente de onde veio a Mamãe Biscate, mas o Crianço… Bem, ele veio do nome dele. Um dia eu pensei que o masculino de criança é crianço. Aí, logo em seguida, pensei que esse era um nome muito legal prum personagem. Mas como seria esse personagem chamado Crianço? Aí ele foi vindo…

- E a Mamãe Biscate então?

A Mamãe Biscate veio de observar algumas clientes que frequentavam o restaurante. Sabe aquelas mulheres mais maduras, meio malhadas, com luzes, perfume forte e superchiques, anéis e tal? Então.

Elas iam lá com seus esposos, de camisa polo e mocassins sem meia. Daí olhando para elas um dia eu pensei “Mamãe Biscate”.

- Quais são suas referências e influências? E o que você tá lendo agora?

Acredito que os textos que mais me impressionaram foram “O Monstro” e “As cartas não mentem jamais”, os dois do Sérgio Sant’anna. Acho incrível a atmosfera que ele cria. E Ana Cristina Cesar, e Hilda Hilst. Gosto dessas mulheres intensas e obsessivas com as palavras, com a comunicação.

Agora agora eu estou mais vendo. Descobri que gosto muito de escrever pensando em cenas, em situações – atmosfera. E gosto muito de cinema e de TV. Gosto do Eric Rohmer pelos temas, e pela construção da relação entre os personagens, ambígua. Gosto da Lucrecia Martel pela maneira como ela prende os personagens, como se eles não pudessem estar fazendo outra coisa, ou melhor – como se não houvesse nada a fazer. Gosto do Woody Allen, porque ele é engraçado demais, captando o ridículo de si mesmo, de nós mesmos. Gosto da Lena Dunham (descobri “Girls” e viciei), porque acho ela muito muito sincera. E da Miranda July, pelo inesperado.

De livros, gostei muito do “Hotel Mundo”, da Ali Smith, que li ultimamente. E também do “A Visita cruel do tempo”, da Jennifer Egan. E da Verônica Stigger e da Angélica Freitas. Putz, tudo mulher.

- Já fez outro depois do “Brevida”?

Não. Tenho me juntado com muita gente pra criar coisas junto, e participado de coletâneas e tal. Fiz o Diário Aleatório com a Thany Sanches e um livretinho chamado “Jo Quem Pô para Adultos”, com o Nelson Provazi. Mas tenho outras coisas em andamento, tudo no meio de uma multidãozinha.

Eu até já tenho um livro em mente, que quero muito escrever. Mas acho que ele só vai ficar pronto quando eu tiver uns 50, 60 anos. O tema é muito delicado.

- Qual é?

Não quero falar o tema, porque senão não acontece. Só digo que é sobre: casais – que, ok, já descobri e assumo, é uma leve obsessão.

- E o Diário Aleatório? Como os posts viraram o site?

Eu fui escrevendo dia a dia e ia colocar no Microclima. Mas pensei que eles poderiam se perder muito ali, já que fazem parte de uma coisa só, e o blog não iria reunir essa “coisa só”. Então sentei com a Thany e pensamos nisso. Em não ser linear, cronológico, em juntar com imagens que traduzissem esses textos. Ela foi a responsável por todas as montagens de texto com as fotos, que ficaram lindas. Eu só coloquei minha caligrafia. Lançamos pela cuco, um “coletivo editorial cinematográfico” que estamos montando. Foi bem esquisito ver todo mundo lendo esses textos e “curtindo”, mas foi muito importante escrevê-los.

- Você vive ou espera viver da sua literatura? Nesse meio tempo, você trabalha com literatura de alguma forma? Ou em uma coisa completamente diferente?

Não vivo dela, e não sei se espero viver dela um dia. Ainda não consigo imaginar ainda ficar escrevendo com prazo, com tema, com “compromisso”. Gosto muito de escrever e faço isso sempre que posso, penso em textos o dia todo, e gosto que isso seja um prazer.

No momento eu trabalho com edição de texto, tradução, revisão. E estudo roteiro. Não tem como fugir do texto.

[Juliana se formou em Letras pela USP, em 2010]

- Você escreve mais e/ou melhor quando tá feliz ou triste?

Quando eu estou.

- Quando você coloca um livro no mundo, espera o quê?

Não só com livros, mas qualquer novo texto que eu coloco no Microclima (ou mesmo na timeline do Facebook, rs). Bem, eu espero que as pessoas leiam, que gostem – claro – e que se sintam alguma sensação nova, diferente – que sintam uma possibilidade, talvez.

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vivendo com menos. bem menos

por   /  13/03/2013  /  9:15

Graham Hill vive em um apartamento de menos de 40 metros quadrados, dorme numa cama que sai da parede, tem seis camisetas e 10 tigelas que usa para servir saladas e pratos principais. Não tem CDs ou DVDs e dos livros que já havia acumulado, sobraram 10%.

Depois de anos consumindo tudo o que queria (e muito do que nunca quis), viu que tinha duas casas gigantes e cheias de coisas, de eletrônicos a gadgets, passando por carros, e percebeu que as coisas que ele consumia o haviam consumido.

