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O climão do Letrux no melhor disco do ano

por   /  24/10/2017  /  10:10

Foto: Vitor Jorge

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Letrux é a nova alcunha de Letícia Novaes, artista carioca que lançou uma pérola este ano – e hoje concorre a melhor álbum no Prêmio Multishow, ao lado de Chico Buarque e Rincon Sapiência. “Letrux em noite de climão” é, sem dúvida, o melhor disco do ano. Ouço várias vezes por dia, e, a cada vez, uma música diferente me pega. Tem amor, tem sofrência, tem melancolia,tem hit pra pista – muitos, aliás. Ela passeia por tantas histórias e tantos moods…

Ao vivo, suas músicas ganham ainda mais força, uma vez que a Letícia é de um carisma absoluto, dona de um timing perfeito para interagir com a plateia. No show o disco faz ainda mais sentido. É forte, potente, divertido. É uau, sabe? Como é bom ouvir música que é feita com verdade, sem ser para soar de um jeito (que vai agradar mais, vender mais).

Costumo dizer que, se não tem algum sofrimento na história, as músicas ficam naquele estágio de quase lá. Música boa é feita de arrebatamento, né?  – e, tenha ela sofrido ou não, a real é que fez um disco genial (que em vários momentos me lembra Rita Lee dos anos 1970, pensa que delícia?).

Como já deu pra perceber, acho ela foda (já apareceu aqui algumas vezes). Conversamos sobre música, vida, processos, essa coisa de ser artista no Brasil.

Pra completar, a Letícia fez uma playlist com suas músicas de amor.

Ah, ela faz shows no Rio (Circo Voador) e em São Paulo (Sesc Vila Mariana) em novembro. Vamos?

#asmúsicasdeamor + #trilhadonttouch

Mais: www.facebook.com/letruxletrux +@leticialetrux

– Eu tô apaixonada pelo Letrux, ouço todo dia, várias vezes por dia, aliás. Quando não ouço, dá uma abstinência. Conta como foi o processo de criação desse disco? Como ele se insere na sua carreira depois dos outros trabalhos?

Foi um processo muito natural, mas ainda assim cósmico e caótico, risos. Desde 2012 fui guardando umas melodias, letras, músicas, coisas que não entraram no Letuce. Eu escrevo quase todo dia, não necessariamente muito, mas uma frase, algo, tô sempre anotando. Em 2015, Arthur (um dos produtores do disco) e eu, inventamos que meu disco chamaria Em Noite de Climão, por conta de uma piada besta, somos muito amigos, rimos, guardamos essa informação, esquecemos. Daí a piada foi ganhando força, o conceito foi se ampliando, veio o golpe, veio que eu não passei em nenhum edital, fiz o 3 crowdfunding da minha vida, em pleno ano de crise, ui! Mas aconteceu, as pessoas me salvaram geral! Além do Arthur, chamei a Natália Carrera, guitarrista maravilhosa, pra produzir também. Éramos um trio bem diferente, mas isso foi muito curioso, saber ouvir, saber mesclar as vontades. Depois dos meus outros trabalhos como cantora, seja Letuce ou outros projetos que também participei, Letrux em Noite de Climão foi um processo de cura, de renascimento, foi meu jeito de contar uma saga, uma trajetória romântica desastrosa, mas ao mesmo tempo curiosa, divertida.

– E como tem sido a recepção dele? Aliás, no show no CCSP fiquei impressionada como você tá formando um público que inclui adolescente (e isso é tão legal!). Como foi essa construção? Como é ser artista no Brasil? Como é ser artista tendo a internet como grande meio de disseminação?

