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Posts da categoria "amor"

fratura exposta, por alice

por   /  06/07/2012  /  11:43

Não espera muito dele, por Alice

Buscando um email entre zilhões na caixa de entrada, apareceram na busca apenas 4 opções, sendo uma delas o email que eu queria. Só que um deles era pessoal, o que me pareceu muito bizarro, já que os termos eram “empreendedorismo, oportunidades”, acabando por chamar minha atenção mais do que o objetivo da pesquisa.

Eram só umas 15 linhas com muita enrolação, mas o final dizia:

“Ser sempre o idiota que vive a vida sem maiores preocupações, mas não se arrisca a coisa nenhuma em relacionamentos, esperando por uma pessoa que pode ser que nem a existência dele note mais”.

Tava ali, sabe. Tudo que eu passei depois tava ali, bem no início. Não me lembrava de jamais ter lido nada daquilo, mas provavelmente eu peguei as 13 linhas iniciais, nas quais ele falava do tanto que gostava de mim e do tanto que eu era importante, abracei, fiz virar amor e ignorei a final, que tinha um enfático “só que não”.

Ignorei que no final ele dizia que “não se arrisca a coisa nenhuma”, se referindo diretamente a nós, e provavelmente até peguei aquilo como desafio. E fica essa história básica de ler as coisas como a gente quer e não como elas são. Tivesse sido eu esperta, morria Bahia ali e eu me era poupado um ano em que eu, em ataques masoquistas ad eternum, corria atrás de quem, desde início, dizia que por mais que se importasse, não era eu o foco.

Por uma vida em que a gente leia mais as linhas e tente imaginar menos as entrelinhas.

(Adoro escrever entrelinhas porque sempre vejo na palavra estrelinhas).

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A foto é de Valeria Monhait

fratura exposta, por camilla costa

por   /  02/07/2012  /  11:41

Queridos, faz um tempo que quero retomar a Fratura Exposta, uma partezinha desse blog de que a gente tanto gosta  ♥

Algumas pessoas me mandaram e-mail pra participar do Fratura, eu os marquei com estrelinha pra responder depois e acabei não fazendo isso. Peço desculpas e digo a vocês que o Fratura voltou, então podem me mandar textos (ou reenviar os que vocês já mandaram)!

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Uma mente sem lembranças, por Camilla Costa

No dia seguinte, uma segunda-feira, ele veio falar comigo no MSN.

– Como foi o fim de semana?, perguntou, e eu não acreditei.

Desafiei e perguntei de volta.

– Foi bom. E o seu? Se divertiu?

– Foi interessante – Que resposta mais descarada.

Quem nunca tentou acalmar a própria raiva rindo da mais pura incredulidade, que atire a primeira pedra. Ri na cara do computador como quando preciso jogar um copo de água fria na panela de macarrão porque a água fervendo começa a transbordar. Não funcionou. Com o macarrão eu também ajo sempre quando já é tarde demais.

E aí ele disse que sentiu saudades de mim. Que sentiu. saudades. de mim. Durante o fim-de-semana em que ele havia acabado de passar dormindo com uma semi-amiga minha, hospedado na casa de outros amigos meus. Foi o momento em que decidi não jogar mais o copo de água fria.

“O que você acha que eu sou”, eu disse. “Não sou sua amiga, não quero ser sua amiga.” Por mim água da panela queimava era tudo logo.

Seja como for, me lembrarei da satisfação de, ao menos desta vez, conseguir dizer na hora tudo o que eu queria. Era como um bom script cinematográfico de briga.

– Você acaba de chegar da cama de outra pessoa. Eu sei e você sabe que eu sei. Não diga que teve saudades de mim. Isso me machuca, me irrita e me confunde.

