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Posts da categoria "amor"

fratura exposta, por mariana faria

por   /  13/09/2012  /  10:46

Eu amaria, tu amarias, ele amaria, por Mariana Faria

– Agora. Responde rápido. Aquela do filme. Verde ou vermelha?
– Agora? A pílula verde…

Não  teria descoberto nada, lido nada, visto nada… Assim quando eu ouvisse dele: “Isso, eu, você… Não é qualquer um que tem…” Eu concordaria, e continuaria o abraço.

Não interessa se me dizem “mas uma hora ia acabar…”

É. Ia…

Ia não é ‘foi’, ia é ‘talvez’.

Porque ‘acabar’ a gente fala para uma terceira pessoa. É verbo no infinitivo.

Mas se eu não tivesse visto. Se a pílula fosse a outra. O verbo também seria. Ia ‘acabar acabando’, e ‘acabar-acabando’ é gerúndio arrastado. O verbo se prolonga e com ele quem sabe a história se esticava que nem horizonte do Manoel de Barros. Assim eu ia mais um pouco…  

Pra mim, eu repito agora ‘acabou’. É pretérito perfeito. Cai como uma bigorna em cima de tudo. Com o fim do verbo, o fim da história e a necessidade fundamental de esquecer para sobreviver.

Porque depois do ‘acabou-acabado’ tive que empurrar a verdade goela abaixo: tinham tantas entre eu e você que por isso não me cabia mais. E no desespero diante da tela li uma a uma. Espectadora de histórias que também eram minhas, mas que eu não estava em cena. Protagonista rebaixada a coadjuvante. Silêncio tácito. Não deram deixa pra minha fala.

Sem ler nada, ver nada, saber de nada, eu acreditava no presente. Esquecia do futuro.  Não tinha mais verbo no passado.

Hoje  sei que o passado não existiu, eu não conjugo verbo pra amanhã e no gerúndio só existe o doendo. Doendo pra caralho.

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A foto é de Katie Silvester

fratura exposta, por veronica fantoni

por   /  12/09/2012  /  9:50

The End, por Veronica Fantoni

É uma tarde de preguiça. Um dia daqueles atípicos em que você fica totalmente livre em casa. Você ganhou uma folga no trabalho ou pegou uma gripe violenta e, com o tempo feio que faz lá fora, a sua tarde se resume a você e às quatro paredes do seu quarto.

Você  deita na cama com o laptop na barriga, fica ouvindo o barulho da chuva e, de vez em quando, olha pra TV ligada e quase esquecida.  Entre uma zapeada nos canais e uma caneca de café, você se pega assistindo à Sessão da Tarde. O filme já começou e você provavelmente já perdeu o primeiro bloco. Mas tudo bem, você sempre quis ver aquele filme _ele não foi nenhum sucesso de bilheteria, não foi pra Cannes, mas você curte aquela atriz, ela tem pernas bonitas, é engraçada e tem ótimas tiradas. E você se toca que nunca assiste à Sessão da Tarde porque você é um homem ocupado, seu tempo é curto e, se não fosse a chuva ou a gripe, certamente você estaria na rua fazendo outra coisa.

A história é boba, mas te prende a atenção, te envolve, te arranca uns sorrisos. É, você gosta do que vê. Até que o filme acaba e você pensa “até que foi legal, mas é só mais uma comédia romântica”. E comédias românticas são feitas pra isso, para as tardes livres de solidão. E verdade seja dita: daqui a meia hora, você já esqueceu do que viu.