Tento não criar expectativa, pois sou um ser ansioso. A recepção ultrapassou tudo que eu esperava, é muito forte, é email, é carta, é foto, é vídeo, é gente falando comigo no metrô, um troço muito forte, porque não é “Oi, Letícia, sou sua fã”. Não. Acho que como eu tenho uma certa intensidade, as pessoas vem com a mesma pra mim, é muito doido. Mensagens profundas, maravilhosas. Sim, meu público mais jovem aumentou, ao passo que o mais adulto também, achei muito importante isso. Consegui atingir os pólos. A construção foi boca a boca. Claro que meu assessor é maravilhoso e saímos em matérias e sites interessantes, mas todo dia no twitter é alguém dizendo “meu deus me indicaram isso aqui e já não consigo parar”! Ser artista no Brasil é bem brabo. Não vou mentir, não vou recomendar, risos e choros. Só sou porque é o que me move, o que me emociona, o que amo fazer, o que me transforma, me alucina, me deixa viva. A internet ajuda um bocado, visto que somos artistas independentes, então, sem ela não estaria rolando esse bafafá todo, né? Ufa!

– Muitas vezes eu ouço uns discos e penso: “tinha que rolar um pouco de sofrimento para essas músicas serem boas de verdade”. Sofrer por amor, aquela coisa de filme de Hollywood de ter que chegar num ponto treta pra dar a volta por cima. Você acha que um pouco de dor influencia o seu trabalho? Como o amor molda sua arte, sua escrita, suas canções?

Eu lido bem com o eixo “amor & dor”, “tragédia & comédia”, deve haver uma explicação psiquiátrica, risos. Mas caminho do meio não vai ser nessa vida. Tenho dias que entro no buraquinho e vou lá no cerne e choro a vida e sinto tudo muito. Mas sou sempre salva pela graça, impressionante. Sou capaz de estar aos prantos, destruída e fazer uma piadinha leve, pra começar a me reerguer. Aí vou rindo, vou voltando. Então essa montanha russa me influencia um bocado. Eu gosto do amor, tenho sol em capricórnio mas é na casa 5 (que entre tantos significados, é a casa “do amor” na astrologia). Gosto do passeio amoroso, por mais alucinante que seja, gosto.

– O que te faz subir no palco e performar brilhantemente? O que você entrega quando está ali, o que você espera receber, se é que espera?

Outro dia eu pensei uma coisa que é a seguinte: eu estava a 5 minutos de entrar no palco e sei lá, eu fico numa concentração tão louca, que minha cabeça esvazia, eu tentei lembrar de uma letra, e eu mesma me censurei, fiquei “não se programa, não se programa”. Tento deixar acontecer naturalmente. Claro que falo algumas coisas duas, três vezes, mas as entrelinhas eu deixo pra sentir a dinâmica da noite. Eu tenho muito medo de palco, cago sempre antes de entrar, de tão louca minha barriga fica. Mas nunca deixei esse medo me controlar, eu controlo ele, e acho que isso me excita. Então eu domo o palco e fico “arrá!”. Eu espero receber atenção, apenas. Não gosto quando ficam à espreita da queda alheia. Já fiz alguns shows com gente me olhando de maneira estranha. Eu canto de olho aberto, eu olho para as pessoas, então às vezes não gosto do que vejo, é raro, mas acontece. Por mais que você não esteja gostando, tem alguém na sua frente (no caso eu) em carne viva quase, tenha alguma empatia, sabe? Não faça cara de cu. Mas foi raro isso ocorrer. Mas aconteceu e às vezes me desconcentra, daí viro a cabeça e olho para os querides que estão me doando atenção e seu tempo. Eu não sei exatamente o que eu entrego quando estou no palco, talvez meu entusiasmo em estar viva. Não sei.

– Agora pausa pra uma pergunta de RH: como você se vê daqui a cinco anos? E daqui a 20? O que você quer fazer que ainda não fez?