E na verdade, eu o entendia. Isso é o que ninguém conta sobre a empatia, a parte chata. De vez em quando é difícil se colocar de volta na sua própria pele e lembrar que a sua lealdade tem que estar do seu próprio lado. Repassei a lista de razões pelas quais pode mesmo ter sido um tanto desconfortável para ele a viagem romântica de fim de semana. E de repente pareceu que ele estava falando a verdade. Ele realmente sentiu alguma saudade de mim. Tive uma pena inoportuna de nós dois.

– Eu sou idiota. – ele disse, quando terminei meu monólogo bem improvisado.

– É, é mesmo.

Lembro de ter saído do MSN e de casa. Provavelmente chorei um pouco no quarto, arrumando qualquer coisa na bolsa ou no cabelo para sair. Não lembro bem para onde fui.

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A foto é minha, tirada do filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” no último sábado de madrugada  =)

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pecha kucha night, o vídeo

por   /  19/10/2011  /  13:00

Lembram que participei do Pecha Kucha Night São Paulo Vol. 7?

Saiu o vídeo da apresentação!

Vol.7 | 02_Daniela Arrais | donttouchmymoleskine.com from PechaKucha Night São Paulo on Vimeo.

fratura exposta, por luciana minami

por   /  05/12/2010  /  22:09

Fratura exposta, por Luciana Minami

Era demais, como nunca talvez tivesse sido. Olhares que se encontravam, mãos que retorciam uma nas outras procurando calejar as linhas cansadas da vida, acabar logo com aquilo. Ela ficou um tempo olhando a noite que abraçava a cidade num céu rosa alaranjado e quente, quase amável… Para se tornar em seguida negro e cheio de promessas vãs. Pensou, amou com o peito que doía aquela história que tinha acabado. E ficou com medo de amar a próxima. Olhou de novo para ele, do outro lado da sala, que arrumava um disco apropriado para ela. Ela pensou: Ella. Ele pôs Louis. E o pavor tomou conta de cada célula que tremia de frio e pedia um abraço forte que a envolvesse até o ar acabar e o mundo voltasse a ser o que era antes, tóxico e morto, prestes a criar vida novamente. Era mais fácil dizer que gostava de Duke então. Mas isso só faria com que ele a quisesse mais ainda. E se ela batesse nele? Eles se amariam na fúria do outro. E se ela contasse sobre o outro? Ele nada diria e a beijaria, sua nuca ficaria arrepiada e ela ia sim se entregar, sem dó nem piedade de si mesma. Bastava dizer que odiava aquele quadro e ele o tiraria da parede para sempre. E se citasse que o amor era líquido e efêmero, ele a possuiria mais forte e intensamente do que nunca. Se ela pisasse no coração dele, miúdo e despreparado, ele jamais a deixaria. Se ela fosse embora, ele iria atrás.

Então ela disse: Eu te amo. E tudo acabou.

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A foto é de Megan Leonard

fratura exposta, por camila cantoni coutinho

por   /  11/11/2010  /  20:21

Queime depois de ler, por Camila Cantoni Coutinho

Acordei com muita saudade de você. Uma maneira incrível que arrumei de não sucumbir à sua falta é te ter sempre ao meu lado de alguma forma.

Então ouço U2. Nada mais você do que U2. Ouço Kite na versão que você me mandou (pra ouvir sua voz) e na versão original.

Não apaguei as nossas fotos digitais. E também não te tirei do álbum do Ian. Você faz parte da minha história e da história dele.

Daí, em momentos como os de hoje, ouço a música e revejo as fotos.

Estranho que não me reconheço nelas. É bom ver você. Mas aquela que está ali não sou eu.

Concordo com você que não temos jeito. Não vou tentar nem esmiuçar detalhes e culpas, só concordar.

Olho pra trás e parece que ficou um filme. É como se eu estivesse deixando uma cidade em que amei muito estar. É como uma daquelas nossas despedidas no aeroporto em que eu não queria voltar pra São Paulo, mas tinha que voltar. É como aquele abraço que dei no seu filho sabendo que ia ser o último.