Sejamos francos, você nunca  iria ao cinema pra assistir a um filme desse tipo, não convidaria um amigo para vê-lo, não tiraria o carro da garagem pra isso. É desses filmes que te valem duas horas de entretenimento sem compromisso. E eu me sinto assim, a sua Sessão da Tarde, a sua companhia sem muita expectativa ou grande emoção. Como um desses filmes que não valem o ingresso e, de tempos em tempos, tem reprise garantida. Aí você me assiste de novo, me sorri de novo e me esquece de novo.
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A foto é de Bimbi Gardel

fratura exposta, por alaide cadima

por   /  28/08/2012  /  9:25

Talvez a culpa seja do Paulo Mendes Campos, por Alaide Cadima

“Amor, meu querido amor. Hoje acordei com aquela sensação de quando você está com o corpo muito quente e recebe um banho de água fria. Aquele espasmo que dá, que você é obrigado a gritar pra seu corpo não ter um colapso maior com o susto do choque térmico. Acordei com o susto, querendo gritar. Querendo desesperadamente gritar que não dá mais.

Ontem, no nosso jantar de comemoração de mais um ano juntos, percebi que não estamos mais juntos. Percebi que estamos caminhando pro mesmo lugar, mas não juntos.

E a culpa não foi nossa, talvez a culpa seja do Paulo Mendes Campos que escreveu aquela crônica falando que o amor um dia acaba. Ele cita tantas maneiras de o amor acabar que talvez minha alma tenha se identificado com alguma delas e simplesmente se deu conta de que o nosso também acabou.

Queria realmente que o nosso amor nunca tivesse acabado, queria puramente ter você como meu companheiro pra vida toda, queria chegar aos 75 anos brigando com você porque não toma o remédio que o médico lhe receitou.

Mas veja como a vida foi cruel comigo, mostrando pra mim que o meu amor por você acabou. A dor não é só sua. Mas preciso te dizer, acabou.”

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A foto é de Katie Silvester

fratura exposta, por raphaela ramos

por   /  14/08/2012  /  14:11

Antônio não é babaca, por Raphaela Ramos

Já tava farta de gente vazia, vulgar demais, banal demais. Mas Antônio não é babaca. Ele é denso, frágil, meio gordo, que não usa meia que cobre a canela.

Tinha babacas no pátio, no ponto, na porta. Eu era um tanto babaca antes do Antônio chegar.

Mas Antônio chegou, arrastando pelos pés uma bola de ferro e melancolia com cheiro de whisky pelo pátio, pelo ponto, pela porta (e me fez colecionar os silêncios etílicos que lançava de costas pra mim).

Antônio veio pra me tocar os dedos, fazer ler Foucault, Kundera, ouvir The Doors. Ele chegou pra contar que eu não tô sozinha no meu mundo onírico –e contou com um tom reservado de quem se cicatriza, inocente de quem ainda acredita no amor e fraco de quem não quer viver na defensiva.

Antônio é de feltro por dentro, mas os babacas não sabem. Ele morde o canto interno do lábio inferior do jeito mais bonito do universo, tem as unhas roídas de muitas esperas. Fala comigo com o tato de um Wolverine recatado, me toca o queixo pra eu nunca mais esquecer.

Meu amor por Antônio vive de esmolas (ostentar é coisa da paixão). Antônio não é meu e nem será, mas o perdoo –porque Antônio não é babaca.

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A foto é de Heddaselder

fratura exposta, por vitória de melo bispo

por   /  06/08/2012  /  14:50

Eu quero ser o teu problema, por Vitória de Melo Bispo

Nada de amor heroico, bonito e comovente. Deixo as filosofias otimistas para quem acredita nelas. Eu quero ser a tua insegurança, o teu objeto de desejo que te faz achar que você só tem defeitos _e que certamente não me merece. Eu quero ser o amor intruso, entrão, inconveniente; invadir o teu pensamento quando um amor menos complicado teimar em se aproximar. Eu quero ser quem te faz procurar terapias; quero ser relatado a um psicólogo. Nada de rendas brancas, vestidos de noiva, taças cruzadas.

