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Posts da categoria "amor"

3 anos de Instamission

por   /  19/12/2013  /  16:16

Queridos, é com muita alegria que lançamos um vídeo que comemora os 3 anos de vida do Instamission! Fizemos quase um minidocumentário contando sobre o projeto e dividindo um pouco das alegrias e emoções que ele nos dá a cada dia. ♥

Nos ajudaram a contar esta história alguns participantes mais do que especiais: @angelicamoller, @mawa, @antonyadriano, @manoellita, @kato78, @jotta_jottinha e @carolefrida.

Nossa vontade era que todos vocês estivessem presentes neste vídeo, por isso colocamos nele várias imagens da #instamission100 | Fotografe você! Será que você aparece?

#instamission3anos

Temos duas versões: uma de 7 minutos e outra de 3 minutos! Escolha qual você quer ver: www.bit.ly/instamission3 e www.bit.ly/instamission7

Direção > @theolambert

Agradecimentos super especiais > @crisnaumovs, @vaniagoy e @chrismarin.

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fratura exposta, por mariana lima

por   /  12/04/2013  /  9:30

Delicadeza e perversão, por Mariana Lima

Dois anos e meio depois, descobri que a ferida ainda existe. Tendo passado, pouco depois, por uma dolorosa paixão consumada, porém não correspondida, e acreditando estar agora amando novamente, imaginei que esse era assunto encerrado na minha caótica teia de pensamentos. Nem lembro a última vez em que falei seu nome na terapia. Mentira. Devo tê-lo usado, recentemente, como a única referência de relacionamento estável que tive na vida. Uso como exemplo, para mim e para os outros, de que sou capaz de reconhecer como é absolutamente maravilhoso amar e sentir-se amada.

Na semana passada, eis que um grande amigo, despretensiosamente, mencionou seu nome e o quão filho da puta você foi comigo, muito mais do que imaginei anteriormente, quando o sangue fervia e eu tentei te espancar. Há dois anos e meio. Contou alguns detalhes que eu gostaria de nunca ter escutado. Aquilo me quebrou na hora, sem piedade, e imediatamente imaginei estar num sonho, talvez fosse o vinho ou o jazz me anestesiando. Não comentei uma só palavra; com um sorriso tranquilo no rosto, só esperei que ele silenciasse. Pronto, acabou.

Fui para casa com um gosto amargo na boca, chorei. Percebi então porque ainda evito qualquer tipo de contato com você, porque odeio quando nos encontramos casualmente e você me abraça como se fôssemos íntimos, porque não consigo mais acreditar que posso ser amada. Por qualquer homem. Porque me reconheci egoísta tantas vezes, pensei em você e vi tanta mesquinhez. Merecíamo-nos. Você se arrependeu algumas vezes, investiu, eu ainda ensaiei, mas não havia mais nada forte o suficiente que nos mantivesse juntos. Descobri com aquela curta escuta que esta fratura, a primeira exposta, deixou a ferida com um frágil tecido de granulação que nunca se queratinizou. Não é rancor. É a memória sobre como somos delicados e perversos ao mesmo tempo. Isso me impediu de confiar e de me sentir segura novamente. Um dia, na cama, te disse “você é minha casa”. Segui perambulando sem teto até hoje.

Assumo, finalmente, que preciso de um novo lar, agora sozinha. E te perdoo. Isso não me deixa mais confortável na sua presença, o perdão não apaga as lembranças, boas ou ruins. Porém rogo aos mais altos comandos dos meus neurônios que, a partir de hoje, permitam a este tímido coração, o incansável, voltar a bater sem medo. Sem grandes pretensões. Formou-se a cicatriz. Desta vez é luto.

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A foto é de Lucyna Kolendo.

fratura exposta, por déborah de brito

por   /  11/03/2013  /  8:03

As cores, por Déborah de Brito

Vermelho, azul, amarelo, laranja, rosa, roxo e verde. Essas eram as cores que você pintava os meus olhos para te enxergar. Nada de cores frias ou tons que se assemelham a despedidas e à frase que todos temem “precisamos da um tempo”, e sim cores de alegria e de “amo você” e “sinto sua falta”.