As lágrimas surgem ao pensar nisso. Foi difícil demais largar o osso porque todo dia surgia um fio de esperança. Mas eu precisava deixar de ser eu e você precisava deixar de ser você para sermos nós dois. E a essência do ser humano não muda. A gente nunca ia mudar.

A vida parece, finalmente, deixar a largada. Parei de patinar a dois para largar sozinha. Acredito que com você tenha acontecido o mesmo. Ainda que você não tenha necessariamente largado sozinho.

Hoje ouço “I know that this is not goodbye” e meu coração não bate mais forte. Eu sei que foi.

A vida segue.

Preciso te dizer que não repeti o mesmo erro. Segurei minha onda e tenho segurado sem dar passos pra trás. Por mais que, às vezes, a carência bata forte e a oferta seja tentadora, não voltei. Acho isso bom. Achei que fosse me render ao cômodo. Mas não. Nunca fui disso, lembra? Nunca fui de ficar acomodada em coisa nenhuma por muito tempo. Tampar buraco quadrado com rolha redonda não funciona.

Você foi um grande amor na minha vida. O maior que já tive. E se não surgir ninguém novo, vai ser O grande amor. E eu vou ficar feliz por ter sido. Como hoje sou.

Ter e não ter você foi uma das melhores coisas que já me aconteceram.

Tê-lo me inspirou muitos sonhos. Não tê-lo me mostrou que tenho força e capacidade para realizar todos. Sozinha. Obrigada.

Hoje posso dizer que te amo da melhor maneira que se pode amar alguém: tranquilamente. Sem mágoa, sem insegurança, sem medo. Amo o cara que tenho dentro de mim e que vou ter sempre em forma de lembrança e saudade. Que são coisas que ninguém pode me tomar. Mas que ocupam um lugar bem mais gostoso e menor que a dor e o ressentimento.

Um beijo, um abraço apertado… Bom dia…

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A foto é de Krysta F.

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

fratura exposta, por clarah averbuck

por   /  01/10/2010  /  21:29

Morte do abutre, por Clarah Averbuck

Amei. Amei muito. Enlouquecemos. Enlouqueci. Falhei. Perdoei. Ele também. Não fiz mais merda. Ele continuou. Engravidei. Desengravidei. Enfraqueci. Quase quebrei. Virei não-eu. Não conheço aquela moça. Fracassei. Não desisti. Casei. Decaí. Fracassei de novo. Não desisti. O coração pensava: não parte enquanto eu não mandar. Fiquei. Acreditei. Esperei. Lutei. Me esforcei. Aprendi. Continuei. Esperei. Esperei. Esperei. Descobri. Nem chorei. Desisti. Chega de carniça. Chega de migalha. Eu quero amor. Amor vivido, não mentido e nem palavras, palavras, palavras. Cansei. Desisti. Sem mais ser refém da presença da ausência. Nada nunca foi tão triste. O silêncio do fim covarde. Sem nem as tais palavras. Só a covardia do sumiço e da fuga. Cansei. Desisti. Esfarelei. Morri.

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Pedi uma fratura pra Clarah depois de ler seu “Estrago a pessoa amada em 03 dias (ou 03 anos, no caso)”

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Fratura Exposta é uma seção colaborativa do Don’t Touch. Então, se você quer escrever sobre as coisas do coração, manda um e-mail pra mim! > dani@donttouchmymoleskine.com

fratura exposta, por diogo bercito

por   /  26/09/2010  /  21:06

Roubo, por Diogo Bercito

O roubo é uma ação extensa.

Carros podem ser roubados, por exemplo, e é sorte minha que eu não tenha um. Já celulares tive um monte, e vários deles foram embora de bicicleta, na Avenida Paulista.

Minha casa foi uma das primeiras a serem assaltadas no meu bairro, lá na década de 90. Os ladrões, paspalhos, levaram o relógio falso da gaveta de papai e deixaram o verdadeiro para trás, testemunha metálica do furto.