Eu quero ser quem te faz sair dos lugares comuns, abandonar jantares importantes e festas com seus melhores amigos. Eu quero ser a ligação às três da madrugada e te confundir inteira quando você achar que já não quer tanto assim. Também quero ser o telefone que não toca no dia seguinte. Eu quero ser tuas unhas roídas, tua mania constante de mexer no cabelo, tua síndrome das pernas inquietas. Eu quero ser a resposta monossilábica para tua declaração. Eu quero marcar um encontro, uma conversa, um café e, de última hora, desmarcar _e numa eventual nova possibilidade de encontro, ver você me esperar outra vez. Nada de fotos, flores, músicas de nós dois.

Eu quero ser o teu eterno caso, a lembrança que você lamenta. Eu quero deixar explícito o meu descaso e te ver, ainda assim, se importando comigo. Eu quero te desfilar como um troféu perante aqueles que um dia te quiseram e, em casa, te colocar no lugar mais ignóbil de minha estante. Eu quero ser as cartas que você não consegue jogar fora; a mentira que você não se cansa de acreditar; a saudade que emudece.

Eu quero ser os textos que você escreve de madrugada, tua tentativa desesperada de não enlouquecer. Quero ser a tua insônia, a tua insanidade. Teu susto, teu único assunto. Você Julieta, eu Romeu que não morreu. Eu quero rir da hipótese de um futuro nosso, ver você me odiar por um minuto e voltar a me amar com toda sua raiva logo depois. Eu quero ser as perguntas que você evita se fazer. Quero ser o seu medo de não aguentar.

Eu quero ser o teu problema, garota. Não por capricho. Não por um motivo pífio.

Eu quero ser o teu problema desde que você se tornou o meu.

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A foto é de Diane Sagnier

fratura exposta, por s.

por   /  03/08/2012  /  9:00

Hidrografia, por S.

Quando me perguntam se você volta, respondo que sim. Mas queria poder dizer que estou triste somente porque você foi viajar. As pessoas me diriam que quatro meses passam rápido, que a gente até poderia trocar uns e-mails e conversar no Skype de vez em quando. Que não foi o fim definitivo. Na mesa do bar, provavelmente um desconhecido, contaria que esperou a namorada voltar do intercâmbio (“dez meses lá nos cafundós do Texas”) e que ainda ficaram juntos por mais uns anos. Eu diria que não, que não posso ficar te esperando e alguém terminaria o assunto com um clichê: “se for pra dar certo, vai dar”.

Uma amiga me prometeria que sairíamos todo final de semana, que eu nunca ficaria sozinha e que, inclusive, nem sentiria o tempo passar. Eu ficaria um tempo cogitando o número de meninas que você pegaria em cada país, mesmo sem saber exatamente o seu roteiro. A mesma amiga iria me dizer pra aproveitar esse tempo pra conhecer outros caras, mesmo sabendo que seria difícil pra mim.

Eu olharia suas fotos no Facebook sem tirar conclusão nenhuma, só notaria que o seu cabelo cresceu, que você aproveitou bem a temporada em Amsterdan, que as cervejas alemãs te agradaram bastante, que os festivais de Barcelona foram mesmo incríveis e que eu gostaria de estar lá com você. Procuraria algum roteiro barato para as férias de julho, continuaria procurando outro emprego, procurando você naqueles “outros caras” que eu invariavelmente acabaria conhecendo e indo à aula todas as noites. Exatamente como eu fazia quando você estava aqui. A não ser por aquela última vez em que eu faltei à aula pra te dar um “oi” e acabou sendo o “tchau” definitivo sem que soubesse.

Queria poder dizer que ficarei te esperando esses quatro meses e que em agosto estarei aqui, pra nos encontrarmos e conversarmos sobre tudo o que você viu por lá _e quem sabe ganhar um kit kat do freeshop. Só eu, você e o abraço mais apertado do mundo. Então eu faço questão de dizer pra todas essas pessoas – e, principalmente, pra mim mesma – que o tempo e a distância não têm nada a ver com isso. Para os separados pelo Oceano Atlântico há o e-mail, o Facebook, o telefone. Há o consolo de que os abraços de reencontro são os mais apertados do mundo. Queria viver e dizer isso tudo, mas o Atlântico não é nem o maior dos oceanos nem o menor dos meus problemas.

