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walter benjamin dá dicas para escrever

por   /  03/09/2008  /  21:39

I. Anyone intending to embark on a major work should be lenient with himself and, having completed a stint, deny himself nothing that will not prejudice the next.

II. Talk about what you have written, by all means, but do not read from it while the work is in progress. Every gratification procured in this way will slacken your tempo. If this regime is followed, the growing desire to communicate will become in the end a motor for completion.

III. In your working conditions avoid everyday mediocrity. Semi-relaxation, to a background of insipid sounds, is degrading. On the other hand, accompaniment by an etude or a cacophony of voices can become as significant for work as the perceptible silence of the night. If the latter sharpens the inner ear, the former acts as a touchstone for a diction ample enough to bury even the most wayward sounds.

IV. Avoid haphazard writing materials. A pedantic adherence to certain papers, pens, inks is beneficial. No luxury, but an abundance of these utensils is indispensable.

V. Let no thought pass incognito, and keep your notebook as strictly as the authorities keep their register of aliens.

VI. Keep your pen aloof from inspiration, which it will then attract with magnetic power. The more circumspectly you delay writing down an idea, the more maturely developed it will be on surrendering itself. Speech conquers thought, but writing commands it.

VII. Never stop writing because you have run out of ideas. Literary honour requires that one break off only at an appointed moment (a mealtime, a meeting) or at the end of the work.

VIII. Fill the lacunae of inspiration by tidily copying out what is already written. Intuition will awaken in the process.

IX. Nulla dies sine linea — but there may well be weeks.

X. Consider no work perfect over which you have not once sat from evening to broad daylight.

XI. Do not write the conclusion of a work in your familiar study. You would not find the necessary courage there.

XII. Stages of composition: idea — style — writing. The value of the fair copy is that in producing it you confine attention to calligraphy. The idea kills inspiration, style fetters the idea, writing pays off style.

XIII. The work is the death mask of its conception.

peguei do marginal revolution

..

por   /  23/08/2008  /  5:26

no roteiro do filme da minha vida, oito minutos vão para aquela cena da volta da praia, com duas horas de assovios “adivinha que música é essa?”

so long, little one

por   /  19/08/2008  /  19:01

eu que parti. fiquei sem saber como era ficar. não disse que era pra sempre. mas sabia que seria. pelo menos até que o pra sempre acabasse, como na música. agora, o pra sempre tem visto de imigração. o carimbo, a marca d´água, a aprovação para ficar por lá definitivamente. passaporte pra uma distância ainda maior, apesar dos corações terem ficado tão perto desde muito tempo. as lágrimas caem, caem, caem mais um pouco e despertam o olhar de compaixão de quem está por perto. mas não é nada não. é só saudade antecipada… são lágrimas um tanto doídas, porque é mais um pedaço que se vai. mas elas são tão, mas tão felizes! simplesmente porque contêm uma certeza do coração de que o futuro vai ser o melhor de todos os futuros planejados, imaginados, sonhados ou, de repente, inesperados

=*

* foto de little girl blue

amor  ·  analyze this  ·  escreve escreve

de repente

por   /  13/08/2008  /  18:51

quando ela não existe, a gente reclama. quando existiu, o comercial das casas lux ótica ecoa: quem nunca teve não sabe o que é perdê-la. trocando o não teve, é claro, pelo teve (e soube o quanto foi bom). por ela, a gente se desbobra, tenta, inventa, faz um 92 diferente até na véspera do 2009. mesmo que a gente nem saiba direito como ela é, tampouco tenha noção de tudo que pode se encaixar no que cabe nela.

de repente, você começa a desenhar (com a barriga, e não com os olhos), transforma um modelo vivo num monstro que visitou o egito em alguma época da vida. tenta reproduzir, em apenas três minutos, braços pra cima, corpo inclinado, mãos entrelaçadas. ahhhh, não consigo, não consigo. ele chega e diz pra você se soltar. com a barriga, não com os olhos, tentando reproduzir a forma do cabelo preso por um pitó, deixando a mão inventar.

você desenha, desenha, desenha. primeiro, cada pose dura dez minutos. depois, três minutos. e o rabisco às vezes nem se completa, mas você tá ali. e só ali, como não acontecia desde que a vida se tornou essa coisa fragmentada.

e aí você se dá conta do que acabou de chegar: felicidade, o sujeito oculto desse texto. felicidade leve, simples, transbordante, intensificada ou prolongada pela cena de um velhinho tocando “bandeira branca, amor / não posso mais / pela saudade que me invade, eu peço paz”, no sax, na esquina da firma.

amor  ·  analyze this  ·  escreve escreve