Nem é preciso falar que corações também podem ser roubados de seus donos. Às vezes, nunca são devolvidos. Em outros casos é sequestro duradouro, mas com data de validade, e o que resta é o trauma dos anos de cativeiro.

Já estive lá e voltei para provar que há, sim, vida depois do amor. Foi a Cher quem me perguntou isso, na letra de “Believe”, e lhe respondi em pensamento.

Do que me roubaram, porém, uma das perdas de que mais me ressinto é imaterial. É sentimento de posse sob uma coisa que nem era minha.

Ao fim do primeiro mês de namoro, dei uma frase de presente à minha ex-cara-metade. “Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi”, dizia um sedutor Tancredi em “O Leopardo”, livro do italiano Tomasi di Lampedusa. Apaixonado, apresentei-lhe a citação e, assim, de certa maneira fiz dela minha.

Se queremos que as coisas fiquem como estão, é preciso que tudo mude. Eu segui essa frase como um mantra.

Já estamos separados há mais de um ano, e recentemente não resisti e aceitei seu pedido de amizade no Facebook. No mural de recados, li a frase que era minha. Roubada de mim e reapresentada como se fosse espontânea.

A frase que eu, antes, tinha roubado do Lampedusa.

Eu, que tanto quis que as coisas entre nós dois tivessem ficado como estavam.

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A foto é do filme “O Leopardo”

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fratura exposta, por clarissa amorim

por   /  23/09/2010  /  8:38

De novo, por Clarissa Amorim

Amou tanto, tanto que doeu tanto, tanto e ainda mais. Optou então pelo caminho que parecia mais fácil. Nunca mais. Decidiu não merecer sofrer e expurgou a dor até deixar de sentir. Até esquecer. Até não saber mais como sentir quase nada. Volta e meia se deparava com as inconvenientes lembranças do sentimento enterrado. Às vezes vacilava, mas sempre conseguia colocar uma nova pá de cal.

Depois que o tempo (sempre o tempo) foi diluindo qualquer boa lembrança do amor falecido, sobrou medo e uma razão descabida, exagerada para tudo quanto fosse emoção. Mas foi como se nada de importante acontecesse (e é sempre desse modo), como um choque, se deparou novamente com a aflição e deleite de viver como quem está sempre pronto pra fazer sorrir. Lembrou como é bom se doar de graça, dormir pouco mesmo tendo que acordar cedo, ceder sem sentir dor, mudar de opinião, admirar imperfeições, sorrir a tôa, dormir suspirando, lembrar do outro pelo cheiro e fazer planos. Sim, fazer planos. Não há nada mais delicioso do que fazer planos pra dois.

Outro golpe. Uma rasteira sem aviso prévio. Outra vez aquele buraco profundo que surge no chão, engole e leva para o vazio. Doeu. Dói. Não dava para enterrar dessa vez. Não dava pra comprar um sapato, mudar de cidade, mudar o cabelo, pintar as paredes, mudar de profissão. Precisou assumir a dor, deixá-la transparecer no olhar, nos gestos, na boca do estômago. Como gente grande, que não mostra, mas também não esconde as cicatrizes.

Sem certezas, com as pernas ainda fracas e ainda algumas mil lágrimas atrás dos olhos, desistiu de desistir. Deseja então, profundamente, tentar fazer alguém feliz sem hesitar. Nem que seja só enquanto durar. Nem que seja até doer outra vez. E dói.

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A foto é de Pete Halupka

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fratura exposta, por thiago soares

por   /  12/09/2010  /  14:37

Me queira bem, por Thiago Soares

Há quem diga que bêbados são sábios ou incovenientes. Incovenientes são mesmo, é fato. Sábios, só até quando o álcool permite. Algumas horas depois daquele gole, a gente parece que sabe de tudo, tem a verdade absoluta. Eu estava um pouco assim hoje. Eu estou um pouco assim.

Cada gole, uma lembrança boa de você, uma vontade imensa de cuidar de mim, de ser melhor para mim, para os outros. Vontade de continuar a sentir encantamento, dádiva de algo que não se repete. Uma pessoa, outra pessoa: Deus em algum lugar.