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A foto é de Kristina Petrosiute

fratura exposta, por bruna castro

por   /  02/08/2012  /  8:30

Eu te amo hoje, por Bruna Castro

Eu achava que amor era algo construído com o tempo. Maduro. Que o amor podia ser aprendido, ensinado. Que o amor crescia com cada dificuldade. Com cada defeito descoberto ou revelado. Com cada fraqueza assumida. Achava que o amor era o que vinha depois da paixão. Aliás, me disseram “a paixão dura 8 meses. Se sobreviver, então é amor”.

Pode ser que seja assim, também. Mas resolvi jogar tudo isso no lixo e descobrir sozinha o que é amor pra mim. E, então, aprendi que a paixão pode durar 8 minutos e virar amor. Amor pode ser vivido em um dia, em uma noite. Amor pode durar 24 horas, uma semana, um mês, um ano e uma vida. É isso. Agora eu entendi. Entendi o que era aquilo que senti algumas vezes, no mesmo tempo do que deveria ser paixão, mas diferente. Acho que senti amor por pessoas por algumas horas, mas não me venha dizer que não era amor. Era sim.

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A foto é de Elif Sanem Karakoc

fratura exposta, um convite!

por   /  25/07/2012  /  10:00

Basta mandar sua Fratura Exposta pra dani@donttouchmymoleskine.com ♥

Não tenho conseguido responder tudo, mas garanto: leio todos os textos que vocês me mandam _e como tenho como meta de vida zerar a caixa de entrada do meu e-mail, não se espantem se a resposta chegar um tempinho depois… =)

Pra conhecer o Fratura Exposta > http://donttouchmymoleskine.com/category/categorias/especialdonttouch/fratura-exposta/

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fratura exposta, por x

por   /  24/07/2012  /  9:00

Você me convence a ficar e eu fico, por X*

Quinta-feira
– Já viu aquele filme? “Paraísos Artificiais?
– Não.
– Vamos ver no fim de semana?
– Não posso, desculpe. =/
– Ah ok, marcamos outro dia. =)

Domingo
 Oi, fui assistir “Paraísos Artificiais” e, sabe, nem é tão bom.
Ah sério? Foi com a sua mãe?
– Não, fui com uma “amiga”.

Fingi que minha internet caiu. Naqueles dias eu sentia que você estava se esquivando de mim, como se a companhia que antes lhe era agradável, agora fosse chata, inconveniente. Você sabe o que eu sinto, sabe que eu sei. Mandei um sms.
00:40 – Eu sei que não deveria me sentir assim, mas eu me sinto e você sabe.
01:01 – Queria que fosse mais fácil, não iria dormir se não te respondesse. Espero não ter te acordado.

– Não acordou, acho que também não vou conseguir dormir. Sabe, é que eu me sinto culpada por tudo isso, você está certa, eu é quem preciso aprender a lidar com a situação.
– Não se sinta culpada, doida. Perdi o sono também, mas acho que deveríamos tentar dormir…
– É que eu não quero ser a pessoa chata que você precisa evitar. Desculpa, mas eu precisava dizer como eu me sinto.
– Eu não evito você, longe disso. Você sabe que eu sou sincera com você. Eu só não quero ser a pessoa que sempre te lembra coisas tristes. Não desculpo, me deve um abraço.
– Já falei, vão se passar 50 anos e eu só vou lembrar das coisas boas. Ok, eu pago o abraço.

E termina assim, toda vez você me convence a ficar e eu fico. Sinto sua falta, mesmo que seja só das idas ao cinema, dos cafés na alameda Santos, dos abraços no sofá. É só saudade, mas quem sabe um dia passa. A saudade.
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A foto é de Marlaisagranma
* X preferiu não se identificar. Se você também não quiser, basta pedir =)