Todas aqueles dias de sol, de cor laranja quase se avermelhando, que passamos juntos se foram na velocidade de um soluço de choro, baixinho, desesperado, quase adormecendo e deixando cada gota de lembrança no travesseiro. É incrível como o sentimento de gostar de alguém faz com os dias passem depressa, o emprego pareça aturável, as filas de banco, divertidas, dias de chuva serem perfeitos e problemas financeiros parecerem bobagem, afinal, você tem todas as cores de que você precisa para derramar em cima desses problemas, e é aí que a cor lilás aparece e grita de uma forma doce: ”Sou seu. Você é minha.”

Mas e o que fazer quando te roubam essas cores?

Aquelas cores que ficavam estampadas no meu rosto todos os dias em que você acordava, olhava para o lado e eu não me sentia culpada de me atrasar para o trabalho mais uma manhã, só para ficar cinco minutinhos observando a sua fonte de cores dormir.

Quando os tons de despedidas chegam, as pessoas chegam a relutar diante do sentimento e do discurso sufocante: “Não! Não me conformo. Mas como isso foi acontecer comigo, com a gente? Justo com a gente, hein? Como você pode desistir/preferir a minha ausência a continuar caminhando nos caminhos que trilhamos de alegria, companherismo, mãos dadas, corpos quase que entrando um no outro, noites acordando para te preparar um chá para o seu estômago que sempre anda mal (você precisa ir no médico, cara.), compras e arrependimentos de gastar dinheiro assim que a notinha sai da maquininha, risadas, dancinhas improvisadas dentro do carro com qualquer música que a rádio nos desse. Ah! Como você pode querer isso?”

E é aí que começamos a recolher as tintas, pincéis, molduras, aventais e aquarelas.

Eu só queria te dizer que eu gostaria muito que você voltasse a pintar os meus olhos e deixasse eu pintar os teus.

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A foto é de Shelby Tanner.

fratura exposta, por flavinha marques

por   /  08/03/2013  /  8:13

O amor padece de, pelo menos, dois grandes sobressaltos, por Flavinha Marques

Eram oito horas da noite quando eu pisei no seu pé e levei um tiro no peito. E descobri que o amor padece de, pelo menos, dois grandes sobressaltos: aquele em que se encanta e aquele em que se desfaz. A flor que se desprende. O retrato antigo. O pincel na água depois da aquarela. Todos vêm nos lembrar que a beleza é finita, mas a gente só recorda num atropelo do destino. Num dia em que Deus parece beber ao volante. Sendo que é você quem gira e se estraçalha lá na frente. Coração com fratura exposta e nada da ambulância chegar. Fazer o quê? Ir pingando até a emergência mais próxima. Tome isso, tome aquilo. Chora mais não, já passou. Passou nada. Um cuspe na cara teria doído menos. Mas não haverá revanche. Respeitável público, pode retirar, no guichê mais próximo, o seu dinheiro de volta. Aqui só o bem se apresenta. E que fique claro que o bem não é escolha relegada aos idiotas. O bem é uma arma silenciosa, que não ataca; defende os fortes de caráter. Os que sabem que alma não é coisa que se venda. Vai, atira. Atira! Eu só observo. Eu sou o prisioneiro diante do seu seu algoz. E o que vejo é que se o meu amor transborda em uma carta escrita à mão, o que você é cabe em um bilhete, enquanto o seu mal se espraia aos quatro ventos, sem medida. E, de alguma forma, volta pra você. O seu mal, que me castiga, sem delito, é o mesmo que há de lhe servir de lição. O mal que eu não lhe desejo, mas que eu espero que lhe ensine a ser alguém de verdade, que um amor não é troféu e que não, você não é tão esperto assim. Agora, dá licença, que eu preciso recolher o que sobrou de mim. Dá licença, que esse jogo eu levo, porque a aposta sempre foi mais minha do que sua. Por favor, dá licença, que eu vou ali e não volto. Vou beber com Deus, pra comemorar que sim, você já passou.