No artigo Living With Less. A Lot Less, o criador do Life Edited conta como descobriu que esses excessos não o preenchiam. Foi quando se apaixonou por Olga que a relação dele com as coisas materiais se desfez. Eles foram pra Barcelona, quando o visto dela expirou, viveram em um apartamento pequeno, na base do amor. Com algumas roupas, produtos de higiene pessoal e um par de laptops, pegaram a estradam e viveram em Bangkok, Buenos Aires e Toronto, fazendo várias paradas no meio do caminho. Ele continuou trabalhando e criou empressas como o Tree Hugger.

Minha vida era cheia de amor e aventura e de trabalho com o qual eu me importava. Senti-me livre e eu não senti falta do carro, dos gadgets, da casa, em vez disso, senti que tinha parado um trabalho sem fim. A relação com Olga eventualmente terminou, mas a minha vida nunca mais pareceu a mesma. Eu vivo com menos e viajo mais leve. Tenho mais tempo e dinheiro. Além do meu hábito de viajar – que eu tento manter sob controle, minimizando viagens, combinando outras e comprando créditos de carbono – sinto-me melhor porque minha pegada de carbono é significativamente menor do que na minha vida anterior supersized. Intuitivamente, sabemos que as melhores coisas da vida não são coisas, e que relações, experiências e trabalho significativo são as bases de uma vida feliz.

Leiam o texto completo > http://nyti.ms/WlYAPj

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Em 2011, fiz uma matéria pra Galileu sobre o assunto! > http://donttouchmymoleskine.com/viver-com-menos/

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searching for sugar man

por   /  01/03/2013  /  17:26


 

A gente passa a vida achando que, se fizer a coisa certa, vai ser recompensado por isso. Você é um artista genial que coloca seu coração no que faz? Vão te ver, vão ler seus livros, vão ouvir sua música. Você vai ter fãs e, com isso, vai produzir cada vez mais coisas bonitas e viver do que ama e é sua verdade. Mas a vida também é cheia de mistérios e, por mais que muita gente espere o seu sucesso, você encontra o mais cortante ostracismo.

“Searching for the Sugar Man” tira a gente do eixo ao contar a história de Rodriguez, um cantor e compositor de Detroit que foi nada na América e absolutamente tudo na África do Sul.

Sixto Rodriguez nasceu em 1942 e lançou apenas dois álbuns: “Cold Fact” e “Coming from Reality”. Ele foi descoberto em um bar em Detroit no fim dos anos 1970, por dois produtores de renome, que já tinham trabalho com gente como Stevie Wonder e achavam que as letras do cantor, crônicas de uma cidade, de uma época, de sentimentos que perpassam qualquer tempo, iam torná-lo um dos maiores artistas de sua geração. Alguém maior até que Bob Dylan (por mais que lembre Nick Drake tão mais).

Mas o disco não vingou, e Rodriguez desapareceu dos holofotes que nunca teve e foi trabalhar na construção, ter filhas, viver uma vida modesta, de carregar geladeira nas costas.

Em outro continente, uma garota de férias com o namorado sul-africano colocou os amigos para ouvir o primeiro disco de Rodriguez (reza a lenda). Uma cópia se multiplicou em tantas a ponto de tornar o cantor símbolo da juventude que vivia o apartheid. Suas letras mostravam um um outro mundo possível, tornavam urgente questionar o establishment.

Rodriguez virou um fenômeno, sem nunca saber disso. Mais de 20 anos depois, dois apaixonados por sua breve obra, um jornalista e um joalheiro, se aventuraram a descobrir quem era aquele gênio que tinha tocado fogo no corpo e se suicidado no último show de sua vida (rezava outra lenda). A partir daí, a jornada de investigações, tentativas e frustrações, colaborações e encontros mostram uma história inimaginável e completamente extraordinária.

Em entrevista ao Telegraph, o produtor Simon Chinn traduz a força do filme, dirigido por Malik Bendjelloul:

“O segredo para um ótimo documentário é uma narrativa realmente poderosa. O filme tem que ser maior do que a soma de suas partes e precisa entrar em ressonância com o público. Realmente dar às pessoas o que elas não esperam, algo que faça com que elas riam, chorem, se inspirem. Ele entrega algo intangível. Os documentários em que trabalho têm um tipo de fator X. Talvez seja a bagunça pela qual estamos passando, o fato de Rodriguez ter vivido uma vida incrivelmente rica sem nada.”

“Searching for Sugar Man” ganhou o Oscar de melhor documentário no último domingo. É um dos filmes mais surpreendentes e emocionantes que já vi e me lembrou o quanto música é arte mais poderosa que existe. Por favor, vejam também!

E ouçam suas músicas lindas, lindas, lindas ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

Playlist no Youtube (obrigada, Giu, por compartilhar!) > http://www.youtube.com/playlist?list=AL94UKMTqg-9BRCJJukNtjnPRK42rCr2fC

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