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Posts da categoria "analyze this"

so long, little one

por   /  19/08/2008  /  19:01

eu que parti. fiquei sem saber como era ficar. não disse que era pra sempre. mas sabia que seria. pelo menos até que o pra sempre acabasse, como na música. agora, o pra sempre tem visto de imigração. o carimbo, a marca d´água, a aprovação para ficar por lá definitivamente. passaporte pra uma distância ainda maior, apesar dos corações terem ficado tão perto desde muito tempo. as lágrimas caem, caem, caem mais um pouco e despertam o olhar de compaixão de quem está por perto. mas não é nada não. é só saudade antecipada… são lágrimas um tanto doídas, porque é mais um pedaço que se vai. mas elas são tão, mas tão felizes! simplesmente porque contêm uma certeza do coração de que o futuro vai ser o melhor de todos os futuros planejados, imaginados, sonhados ou, de repente, inesperados

=*

* foto de little girl blue

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de repente

por   /  13/08/2008  /  18:51

quando ela não existe, a gente reclama. quando existiu, o comercial das casas lux ótica ecoa: quem nunca teve não sabe o que é perdê-la. trocando o não teve, é claro, pelo teve (e soube o quanto foi bom). por ela, a gente se desbobra, tenta, inventa, faz um 92 diferente até na véspera do 2009. mesmo que a gente nem saiba direito como ela é, tampouco tenha noção de tudo que pode se encaixar no que cabe nela.

de repente, você começa a desenhar (com a barriga, e não com os olhos), transforma um modelo vivo num monstro que visitou o egito em alguma época da vida. tenta reproduzir, em apenas três minutos, braços pra cima, corpo inclinado, mãos entrelaçadas. ahhhh, não consigo, não consigo. ele chega e diz pra você se soltar. com a barriga, não com os olhos, tentando reproduzir a forma do cabelo preso por um pitó, deixando a mão inventar.

você desenha, desenha, desenha. primeiro, cada pose dura dez minutos. depois, três minutos. e o rabisco às vezes nem se completa, mas você tá ali. e só ali, como não acontecia desde que a vida se tornou essa coisa fragmentada.

e aí você se dá conta do que acabou de chegar: felicidade, o sujeito oculto desse texto. felicidade leve, simples, transbordante, intensificada ou prolongada pela cena de um velhinho tocando “bandeira branca, amor / não posso mais / pela saudade que me invade, eu peço paz”, no sax, na esquina da firma.

amor  ·  analyze this  ·  escreve escreve

EU ESTOU OK, VOCÊ ESTÁ OK

por   /  07/08/2008  /  18:26

sonho de consumo atual: falar que TÁ TUDO ÓTIMO NÃO PODERIA ESTAR MELHOR TÁ TUDO DANDO CERTO A VIDA SE MOSTRA UMA SURPRESA DIÁRIA CONSIGO ORGANIZAR MEU TEMPO O CORAÇÃO VAI BEM  A CONTA CORRENTE NUNCA TEVE TANTO SALDO CONSIGO COMPRAR TODOS OS SAPATOS QUE QUERO  SOU UMA PESSOA ELEVADA QUE FAZ MEDITAÇÃO E NÃO SE ESTRESSA NEM COM OS DESAFETOS TENHO TEMPO PRA LER TODOS OS LIVROS QUE COMPRO VER TODO MUNDO QUE GOSTO BEBER TODAS AS HEINEKENS QUE MEREÇO E AINDA CONSIGO VIAJAR A CADA MÊS SEMPRE PRA UM LUGAR MELHOR QUE O OUTRO

assim mesmo, em caps lock.

dá pra ajudar, universo? obrigada pela compreensão.

* foto do flickr de little silver boxes

enchantée

por   /  06/08/2008  /  16:05

Um dia uma menina querida me perguntou o que me encanta. Descobri que o encanto vem de coincidências que eu nem sei dizer, só sentir. Não tem regra, nem padrão, não tem roteiro, vivência anterior que dê a dica. É só um encanto. Encanto pelo encanto, essa coisa meio parnasiana.