Daqui a 5 anos terei 40, me vejo com mais um livro publicado, uma peça escrita e encenada, mais um disco Letrux, um dvd talvez, risos. Me vejo já tendo lido os 5 livros que estão na minha fila. Acho que já conheci a Grécia e talvez a Itália. Filhos não sei, ainda é uma questão. Me vejo viajando por aí, cantando. Um livro pra crianças, sim. Daqui a 20, uau. Me vejo indo à praia, talvez entrei no vôlei de praia sênior, acho que já fiz a travessia do mar de Copacabana. Passei um ano fora. Na Bahia ou na Grécia mesmo. Sei mais sobre mitologia e sobre a umbanda, talvez já tenha incorporado. Tenho netos, não sei como, mas tenho. Tenho um amor que me acompanhou nessa trajetória insana. Viajamos. Lemos, rimos. Evoluí no violão e no piano, felizmente. Fiz um disco só de baladas, risos. O que eu queria fazer que ainda não fiz é virar mergulhadora profissional, acho.

– O que ser cantora, compositora, artista melhor te ensinou sobre a vida? E quais foram as maiores dificuldades no caminho?

Aprendi que cantar é forte. Vira para qualquer pessoa na rua e fala “Canta aí”, as pessoas têm vergonha. Ninguém fala “gente, deixa eu cantar aqui rapidinho”. Então se você tem coragem de cantar, saiba que você é forte. Envolve muita força, muita entrega, muita divindade. Ser artista me ensinou que a maneira que eu vejo as coisas não é a mesma maneira que todo mundo vê, e isso parece bobo mas me valeu a vida. As maiores dificuldades foram conciliar as expectativas, entender os desejos dos amados pais que só querem o seu bem, amansar o medo do futuro e da falta de grana. A auto estima que por vezes te julga e te faz pensar que você é uma mentira, que está apenas “brincando” de arte e que já passou da hora de fazer um concurso público. Tem muita dificuldade no caminho, não vou mentir.

– Conta brevemente sua trajetória? Aquela coisa de se apresentar pra quem ainda não te conhece, ou pra quem quer relembrar?

Nasci no Rio, caçula, tenho 2 irmãos homens, meus pais são seres humanos iluminados, tive uma infância muito lúdica, cheia de livros e filmes por parte da minha mãe que era professora de francês e com muita música e piscina, por parte do meu pai que é geminiano, risos. Fiz teatro no colégio e achei que era só um passatempo, mas já sentia minha cara ficar quente. Fiz faculdade de letras porque eu amava escrever, mas achei o ambiente acadêmico muito opressor em 2000. Daí fui fazer teatro na CAL, e ali minha vida mudou, fiz amigos profundos, descobri o violão, comecei a compor, foi uma fase muito rica da minha vida. Montei minha primeira banda, comecei a tomar gosto pela coisa. Conheci Lucas em 2007, nos apaixonamos, fizemos a banda Letuce, lançamos 3 discos, viajamos muito, tivemos muitas pirações e momentos lindos. Ano passado quis encerrar a banda, eu e ele já separados e tudo lindo e natural, e aí quis lançar esse disco solo, essa maluquice de Letrux em Noite de Climão. Ah, também já lancei um livro que chama “Zaralha – abri minha pasta” e também já participei de um filme meio blockbusterzão “Qualquer gato vira lata”, o 1 e o 2. Muito divertido fazer. E outras mil coisinhas malucas que já fiz, e ainda farei, certamente.

– Ser artista no Brasil hoje é…

Resistir.

#trilhadonttouch  ·  amor  ·  entrevistas  ·  especial don't touch  ·  música

As músicas de amor: Laís Sampaio

por   /  23/10/2017  /  17:17

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Voltamos com #asmúsicasdeamor, essa parte do blog em que convidados fazem trilhas com as músicas de amor que mais gostam na vida. Desta vez a convidada é a Laís Sampaio, produtora cultural e dona de um gosto musical maravilhoso (foi por causa dela – e do Renato Saraiva – que fui parar no show do Mateus Aleluia, um dos melhore que já fui.)

A playlist “tem música de amor, de transar, de chorar, de amar, de janjar, de superação, risos’, diz ela. E já tá no repeat aqui – tenho a impressão de que vocês vão amar!