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A foto é de Kate Pulley.

fratura exposta, por jaqueline couto

por   /  07/03/2013  /  10:29

Fratura Exposta, por Jaqueline Couto

E quando eu menos esperei estava lá, aquela coisa se arrastando pelo meus pulsos… Lacerada, aberta cicatriz medonha que nunca se fecha. Como fratura exposta, meus pensamentos sobre você e o que provavelmente fará sem mim povoam minha cabeça vazia de tudo, menos de você, enquanto cruzo a bendita avenida Paulista. Enquanto sei que poderá estar em qualquer parte do mundo, inclusive perenemente em mim, você se refugia em acordes de saudade. Olho, com as mãos nos bolsos e os pensamentos perdidos no tempo frio de São Paulo, o asfalto molhado pela fina garoa que teima em cair e deixa todo cinza o chão mais negro da minha imaginação pensando em com quem poderá você estar, uma vez que escapou do meu coração, rasgando-o para sair e ir embora deixando essa danada dessa fratura… Exposta. Para todo mundo ver, como prova de que alguém, um dia, se libertou de algo quase imutável. Como um amor desgastado, você deixou a minha ferida à mostra. Foi-se…

Vago, com as mãos nos bolsos, repito, para proteger o mundo de agarrá-lo e trazê-lo para mim, com a mente direcionada a um único objetivo: trazer você de volta. Lembrei das nossas conversas. E da maneira como me dizia “toma um café, enquanto não chego”. Eu acatava, na expectativa daquele líquido aquecer meu corpo enquanto você não vinha e tomar seu devido lugar: do meu lado. De dentro. E lembro… Também. De seu coração bater tão forte que era quase possível furar seu peito e se encostar no meu. E agora, andando há um bom tempo, cruzo a São João e, novamente, vem à tona as últimas horas poucas que estive com você. Seu cheiro de chuva caída em chão batido trazia o gosto de um tempo que não teve tempo de passar, porque eu o tinha guardado em forma de saudade. Escutando aquela música da gente, brega como todo sentimento que fala de comonãosepodeviversem, lembrei que você vinha assim, sorrindo, e me dizia “eu também… Eu também…” Como um mantra que se recusa a parar de ser entoado.

Olhei para trás. Deixei o guarda-chuva caído e permiti os pingos entranharem em mim, como pela primeira vez em que o reencontrei. Caminhei, o All Star de vinil preto encharcado, e as calças arrastando pelo peso da água que caía, em direção ao ponto de taxi. E eu disse: “Moço, toca pro aeroporto, antes que eu desista de vez de sorrir…”. E o taxista me olhou de maneira estranha, a menina descabelada e molhada de chuva. Olhos de cansaço… Morosidade da espera que nunca chega. Frio. O queixo, batendo, me fez recordar do instante em que me vi sem você, aqueles minutos de dúvida que parecem durar eternamente, me dizendo “quando nos veremos de novo?” e eu dizia “para sempre”… Mas o para sempre havia morrido, deixando para trás só uma feia ferida de uma fratura exposta.

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A foto é de Hayley Brown.

fratura exposta (profissional)

por   /  22/02/2013  /  9:39

A Ana Luiza Gomes escreveu uma Fratura Exposta com foco no profissional. É um ótimo texto, principalmente pra quem mudou, está mudando ou quer mudar de trabalho para fazer o que ama completamente.

Leiam > http://www.anamappe.com.br/blog/2013/02/20/fratura-exposta-profissional/

Vai me dizer que você não escutou ainda de algum amigo quando reclamou das horas extras que fez no trabalho: “você têm que fazer o que ama!”. Quem largou o emprego chato e foi buscar trabalhar “com o que ama” é o novo modelo de felicidade completa!