Alguns drinques, uma noite sem grandes expectativas. Acontecimentos banais.

Espero que você não esteja detestando tudo isso: é boa a sensação de não sentir vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.

Acabo de ver coisas, ouvir coisas. No filme, há um princípio da coincidência regendo tudo. Um princípio que explica as precariedades da vida. Não sei se há coincidências, acredito que há sol até nas noites.

A vida segue, o belo é que nós não somos descartáveis. Há alguém muito perto do outro, que olha, que observa. Faz sorrir. E há alguém que está, mesmo sem ser, como se não precisasse, imperceptível.

Tenho um jeito meio desajeitado de dizer as coisas, meio prolixo, meio cheio de curvas, um jeito tão sem precisão que me faz ter vergonha de fazê-lo. Não: decidi não sentir vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.

E essa madrugada? Eu, sinceramente, acho que o tempo vai fazer eu me esquecer de você e você se esquecer de mim. Por isso, escrevi isso. Para deixar registrado.

Eu me sinto melhor com tua presença. Aí. Aqui. Acima das nossas cabeças.

Fique feliz, fique bem feliz, fique claro. Queira ser feliz. Te envio as melhores vibrações.

Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas, que seja bom o que vier: para mim, para você.

Te escrevo isso por absoluta necessidade de sinceridade. Hoje tem noite e amanhã tem sol.

– Me queira bem.

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A foto é de Sabino Aguad

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fratura exposta, por ariana couto

por   /  01/09/2010  /  0:16

Nossa música, por Ariana Couto

Eu que vivia cansada de sempre gostar das músicas mais estranhas e longas… Que não tinham voz e duravam 15 minutos ou mais… Sempre assim, todo mundo reclamava: “Não vai começar a cantar não?” E eu me sentindo perdida e esperando um dia encontrar uma pessoa que gostasse exatamente daquilo… De ficar a noite inteira só ouvindo, sem falar, sem se mover…

E aí que você me aparece sem ser convidado, porque eu não te conhecia, na “festa” da minha casa… E vai direto ver meus discos, fala mal de uns e fica impressionado com outros: “Essa Juliana Hatfield, é legal? Nunca ouvi…”. E eu querendo criar
um pequeno vinculo, disse: “Leva emprestado”.

Ele não só gostava das mesmas músicas longas como podia viver de Toddynho, Fandagos e pizza de calabresa. E torcia pelo Sport, como eu.

Depois de um pequeno tempo a gente descobriu que ia ter nossa própria música, a mais longa de todas, a que não dura minutos, mas a vida inteira. Ela tem os olhos dele, mas a minha sobrancelha, o meu nariz e a minha boca, mas os dentes dele… O cabelo como o dele, mas com a cor do meu… A música mais linda de todas que toca todos os dias, em todos os momentos e nunca no repeat.

Nesse dia, no momento de desespero, ele percebeu que o pequeno vínculo que eu tinha criado com um CD tinha se transformado em “agora a gente tá ligado pra sempre”. Pra sempre se tornou um tempo muito pequeno… Te pedi tanto pra não fazer aquilo… Conversei, tentei, mas você fez.

Depois disso eu me tornei um monstro inseguro, medroso, raivoso e sedento de vingança. Nunca deixei que essa música tocasse mais alto que as outras, nunca me vinguei. Mas disco arranhado não toca do mesmo jeito, pula, volta, repete…

Agora eu percebo que você que foi o diferente, o incomum… Eu nasci pra ouvir as músicas longas sozinhas, pra não ter com quem comentar o disco novo do Silver Mt. Zion ou planejar ver o GY!BE tocando ao vivo em Paris.

Foram só 19,23% da vida dividindo tudo isso com você, e isso com o tempo só vai diminuir até se tornar tão pequeno quanto insignificante. A única ligação agora é de direitos autorais…

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A foto é de Stefany Alves

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