#asmúsicasdeamor + #trilhadonttouch

A tecnoguitarrada de Lucas Estrela

por   /  20/10/2017  /  9:00

Lucas

Ouvi o disco do Lucas Estrela e quis me transportar pro Pará. Que música boa, que vontade de dançar! O músico lançou recentemente “Farol”, seu segundo álbum, e a gente aproveitou pra conversar.

Mais: @lucas.estrela

#trilhadonttouch

Pra completar, ele fez uma playlist especial pro blog!

Minha história na música começou com uns 8 anos de idade. Minha família não é de músicos, mas meus pais amavam música, então recebi toda essa influência deles, principalmente da música instrumental e da lambada, que eles gostavam muito. Eles me deram o primeiro violão de presente e fui aprendendo sozinho, naquelas revistinhas de cifras que vendiam em bancas na época. Mas um ano depois, quando fiz 9, meu pai faleceu e acabei abandonando o instrumento por um tempo. Só depois de alguns anos que fui estudar música mesmo. Com 15 montei a primeira banda e aos 16 já tava começando a tocar na noite. Foi nessa passagem dos 16 pros 18, quando ainda era barrado na porta das casas quando ia tocar, que descobri que queria ser artista, haha.

Tem um disco chamado “Tecnoguitarradas” do Pio Lobato de 2007. Pio é guitarrista, compositor e produtor musical daqui de Belém, hoje ele é o produtor musical da Dona Onete. Então, esse disco que completa 10 anos agora em 2017 mudou minha vida. Quando ouvi o “Tecnoguitarradas” pela primeira vez, a ideia de música instrumental, eletrônica e de música experimental se ampliaram na minha cabeça e no meu jeito de tocar e produzir música. O Pio conseguiu juntar a linguagem tradicional da guitarrada com os elementos do tecnobrega e essa coisa mais contemporânea da música eletrônica. Loops, efeitos, samples, tudo isso gravado no home studio do Pio em 2007, quando o acesso aos equipamentos de estúdio de baixo custo ainda não era tão fácil.

Depois te tanto ouvir esse disco, fui atrás dele. Só então que descobri que ele tinha sido responsável por vários outros trabalhos importantes pra cultura popular paraense, inclusive os “Mestres da Guitarrada” (2001). Trabalho que promoveu essa difusão da guitarrada pelo Brasil. Nessa época, acho que tinha uns 18, já produzia em casa e comecei a mandar coisas pro Pio. Certo dia ele disse que tava produzindo o novo disco e queria que eu fizesse a base eletrônica pra uma música chamada “2×2”. Me mandou algumas trilhas de guitarra e fiz a base. A faixa entrou pro disco dele e nossa parceria de composição surgiu aí. O Pio foi um dos responsáveis pelo meu primeiro álbum. A outra pessoa igualmente responsável foi o Waldo Squash (Gang do Eletro), um dos maiores produtores de música eletrônica que tive o prazer de conhecer. Waldo produziu comigo as bases do “Sal ou Moscou”.

O processo de produção do primeiro foi bem diferente do segundo disco. No primeiro, passei uns 2, 3 anos gravando sozinho em casa, sampleando as bases do Waldo até chegar num álbum. Tentei dar uma unidade a esse trabalho, usando praticamente os mesmos timbres de bumbo, caixa, synths e guitarras nas faixas. Algo bem característico do tecnobrega.

No “Farol” (2017), o processo foi totalmente diferente. Chamei vários amigos pra esse disco, tem muitas participações. Gravamos em 3 meses no estúdio Casarão Floresta Sonora, chamei um grande amigo pra fazer a direção artística, o Felipe Cordeiro, e gravei algumas versões instrumentais nesse disco, coisa que não fiz no disco anterior, em que todas as composições eram minhas. Sem falar na sonoridade, que já caminha por outros lugares também. Do carimbó digital à cumbia. Essa experimentação no estúdio só foi possível graças ao patrocínio do Natura Musical que acreditou nessa união da música tradicional e contemporânea feita no Pará.