Eu conheço alguns e comprovo, nunca os vi tão felizes (e enriquecendo). Já outros, com seus empregos enfadonhos, estão desesperados em busca de um encontro com esse tal amante chamado trabalho. Se enfiam em leituras, se aventuram em freelas malucos, começam a fazer cursos de tudo que é diferente, ou seja, se arriscam em vários blind dates. O restante até trabalha com o que gosta e, por isso mesmo, vive o sufoco da rotina aniquilando seus corações – e bolsos –, do hobby à profissão, do amante à esposa, da paixão ao peso de um compromisso eterno.

Já passei por vários destes estágios e não, definitivamente, não estou enriquecendo (ainda, rs). Já li alguns bons livros sobre, inclusive a bola da vez The School of Life, “Como encontrar o emprego da sua vida”. E digo, o autor, Roman Krznaric, me vendeu direitinho o príncipe no cavalo branco: a vocação em encontro com as necessidades do mundo. Terminei o livro com a sensação de ter lido algum clássico da Disney. Romance, aventuras, encontros, desencontros e uma pitada de mágica com destino! Esse amor profissional promete mais que qualquer aliança.

A melhor leitura com certeza foi um livro sobre arte contemporânea chamado “Are you working too much?”. Uma coletânea de textos críticos do e-flux (que você tem acesso de graça aqui) que eu li nas férias de 2011! Entre uma análise sobre a crise dos modelos tradicionais de emprego, estudos sobre a vida profissional de um artista contemporâneo e debates sobre o tal “trabalho imaterial”; pontuar as novas questões do comportamento e do mundo, na minha visão, sempre é bem mais incrível pela arte. Eu já indiquei a leitura aqui no blog de dois desses artigos, um do Boris Groys e outro do amado Diedrich Diederichsen.

Depois destas leituras, de fazer cursos – vários inúteis e alguns excelentes – depois de tentar, em vão, tornar este blog em algo rentável, depois de tentar me reiventar num cargo novo dentro do meu próprio emprego, não, eu não tenho a resposta. Eu sou a própria fratura exposta profissional. O que eu aprendi, como todos em busca de seu grande amor, é que a busca é bem interessante e válida. Ao invés de só reclamar que o trabalho te cansa, ele vira algo mais dinâmico, vivo, cheio de histórias e até divertido algumas vezes.

De todas essas tentativas, confesso que a mais importante tenha sido esta: quando começo um projeto novo, eu sempre parto de algum ponto muito pessoal. Seja a perda da minha avó para fazer o #vovomeinspira ou a minha inquietação sobre o meu próprio país para pesquisar #obrasilcoms. Eu canalizo todos os meus questionamentos e os transformo em projetos como um recurso para pensar a vida. E compartilhar tudo isso é das formas mais belas de se aprender.

Vai ver esse amante chamado emprego não esteja muito distante de um encantamento pela própria vida, por um dia a dia que merece ser muito mais que um trabalho pesado, por uma vida mais leve em que os amores se confundam, em que esse profissional e pessoal sejam eternos namorados.

*Para quem não conhece o “Fratura Exposta” do blog amado Don’t Touch, descubra! E confira alguns projetos interessantes sobre o tema no site da Contente.

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fratura exposta, por silvana saldanha

por   /  08/02/2013  /  9:10

Desamor de Carnaval, por Silvana Saldanha

Era um amor que só crescia e ninguém jamais duvidou. Ficou tão grande que um dia explodiu. Era dia de Carnaval e foi um Deus nos acuda! Todo aquele amor virando pó pelo ar. A moça beijando faceira, o bêbado pela calçada, a mulata que dizia no pé, o homem de sutiã e a turma do funil… ninguém acreditava naquilo. A camélia caiu do galho, o Arlequim chorou pelo amor da Colombina e até o cravo brigou com a rosa. Respingou em todo mundo, mas a banda passou e na quarta-feira de cinzas não teve bandeira branca. O amor que era grande virou chuva de purpurina. O Carnaval acabou e o amor que um dia brilhou, sambou. Fim.

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A foto é de Deco Vicente.