Encanto é aquilo que enche o coração quando você menos espera. É aquilo que faz os olhos saltarem, se encherem de alegria ou de lágrimas. Lágrimas boas, não aquelas que lavam o desespero e a dor, mas as que transbordam o que o coração já não consegue dar conta.

Encanto, apesar do jogo de palavras, não se encontra em qualquer esquina, em qualquer canto. Mas aparece no diálogo mais banal, na surpresa que você nunca imaginaria, mas que vai lembrar pro resto da vida. Leva tempo pra que duas pessoas descubram seus encantos. O dia a dia tem essa dureza de massacrar a gente, às vezes.

Leva tempo pra que elas saibam o que enche o coração e transborda pelos olhos até se transformar em um beijo, um abraço ou na frase mais simples que diz a maior coisa do mundo, com todo o amor que isso carrega. Mas, às vezes, o encanto se perde de repente. E resta esperar que ele surpreenda de novo.

* a foto é de emma cherry

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entrevista: cecilia giannetti (casino)

por   /  18/07/2008  /  0:22

e daí passei a semana escutando todas as faixas do casino. quando foi hoje, mandei umas perguntas pra cissa, que deu as melhores respostas. e sabe o que eu queria mesmo? que ela gravasse umas músicas novas e mostrasse pra gente…  =)

* quando tu começou a cantar?

eu sempre cantei, desde pequena, e escrevia também. tanto letras de músicas, que não tinha como tocar porque não tinha instrumentos, até livros. fazia capa pra estes, grampeava. todo um showbusiness infantil sem público.

quando consegui ganhar meu primeiro violão, entrei pra aula e não gostei. o que toquei no casino inventei tudo, assim como o christiano menezes fazia na guitarra e no teclado. tanto que hoje esquecemos como se toca. eu não sei mais tocar nenhuma música. não pego num violão desde que comecei a escrever a sério.

* e como foi que surgiu o 4track? e como foi a experiência com a banda, passando pela transformação em casino e tudo mais?

surgiu entre mim e um amigo de infância, o menezes, já citado. ele hoje também não tem tempo pra música. fez a capa e as ilustrações pro meu livro. faz coisas pra programas de tv. todo mundo teve que ir trabalhar. é isso.

4track e casino eram quase a mesma coisa, casino talvez um pouco mais bem ensaiado às vezes.

* e, uow!, vocês abriram pra minha musa cat power. como foi?

num suportava aquela mulher. minha mãe roncou na primeira fila do show dela, eu fiquei lá do lado de fora. cat power não é minha praia.

nosso show, dizem, foi o melhor que já fizemos. eu não sei porque estava fora do meu corpo.

* teu cérebro tem ou tinha um lado pra escrever música e outro pra escrever literatura? ou tu vê tudo como uma coisa só?

escrevia música quando era corna. agora que sou coisa mais grave que isso na cadeia alimentar-coronária, escrevo romance, novela, roteiro, conto.

* quem são tuas divas e gênios musicais da vida?

eu não ouvia muita mulher pra não estragar meu “paladar”. só gostava de imitar homem cantando. tentva imitar, quando tava aprendendo sozinha a cantar, todas as vozes dos Beatles – conseguia alcançar algumas imitações bem idênticas de Paul e até do Ringo na adolescência (não é uma coisa atraente pruma adolescente fazer).

claro que adoro as cantoras de jazz, as icônicas, principais. mas fico com os beatles até hoje. e com elliott smith. uns poucos e bons.

* tu vai voltar a cantar logo, logo?

cantar é fácil. junta um dj e canto em cima. difícil é tempo. cada brincadeira dessas escrevendo se passa fácil dois anos na frente do computador. imagina se há hora pra ensaio?

valeu pela entrevista. que coisa estranha. volta e meia umas músicas do casino voltam a circular… na época que a banda existia, uns desses produtores chamados fodões ouviram e disseram ‘nhe’. acho que faltava laquê em nóis.

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