Bom, tenho 25 anos, nasci em Belém/PA e acho que só fiz coisas ligadas à música até hoje, haha. Nessa época que comecei a tocar na noite, com uns 16 anos, pensava em fazer arquitetura. Tentei o vestibular por dois anos e não passei. Aí foi quando decidi seguir a carreira da música mesmo. Mas também fiz trabalhos ligados à música em outras áreas, como câmera e editor de vídeo em uma produtora audiovisual em Belém por uns bons anos, editando shows e videoclipes (outras grandes paixões: o cinema e audiovisual). Também já fui roadie da Gaby Amarantos e do Felipe Cordeiro por um tempo, depois passei três anos em São Paulo trabalhando na EMESP (Escola de Música do Estado) como técnico de gravação. Fiz o “Cine Concerto Arboreal”, um média metragem de paisagens sonoras que gravei em várias cidades e tocava a trilha sonora do filme ao vivo. Apresentei em alguns festivais em Belém e São Paulo. Em 2015 voltei pra Belém pra finalizar e lançar ainda o primeiro disco e tô aqui desde então.

É bem difícil a gente tentar definir a música que faz, ainda mais sendo instrumental. As influências são tantas que definindo alguma coisa acabaria excluindo outra sem querer. Mas como gosto tanto desse termo criado pelo Pio Lobato e pela cineasta Jorane Castro, eu diria que é tecnoguitarrada.

O “Farol” foi só mais um experimento juntando essas duas linguagens, a tradicional e a experimental. Minha vontade é continuar fazendo música e espero que as pessoas também tenham o intuito de continuar com a produção musical paraense. De ir atrás da história da nossa música, do Mestre Vieira, da guitarrada, do carimbó, do tecnobrega, até chegar nesse momento atual tão legal que a gente tá vivendo. A cidade cheia de novos artistas fazendo música. Isso é bonito demais!

A fotografia de sonhar acordado de Tuane Eggers

por   /  19/10/2017  /  10:00

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Tuane Eggers cria imagens que parecem saídas de um sonho. Paisagens idílicas e corroídas pelo filme analógico se misturam aos amores e amigos em meio à natureza que ela tanto adora. O encontro dá tão certo que a gente é transportado para um tempo de beleza e contemplação.

Lembro dela da época do Flickr, muitos anos atrás. Existia toda uma estética Flickr, quem lembra? Lembro também que ela foi parar no filme “Os famosos e os duendes da morte”, de Esmir Filho. Mais recentemente, suas fotografias fizeram parte de “O filme da minha vida”, de Selton Mello.

Entre suas inspirações, estão as fotógrafas Aela Labbe, Polina Washington e Rinko Kawauch.

Nesta breve entrevista, ela fala sobre o que a motiva a criar imagens que falam tanto de impermanência. Espero que vocês gostem! #galeriadonttouch

Mais em: @tuane.eggers + cargocollective.com/tuaneeggers

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Meu nome é Tuane Eggers e sou natural de Lajeado, uma pequena cidade do interior do sul do Brasil, mas atualmente vivo em Porto Alegre. Acho que sou fotógrafa, mas também acho um tanto difícil de me definir assim em algumas poucas palavras…

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O que me encanta na fotografia é esse paradoxo entre o espaço e o tempo – enquanto ela congela o espaço, o tempo continua pulsando dentro de uma imagem infinita. Também gosto de pensar nessa capacidade que a fotografia possui de registrar algo que realmente aconteceu ou existiu no mundo, mas também de criar um mundo à parte, um mundo inventado a partir do real. É como se minhas imagens fossem um recorte de um espaço em que eu gostaria de viver para sempre, e acho que elas permitem que outras pessoas habitem esse espaço no momento em que são olhadas – e então, talvez, o tempo continue pulsando infinito dentro desse olhar.

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Nossa, muito difícil escolher apenas três [fotos mais fortes que já fez], mas vou falar dessas porque elas marcam, simbolicamente, a força de alguns momentos da minha vida. A primeira [que abre o post] é “Um amor que brota”, de 2015: um retrato do meu ex-namorado Antônio, pessoa tão importante na minha vida, que me ensinou tanto e estimulou tantas coisas bonitas na minha vida e no meu ser, incluindo o meu encantamento pela fotografia analógica. Além disso, essa foto também traz outro assunto que me encanta muito e está bastante presente no meu trabalho: os fungos, principalmente em forma de cogumelos, com a sua capacidade tão importante de decompor.

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A segunda [segunda foto do post] é “Estrada para a imensidão”, de 2014: além de ter sido feita em uma ocasião linda de uma viagem com amigos, ela ganhou um significado especial pra mim neste ano, pois está presente em “O Filme da Minha Vida”, dirigido pelo querido Selton Mello, e foi uma emoção enorme ver ela gigante na tela de cinema durante o filme.

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A terceira [foto do post] é “Dos imensos dias em que fomos tão grandiosamente pequenos”, de 2017: feita durante uma viagem que fiz com meus amigos em que fomos de carro desde o sul do Brasil até o Peru. Nessa viagem, tivemos uma experiência muito forte de dar a volta em uma montanha, durante quatro dias de caminhada, entre os 4 mil e 5,2 mil metros de altitude. Ela também marca uma fase importante de mudanças na minha vida.

tuane eggers7

Acho que espero [com as fotos] reencontros com outros olhares sensíveis. Que elas possam despertar uma vontade de viver. Espero que meu fascínio pela natureza, pela vida e pela potência dos encontros reverbere em outros corpos. Por isso, a cada vez que recebo uma mensagem de alguém que se sentiu tocado pelas minhas fotografias, me sinto preenchida.

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Trilha: 2005 x 1983

por   /  18/10/2017  /  9:09

petra

2005 é o ano em que Luiza, minha afilhada, nasceu. 1983, o ano em que eu nasci. Essa playlist, uma tentativa de diálogo entre duas gerações. Teve um dia que a gente ficou ouvindo músicas novas e “velhas”, eu, ela, Ari, Luisinho. E ficou tão evidente que é tudo tão diferente, haha. Mas sei que adoro ouvir umas coisas que ela adora. Então seguimos aqui na construção.

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Trilha: Bem-vindos ao mundo, nenéns ♡

por   /  16/10/2017  /  9:09

bb

Bem-vindos ao mundo, nenéns! ♡

Se tem uma coisa que eu faço bem na vida é amigo. E se tem uma coisa que eles têm feito cada vez mais e melhor são filhos. Sinto tanto amor por cada uma dessas crianças no mundo que resolvi fazer uma playlist. São músicas que eu acho que toda criança devia ouvir – e, mais ainda, que nós adultos devíamos cantar pra elas, lembrando sempre o quanto elas são amadas e fundamentais. Começa com “Força estranha” porque diz “eu vi a mulher preparando outra pessoa”, e acho que essa frase é uma tradução plena do processo. Tem Lulina cantando “Do you remember Laura?”, que eu gosto tanto e nos leva para as brincadeiras com Playmobil na infância. Depois vem “Do you realize?”, que sempre me faz chorar. Segue com Maria Bethânia de trilha para um parto debaixo d’água, Caetano dando as “Boas vindas”, Siba falando do seu herói. No meio do caminho tem Velvet Underground, Alceu Valença, Daniel Johnston, Roberta Flack… Tanta coisa linda! Sem dúvida muitas das minhas músicas preferidas da vida estão nesta playlist. Que é pro Luiz, pra BabYana, pro Jun e pra Nara, pra Ollie, pra Luiza, Juju e Xuxim, pra Bigüi, pra Anita, pra Martina, pra Emília e Olívia, pro Leone e pra Maria, pro Tomás, pro José, pra Lucca, pra João, pra Irene e pra Teresa, pra Gabi, pro Tomás, pro Chico, pra Helena, pro Antônio, pra Antônia. Ouçam comigo – e espalhem para as suas crianças amadas também!

A foto é da @teresacfreitas.

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